Archive for the ‘Língua Portuguesa Internacional’ Category

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Língua Portuguesa nas máquinas de bilhetes do Metro de Londres

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 31 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Do sítio da Prefeitura de Londres (Reino Unido)
16 de julho de 2014

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A Assembleia de Londres aprovou por unanimidade em 16 de julho uma moção a solicitar a inclusão da Língua Portuguesa nas máquinas de bilhetes do Metropolitano de Londres (London Underground). A inclusão do português passa a fazer parte do plano de modernização das máquinas de bilhetes do Metro londrino, a um custo de 20 milhões de libras esterlinas (ou 25,2 milhões de euros).

A moção aprovada foi apresentada à Autoridade da Grande Londres (GLA) – a autarquia de administração do condado que abrange a região da capital britânica.

A moção aprovada pela Assembleia de Londres também solicitou à GLA a inclusão da etnia “latino-americana/da América Latina” em seus formulários.

A parlamentar Caroline Pidgeon, autora da moção, afirmou: “O português é a sexta Língua estrangeira mais falada em Londres e, com uma grande comunidade latino-americana na capital, temos de fazer mais para entender os números e as necessidades desta comunidade.”

“A modernização das máquinas de venda dos bilhetes do Metro de Londres é uma oportunidade concreta para acrescentar o português na lista grande de línguas dessas máquinas, à medida que as pessoas vão contar com elas cada vez mais.”

Outra parlamentar, Jennette Arnold, apoiou a moção: “Saudamos o facto de que o distrito londrino de Southwark assumiu a liderança nesta questão e incluiu a América Latina como origem étnica em seus formulários de monitoramento, e encorajamos fortemente o prefeito de Londres a seguir este exemplo, a adicionar esta seção em todos os formulários da GLA.”

As máquinas do Metro de Londres dispõem seu serviço automático de venda de bilhetes em 17 línguas, que vão do espanhol, francês, alemão e italiano até árabe, hindi, urdu, turco, chinês e japonês.

O Metro de Londres foi o primeiro e é o mais antigo sistema de trens urbanos subterrâneos do mundo. Inaugurado em 1863, também foi o primeiro sistema desse tipo a operar com trens elétricos subterrâneos, a partir de 1890. O Metro de Londres é munido de 11 linhas e 270 estações. Sua malha viária de 402 quilómetros de trilhos transporta 1,2 mil milhões de passageiros a cada ano.  :::

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Com base em
Include ‘Portuguese’ on London Underground ticket machines.
Extraído do sítio da Prefeitura de Londres – Reino Unido.
Publicado em: 16 jul. 2014.

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Guiné Equatorial anuncia adesão à CPLP em várias línguas – menos em Língua Portuguesa

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 30 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Do Jornal de Notícias (Porto, Portugal)
23 de julho de 2014

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O Governo da Guiné Equatorial anunciou a sua adesão à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no seu sítio oficial na Internet, tendo versões em espanhol, inglês e francês – mas não em Língua Portuguesa.

O Governo da Guiné Equatorial anunciou o ingresso do país na CPLP em diversas línguas – mas ainda não tem canal oficial em Língua Portuguesa. 

O Governo da Guiné Equatorial anunciou o ingresso do país na CPLP em diversas línguas – mas ainda não tem canal oficial em Língua Portuguesa.
 

“Por consenso dos Estados-membros da CPLP, aprovou-se outorgar à República da Guiné Equatorial o estatuto de país membro de pleno direito no seio da Comunidade, integrada até a data por um total de oito nações, cinco delas no continente africano. O nosso país passará a ser o sexto de África e o nono em ordem cronológica de adesão a esta Comunidade, criada no ano de 1996″, diz o texto publicado na terça-feira, 22 de julho, pelo Escritório de Informação e Imprensa da Guiné Equatorial, com versões em espanhol, inglês e francês.

O texto lembra que a Guiné Equatorial é o único país a integrar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que tem como língua materna o espanhol.

“Desta forma, o dia 23 de julho será um marco na jornada histórica do povo equato-guineense, já que a partir desta data o português será o terceiro idioma oficial do país, depois do espanhol e do francês”, referiu ainda o texto.

O português tornou-se Língua oficial do país em 2011, depois de aprovado pelo Parlamento equato-guineense e após um decreto presidencial de 2010.

O francês, língua oficial do país desde 1997, nunca foi efetivamente implementado no ensino regular, nem é usado pela população equato-guineense.

O Governo da Guiné Equatorial já garantiu que o seu Ministério da Educação está a finalizar um plano curricular de português para ser implementado brevemente no ensino regular do país.

A investigadora portuguesa Ana Lúcia Sá, que tem trabalhos sobre o país africano, referiu que o destino do português será o mesmo do francês, ou seja, não será efetivamente implementado no país africano.

“A cidade de Díli, capital da República Democrática de Timor-Leste, encontra-se estes dias em plena ebulição ao acolher várias delegações dos distintos países, tanto os membros de pleno direito como os que agora são observadores associados, categoria em que estava a Guiné Equatorial, assim com as Ilhas Maurícias, desde 2006″, indicou ainda o texto do Governo da Guiné Equatorial.

O comunicado ainda refere os esforços do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mbasogo – que governa o país desde 1979 –, na “tão esperada” integração na CPLP.

O país africano, que pediu adesão ao bloco lusófono em 2010, entrou na Comunidade de Países de Língua Portuguesa durante a X Conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que decorreu em Díli, Timor-Leste.

A Guiné Equatorial é muito criticada pelas organizações não-governamentais internacionais por violações dos direitos humanos e pelos seus altos níveis de corrupção no país.  :::

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Guiné Equatorial anuncia adesão à CPLP em várias línguas, menos em português.
Extraído do Jornal de Notícias (Porto, Portugal)
Publicado em: 23 jul. 2014.

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Guiné Equatorial: crianças aprendem português com sotaque brasileiro

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 29 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Da Agência Lusa
21 de julho de 2014

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“Eu sei apresentar-me em português: ‘Bom dia, sou a Constança'”, diz uma menina de nove anos, em um sotaque brasileiro, na Embaixada do Brasil em Malabo, capital da Guiné Equatorial.

Na cidade, existem 300 alunos de português que frequentam um projeto-piloto da Embaixada do Brasil e que tem tido um grande sucesso no país que participou da Cimeira de Díli, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

As aulas decorrem na embaixada do Brasil e no Centro Cultural Equato-Guineense. Shirleide Pereira é a professora da turma de Constança, que inclui 20 crianças, com aulas duas vezes por semana.

O projeto inclui um jornal, O Carioca, que é distribuído pela embaixada e em que se podem ler os trabalhos dos alunos. “Temos de desenvolver o português e para isso é preciso criar um curso. Quando eu abri o curso, em abril de 2012, tínhamos um espaço para 100 alunos e apareceram quase 300″, recorda Eliana Puglia, a embaixadora cessante do Brasil.

Desde que se começou a falar na adesão à CPLP, a diplomata já nota diferença. Está-se a criar um “‘portunhol’ que é falado nas ruas” e a “Língua Portuguesa é muito acarinhada”.

–– Rumo à abertura em uma “semidemocracia autoritária” ––
Apoiante da entrada do país, o Brasil acha que esta adesão constitui uma “oportunidade” para a organização e a aposta deve ser no alargamento: “A CPLP deve crescer porque na medida em que cresce, cresce também a nossa cultura.”

A formalização do português como Língua oficial da Guiné Equatorial “vai forçar que cada vez mais pessoas falem português”, podendo depois gerar benefícios para todos.

“Na hora de fazer o comércio, eles vão fazer com os portugueses, com os brasileiros e com os angolanos” e haverá “uma abertura muito maior”, diz a diplomata, confiando que a Cimeira de Díli seja um “momento certo” para a formalização da entrada do país. Caso “demore muito tempo a acontecer, pode ser que a gente perca o bom da história”, diz Eliana Puglia, que reconhece a existência de vários problemas de direitos humanos no país, mas salienta que o Governo está a fazer um esforço para resolvê-los.

“Há um processo de abertura gradual neste país e, pelo que era, está a ser bastante rápido”, diz a embaixadora, que invoca a sua própria experiência para aconselhar a sociedade civil dos países ocidentais. “Depois de três anos em África, acho que temos de respeitar as tradições africanas”, que têm um modelo de gestão “quase feudal e tribal de sociedade antiga”.

No entanto, reconhece, a Guiné Equatorial ainda continua a ser “uma semidemocracia autoritária”, mas para mudar isso é necessário formar a sociedade civil. Por isso é que as aulas de português podem ajudar a formar uma nova consciência política.

“Um aluno vem para a aula e sabe que no Brasil vai haver eleições e vê a briga que existe”, diz Eliana Puglia, acrescentando: “Só a mera existência do exemplo” do que se passa noutros países “já é alguma coisa”.

–– O primeiro livro didático em português da Guiné Equatorial ––
As aulas são ministradas por dois professores brasileiros e um português. Shirleide Pereira lida em particular com as crianças, com as quais “é possível fazer a diferença” porque “têm muita facilidade” em aprender. “Sou apaixonada por dar aulas” e a adesão inicial “surpreendeu bastante”.

Um dos instrumentos didáticos é o primeiro livro escrito em Língua Portuguesa, pela própria embaixadora e por outro professor, Emmanuel Laureano, denominado Conhecendo Malabo.

No livro, são feitas comparações lexicais e fonéticas entre o espanhol e o português, juntando também exercícios básicos para as crianças.

O livro inclui-se também em um dos “escopos da diplomacia brasileira”, que é a “difusão do português”, refere a diplomata.

Rodrigo, de 10 anos; Gael, 9; Willie, 9; Frankin, 8; Sara, 5; Rossia, 7; e Manuel, 7. São colegas de Constança em um projeto a marcar o início das aulas de Língua Portuguesa em um país que usa mais o espanhol nas ruas.

“Gosto muito de português”, mas “falo melhor espanhol”, resume Emerson, de 9 anos.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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Uma breve história do IILP – o Instituto da gestão comum da Língua Portuguesa

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 28 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Baseado em dados do IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa

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O Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) foi fundado antes mesmo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) – esta última criada em 1996 e que representa os governos dos países que têm o português como Língua oficial.

Em novembro de 1989, por iniciativa do então presidente do Brasil, José Sarney, os chefes de Governo dos países lusófonos reuniram-se em São Luís, Estado do Maranhão, Brasil, e que lançou as bases de um instituto para a gestão conjunta e de âmbito internacional da Língua Portuguesa.

Em dezembro de 1990, em Lisboa, a reunião dos ministros da Educação e da Cultura dos países lusófonos – que, na ocasião, assinaram o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa – estabeleceu como objetivos fundamentais desse órgão “a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da Língua Portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico e tecnológico.”

Os estatutos do IILP somente foram lançados em julho de 1998. Eles definiram a sede do órgão na Cidade da Praia, em Cabo Verde, e acrescentaram aos objetivos originais do Instituto a cooperação técnica em todos os níveis entre os países lusófonos e a promoção e defesa da Língua Portuguesa nos fóruns internacionais.

A Direção-Executiva e a presidência do Conselho Científico do IILP são cargos com caráter rotativo entre os países-membros da CPLP. O cargo de diretor-executivo tem duração de dois anos e pode ser prorrogado para mais dois anos.

O Conselho Científico do IILP é formado por representantes dos governos ou coordenadores das Comissões Nacionais do IILP. Reúne-se uma vez por ano na sede da entidade, a Casa Cor de Rosa, em Praia. Esse conselho avalia e aprova o Relatório Anual, as contas e a proposta de orçamento do Instituto e apresenta propostas de políticas de orientação e de alteração de estatutos do IILP.

Estes foram os diretores-executivos do IILP:
• 1999-2001 — Mário Alberto de Almeida Fonseca (Cabo Verde)
• 2001-2004 — Ondina Duarte Fonseca Rodrigues Ferreira (Cabo Verde)
• 2004-2006 — Manuel da Cruz Brito-Semedo (Cabo Verde)
• 2006-2010 — Amélia Mingas (Angola)
• 2010-2014 — Gilvan Müller de Oliveira (Brasil)

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–– Com base em dados do IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa ––

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Leia também:
CPLP elege Marisa Mendonça como nova diretora-executiva do IILP – 27 de julho de 2014

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Língua Portuguesa será ensinada nas escolas primárias da Guiné Equatorial

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 26 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência Lusa
21 de julho de 2014

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Malabo — O governo da Guiné Equatorial promete que o Ensino do Português será implementado nas escolas primárias, faltando agora a validação técnica do projeto de ensino, no âmbito do processo de entrada na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Em entrevista à Agência Lusa, Isabel Oyono, embaixadora de carreira e coordenadora da Comissão Nacional da CPLP na Guiné Equatorial, explicou que o “Ministério de Educação já elaborou um programa curricular de ensino até à universidade”, faltando agora o apoio de técnicos para validar o modelo e para formar professores.

“Esperemos que o IILP”, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, “ou o Instituto Camões nos assessore nesse aspecto para que se aprove o programa curricular em definitivo e se comece o ensino aos guineenses”, disse Isabel Oyono.

Apesar de o português não ser utilizado por ninguém nas ruas, onde só se fala o espanhol e o fang (o dialeto da maior etnia do país), Isabel Oyono está confiante no projeto de introdução da nova Língua.

Por isso, há uma boa imagem da Língua Portuguesa que deve ser capitalizada. Exemplo disso, é o facto de as aulas de português, ministradas através da embaixada do Brasil, terem uma forte adesão, salienta.

“O guineense aprende idiomas facilmente e especialmente o português”, embora “com acento brasileiro”, diz Isabel Oyono, salientando que estes cursos pontuais já conquistaram vários elementos da hierarquia do Estado, como o reitor da Universidade da Guiné Equatorial ou o ministro dos Assuntos Exteriores.

–– Um futuro “Centro Cultural de Expressão Portuguesa” ––
No entanto, o objetivo do Estado equato-guineense é iniciar no próximo ano letivo “centros-piloto” para testar o ensino da Língua, esperando também a criação do futuro “Centro Cultural de Expressão Portuguesa”.

Além disso, o país tenciona, através da CPLP, fazer um concurso para docentes de português dos países lusófonos que venham dar formação aos professores.

Os “professores de línguas do Ministério da Educação irão ter formação adicional e especifica, e serão eles os professores de português na Guiné Equatorial”, acrescenta Isabel Oyono.

“O português é o terceiro idioma oficial só há pouco mais de um ano”, diz a coordenadora, em entrevista à Agência Lusa em Malabo.

“Vai ser diferente do francês. Quando a Guiné Equatorial aderiu à Francofonia, fizeram-se cursos muito superficiais. Mas com o português, queremos começar nas escolas primárias”, explica Isabel Oyono.

Para a responsável do projeto, cada “guineense está entusiasmado com a possibilidade de falar idiomas, em particular o português”. Até porque, diz, “por lei natural, a Guiné Equatorial é membro da família lusófona”, já que o país foi colonizado mais tempo por portugueses do que espanhóis.

Descoberta pelos portugueses, a Guiné Equatorial foi colónia portuguesa entre os séculos XV e XVIII; porém, foi cedida à Espanha pelo Tratado de Santo Ildefonso em 1777. Desde então, tornou-se a Guiné Espanhola, que obteve a independência em 1968.

A Guiné Equatorial é o único país africano de língua oficial espanhola. Desde decreto de 2011, a Língua Portuguesa e o francês juntaram-se ao espanhol, passando o país a ter três Línguas oficiais.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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X Cimeira: IILP apresenta projetos ao Conselho de Ministros da CPLP em Díli

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 23 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
22 de julho de 2014

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O diretor-executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Gilvan Müller de Oliveira, apresentou os dois projetos de políticas de ensino da Língua Portuguesa durante a XIX Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em Díli, Timor-Leste.

Em entrevista à CPLP, Gilvan Müller destacou a importância da questão da Língua Portuguesa como um dos pilares da Comunidade, que completa 18 anos de existência, e também diante do interesse de novos países se tornarem observadores associados do órgão lusófono no futuro.

“Ficamos muito contentes por ter nesta Cimeira – exatamente aos 18 anos da organização – entregue aos Senhores Ministros dois grandes projetos que são de responsabilidade da CPLP e que mudam fundamentalmente o modo como a Língua Portuguesa é gerida no espaço internacional”, declarou Gilvan Müller, em referência ao Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC) e ao Portal do Professor Português Língua Estrangeira (PPPLE).

Ambos os projetos, feitos em plataformas digitais disponíveis na Internet, foram feitos com bases no que foi programado pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 e, sobretudo, pela I Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa, realizada no Brasil em 2010 e que deu origem ao Plano de Ação de Brasília sobre a Promoção, a Projeção e a Difusão da Língua Portuguesa.

–– Gestão conjunta da Língua Portuguesa: “o espírito da CPLP” ––
“Temos a possibilidade de a CPLP tomar a questão da Língua de um ponto de vista diferente”, explicou Gilvan Müller, “que é deixar de ter a Língua nas mãos só de um espaço nacional, com duas normas hoje de pouca capacidade de colaboração – que são as normas de Portugal e do Brasil –, com a ausência dos demais países na elaboração de instrumentos mais amplos para a Língua Portuguesa”.

Em vez da dualidade Brasil-Portugal e da exclusão das demais nações, o professor e linguista brasileiro defendeu o modelo adotado pelo IILP, de trabalho conjunto em âmbito internacional, de inclusão e de colaboração.

Trata-se de um modelo partilhado de gestão da Língua, “em que nós possamos nos sentar ao redor de uma mesa, planejar o instrumento que queremos criar, consensuar as suas bases e depois criá-lo de maneira conjunta, no espírito da CPLP, com cofinanciamento e com coatividade técnica de cada um dos países.”

“Vejo, portanto, que esta é uma mudança fundamental para a CPLP, já que a Língua é um dos pilares da organização, e só posso augurar então que nos próximos anos essa metodologia se fortifique”, declarou Gilvan Müller, que está encerrando o seu mandato de quatro anos na Direção-Executiva do IILP.

“Que os projetos cada vez mais envolvam a sociedade, os utilizadores da Língua Portuguesa, todos aqueles que olham para a CPLP, almejando que a CPLP faça uma gestão internacionalizada da Língua Portuguesa.”

A XIX Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP antecede a X Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que será também realizada na capital timorense. Na ocasião, também ocorrerá a eleição do próximo diretor-executivo do IILP.  :::

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Clique aqui para assistir ao vídeo da entrevista de Gilvan Müller de Oliveira ao canal de transmissão contínua da X Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, Díli, Timor-Leste.

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–– Extraído do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ––

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O português sobreviverá no Sudeste da Ásia? – Oliver Stuenkel

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 16 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , ,

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A Língua Portuguesa foi levada ao continente asiático há exatos quinhentos anos, com as Grandes Navegações empreendidas por Portugal que permitiram aos europeus o contato com todos os continentes ao redor do mundo.

A mesma Língua de Os Lusíadas era a Língua franca do comércio e dos contatos entre diversos povos da Ásia, sobretudo da Índia, da China, do Sudeste Asiático do Japão. Foi o veículo de comunicação entre os europeus e os povos das “Índias” para o comércio de especiarias e de produtos ao longo dos oceanos Índico e Pacífico.

A Língua Portuguesa, a primeira a se globalizar e que uniu povos os mais diferentes no contato com os portos da Ásia, tem ainda caráter oficial em Macau, na China, e no Timor-Leste. Tornaram-se marcas de identidade cultural e linguística dos macaenses e dos timorenses. Ainda no Timor-Leste, o português foi Língua de resistência, sinónima da liberdade, durante a ocupação ilegal indonésia, entre 1975 e 2001.

E há ainda populações esparsas que usam a Língua padrão ou os crioulos de origem portuguesa: como em Goa, Diu e Damão, na Índia; em Malaca, na Malásia; no Sri Lanka; e nas ilhas de Java e de Flores, na Indonésia.

Mas, comparando com o que representou o passado da Língua em tão importante região do mundo como a Ásia, e levando-se em conta o papel do Brasil como nova nação difusora da Língua em âmbito mundial, questiona-se sobre o futuro que é vislumbrado pela Língua Portuguesa, em especial, no Sudeste Asiático. E tais questões ganham mais relevo com a proximidade da Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, a se realizar em Díli, capital do Timor-Leste.

O cientista político Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas, uma das mais conceituadas instituições de economia e gestão do Brasil, lançou recente artigo com uma análise sobre a presença da Língua Portuguesa e qual a contribuição que a CPLP pode dar ao desenvolvimento do Timor-Leste. O artigo foi publicado no jornal digital Brasil Post, em 15 de julho de 2014.

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–– O português sobreviverá no Sudeste da Ásia? ––

Oliver Stuenkel
do jornal digital Brasil Post
15 de julho de 2014

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O Timor-Leste é um país de Língua Portuguesa? Esta pergunta possui implicações geopolíticas. Após a independência em 1999, o novo governo do Timor-Leste reinstaurou o português como Língua oficial, juntamente com o tétum, uma língua indígena. Como consequência, o país se juntou, em 2002, à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Líderes timorenses veem a organização (além da ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático], à qual eles esperam juntar-se em breve) como um elemento-chave na sua tentativa de fortalecer os laços do país com outros países.

No entanto, os policy makers [os decisores políticos] timorenses viram o idioma português como mais do que apenas uma ferramenta para fortalecer laços com Brasil, Portugal, Angola e Moçambique. Sua adoção também serviu como um símbolo poderoso de que o Timor era diferente da Indonésia, que era uma colônia holandesa.

No momento da independência timorense, o português, que foi proibido durante a ocupação indonésia, era falado por apenas 5% da população. O Censo de 2010 revelou que as línguas maternas mais faladas eram tétum prasa (língua materna para 36,6% da população), mambai (12,5%), makasai (9,7%), tétum terik (6,0%), baikenu (5,9%), kemak (5,9%), bunak (5,3%), tokodede (3,7%), e fataluku (3,6%).

Outra pesquisa revelou que 90% da população utiliza o tétum diariamente, além de outras linguagens. 35% da população fala indonésio (principalmente nas cidades), e uma parte crescente fala inglês, um requisito para obter os empregos mais bem remunerados, oferecidos pela considerável indústria de desenvolvimento no país.

Os esforços para popularizar o português têm sido lentos. De acordo com um relatório do Banco Mundial, até 2009, mais de 70% dos alunos submetidos a um teste no final do primeiro grau “não puderam ler uma única palavra” de um texto simples em português, “um péssimo desempenho após 10 anos de esforços.” Ao mesmo tempo, deve-se levar em conta que, até recentemente, uma parte da população era analfabeta, embora a maioria das crianças vá para a escola atualmente.

As leis e as estruturas administrativas são baseadas no modelo português e permanecem na Língua Portuguesa, mas a maioria dos debates parlamentares e conversas no gabinete são realizadas em tétum, que pertence à família austronésia de línguas faladas em todo o Sudeste Asiático.

O Timor-Leste tem se beneficiado de fazer parte da CPLP? Enquanto a maioria dos policy makers diria que sim, há sinais de expectativas não cumpridas. Recentemente, o Parlamento timorense mostrou desapontamento com a falta de vontade da organização em estabelecer um fundo de emergência para apoiar os membros em momentos de dificuldades financeiras.

Da mesma forma, alguns dizem que eles esperavam uma presença brasileira mais forte no país. Há mais professores de Língua Portuguesa de Portugal no país do que do Brasil, e a ajuda financeira brasileira é muito menor do que de países que não têm laços culturais com o Timor-Leste. Mesmo assim, a influência cultural brasileira é visível no país. “A pessoa que mais contribuiu para a expansão da Língua Portuguesa no Timor-Leste foi, sem dúvidas, Michel Teló”, comenta um integrante do governo timorense.

E ainda assim, quando um comentarista de Cingapura recomendou recentemente que o Timor-Leste adotasse o inglês como língua oficial para abraçar a globalização, Ramos-Horta defendeu sua escolha de manter o português:

“Talvez nós não sejamos tão práticos como nossos irmãos de Cingapura. Confesso que nós somos um pouco românticos, temos uma perspectiva histórica porque temos uma longa história e não nos temos uma mentalidade de Cingapura de estilo comercial. Isso significa que estamos condenados a desacelerar o crescimento, por ter uma sociedade multilíngue e uma sociedade rica, vibrante e colorida, que nos faz apreciar as belezas da vida com mais frequência? Tenho certeza que a resposta é não.”

O português pode nunca ultrapassar o tétum como Língua franca de Timor-Leste, mas parece estar determinado a permanecer como uma das Línguas oficiais do país.  :::

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STUENKEL, Oliver. O português sobreviverá no Sudeste da Ásia?
Extraído do jornal digital Brasil Post.
Publicado em: 15 jul. 2014.

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Investigador da Universidade de Coimbra ajuda os computadores a “aprenderem” a Língua Portuguesa

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 15 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Do jornal digital Ciência Hoje (Portugal)
14 de julho de 2014

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Uma WordNet – uma espécie de dicionário próprio para ser utilizado por computadores – desenvolvida pelo investigador Hugo Gonçalo Oliveira, da Universidade de Coimbra (UC), acaba de vencer o prémio de Melhor Tese de Doutoramento em uma competição internacional promovida no âmbito da 11ª International Conference on Computational Processing of Portuguese – nome em inglês para a Conferência Internacional sobre o Processamento Computacional do Português (Propor 2014).

O evento realizado a cada dois anos entre Brasil e Portugal, irá decorrer no câmpus da Universidade de São Paulo na cidade paulista de São Carlos, Brasil, entre os dias 6 e 8 de outubro de 2014.

Na prática, o trabalho premiado pela Propor 2014, o principal evento internacional na área do processamento computacional da Língua Portuguesa, permite que os computadores entendam mais de português. Isto porque para os computadores perceberem a língua dos humanos, são necessárias várias ferramentas complexas que os “ensinem”.

Uma dessas ferramentas é precisamente a WordNet –(*)–, “uma base de dados lexical que organiza as palavras de acordo com os seus possíveis sentidos e que estão para as máquinas como os dicionários estão para os seres humanos. Serve para o computador compreender o que está escrito, no caso, em português”, esclarece o autor, Hugo Gonçalo Oliveira.

Para a Língua Portuguesa, “as WordNets existentes têm limitações ao nível da disponibilidade, método de construção e cobertura. O Onto.PT“, nome atribuído à ferramenta, “procurou ultrapassar essas limitações através da criação gratuita, de grandes dimensões e gerada de forma automática, para assim ultrapassar o tempo necessário para uma construção manual”, explica.

Recorrendo a esta ferramenta e a outras desenvolvidas, entre 2008 e 2013, no âmbito deste projeto orientado pelo investigador Paulo Gomes, os computadores “poderão compreender melhor a Língua Portuguesa, o que poderá ter impacto no desenvolvimento de melhores sistemas de pesquisa inteligente, de ajuda à escrita, ou de tradução automática, entre outros”, sublinha o também docente do Departamento de Engenharia Informática, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).  :::

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• Onto.PT – Construção Automática de uma Ontologia Lexical para o Português
<http://ontopt.dei.uc.pt>

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–– Nota: ––
–(*)–  O WordNet é a principal base de dados lexical da língua inglesa, cujos termos estão agrupados em classes gramaticais e interligados por sinónimos cognitivos, que fornecem as relações de conceito e de significado entre eles. Foi desenvolvido pelo Laboratório de Ciência Cognitiva da Universidade de Princeton, de Nova Jersey, Estados Unidos da América.
<http://wordnet.princeton.edu/>

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Computadores «aprendem» português em Coimbra.
Extraído do jornal digital Ciência Hoje (Portugal).
Publicado em: 14 jul. 2014.

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Brasil: projetos do IILP para a Língua Portuguesa internacional apresentados em Belo Horizonte

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 14 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Belo Horizonte, Brasil)

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Cerca de 50 pessoas, entre alunos, professores e pesquisadores, assistiram no dia 7 de julho à palestra O Português Pluricêntrico do Século XXI, proferida pelo diretor-executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), o professor doutor Gilvan Müller de Oliveira, no auditório principal do Câmpus II do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), em Belo Horizonte.

Em uma apresentação de aproximadamente três horas, Müller abordou, de maneira geral, as estratégias e os esforços de internacionalização da Língua Portuguesa a partir do reposicionamento dos países-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Entre essas estratégias estão o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC) – que pretende reunir os vocabulários nacionais dos países da CPLP – e o Portal do Professor de Português Língua Estrangeira (PPPLE) – plataforma em linha de ensino de Português como Segunda Língua. As duas ferramentas do IILP criadas em um esforço conjunto de representantes da CPLP para servirem de consulta e de referência no ensino internacional do Português.

De acordo com o diretor-executivo do IILP, ambas as iniciativas fazem com que a Língua Portuguesa passe “de uma Língua pluricêntrica dual, entre Brasil e Portugal, para uma Língua pluricêntrica de fato”.

“Estamos entrando numa Era em que o português pode ser pensado, cada vez mais, como uma Língua plural. Para isso, precisamos tratar todos os países lusófonos como produtores e donos da Língua Portuguesa. Então, nada mais justo que o envolvimento de todos esses países nesses projetos”, explicou Gilvan Müller.  :::

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–– Extraído do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Belo Horizonte, Brasil) ––

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Jovens da América Latina querem aperfeiçoar seus estudos em Portugal

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 13 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , ,

Da Agência EFE
9 de julho de 2014

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A qualidade do ensino, a proximidade da Língua, a diversidade cultural ou a boa acolhida pelo povo português são apenas algumas das razões por quais cada vez mais jovens na América Latina investem seu futuro nas universidades portuguesas.

“Eu queria aprender outra Língua e fazer um mestrado ao mesmo tempo e aqui conseguimos as duas coisas, porque é mais barato e aprende-se a Língua rapidamente”, disse à agência EFE Manuel Salcedo, que deixou a Colômbia há dez meses para entrar no mestrado de ‘marketing’ (ou estratégia de mercado) do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) de Lisboa.

Após graduar-se em administração e gestão em seu país, onde trabalhava no Banco Falabella, o jovem de 28 anos não resistiu às vantagens oferecidas por Portugal.

“A cultura, as pessoas, a comida e o bom clima na maior parte do ano” chamaram a atenção de Manuel, depois destes meses, vê como superadas as suas expectativas em termos de “qualidade de vida, segurança ou tranquilidade”.

Tudo isto faz com que, apesar dos 7.640 quilómetros que o separam de seu país, sinta-se perto de casa.

“As pessoas respeitam as diferentes culturas e sempre tentam ajudar: isso é algo que temos em comum”, diz Manuel, que também destaca a paixão de ambos os povos pelo futebol e pela gastronomia “saudável”.

–– Economia ajuda a mobilidade de estudantes latino-americanos a Portugal ––
Todos esses pontos fortes têm atraído muitos outros estudantes, o que levou as universidades lusas, conscientes desta tendência, a criarem programas específicos para a promoção da mobilidade dos jovens que vêm principalmente de países como Brasil e Colômbia.

“As melhoras da economia em alguns países da América Latina facilitam a mobilidade dos estudantes”, explica à agência EFE José Victor, vice-presidente de Relações Internacionais do Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa, uma das instituições portuguesas de ensino superior com mais alunos estrangeiros.

Hoje em dia, mais que pela competência técnica, os profissionais são valorizados pela exposição a outras culturas, a outras línguas e a outras formas de resolver os problemas”, disse José Victor, que destaca a importância da criação de um” ecossistema variado internacional como parte integrante da formação”.

–– Aulas de mestrado em inglês em um ambiente de Língua Portuguesa ––
Considerada uma das mais prestigiadas escolas de engenharia da Europa, o IST é apenas um dos centros portugueses que oferecem cursos de pós-graduação e de doutoramento em língua inglesa, o que também representa uma vantagem interessante para estudantes latino-americanos.

“Começam a ter uma exposição técnica para o inglês, mas continuam a estar em um ambiente de Língua Portuguesa onde desenvolvem novas habilidades em um idioma diferente do seu ou próximo do seu”, diz Joseph Victor.

A mesma ideia é defendida por José Machado, diretor da Nova SBE (Escola de Economia e Negócios), uma das instituições mais procuradas pelos estudantes estrangeiros e, cada vez mais, pelos da América Latina.

–– Formando para o comércio internacional com o Brasil ––
O facto de aprender português ao mesmo tempo em que recebem aulas em inglês “é percebido como um atrativo importante, pois, ao voltarem a seus países, o parceiro predominante será sempre o Brasil”, onde é falada a Língua Portuguesa, explica Machado à agência EFE.

Ciente das mais-valias do Ensino de Português para estudantes da América Latina, o grupo industrial português Prebuild, também presente na Colômbia, vai trazer para a Universidade Católica de Lisboa vinte estudantes desse país através de bolsas de estudo.

Oito dos estudantes selecionados já começaram o mestrado em Gestão, ministrado em língua inglesa, com duração de um ano e meio, para logo retornarem à Colômbia com a possibilidade de permanecer na empresa.

Além da capital portuguesa, a cidade do Porto, no norte do país, também tem uma gama de ensino multicultural, em que se destaca a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) como um dos destinos mais desejados em mobilidade de estudantes.

No abrigo do programa chamado Mobile nos últimos três anos letivos, a FEUP recebeu 315 estudantes da América Latina e enviou 176 de seus estudantes a instituições parceiras na mesma região, por períodos que variam de um semestre a um ano académico.  :::

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–– Extraído da Agência EFE ––

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Do papiro ao hipertexto – Arnaldo Niskier

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 9 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Arnaldo Niskier é ex-presidente da Academia Brasileira de Letras.

Arnaldo Niskier é ex-presidente da Academia Brasileira de Letras.

Ventos da Lusofonia transcreve o artigo assinado pelo jornalista e escritor Arnaldo Niskier, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras entre 1998 e 1999. Niskier também é acadêmico correspondente no Brasil da Academia de Ciências de Lisboa.

Em seu artigo, publicado em 12 de junho de 2014 no jornal Gazeta do Povo (de Vitória, Espírito Santo), o autor e acadêmico mostra a mudança ao longo dos tempos tanto na prática da leitura quanto na forma como aparece o leitor.

Tanto a leitura quanto o leitor transformam-se à medida que a informação escrita passou para um número cada vez maior de pessoas: “a escrita evoluiu em diversos suportes”, da argila, do papiro e do pergaminho ao papel e às telas ou ecrãs dos computadores.

O autor apresenta essa breve história da leitura para relatar sobre o atual quadro no ensino do Brasil. “Estamos definitivamente convencidos de que se perde muito tempo, em sala de aula, ditando para os alunos, fazendo chamadas ou cuidando da disciplina”, declara Niskier.

Por isso, defende a absorção das novas práticas de leitura no ensino dos conteúdos escolares, ciente de que, para essa finalidade, é preciso superar resistências e desconfianças quanto às novas formas de leitura.

“A resistência a novas formas de comunicação surge diante de cada nova tecnologia, como se o novo viesse para substituir o velho”, diz o acadêmico brasileiro em seu artigo, reproduzido a seguir e também publicado no sítio da Academia Brasileira de Letras.

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–– Do papiro ao hipertexto ––

Arnaldo Niskier
do jornal Gazeta do Povo (Vitória, Brasil)
12 de junho de 2014

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Não foi só a escrita que evoluiu com as novas tecnologias. O leitor também se transformou. Na época do papiro, para ler era preciso segurar pesados rolos presos à madeira com as duas mãos. Ler e escrever ao mesmo tempo era um ato impensável.

A escrita evoluiu em diversos suportes. Foi esculpida em argila, desenhada no papiro e no pergaminho, inscrita no papel, até ser digitalizada no mundo virtual. Em cada suporte foi objeto de tecnologias diferentes.

O pergaminho, a partir do século II d.C., tornou possível organizar o texto em códices, antecessor do livro, com lâminas de peles sobrepostas, onde os monges escreviam com ossos molhados e penas de aves. Somente em 1884 foi inventada a caneta-tinteiro e, em 1937, a caneta esferográfica.

A prática da leitura, durante a Idade Média, concentrou-se no interior dos templos, a partir das Sagradas Escrituras. Até o século X, a leitura era uma experiência pública: uma pessoa lia e outros ouviam. A leitura silenciosa foi uma revolução no ato de ler. Para facilitá-la, foi necessário desenvolver a pontuação.

O desenvolvimento das cidades, entre os séculos XI e XIV e a existência das escolas propiciaram a alfabetização, ampliando o acesso à escrita. A imprensa, técnica baseada nos tipos móveis e na prensa, tornou possível a multiplicação da escrita com Gutemberg, em 1440. Foi uma invenção revolucionária, talvez a mais importante da era moderna. Depois dela, a nova revolução para a escrita e a informação é o computador. Novas tecnologias prometem revolucionar ainda mais a escrita.

Temos hoje 60 milhões de alunos frequentando as escolas brasileiras, em todos os níveis. Cerca de 33% da população, o que representa um número bastante expressivo. O ensino cresceu muito, nos últimos anos, sobretudo no fundamental. Mas quais são as perspectivas?

A resistência a novas formas de comunicação surge diante de cada nova tecnologia, como se o novo viesse para substituir o velho. A reação é a mesma que vivemos diante da ameaça da televisão ao cinema e ao rádio e do computador ao livro impresso.

Estamos definitivamente convencidos de que se perde muito tempo, em sala de aula, ditando para os alunos, fazendo chamadas ou cuidando da disciplina. Há um estudo que comprova o desperdício, com essas ações, de cerca de 31% do total de uma aula de 50 minutos.

Se o período na escola é considerado insuficiente, para quem não tem o tempo integral, não se deve insistir nesse formato clássico e superado. O que o professor escreve na lousa pode perfeitamente estar à disposição dos alunos nos computadores, hoje comuns em algumas escolas, e isso evidentemente dá um grande ganho aos que agem assim.  :::

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NISKIER, Arnaldo. Do papiro ao hipertexto.
Do jornal Gazeta do Povo (Vitória, Brasil)
Publicado em: 12 jun. 2014.
Extraído do sítio da Academia Brasileira de Letras.

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O Ensino do Português na China – Lúcia Vaz Pedro

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 6 de Julho de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

A escritora e professora Lúcia Vaz Pedro, especialista em ortografia, elogiou em artigo recente do Jornal de Notícias a iniciativa do Instituto Politécnico de Macau, na China, em organizar o Curso de Verão de Língua e Cultura Portuguesas, que já está em sua 28ª. edição e é direcionado a professores universitários de Macau e da China continental.

O Curso de Verão de Língua e Cultura Portuguesas foi realizado pela primeira vez em 1986 – ainda na época da administração portuguesa –, pelo antigo Instituto Cultural de Macau. E desde 1990 está a cargo da Universidade de Macau, com a colaboração do Instituto Politécnico de Macau e da Direção dos Serviços de Educação e Juventude – este último, um órgão do Governo da Região Administrativa Especial de Macau.

A autora, que participou do evento na Riviera das Pérolas, disse que ali constatou “o interesse que cerca a nossa Língua, a riqueza que, partilhada, se multiplica por esse mundo fora. E os formandos, professores, são o testemunho real desse crescimento global que se transforma num instrumento de comunicação inigualável entre povos tão diferentes.”

Ventos da Lusofonia reproduz na íntegra o artigo assinado por Lúcia Vaz Pedro, publicado em 6 de julho em sua coluna Português Atual, do Jornal de Notícias, de Portugal, sobre o Curso de Verão de Língua Portuguesa e o avanço de seu ensino nas universidades da China.  :::

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–– O Ensino do Português na China ––

Lúcia Vaz Pedro
do Jornal de Notícias (Porto, Portugal)
6 de julho de 2014

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É indiscutível o interesse da aprendizagem do Português por todo o mundo.

Esse interesse tem vindo a intensificar-se na China, cujas universidades lecionam a nossa Língua, havendo cada vez mais alunos inscritos.

Assim, o Instituto Politécnico de Macau organizou um Curso de Verão para professores universitários chineses com o objetivo de desenvolver competências nas áreas da Didática da Língua, da Gramática, da Compreensão e Expressão Oral e Escrita e da Literatura e Cultura Portuguesas.

Esse curso ainda está a decorrer: iniciou-se no dia 29 de junho e termina no dia 11 de julho. Está a ser ministrado por professores que, tendo experiência na formação de docentes, se têm esforçado por partilhar conhecimentos e instrumentos essenciais ao ensino da Língua Portuguesa.

Urge realçar o empenho levado a cabo pelo Instituto Politécnico, na pessoa do seu presidente, o professor doutor Lei Heong Iok, e do diretor, professor doutor Carlos Ascenso André, que, conscientes da necessidade de formação de professores, têm procurado dar conta das necessidades dos mesmos, percorrendo as universidades da China e estabelecendo protocolos com as mesmas.

Enquanto formadora e participante neste Curso de Verão, juntamente com os professores doutores Carlos André, Rosa Bizarro e Isabel Poço Lopes, considero que a melhor política de expansão da Língua Portuguesa passa por um ensino adequado e rigoroso, a partir das necessidades diagnosticadas.

Durante a primeira semana de lecionação, constatei o interesse que cerca a nossa Língua, a riqueza que, partilhada, se multiplica por esse mundo fora. E os formandos, professores, são o testemunho real desse crescimento global que se transforma num instrumento de comunicação inigualável entre povos tão diferentes.

Além do Instituto Politécnico de Macau, há outras entidades que têm desempenhado igualmente um papel fundamental no ensino da Língua Portuguesa e que, pela procura que tem registado, quer apostar na formação de professores.

Uma nota final: os alunos chineses trabalham incansavelmente, os professores ainda têm muito prestígio e são respeitados e as aulas são momentos de regozijo para todos aqueles que gostam de ensinar.

Em suma, ensinar Português na China é uma experiência inolvidável; é a união de povos que, tão distantes, ambicionam conhecer a Língua de Camões.  :::

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PEDRO, Lúcia Vaz. O Ensino do Português na China.
Extraído do Jornal de Notícias – seção DossiêsPortuguês Atual.
Porto, Portugal.
Publicado em: 06 jul. 2014.

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