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Timor-Leste quer estender o uso da Língua Portuguesa pela alfabetização

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade on 1 de Setembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência EFE
31 de agosto de 2014

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O Timor-Leste, independente desde 2002, pretende dar novo impulso ao português – Língua cooficial, embora seja hoje falada apenas por uma quarta parte da população – através da alfabetização.

Segundo cálculos oficiais, cerca de 40% dos timorenses são incapazes de ler ou escrever, e o governo luta contra a corrente para que as novas gerações possam livrar-se da pobreza, que mantém quatro de cada cinco habitantes a subsistir da agricultura.

Para isso, as autoridades contaram com o apoio de vários países e agências internacionais na reconstrução de um novo sistema educacional e da infraestrutura, destruídos pela violência de 1999 quando o país rejeitou em referendo seguir como parte anexa da Indonésia.

Desde então, o Timor-Leste esteve coeso por usar sua herança colonial portuguesa, o que inclui a oficialidade da Língua Portuguesa junto ao tétum, língua majoritária, e o seu uso em nível administrativo e acadêmico.

–– Planejamento linguístico para o ensino ––
Em declaração realizada no mês de abril, o ex-presidente e Prêmio Nobel da Paz, José Ramos Horta, assegurava que em dez anos metade do povo timorense falaria a Língua Portuguesa, mas o linguista brasileiro Davi Borges de Albuquerque não vê isso tão claro.

“Tenho uma visão realista. Não vejo que isso aconteça sem que se invista em professores, em investigadores e em verbas”, afirma o investigador.

Nas escolas, o português fixou-se como a Língua da instrução desde o começo, algo que o linguista brasileiro vê pouco prático.

“Para os professores, é um problema ter de ensinar em português ou em inglês, porque não têm fluência. Então, uma hora ou outra, o professor usa o tétum ou o indonésio”, diz Davi, que durante dois anos ajudou a formar novos professores nativos na Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, em Díli.

A falta de materiais e regras gramaticais nos idiomas autóctones, línguas maternas de muitos alunos que não falam tétum, impossibilita sua normalização e incorporação ao sistema educacional.

Davi considera “importante” que haja um planejamento linguístico que incorpore esses idiomas minoritários, mas acredita que “isso deve ser feito de forma organizada, a longo prazo e para o futuro, e não fazer isso correndo”, detalha.

–– “A Língua Portuguesa é parte da nossa história” ––
Por outro lado, a Língua Portuguesa tem maior presença na capital, Díli, onde em julho passado celebrou-se a Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O governo timorense quer, com o domínio da Língua Portuguesa e dos outros idiomas, dar pé a setores econômicos sustentáveis como o turismo, e assim deixar para trás a dependência das exportações petrolíferas, que representam 95% das receitas.

“A Língua Portuguesa é parte da nossa história, e continuaremos a aprendê-la como idioma oficial que é”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação do Timor-Leste, José Luis Guterres.  :::

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–– Extraído da Agência EFE ––

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Brasil: especialistas defendem Acordo Ortográfico e rejeitam simplificação da Língua

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 31 de Agosto de 2014 por ronsoar

Da Agência Lusa
27 de agosto de 2014

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O projeto de simplificação do idioma tem sido defendido por linguistas brasileiros, liderados por Ernani Pimentel, e está em análise na Comissão de Educação do Senado brasileiro.

Um académico, um historiador e um linguista brasileiros defenderam a implantação do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa e rejeitaram o projeto de simplificação do idioma, analisado pelo Senado brasileiro, durante um debate na 23.ª Bienal Internacional do Livro, em São Paulo.

O debate contou com a participação do gramaticista e membro da Academia Brasileira de Letras Evanildo Bechara, do linguista e coordenador da Comissão Nacional brasileira no Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) Carlos Alberto Faraco, e do historiador Jaime Pinsky.

Faraco criticou o adiamento do prazo para a obrigatoriedade de alicação do Acordo Ortográfico no Brasil – de janeiro de 2013 para janeiro de 2016 – e defendeu a integridade do documento, ou seja, que o Acordo não sofra alterações.

O projeto de simplificação do idioma tem sido defendido por linguistas brasileiros, liderados por Ernani Pimentel, e está em análise na Comissão de Educação do Senado Federal brasileiro.

A proposta, que já foi apresentada em Portugal e em África, prevê a adoção de uma nova ortografia que suprima, por exemplo, a letra “h” não pronunciada e mude as atuais regras de uso do “g” e do “j”.

–– “Vandalismo ortográfico” ––
“O que se propõe é vandalismo ortográfico”, afirmou Faraco. “Não há fundamentação técnica ou razão social, cultural e econômica para mexer numa ortografia estabilizada”, afirmou Faraco, para quem a escrita fonética (aquela que segue o som das palavras) seria um “descalabro” e o “fim da ortografia”.

O historiador Jaime Pinsky citou um artigo que escreveu para o jornal Correio Braziliense, em maio. No texto, problematiza a questão dos sotaques regionais que, no caso de uma escrita fonética, causaria confusão na grafia das palavras – o mês de abril, por exemplo, é pronunciado “abriu” ou até “abrir” em diferentes localidades brasileiras.

“É ridícula a ideia de escrever como se fala. A Língua tem fatores de caráter históricos, que não podem ser desconsiderados”, disse.

O académico Evanildo Bechara lembrou que a opção por uma escrita fonética em português já foi rejeitada no século XIX, quando foi proposta, e realçou que a Língua tem princípios culturais e sociais. “Há de se trabalhar para que a coletividade escreva [a Língua Portuguesa] de uma maneira única, mas quem deve propor [as regras] são os técnicos, as academias e as universidades”, afirmou.

Bechara disse também que não concorda com todas as regras do Acordo Ortográfico, e que ele necessita de algumas adaptações, mas que serão feitas com o tempo.

Faraco usou como exemplo a falta de padronização para as palavras provenientes do idioma banto, em África, mas que essas questões poderão ser resolvidas localmente, como fez Moçambique ao incluir vocabulário dessa Língua, nas normas ortográficas.

O Acordo Ortográfico começou a ser negociado em 1975, foi assinado em 1990 pelos oito países de Língua oficial portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – e ratificado por seis deles, com exceção de Angola e Moçambique.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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Deixem a ortografia em paz – Jaime Pinsky

In Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 29 de Agosto de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , ,

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O Senado Federal – que é a alta Casa legislativa do Congresso Nacional, o Parlamento brasileiro – criou um grupo de trabalho técnico para estudar e propor alterações no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 2008, mas teve a sua aplicação exclusiva adiada para 2016.

O grupo alega buscar formas para facilitar o aprendizado da ortografia nos países lusófonos. Porém, estuda alterações radicais na escrita da Língua, em que as palavras seriam escritas tal como pronunciadas. Estão dentre as sugestões a supressão da letra “h”, do hífen e do “u” depois de “g” e “q”, bem como a substituição de “ch” por “x”, por exemplo.

Tais propostas polêmicas receberam forte rejeição da comunidade de linguistas e de especialistas da Língua Portuguesa no Brasil, e de membros da Academia Brasileira da Letras e da Comissão Nacional brasileira do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).

O escritor e historiador brasileiro Jaime Pinsky – que é professor da Universidade Estadual de Campinas, no Estado de São Paulo – lançou, em maio deste ano, um artigo de opinião no jornal Correio Braziliense em que também faz forte crítica à proposta radical de nova mudança na ortografia da Língua. “Além de não ser boa, a ideia é impraticável”, declara.

Segundo o autor, não é recomendável a ideia proposta de escrever exatamente como se fala em uma Língua com grande variação de pronúncias.

“A ortografia é uma representação abstrata e convencional da língua. E é fundamental que o sistema ortográfico seja estável e que, independentemente da variação na fala, haja uma única representação gráfica por palavra”, afirma Jaime Pinsky.

A ortografia da Língua portuguesa, construída por séculos de tradição literária, permite sua plena identificação como a representação na escrita de uma Língua neolatina, semelhante ao espanhol, ao francês ou ao italiano. “Arrancar as raízes de nossa ortografia seria romper com importantes aspectos de nossa identidade histórica”, conclui.

Ventos da Lusofonia reproduz na íntegra o artigo de Jaime Pinsky – Deixem a ortografia em paz – publicado em 9 de maio de 2014 no jornal Correio Braziliense, de Brasília.

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–– Deixem a ortografia em paz ––

Jaime Pinsky
do jornal Correio Braziliense (Brasília, Brasil)
9 de maio de 2014

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Do Senado, duas notícias, uma boa e outra má. A boa: parece que temos senadores preocupados com o Ensino de Português. A má: querem alterar outra vez nossa ortografia, agora radicalmente, com a esperança de que, com isso, alunos possam obter melhores resultados na aprendizagem da Língua. Criaram até uma Comissão, com o objetivo de aplicar o Acordo Ortográfico (o mesmo que, na prática, já está em vigor), e para fazer com que “se escreva como se fala”.

Além de não ser boa, a ideia é impraticável. Fico curioso a respeito de como vai se escrever, por exemplo, aquilo que na ortografia atual é denominada Estação das Barcas (lá na Praça Mauá, no Rio de Janeiro). Para “fazer justiça” à pronúncia, deveríamos grafar “Ijtação daj Barcaj” ou “Ixtação dax Barcax”? Fora do Rio, talvez “Istação”, ou ainda “Stação”, como muita gente fala, já que poucos dizem “estação”, além dos curitibanos…

E como redigir o quarto mês do ano? “Abriu”, como dizem muitos brasileiros, “abril”, como diriam alguns gaúchos, ou “abrir”, como parte dos paulistas, mineiros, paranaenses e outros pronunciam? Cabe ao leitor pensar em outros exemplos.

Pesquisas excelentes, feitas por linguistas sérios (Thais Cristófaro, Ataliba Castilho, Stella Maris Bortoni, entre muitos outros) têm mostrado enorme variação linguística até no chamado português culto. Qual seria, pois, o ponto de partida oral, para sua suposta reprodução em texto escrito? Obrigar todos a pronunciar as palavras de uma só maneira, ou ter uma infinidade de representações gráficas para diferentes expressões fonéticas?

Mas isso não é tudo. Como costuma lembrar Carlos Alberto Faraco, a língua escrita não é mero reflexo da língua falada: ambas constituem meios autônomos de manifestação do saber linguístico. A ortografia é uma representação abstrata e convencional da língua. E é fundamental que o sistema ortográfico seja estável e que, independentemente da variação na fala, haja uma única representação gráfica por palavra. Do contrário, não teríamos como reconhecer palavras que fossem escritas em outro tempo (ou até em outro espaço). Seria o caos.

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As línguas, patrimônios culturais da humanidade, possuem história. Elas resultam de práticas sociais que as moldaram para que aqui chegassem do jeito que são. São fatores fonológicos, morfológicos, etimológicos e de tradição cultural que fizeram com que nossa Língua seja grafada do jeito que é.

Línguas também têm parentesco, e nossa origem latina comum permite que possamos ler com relativa facilidade (mesmo que não falemos) outras línguas como o espanhol, o francês e o italiano. Mesmo o inglês, graças ao enorme contingente de palavras de origem latina, fica mais acessível a partir de grafias semelhantes. Arrancar as raízes de nossa ortografia seria romper com importantes aspectos de nossa identidade histórica.

Temos ainda o aspecto prático, talvez o mais relevante de todos. Quando foi imposto o último Acordo Ortográfico (que, absurdamente, teve sua implantação oficial postergada), toda a indústria editorial movimentou-se para preparar novas edições de todo o seu acervo. Dezenas de milhares de títulos sofreram as mudanças exigidas pelo MEC [o Ministério da Educação do Brasil] e outros órgãos governamentais e privados. Gramáticas e dicionários foram refeitos; tratados foram revisados; livros infantis, alterados; manuais, reeditados.

Uma nova reforma seria desastrosa, não só para as editoras, mas também para os governos, que teriam que substituir todas as bibliotecas novamente. Trata-se de muito dinheiro jogado fora, possivelmente levando à falência muitas casas editoriais importantes, promovendo gasto desnecessário de verbas públicas, tornando obsoletos bilhões de livros escolares e universitários.

E há, ainda, o aspecto da exclusão social. Quando uma reforma ortográfica é implantada, grande parte dos adultos se torna analfabeta, já que eles nem sempre conseguem reter e utilizar as novas regras inventadas por capricho de meia dúzia de “sábios”, ou de desavisados.

A preocupação é com a qualidade do ensino? Busquem-se soluções adequadas, fazendo com que excelentes pesquisas realizadas por importantes grupos de especialistas possam chegar até as escolas brasileiras, por meio de amplo programa nacional de qualificação de professores do Ensino Fundamental. Se houver, de fato, intenção de melhorar o ensino no Brasil, está cheio de gente boa pronta para ajudar.  :::

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PINSKY, Jaime. Deixem a ortografia em paz.
Extraído do jornal Correio Braziliense – Brasília, Brasil.
Publicado em: 09 maio 2014.

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Leia também:
O Acordo Ortográfico e o Senado Federal, em editorial do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ – 04 de agosto de 2014
Os boatos no Brasil sobre mudanças ortográficas radicais na Língua Portuguesa – 27 de agosto de 2014

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Os boatos no Brasil sobre mudanças ortográficas radicais na Língua Portuguesa

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 27 de Agosto de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Baseado em reportagens do Senado Federal (Brasília, Brasil) e do portal UOL (Brasil)
21 de agosto de 2014

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Recentes boatos divulgados em diversos meios de comunicação do Brasil nos últimos dias, diziam que o Senado Federal estaria a ponto de aprovar um conjunto de mudanças mais radicais na ortografia da Língua Portuguesa, mesmo com a atual implementação do Acordo Ortográfico de 1990.

Tais rumores não procedem, segundo explicou o senador pelo Estado de Goiás, Cyro Miranda, que preside a Comissão de Educação, Cultura e Esporte, da Casa alta do Parlamento brasileiro.

Portanto, não corresponde à realidade o rumor espalhado nas redes sociais de que estaria em análise mais uma reforma ortográfica, a propor que se extinguisse o “ss”, o “ç”, o “ch”, e a letra “h” inicial, entre outras modificações.

Na verdade, explica Cyro Miranda, a Comissão de Educação está examinando a data em que passará a ter validade no Brasil o Acordo de 1990. No cronograma original do decreto do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 2008, que ratificou o Acordo no Brasil, ele entraria em vigor no país em 1º de janeiro de 2013, mas o início da vigência foi adiado para janeiro de 2016, por novo decreto da presidente Dilma Rousseff.

Assim como em 1990, as questões de unificação ortográfica deverão ser feitas em entendimento com os países de Língua Portuguesa e, mesmo que quisesse, o Brasil não poderia tomar nenhuma decisão unilateral sobre o tema.

–– Um grupo de trabalho sobre o Acordo no Senado brasileiro ––
Para debater o assunto, a Comissão de Educação criou em agosto um grupo de trabalho formado por professores e linguistas para analisar o Acordo e sugerir meios de facilitar a implantação das novas regras.

Os especialistas têm usado o espaço para trocar opiniões a respeito da implantação definitiva do Acordo e de possíveis alterações em seu conteúdo. De fato, houve sugestões de mudanças mais radicais no Acordo, mas isso não foi formalizado como proposta da Comissão e muito menos tornou-se proposição legislativa – o que seria exigido para qualquer mudança formal.

“Não queremos fazer uma reforma geral da ortografia. Queremos fazer o mínimo possível de mudanças, mas chegar a um consenso entre os países. Ainda estamos longe disso”, afirma Cyro Miranda.

–– Proposta com forte rejeição dos linguistas brasileiros ––
O grupo de trabalho da Comissão de Educação do Senado brasileiro pretende buscar formas para facilitar o aprendizado da ortografia nos países lusófonos – e abriu a discussão sobre uma polêmica proposta de outra reforma ortográfica.

Tal proposta, criada pelo professor Ernani Pimentel, sugere acabar com o uso da letra “h” antes das palavras, do “ç”, do “ss”, “sc” e “xc” (que seriam substituídos pelo “s” simples), do hífen e do dígrafo “ch” (que seria substituído pelo “x”). Palavras também passariam a ser escritas como o fonema aponta, como o “x” e o “s” com som de “z”. A letra “u”, após o “g” e “q” e antes de “e” e “i”, também seria suprimida.

Pimentel alega que essas mudanças trarão economia aos custos da educação no país sul-americano: “Em vez das atuais 400 horas por aula de ortografia ministradas desde o início do Fundamental até o fim do Ensino Médio, sejam utilizadas apenas, ou em torno de, 150″, diz.

Mas o conjunto proposto de medidas ganhou a rejeição de muitos linguistas e acadêmicos brasileiros. O filólogo e professor da Universidade de Brasília, Marcos Bagno, foi claro em suas críticas a essa proposta: “São ridículas, patéticas e merecem todo o desprezo da comunidade de linguistas do Brasil.”

Para Bagno, o argumento de que as novas mudanças facilitariam o aprendizado não é válido. “Aprender a escrever em chinês é muito mais complicado do que aprender a escrever em português, e 94% dos chineses são alfabetizados. A questão é alfabetizar e letrar a população. A ortografia pode ser qualquer uma”, aponta.

–– Um caminho muito mais difícil e mais demorado ––
Para o final de 2014 ou para o começo de 2015, ainda estão previstas novas discussões na Comissão para criar a lista de sugestões a simplificar a escrita da Língua Portuguesa. Depois, será fechado um relatório sobre o assunto.

Mas a proposta, se for aprovada na Comissão de Educação do Senado brasileiro, tomará um caminho muito mais difícil e mais demorado: deverá ser aprovada nas duas Casas legislativas do Congresso Nacional – o Senado Federal e a Câmara dos Deputados –, receber a sanção do presidente da República brasileiro (que tem poderes para vetar o projeto) e ainda seguir o mesmo caminho nos demais países (que podem aprovar o projeto brasileiro ou não).

Ou seja, mesmo que o projeto fosse uma unanimidade no Brasil, poderia levar muitas décadas e render muitas discussões e controvérsias para que conseguisse ter validade em todo o mundo. O Acordo Ortográfico, que é um conjunto bem mais simples de normas e que visa apenas a unificação das regras ortográficas existentes na Língua Portuguesa, levou três décadas para ser elaborado, discutido e implementado, e sofreu cerrada oposição de muitos especialistas da Língua – sobretudo em Portugal, onde o Acordo foi assinado e cujo texto foi baseado na antiga lei ortográfica portuguesa de 1945.

Vale ainda recordar que o único órgão com atribuições legais para propor e divulgar projetos e políticas para a Língua Portuguesa em âmbito internacional é o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, criado em 1996 e ligado à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).  :::

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–– Com base em reportagens do Senado Federal (Brasília, Brasil) e do portal UOL (Brasil) ––

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Organização portuguesa entrega 14 mil livros a Timor-Leste

In Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 24 de Agosto de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Gerson Ingrês
Do sítio Local.PT (Lisboa, Portugal)
20 de agosto de 2014

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A ONGD portuguesa Karingana wa Karingana acaba de enviar à Secretaria de Estado da Descentralização Administrativa de Timor-Leste cerca de 14 mil livros em Língua Portuguesa que serão distribuídos pelas várias bibliotecas das futuras autarquias a serem criadas em Timor.

A divulgação da Língua Portuguesa em países de expressão lusófona é uma das principais missões desta organização, que nos últimos três anos já enviou mais de cem mil livros para o Ministério da Educação de Timor-Leste.

Segundo Tiago Bastos, presidente da Karingana wa Karingana, “estamos muito satisfeitos com a adesão das várias entidades que nos apoiaram, como os CTT [Correios de Portugal], o Exército, a GNR [Guarda Nacional Republicana, de Portugal], a Timor Telecom e o [banco] BNU, entre outros, neste projeto que envolveu milhares de cidadãos anónimos e que nos permitiu concretizar a segunda campanha Um Livro Por Um Sorriso, iniciada em 2012, com entrega de mais de 100 mil livros em território timorense”.

Esta campanha de recolha de material pedagógico contempla ainda a entrega de projetores, telas de cinema, leitores de DVDs e centenas de DVDs em Língua Portuguesa que serão distribuídos em Díli, durante o próximo mês de outubro, em um projeto coordenado por Isabel Ruak, primeira-dama de Timor-Leste.

–– Sobre a Karingana wa Karingana ––
A Karingana wa Karingana (que significa “Era uma Vez” na língua ronga, falada em Moçambique) é uma organização não governamental, composta por elementos de várias áreas da sociedade portuguesa, que tem como objetivo promover ações de solidariedade, cooperação, apoio e desenvolvimento junto dos povos, comunidades e países de expressão lusófona.  :::

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INGRÊS, Gerson. Organização portuguesa entrega 14 mil livros a Timor-Leste.
Extraído do sítio Local.PT (Lisboa, Portugal).
Publicado em: 20 ago. 2014.

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Eliseu Mabasso: sobre a construção da variedade moçambicana da Língua Portuguesa

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade on 23 de Agosto de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , ,

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Na ocasião da celebração dos 800 anos da Língua Portuguesa, o jornal Savana de Moçambique publicou entrevista com o professor de linguística Eliseu Mabasso, que falou sobre a situação da Língua Portuguesa como Língua oficial no país. E sentenciou: “O português não é e nunca, a meu ver, será uma Língua nacional em Moçambique.”

O professor recorda que “a Língua Portuguesa, embora ainda falada por uma percentagem abaixo da média do total da população, vai se construindo como uma variedade não nativa, isto é, que se distancia a vários níveis do padrão europeu ou brasileiro”. Segundo ele, está em formação o português mocambicano.

Ele também defende a educação bilingue em Língua Portuguesa e nas línguas locais de Moçambique e a promoção das línguas nativas. Somente estas, de acordo com Eliseu Mabasso, mereceriam ser chamadas de “línguas nacionais”, como línguas naturais de Moçambique, diferentemente da Língua oficial portuguesa.

Segundo o linguista, para estimular o Ensino do Português em Moçambique, deve-se permitir às línguas locais “a sua boa aprendizagem, dentro do contexto da moçambicanidade”. Ele também manifestou-se a favor do Acordo Ortográfico de 1990, dizendo “que este é um caminho irreversível”.

A entrevista a Eliseu Mabasso foi realizada por Ricardo Mudaukane e publicada na edição comemorativa de 27 de junho do jornal Savana, de Maputo, sendo aqui reproduzida a seguir em Ventos da Lusofonia.

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–– “A Língua Portuguesa é factor de exclusão em Moçambique” ––

Ricardo Mudaukane
do jornal Savana (Moçambique)
27 de junho de 2014

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A Língua Portuguesa faz anos a cada dia 27 de junho, desde que se soube que nessa data, há 800 anos, o terceiro rei de Portugal, Dom Afonso II, escreveu o seu testamento, que passou a ser considerado o mais antigo documento régio escrito em português. Apesar de não existir um marco oficial sobre a idade da Língua Portuguesa em Moçambique, a presença do idioma no país africano é normalmente remontada a 1497, quando o navegador português Vasco da Gama ancorou no território.

Adotado como Língua oficial pelo Estado moçambicano, após a independência do país em 25 de junho de 1975, o português vive no país o paradoxo de ser formalmente qualificado como Língua da unidade nacional, mas ser falado por uma minoria, constituída, principalmente, pelas elites da terra. Por isso, alguns estudiosos moçambicanos consideram- no factor de exclusão.

Para compreender os desafios com que o idioma se debate em Moçambique e o seu futuro, o Savana entrevistou Eliseu Mabasso, linguista e professor auxiliar na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior e mais antiga instituição de ensino superior no país.

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:::  Qual é o diagnóstico que faz do uso da Língua Portuguesa em Moçambique?  :::
Eliseu Mabasso – A Língua Portuguesa em Moçambique, embora ainda falada por uma percentagem abaixo da média do total da população, vai se construindo como uma variedade não nativa, isto é, que se distancia a vários níveis do padrão europeu ou brasileiro.

:::  O facto de a Língua Portuguesa ser falada por uma minoria no país não a torna uma língua das elites e um factor de exclusões – política, social, económica e cultural?  :::
EM – Infelizmente, e tal como tenho dito nalgumas intervenções científicas, a Língua Portuguesa é um factor de exclusão a todos os domínios da vida no nosso país. Para exemplificar, a nível político e económico, poucos são os moçambicanos que têm acesso ao teor do discurso político e a oportunidades de emprego e até de negócio que, infelizmente, é quase que exclusivamente veiculado e processado através da Língua oficial. Como é óbvio, uma das consequências notórias disso é a fraca participação das massas em processos de desenvolvimento do país e a crescente desconfiança no poder político.

A nível social, e como se sabe, nalguns círculos de interesse, o não domínio da Língua oficial, principalmente no contexto mais urbanizado, pode levar a que certos grupos de pessoas se vejam marginalizados. Isto é até extensivo a contextos mais localizados, isto é, famílias que dão instruções claras aos filhos para não se misturarem com pessoas “baixas”, isto é, que não falam português. Na justiça, o cenário é dramático, onde moçambicanos com fraco domínio ou que não falem a Língua oficial veem os seus direitos postos em causa, porque as suas línguas maternas não têm espaço no fórum jurídico.

:::  A circunstância de a Língua Portuguesa ser conhecida por uma minoria em Moçambique outorga-a condições para ser considerada uma Língua nacional?  :::
EM – O português não é e nunca, a meu ver, será uma Língua nacional em Moçambique. O conceito de “língua nacional” tem a ver com uma série de factores a considerar, tais como valores do nacionalismo, autenticidade e aceitabilidade.

Aliás, basta dizer que não há memória no contexto da África Sub-sahariana de uma nação que tenha proclamado uma língua de uma antiga potência colonizadora como sua língua nacional. O que a realidade nos mostra é que esta categoria cabe sempre a uma língua africana, tal como acontece em países como a Tanzânia (ki-swahili), Botswana (tswana), Suazilândia (siswati), Somália (somali), entre outros.

–– “É uma aberração exigir que se fale como em Portugal” ––

:::  É viável manter a obrigatoriedade de o português padrão em Moçambique ser o português europeu?  :::
EM – Não vejo essa possibilidade como exequível. O contexto em que o português moçambicano se vai consolidando é completamente diferente do caso do português europeu. Quanto a mim, chega até a ser uma aberração exigir que os moçambicanos falem português como se fala, por exemplo, em Portugal.

Para ser mais específico, a maior parte dos moçambicanos fala português como Língua segunda e tem como língua mãe uma língua bantu. Ora, a estrutura gramatical, discursiva e retórica da língua materna vai influenciar a construção da segunda Língua, neste caso o português.

Não é por acaso que, a título de exemplo, no chamado português moçambicano apresenta muitas construções passivas, estratégia típica das línguas bantu, que não ocorrem no contexto do português padrão europeu.

:::  O que é que está por detrás do desconhecimento da Língua Portuguesa pela maioria da população moçambicana, apesar de ser um idioma presente no território moçambicano há centenas de anos?  :::
EM – É um pouco difícil responder a esta questão, mas arrisco a dizer que a forma como a Língua oficial foi imposta, o facto de se ter ignorado o contexto em que ela surge, pode não ter contribuído para a sua implantação efetiva. Até porque tudo ou quase tudo foi feito no sentido de tornar o português numa verdadeira Língua franca, Língua de comunicação para moçambicanos falantes de diferentes línguas.

Talvez se tenha perdido a oportunidade de potenciar as línguas moçambicanas para, através destas, construir subsídios para a boa aprendizagem da Língua oficial, tal como acontece, por exemplo, nas antigas colónias britânicas, em que a educação em língua materna – no caso concreto em línguas bantu – foi sempre valorizada.

:::  Considera que a Língua Portuguesa tem sido a Língua da unidade nacional como foi muito catalogado logo após a independência do país?  :::
EM – Não considero o português Língua de unidade nacional. As contas a fazer são muito simples: quantos moçambicanos falam e escrevem nessa tal Língua de unidade nacional? Quantas pessoas beneficiam das vantagens que ela proporciona? Quantos nacionais se identificam com ela? Embora seja uma Língua aceite e tolerada por uma grande maioria, não se pode considerar o português um factor de unidade nacional.

:::  Que impacto está a ter para o uso da Língua Portuguesa a introdução do bilinguismo no sistema de ensino moçambicano?  :::
EM – Eu penso que estamos no caminho certo. Aliás, já era sem tempo. O uso de línguas moçambicanas na educação vai criar alicerces que, certamente, permitirão a boa aprendizagem do português a médio e longo prazos. Experiências de outros países indicam que o uso de línguas maternas na educação, para além de contribuir para o desenvolvimento cognitivo do aprendente, propicia a aprendizagem da língua segunda.

–– “Não há condições para impor uma segunda língua oficial” ––

:::  Moçambique tem condições para adotar o bilinguismo ou mais no estatuto de língua oficial, como acontece noutros estados africanos?  :::
EM – A situação de Moçambique, quanto a mim, difere em larga medida do caso de muitas outras nações africanas. O bilinguismo a ser fomentado deve ser visto de ponto de vista individual e não de forma estatutária, uma vez que não vejo condições para que se escolha uma língua em particular para, juntamente com o português, assumir o papel de língua oficial.

:::  Que impacto teria tal decisão para a Língua Portuguesa e para a promoção da inclusão linguística dos não falantes do português?  :::
EM – No caso específico do bilinguismo assumido de forma individual, penso que estaríamos a propiciar a existência de um contexto para a promoção de todas as línguas faladas por moçambicanos, por um lado, e para a inclusão de todos os moçambicanos no processo de desenvolvimento do país.

:::  Que consequências terá para a Língua Portuguesa a introdução em pleno do referido sistema?  :::
EM – Não vejo tal medida como um problema para o português, ao contrário dos que pensam ou sempre pensaram que as línguas moçambicanas constituíam barreira para a boa aprendizagem da Língua oficial. Muito pelo contrário, a boa “convivência” entre as línguas moçambicanas e o português vai contribuir para o desenvolvimento nos dois sentidos.

:::  A adesão a outras línguas estrangeiras pelos moçambicanos, nomeadamente inglês, francês e chinês é uma ameaça à Língua Portuguesa?  :::
EM – Não. O mundo dos nossos dias é cada vez mais global, e quanto mais línguas as pessoas poderem falar, melhor estarão enquadradas no contexto dos nossos dias, em que o monolinguismo tem dias contados.

:::  Que estratégias devem ser adotadas para que a Língua Portuguesa seja mais disseminada e aceite por todos os moçambicanos como a sua Língua?  :::
EM – Tal como disse anteriormente, quanto a mim, tudo passa por admitir que (i) o português em Moçambique não se pode dissociar do contexto em que ele se vai consolidando, i.e., coabitando com as línguas bantu e (ii) que estas devem ser potenciadas para permitirem a sua boa aprendizagem, dentro do contexto da moçambicanidade. O ensino bilingue, por exemplo, representa um bom passo nessa direção.

:::  Comunga da ideia de que existe um “português moçambicano”?  :::
EM – Com toda a certeza! Do mesmo modo que existe, por exemplo, o inglês britânico, que se distancia a vários domínios da variedade americana e australiana, dados os factores de ordem cultural, geográfica, etc., em Moçambique fala-se um português tipicamente localizado, que se associa a todo um contexto específico da nossa realidade.

:::  Que conceito avançaria de um suposto “português moçambicano”?  :::
EM – Chamaria simplesmente de português moçambicano, tal como existe o chamado português brasileiro, que muitos o apelidam, erradamente, “brasileiro” e português de Portugal.

:::  De que elementos estaria informado e enformado o português moçambicano?  :::
EM – Creio que, como disse acima, as marcas das línguas bantu e até da língua inglesa estarão sempre presentes na variedade moçambicana do português.

:::  Que papel estarão a ter os fluxos migratórios de moçambicanos na África Austral na formação do “português moçambicano”?  :::
EM – Não sei se isso tem a ver apenas com o fluxo migratório. Penso que a localização geográfica de Moçambique no contexto da SADC [Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral], organização maioritariamente composta por países de expressão inglesa, acaba por justificar a presença de anglicismos no português moçambicano.

–– Os interesses de Moçambique estão no Acordo Ortográfico ––

:::  Que pensa da relutância de Moçambique em ratificar o Acordo Ortográfico?  :::
EM – Não sei se se trata de relutância, uma vez que este é um caminho irreversível. Moçambique acabará por ratificar o novo Acordo Ortográfico logo que as condições político-financeiras tiverem sido criadas. Toda a mudança na vida causa algum estranhamento e há focos de resistência, mas o caminho é mesmo esse e não outra escolha.

:::  Os interesses de Moçambique estão representados no Acordo Ortográfico?  :::
EM – Sim, estão. Basta apenas recordar que a Cátedra de Língua Portuguesa baseada na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane entregou, recentemente, uma base de dados com cerca de 40.000 palavras tipicamente moçambicanas que vão ser incorporadas no dicionário da CPLP. Nós também herdaremos lexemas de outros países falantes do português. Em fim, saímos todos a ganhar.

:::  Moçambique e Angola podem funcionar como uma plataforma para a disseminação da Língua Portuguesa na África Austral?  :::
EM – Sim e já defendi, em algum momento, este ponto de vista. Factores de natureza económica inerentes aos dois países poderão contribuir para a afirmação da Língua Portuguesa na região, num contexto que, atualmente, está monopolizado pela tão poderosa língua inglesa.

:::  A Língua Portuguesa tem condições para ganhar curso corrente na África Austral, tendo em conta o domínio esmagador da língua inglesa?  :::
EM – A Língua Portuguesa, quanto a mim, vai ter o seu espaço, o que passará por um processo acompanhado de políticas claras visando a sua valorização. Será necessário passar-se de uma fase em que as pessoas saibam da sua existência para, a posteriori, pensar-se na sua implantação. Claro que não vejo o português em condições de competir com o inglês, pelo menos a médio e longo prazos. É imensurável o poderio e prestígio da língua inglesa à escala planetária.  :::

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MUDAUKANE, Ricardo. “A Língua Portuguesa é factor de exclusão em Moçambique”.
(Entrevista ao linguista Eliseu Mabasso).
Extraído do jornal Savana (Maputo, Moçambique)
Publicado em: 27 jun. 2014.

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Vice-presidente de Angola afirma a Língua Portuguesa na Cimeira EUA-África

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 19 de Agosto de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Com dados da Rede Angola e da rede de televisão ABC (EUA)

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Um interessante e breve episódio em Washington no início do mês de agosto mostrou o importante patamar da Língua Portuguesa como canal de comunicação de assuntos internacionais.

No dia 5 de agosto de 2014, durante a ocorrência da Cimeira Estados Unidos-África, o vice-presidente da República de Angola, Manuel Domingos Vicente, fez breve pronunciamento em Língua Portuguesa antes da reunião reservada com o secretário de Estado norte-americano John Kerry.

A declaração de Manuel Vicente foi espontânea, embora não contasse com a omissão do protocolo norte-americano de colocar um tradutor-intérprete.

“Como disse bem o senhor secretário, nós contámos com o apoio e toda a colaboração dos Estados Unidos para em conjunto podermos estabilizar, portanto, o continente africano. Sabemos que sem paz e segurança não há investimento, de modos que é o primeiro foco de Sua Excelência o senhor presidente da República colaborar e participar e fazer todo o esforço no sentido de podermos garantir a paz a nível de todo o continente africano e não só a nível global”, pronunciou Manuel Vicente em português na sede do Departamento de Estado dos EUA.

“Essa também é uma das razões, e no espírito da missão que nos leva, que estamos a candidatarmos para membro não permanente do Conselho de Segurança [das Nações Unidas] para o próximo mandato. E isso condiz sempre no primórdio de levarmos a paz ao continente e ao mundo. Muito obrigado.”

–– O chefe da diplomacia dos EUA como intérprete ––
John Kerry bem que tentou não mostrar embaraço por não ter à disposição no Departamento de Estado um tradutor-intérprete. “Eu sei que ele fala, estávamos a contar com o seu excelente inglês, que eu sei que fala, mas, basicamente, quer resumir ou quer que eu diga?”, perguntou dirigindo-se ao vice-presidente de Angola. “Claro que pode”, respondeu Manuel Vicente.

O chefe da diplomacia norte-americana prossegue: “O resumo mais rápido do mundo é que ele declarou que estava muito feliz por estar aqui em Washington com o secretário de Estado, muito feliz por fazer parte nesta conferência, que deseja trabalhar conosco adiante e para a estabilização contínua do continente africano. Falou sobre o crescimento e o desenvolvimento e as relações económicas. E acho que este é um resumo rápido”, parafraseou Kerry.

A seguir perguntou a Manuel Vicente: “Está bom assim?” E o vice-presidente angolano respondeu afirmativamente. John Kerry teria embaraços maiores se não contasse com o facto de saber a Língua Portuguesa e de estar casado há quase 20 anos com uma portuguesa nascida em Moçambique, Maria Teresa Simões Ferreira, mais conhecida como Teresa Heinz Kerry.

–– Um gesto de afirmação ––
Antes do constrangimento que a diplomacia norte-americana teve por não contar com intérpretes em português, Kerry havia elogiado Angola e a liderança do presidente do país, José Eduardo dos Santos. E declarou ter testemunhado o progresso da economia angolana na ocasião de sua recente visita a Luanda.

“Temos fortalecido nossas relações económicas com Angola, e esperamos fazer isso ainda mais. E parabenizamos Angola pelo trabalho significativo que eles têm feito em ajudar a reintegrar umas 500 mil pessoas a mais que estavam deslocadas devido a uma guerra civil muito longa. É de grande monta o que está a acontecer, e Angola é um dos países em que é evidente a transformação que vem a estabelecer-se em África”, disse John Kerry.

A atitude de afirmação do vice-presidente angolano foi simbolicamente exemplar e altiva, ao seguir um procedimento feito cada vez mais pelos líderes políticos dos países da Lusofonia, de se expressarem ao mundo na Língua oficial da nação que representam. E ainda por considerar que há um número estimado de 1,4 milhão de lusofalantes nos Estados Unidos da América.

Já que os próprios representantes do Governo dos EUA, por onde vão, fazem seus pronunciamentos em inglês, uma língua de valor internacional inegável, nada mais justo que os líderes da Lusofonia se expressem no estrangeiro em uma Língua parelha ao inglês, de longa história internacional e transcultural. Na Língua que une o povo de Angola e que é uma grande Língua do mundo.  :::

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• O pronunciamento do vice-presidente da República de Angola, Manuel Domingos Vicente, na sede do Departamento de Estado dos EUA, em Washington, na Cimeira Estados Unidos-África, em 5 de agosto de 2014.

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–– Extraído de reportagens da Rede Angola e da rede de televisão ABC (EUA) ––

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