Archive for the ‘Língua Portuguesa Internacional’ Category

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Exposição fotográfica sobre autores que escrevem Macau em Português

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 21 de Outubro de 2014 por ronsoar Tagged: , , ,

Da Agência Lusa
20 de outubro de 2014

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O fotógrafo António Mil-Homens inaugura na terça-feira, 21 de outubro de 2014, em Macau, na China, a mostra artística de imagens Escrever Macau em Português – Exposição de Retratos. A exposição contém retratos de 34 autores de Língua Portuguesa “vivos, com obra publicada, que escrevam textos sobre Macau ou que tomem a cidade como cenário”.

A iniciativa da exposição fotográfica é do Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, em cooperação com a Casa de Portugal em Macau. Os retratos são quase todos da autoria de António Mil-Homens, que se encontrou com os escritores em Macau e em Portugal.

Da lista de escritores retratados constam também nomes como Agustina Bessa-Luís, Altino do Tojal, Alice Vieira, Ana Maria Amaro, Ana Paula Laborinho, António Graça de Abreu, Carlos Frota, Carlos Marreiros, Cecília Jorge, Eduardo Ribeiro, Fernando Sales Lopes, Isabel Alçada, Jorge Rangel, José Jorge Letria, Miguel de Senna Fernandes, Rogério Beltrão Coelho, Rui Rocha e Tereza Sena.

À Agência Lusa, o fotógrafo descreveu a experiência como “muito gratificante”, pois permitiu “o contacto com pessoas muito interessantes”. Foi o caso de Altino do Tojal, com quem ficou “várias horas à conversa”.

Os retratos vão estar acompanhados de excertos da obra dos autores, tendo também sido criado um catálogo com notas biográficas. A mostra tem lugar no Edifício do Antigo Tribunal, localizado na Avenida da Praia Grande, em Macau, no sul da China e vai até ao dia 23 de novembro de 2014.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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O legado de Gilvan Müller de Oliveira no IILP – Carlos Alberto Faraco

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 18 de Outubro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , ,

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–– O Instituto Internacional da Língua Portuguesa ––

Carlos Alberto Faraco
do jornal Folha de S. Paulo (São Paulo, Brasil)
14 de julho de 2014

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O português é uma Língua em franca expansão no cenário internacional: vem crescendo o número de seus falantes como primeira e segunda Língua e como Língua estrangeira.

Não podemos dormir no ponto: essa conjuntura favorável está a exigir políticas mais articuladas e investimentos mais consistentes na promoção da nossa Língua.

O Brasil não está ausente dessa promoção. Temos um bom exame de proficiência (o Celpe-Bras) e o Itamaraty mantém no exterior uma rede de Centros de Estudos e de leitorados universitários. Não temos tido, porém, condições de atender à crescente demanda porque nos falta um orçamento melhor.

Para continuar a conquistar espaço, o português precisa também de iniciativas conjuntas dos países que o tem como Língua oficial. O instrumento para essas ações multilaterais é o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), órgão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O IILP foi criado em 1989 na primeira reunião dos chefes de Estado de todos os países que adotam o português como Língua oficial. É hoje o fórum para a gestão compartilhada de todos os aspectos da Língua que sejam do interesse conjunto desses países.

Em 2010 e 2013, a CPLP realizou Conferências Internacionais sobre o Futuro da Língua. Delas emergiram dois Planos de Ação que orientam a sua promoção multilateral, estimulando seu ensino, sua presença nos organismos internacionais, na Internet e nas atividades científicas; e difundindo a produção criativa em português.

Cabe ao IILP a tarefa de fomentar a realização dessas metas. Viveu, infelizmente, durante vinte anos em estado falimentar. Só em 2010, no Plano de Ação de Brasília, foram dados passos efetivos para consolidá-lo.

A atual direção do Instituto –(*)–, apesar de continuar a sofrer com problemas financeiros (o Brasil, por exemplo, está com três anuidades atrasadas), conseguiu estimular a criação das Comissões Nacionais em todos os países da CPLP e pôde igualmente viabilizar metas que lhe foram atribuídas na I Conferência.

Destas, vale mencionar a construção do Portal do Professor de Português Língua Estrangeira, plataforma virtual que oferecerá gratuitamente aos professores recursos didáticos produzidos por equipes de cada um dos países da CPLP. O projeto incorpora assim a diversidade do português sem descurar de sua unidade.

A maior iniciativa da atual direção do IILP é o Vocabulário Ortográfico Comum (VOC) previsto no Acordo Ortográfico de 1990. Para sua execução, o IILP assinou um convênio técnico com o Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC) da Universidade de Lisboa e com a Universidade Federal de São Carlos. E constituiu uma equipe de consultores com especialistas dos países da CPLP. O projeto já recebeu apoio financeiro do governo de Angola e do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal).

O VOC já conseguiu, pela primeira vez na história da Língua, unir numa só plataforma todas as bases léxico-ortográficas portuguesas e brasileiras. Só isso é um magno acontecimento. Há, contudo, mais: o projeto está promovendo a elaboração de Vocabulários Ortográficos Nacionais onde não havia. O de Moçambique e o de Timor-Leste estão prontos; e os demais em andamento.

Com o VOC, teremos à disposição não só uma referência comum e segura da ortografia, mas também novos acervos lexicais que permitirão enriquecer os dicionários da Língua.

A gestão da ortografia é apenas uma das muitas tarefas que cabem ao IILP. Sua consolidação, meta hoje claramente assumida pela CPLP, contribuirá significativamente para garantir o futuro do português no cenário mundial.  :::

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FARACO, Carlos Alberto. O Instituto Internacional da Língua Portuguesa.
Extraído do jornal Folha de S. Paulo – São Paulo, Brasil.
Publicado em: 14 jul. 2014.

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A marca positiva de Gilvan Müller de Oliveira, rumo à Língua Portuguesa Internacional

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 17 de Outubro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , ,

Baseado em reportagem do jornal Expresso das Ilhas (Praia, Cabo Verde)

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O antigo diretor do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), o linguista brasileiro Gilvan Müller de Oliveira, despediu-se do comando do órgão ligado à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no dia 3 de outubro de 2014.

Em declarações ao jornal Expresso das Ilhas (da Praia, capital de Cabo Verde) realizadas no final de setembro de 2014, Gilvan Müller assegurou deixar a Direção-Executiva do IILP com um sentimento de satisfação pelos resultados que “pudemos alcançar nos últimos quatro anos”.

Sua gestão à frente do IILP ficou marcada pela preocupação de criar instrumentos de difusão do Ensino da Língua Portuguesa com o uso das novas tecnologias, e também pela gestão policêntrica e de ação conjunta das políticas para a Língua Portuguesa, restaurando-lhe o verdadeiro caráter internacional.

Entre 2010 e 2013, houve duas Conferências Internacionais sobre o Futuro da Língua Portuguesa que deram origem cada uma ao Plano de Ação de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projeção da Língua Portuguesa, voltado à divulgação internacional e conjunta da Língua, e ao Plano de Ação de Lisboa sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, dedicado a políticas para a promoção do português como Língua para a ciência e as tecnologias de ponta.

Merecem destaque na gestão de Gilvan Müller os dois projetos para uso na Internet “realizados sob orientação do Plano de Ação de Brasília”, formulado em 2010. Trata-se do Portal do Professor de Português Língua Estrangeira (PPPLE) e do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC).

Quanto ao PPPLE, Gilvan Müller declarou que a sua concretização deixou disponíveis na Rede “400 unidades didáticas de Angola, Brasil, Moçambique, Portugal e Timor-Leste e que criou uma série de parcerias importantes para o IILP”. E quanto ao VOC, Gilvan Müller destacou que ele “hoje integra seis Vocabulários Ortográficos Nacionais: Cabo Verde, Moçambique, Brasil, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste”. E graças ao VOC, diversos países da Lusofonia compilaram pela primeira vez o seu conjunto ortográfico de palavras da Língua Portuguesa.

Além destes dois projetos, Gilvan Müller citou também o lançamento da revista Platô, na qual já há mais de 50 textos publicados e “que já tem seis números disponíveis na Internet”.

Apesar das dificuldades financeiras (sobretudo causadas pela omissão do financiamento do Brasil), o IILP cumpriu com os objetivos de lançar plataformas para o ensino e a divulgação da Língua Portuguesa e de criar as Comissões Nacionais dos países-membros da CPLP. E cabem méritos quanto à difusão e aplicação na maior parte do mundo lusófono do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.

Gilvan Müller de Oliveira foi sucedido pela linguista moçambicana Marisa Mendonça. Ele descreveu-a como uma “pessoa que esteve integrada no Portal do Professor de Português Língua Estrangeira/Língua Não Materna, e que tem um conhecimento profundo e intimo dos projetos do IILP”.  :::

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–– Com base em reportagem do jornal Expresso das Ilhas (Praia, Cabo Verde) ––

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Um “passo de gigante” nas relações Portugal-China – e no Ensino de Português na China

In Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade on 17 de Outubro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Da Agência Lusa
8 de outubro de 2014

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Nos dias 8 e 9 de outubro, realizou-se em Lisboa e em Cascais o Colóquio Portugal-China: 35 Anos de Cooperação e Potencialidades Futuras, organizado pelo Observatório da China.

O Colóquio Portugal-China: 35 Anos de Cooperação e Potencialidades Futuras foi realizado no dia 8 de outubro na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, e contou com a presença do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, da República Portuguesa, Luís Campos Ferreira; do embaixador da China em Portugal, Huang Songfu.

A cultura e os laços diplomáticos e a Lusofonia foram os temas dos painéis no dia inicial de trabalhos. E houve no segundo dia, na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, debate com os temas “Os Novos Caminhos do Conhecimento e da Aprendizagem nos Negócios” e “O Mar e Potencialidades Futuras”.

–– “Deu-se um passo de gigante” ––
Trinta e cinco anos depois do estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e a China, “o estado atual do relacionamento está em franco crescimento”, considerou o presidente do Observatório da China, Rui D’Ávila Lourido.

“Nos últimos anos, deu-se um passo de gigante, com o aprofundamento em várias áreas e protocolos, como saúde, proteção recíproca de investimentos, comunicações, tecnologia e ensino na Língua Portuguesa”, afirmou.

Para o responsável, assiste-se hoje “a uma consubstanciação do acordo de parceria estratégica entre a China e Portugal”, celebrado em 2005. “Portugal tem aproveitado bem. A nossa balança de pagamentos para com a China é positiva e é um apoio à nossa economia, porque exportamos bastante mais do que importamos”, referiu.

–– Língua Portuguesa ensinada em 22 universidades chinesas ––
Um dos exemplos do bom relacionamento é o interesse dos chineses na aprendizagem da Língua Portuguesa.

“A nível global, a China é o país onde o português, enquanto Língua estrangeira, tem maior expansão”, referiu o responsável do Observatório, exemplificando que há cinco anos existiam “de três a cinco universidades” a oferecer aulas de português, quando atualmente há 22, estando prevista a abertura de cursos em mais oito instituições nos próximos cinco anos.

Isto, acrescentou, “demonstra o interesse da China no mercado lusófono, onde se destacam Brasil, Angola, Moçambique e Portugal”.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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Guiné Equatorial declara-se “empenhada” no uso oficial da Língua Portuguesa

In Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 15 de Outubro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Do jornal Correio do Minho (Braga, Portugal)
10 de outubro de 2014

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O representante permanente da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Tito Mba Ada, garantiu em Braga, norte de Portugal, que o seu país está empenhado na implementação efetiva da Língua Portuguesa como uma das Línguas de uso oficial.

Tito Mba Ada falava durante a sessão de encerramento da Conferência Perspectivas da Língua Portuguesa, organizada em Braga no dia 9 de outubro de 2014. O evento estava a cargo da Comissão Técnica de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa da CPLP e da Universidade do Minho.

Tito Mba Ada afirmou que a Guiné Equatorial pretende “dar um salto quantitativo na implementação e desenvolvimento da Língua Portuguesa” e espera contar com o apoio dos parceiros da CPLP nesta missão.

A Guiné Equatorial foi admitida como membro de pleno direito da CPLP durante a Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo realizada em Díli, no Timor-Leste.

O representante da Guiné Equatorial realçou que o convite para integrar a conferência em Braga “traduz o reconhecimento” do novo estatuto do país africano. “Este convite abre também a possibilidade de nos juntarmos num momento de reflexão sobre as potencialidades da Língua Portuguesa nas suas variadas vertentes”, frisou.

Tito Mba Ada afirmou que também vai contribuir para o desenvolvimento do bloco lusófono, pois “apesar de pequeno, conta com muitos recursos que são colocados à disposição desta parceira no âmbito da CPLP”.

Fátima Fonseca, representante da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, que integrou a organização, realçou que a conferência foi enriquecedora e vincou a importância de se incrementar o potencial da Língua Portuguesa, nomeadamente ao nível da produção científica e da cooperação académica entre os países da CPLP.

E o reitor da Universidade do Minho, António Cunha, afirmou que sua instituição está empenhada no desenvolvimento dos países da CPLP. “A construção do futuro assenta em parcerias”, sustentou.  :::

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–– Extraído do jornal Correio do Minho (Braga, Portugal) ––

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Brasil: vocabulário reúne 170 mil palavras da Língua Portuguesa da Idade Média

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 14 de Outubro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Do Portal Brasil (Brasília, Brasil)
13 de outubro de 2014

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:::  Material organizado pela Fundação Casa de Rui Barbosa será distribuído em bibliotecas e universidades de diversos países.  :::

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A Fundação Casa de Rui Barbosa (sediada no Rio de Janeiro) lançou um vocabulário a listar palavras da Língua Portuguesa usadas na Idade Média e a relacioná-las com suas correspondentes atuais.

O Vocabulário do Português Medieval demorou 35 anos para ser preparado e publicado. A obra conta com 170 mil verbetes usados em documentos de Portugal e da região da Galiza (no noroeste da Espanha) entre os séculos XIII e XV.

O trabalho começou em 1979, com o lexicógrafo Antônio Geraldo da Cunha, do Setor de Filologia da Casa de Rui Barbosa, instituição vinculada ao Ministério da Cultura do Brasil.

“Ele arrebanhou uma quantidade de manuscritos de uma Língua falada entre a Galiza e Portugal. Com esse repertório, é possível retratar o processo de consolidação da Língua Portuguesa”, disse o diretor do Centro de Pesquisas da Casa de Rui Barbosa, José Almino de Alencar.

“Entre o latim romano e o português, a Língua atravessou uma grande história. É um dos momentos dessa história desconhecida que está retratado no Vocabulário“, completou o diretor.

–– Três décadas de espera até a primeira compilação impressa ––
Além do desafio de recolher os vocábulos em documentos antigos – trabalho que levou alguns anos –, os pesquisadores tiveram dificuldade para levá-lo ao público.

A primeira tentativa foi em 1984, quando os pesquisadores publicaram um fascículo-amostra na tentativa de conseguir patrocínio. Sem sucesso, houve uma adaptação da obra, publicada, em partes, entre 1986 e 1994.

Em 1999, todo o acervo de pesquisa foi digitalizado, o que possibilitou a publicação do material no ano seguinte, como um CD-ROM (disco multimídia usado em computadores). Uma atualização, ainda em CD-ROM, foi publicada em 2007. Somente sete anos depois, foi publicado o Vocabulário do Português Medieval, em dois volumes e com mil exemplares.

O material será distribuído em bibliotecas e universidades do Brasil, de Portugal, da Espanha, da França, da Alemanha e dos Estados Unidos da América.

“Não tínhamos nada publicado com essa densidade [sobre a origem da nossa Língua]. Esperamos que a obra seja um ponto de demarcação para estudiosos da nossa Língua e também de inspiração para outros países se debruçarem sobre suas próprias”, ressaltou a ministra da Cultura do Brasil, Marta Suplicy, presente à solenidade de lançamento ocorrida no Rio de Janeiro na sexta-feira, dia 10 de outubro de 2014.  :::

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–– Extraído do Portal Brasil (Brasília, Brasil) ––

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A história de uma tipografia portuguesa de Goa

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 11 de Outubro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

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Existe uma rica e longa história muito especial entre duas importantes civilizações que muito acrescentaram uma à outra – entre a Índia e o mundo de Língua Portuguesa. Dentre as nações do Ocidente, a presença portuguesa foi a que teve mais longa duração na Índia: durou mais tempo que a do domínio britânico, por exemplo.

A Índia foi o destino principal das Grandes Navegações portuguesas dos séculos XV e XVI. Goa foi a capital do Estado da Índia Portuguesa e esteve sob administração lusa de 1510 a 1961, quando – após muita relutância do autoritarismo português contra a transferência pacífica – foi anexada por via militar à União Indiana.

Boa parte dos manuscritos de Os Lusíadas de Camões foi escrita em Goa. A presença portuguesa permanece viva nessa parte da costa ocidental da Índia com toda a riqueza da cultura indo-portuguesa, com a arquitetura das casas de estilo mesclado indiano e português, nos nomes e apelidos de muitos indianos tanto de Goa quanto de outras partes do subcontinente.

E nas línguas também, com os crioulos de matiz portuguesa da Índia e a própria “Língua de Camões”, que foi a Língua franca da costa da Ásia nos séculos XVI e XVII. Por sua presença e influência, a Língua Portuguesa é tão “indiana” quanto o inglês.

Os portugueses trouxeram a imprensa à Índia em 1553. A partir de meados do século XIX, diversas editoras e tipografias apareceram no então Estado da Índia Portuguesa, que publicavam não somente em Língua Portuguesa como também em outras línguas, como o concani.

A reportagem a seguir do jornal The Times of India mostra a história de uma das editoras portuguesas de Goa – a Tipografia Rangel. Trata-se também de um pequeno testemunho da história de simbiose cultural de mais de cinco séculos entre a Índia e o mundo que fala português.

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–– A gravar o seu nome nas páginas da história –––

Andrew Pereira, de Goa (Índia)
do jornal The Times of India
28 de setembro de 2014

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Bem guardado em uma tranquila, bonita e arborizada esquina da vila de Bastora, no concelho de Bardez [no distrito de Goa Norte], repousa um pedaço de história que definiu as vidas leitoras de várias gerações de goeses.

Essa parte da nossa história provavelmente surgiu devido a um evento que teve lugar dois séculos e meio atrás. Os jesuítas, que vieram para publicar obras escritas desde 1556, haviam sido expulsos de Goa em 1759 durante o governo do Marquês de Pombal. Como resultado, a publicação de livros chegou a uma paralisia em Goa por algum tempo. Foi nessa época em que nasceu Vicente João Janin Rangel, a 16 de março de 1858, na vila de Piedade, na ilha de Divar. Após perder o pai aos seis anos de idade, ele foi apadrinhado por sua mãe Luísa Maria Lobo e Rangel e instruído por seu tio, o padre Caetano Francisco Lobo, que exerceu um impacto duradouro em sua vida.

A família Rangel mudou-se de Divar para Bastora, e Janin cresceu para tornar-se um jovem com espírito empreendedor. “Aos 28 anos, ele, juntamente com sua irmã, aventurou-se em um negócio conhecido como ‘indústria de conservas’, que envolvia a embalagem de frutas, legumes, e produtos de leite e carnes. Sua empresa, a J. Rangel e Companhia, foi assim constituída”, conta Jaime Rangel, médico e escritor, bisneto de Janin Rangel.

Em 1886, quando alguns indivíduos tinham estabelecido prensas e circularam os seus próprios jornais em Goa, Janin sentiu que havia ali uma oportunidade no mundo da impressão e da editoração, e foi a fundo na área. Ele fundou a Tipografia Rangel em sua casa em Boa Vista, na vila de Bastora, e depois começou a coordenar e publicar os Elementos de Música para o ensino de solfejo, um método de educação musical com entonação e canto por leitura.

“Este foi o primeiro livro desse gênero, não apenas em Goa, mas também na Índia Britânica. Ele continua a ser usado até hoje”, diz Jaime Rangel. O primeiro livro publicado em Bastora foi o Almanaque de Bofete [sobre alimentos]. Em seguida, veio o Almanaque de Parede. Entre outros trabalhos posteriormente publicados, havia uma revista quinzenal chamada O Indispensável, que ele cofundou com o Dr. Pitágoras Lobo do Socorro. Ele também foi autor do livro do Regulamento das Comunidades Agrícolas de Goa.

Ao lado das obras em Língua Portuguesa, a Tipografia Rangel também publicou livros em concani, em inglês e em francês. Foi em 1909, quando a Tipografia Rangel publicou o Almanach Illustrado de Parede e Bofete, que chegou a era de apogeu da impressão em Goa. Esse foi o primeiro livro a usar o processo de impressão em quatro cores CMYK, que teve fotografias e desenhos em composição, todos feitos a oito décadas de distância do Coreldraw e da editoração por computador.

As obras pedagógicas de Janin incluíram posteriormente o Primeiro Tomo e o Segundo Tomo em Línguas Portuguesa e concani, uma gramática elementar da Língua Portuguesa e um livro elementar do sistema métrico decimal. “Em 1933, ele publicou sua magnum opus: uma obra monumental intitulada A Gramática da Lingua Concani, em português e concani. Esse livro tinha um prefácio de 28 páginas todo escrito em concani por seu filho, o dr. Jaime Valfredo Rangel, a detalhar a história da língua concani”, disse Jaime Rangel.

Valfredo Rangel logo assumiu o negócio de impressão e editoração de seu pai. “Foi durante a era de Valfredo que o negócio expandiu e floresceu”, disse Jaime Rangel.

Valfredo fez circular seu próprio jornal semanário, O Independente, de 1933 a 1945. Ele também foi editor dos Arquivos da Escola Médica de Goa, publicados pela Tipografia Rangel. “Ele assumiu a responsabilidade de imprimir o Boletim do Instituto Vasco da Gama, que foi rebatizado mais tarde como Instituto Meneses Bragança, e o boletim também, como o ‘Boletim do Instituto Meneses Bragança'”, disse Jaime Rangel.

Outros livros publicados foram o Boletim Eclesiástico de Goa, da Arquidiocese de Goa, e o seu formato anterior, A Voz de S. Francisco Xavier. Além de publicar livros para estudantes de línguas e de ciências e revistas médicas, Valfredo escreveu e publicou o livro Imprensa de Goa em 1956, a comemorar os 400 anos de livros impressos em Goa. Tudo isso foi feito, mesmo com Valfredo Rangel a exercer o cargo que lhe foi confiado de presidente da Câmara Municipal de Bardez, posto que ocupou por 10 anos.

Valfredo faleceu em 1959 aos 62 anos, e as rédeas do negócio foram transferidas para seu filho, José Rangel. O primeiro teste de José Rangel veio em 1961, quando Goa atravessou momentos turbulentos, que culminaram em profunda mudança política. “Muitas obras por imprimir não foram concluídas. A Tipografia Rangel ficou sem pagamentos e enfrentou perdas financeiras”, disse Jaime Rangel.

José Rangel suportou esse período de provação e continuou a publicar obras em várias línguas. “Com o predomínio do inglês e das línguas nacionais nos anos seguintes, muitas editoras não viram sentido para os negócios na publicação de obras escritas em português. O meu pai, José, porém, deu uma saída a esses escritores e ajudou-os a publicar suas obras” disse Jaime Rangel.

A Tipografia Rangel logo tornou-se um nome popular entre as crianças na idade escolar, com a impressão de calendários escolares das instituições de ensino das vilas próximas de Bastora, Aldoná e Mapuçá. Quando José ficou em idade avançada, ele encerrou suas operações por razões diversas e a Tipografia Rangel fez rodar a impressão de suas últimas obras em 1994.

O filho de José Rangel, Jaime, diz não ter a intenção de refundar a editora. “Apesar disso, fiz reviver a empresa com a publicação de uma edição comemorativa: Let a Million Blossoms Bloom ["Que Desabrochem Um Milhão de Flores", de 2011], que estava ligada ao 125º. aniversário da Tipografia Rangel e da fundação da Escola Secundária de Santa Cruz de Bastora, que foi construída em um terreno oferecido por meu avô, Jaime Valfredo Rangel”, disse.

Das máquinas de impressão manual para o uso de prensas a gasóleo e até a mudança para as prensas elétricas, a Tipografia Rangel indelevelmente gravou o seu nome nas páginas da história de Goa.  :::

PEREIRA, Andrew. Etching its name on the pages of history.
Extraído do jornal The Times of India (Índia).
Publicado em: set. 2014.

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