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Palavra do Ano de 2014 reacende polémica dos estrangeirismos no Português

In Defesa da Língua Portuguesa, Enriquecimento da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional on 15 de Dezembro de 2014 by ronsoar Tagged: ,

Da Agência Lusa e da Porto Editora

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A Porto Editora promove pela sexta vez o concurso virtual da “Palavra do Ano”. A equipa de linguistas do Departamento de Dicionários da Língua Portuguesa da Porto Editora selecionou as dez palavras a serem votadas pelo público através da Internet como a “Palavra do Ano” de 2014. O anúncio da palavra vencedora ocorrerá em janeiro de 2015.

O objetivo do concurso na Internet é “enaltecer o património da Língua Portuguesa, sublinhando a importância das palavras e dos seus diferentes sentidos no nosso quotidiano”.

A seleção das palavras pela Porto Editora faz retomar um ponto polémico quanto ao léxico da Língua Portuguesa: pode uma palavra estrangeira, sem adaptações gráficas e de pronúncia, ser escolhida como símbolo da Língua Portuguesa?

Em comunicado, a Porto Editora afirma que a lista de palavras foi feita “com base em critérios de frequência de uso e de relevância assumida quer através dos meios de comunicação social e das redes sociais, quer da utilização dos dicionários da Porto Editora”, inclusive nas versões em linha (online) e para a Internet móvel (mobile).

Declara no mesmo comunicado que as dez palavras selecionadas – divulgadas em 1 de dezembro de 2014 – remetem assuntos de política, saúde, a guerra, hábitos sociais e estratégias de comunicação. Embora haja palavras de uso muito comum e costumeiro da Língua, há também as neologias, em que aparecem regionalismos e até uma palavra inglesa.

As dez palavras candidatas são “banco”, “basqueiro”, “cibervadiagem”, “corrupção”, “ébola”, “legionela”, “gamificação”, “jihadismo”, “selfie” e “xurdir”.

–– “Basqueiro” e “xurdir”: regionalismos do norte de Portugal ––
A palavra “basqueiro” aparece na lista, pois “surpreendeu a opinião pública quando foi utilizada pelo atual ministro da Economia num debate parlamentar”, usada em novembro pelo ministro António Pires de Lima na Assembleia da República, o Parlamento português: “‘Que basqueiro!’, como se diz no norte [de Portugal]. ‘Basqueiro’ é um termo utilizado na gíria do Porto, que eu aprendi quando vivi no Porto”, disse na mesma ocasião, explicando que a palavra é sinónima de “frenesim”.

Outro regionalismo que aparece na lista é “xurdir”, usada na região de Trás-os-Montes: “Talvez pelas circunstâncias socioeconómicas que o país atravessa, ou pela riqueza da Língua Portuguesa, verificou-se este ano um aumento significativo da utilização desta palavra, que significa ‘lutar pela vida; mourejar’.”

–– “Ébola” e “legionela”: surtos e infecções ––
A palavra “ébola” fez grande presença na mídia devido ao surto do vírus a atingir notadamente a África Ocidental, em países como Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria. “Tornou-se uma das preocupações das entidades públicas e das populações durante todo o ano”, refere a Porto Editora no comunicado.

Uma forte candidata é a palavra “legionela”, devido ao “inesperado surto” de infecções em Portugal causadas por bactérias do gênero Legionella, o que “fez com que o uso deste vocábulo se tornasse generalizado”.

–– “Banco” e “corrupção”: palavras corriqueiras da Língua ––
Na lista também aparecem palavras de uso corriqueiro da Língua Portuguesa. Os linguistas justificam a inclusão da palavra “banco” por “toda a polémica em torno da situação de uma conhecida instituição bancária, que colocou este vocábulo no centro do nosso quotidiano, levando ao aparecimento de expressões como ‘banco bom’ e ‘banco mau'”.

Outra palavra comum da Língua incluída na lista foi “corrupção”, pois ao longo do ano “foram sendo conhecidos vários casos de suspeita de corrupção em vários sectores da sociedade, envolvendo inclusive entidades e personalidades públicas”.

–– “Gamificação”, “jihadismo”: hibridismos ––
Há na lista hibridismos: palavras portuguesas derivadas de um termo de língua estrangeira. É o caso de “gamificação”. Para a equipa do concurso, “cada vez mais e em inúmeros contextos – educação, saúde, política, etc. – se faz uso de técnicas características de videojogos para resolver problemas práticos ou consciencializar ou motivar um público específico para um determinado assunto, uma estratégia que tem o nome de gamificação”.

O termo “gamificação” é um aportuguesamento do inglês gamification (derivada de game, “jogo”). Para o mesmo sentido em português, há também o termo “ludificação”.

A palavra “jihadismo” é derivada do árabe jihad, em referência à ação de grupos armados, notadamente os que se declaram de fé islâmica. “O afirmar do jihadismo no Iraque e na Síria, através da utilização dos média e das novas plataformas como formas de propaganda à escala global, colocou este movimento no topo da agenda mediática”, explica a Porto Editora.

–– Vida digital, “cibervadiagem” e o polémico “selfie ––
Há termos ligados à informática e à vida digital. A inclusão de “cibervadiagem”, ou o ócio em meio a trabalhos via Internet, explica-se pelo facto de a “utilização de plataformas digitais, como as redes sociais, com fins lúdicos durante o exercício de funções profissionais, ser cada vez mais frequente e um fenómeno que começa a ser objeto de análise jurídica”.

Porém, o mais polémico termo incluído na lista é a palavra inglesa “selfie” (derivada de self-portrait), que pode ser traduzida em português como “autorretrato” ou “autofoto”. Assim a Porto Editora justifica sua inclusão: “mais do que uma moda, mais do que uma tendência, as selfies fazem parte do nosso dia a dia, com presença constante nas redes sociais”.

A votação da “Palavra do Ano” 2014 será através do sítio de Internet Infopédia.pt e ocorre “até ao último segundo” de 31 de dezembro de 2014.

Nas edições anteriores, as palavras escolhidas foram “esmiuçar” em 2009, “vuvuzela” em 2010, “austeridade” (2011), “entroikado” em 2012 e “bombeiro” em 2013.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa e da Porto Editora ––

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