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Lusófona e chinesa, Macau após 15 anos da transferência à China

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 24 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Da Agência Lusa e da Rádio China Internacional

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Quando a China assumiu o governo de Macau, “havia algumas incertezas quanto ao futuro, mas o desenvolvimento desta Região Administrativa Especial ultrapassou em muito o que as pessoas imaginavam”, disse recentemente um jornalista em transmissão da Televisão Central da China (CCTV), em uma reportagem em direto de Macau.

Desde o “regresso de Macau à Pátria”, como se diz na China, a região teve impressionante desenvolvimento económico, a ponto de o território tornar-se a “capital mundial do jogo”, à frente de Las Vegas. Há 15 anos, “o Lisboa era o melhor e o maior casino de Macau; hoje é o mais pequeno”, salientou o jornal de língua inglesa China Daily.

O legado dos cinco séculos de presença portuguesa é visto em sua herança arquitetónica, como o Farol da Guia, o mais antigo de toda a China, e o Centro Histórico de Macau, com as ruínas da Catedral de São Paulo e o Largo do Senado, classificado como Património Mundial pela UNESCO em 2005.

“Com as suas ruas antigas, áreas residenciais, construções religiosas, arquitetura portuguesa e chinesa, o Centro Histórico de Macau constitui um testemunho único do encontro entre o Oriente e o Ocidente”, assinala o Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista da China.

O passado português convive com as marcas da modernidade pós-transferência: Macau conta com a Torre Panorâmica e com uma rede de 20 quilómetros do Metro Ligeiro, da Península de Macau até Cotai. E em 2016, terá uma gigantesca ponte de 50 quilómetros de extensão sobre a Riviera das Pérolas a ligar Macau, Hong Kong e Zhuhai (na região de Cantão).

“O espírito de ‘Amar Macau, Amar a China’ tem sido a chave do rápido desenvolvimento de Macau nos últimos quinze anos”, proclamou o Diário do Povo.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Qin Gang, concorda: “Nos últimos quinze anos, Macau desenvolveu boas relações com os países de Língua Portuguesa e desempenhou um papel positivo na ligação da China aos países de Língua Portuguesa”, disse ele à Agência Lusa.

“China e Portugal lidaram corretamente com o regresso de Macau [à administração chinesa], através de consultas e negociações em pé de igualdade”, disse ele. Afirmou ainda que a transferência de poderes no território constitui “um marco memorável na História” das relações luso-chinesas.

–– “Um país, dois sistemas” ––
Macau (Ao Men, em chinês) foi integrado na Republica Popular da China no dia 20 de dezembro de 1999, segundo a mesma formula adotada dois anos antes no antigo território britânico de Hong Kong: “um país, dois sistemas”.

Segundo essa fórmula “um país, dois sistemas”, exceto nas áreas de defesa nacional e relações externas, a cargo do Governo central em Pequim, Macau goza de “um alto grau de autonomia”, “é governado por pessoas de Macau”. E o português mantém-se como Língua oficial, a par do chinês.

Desde a transferência da soberania à China, ocorrida em dezembro em 1999, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita de Macau passou de 12,3 mil para 71,2 mil euros, sendo hoje “o segundo mais elevado da Ásia e o quarto do mundo”, realçam os responsáveis chineses.

O rendimento mensal médio em Macau triplicou, para 15 mil patacas (1.500 euros) – cerca de o dobro de Pequim – e o desemprego baixou para 1,6%, referiu um órgão da imprensa chinesa.

Na China, o PIB per capita ronda os 5,7 mil euros e mesmo em Pequim, uma das cidades do país com melhor nível de vida, o salário médio não chega a 6.000 iuanes (800 euros).

“Gosto muito da cidade. Macau é um local especial. Gosto da mistura cultural e arquitetônica”, disse José Matias, nascido em Portugal e que vive na cidade do sul da China. “Gosto da cultura, da comida e dos costumes chineses. Gosto da presença portuguesa e lusófona. Gosto de Macau também pelos bons amigos que fiz aqui.”

E não só fez amigos como casou-se com uma chinesa local e tem dois filhos. “Macau é a minha casa. A segunda casa que se tornou primeira.”, disse Matias, ao repetir o verbo “gostar”, expressando sua paixão por Macau, chinesa e lusófona.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa e da Rádio China Internacional ––

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Curso de tradução das Línguas Portuguesa e chinesa dos Institutos Politécnicos de Leiria e de Macau

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 20 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , ,

Da Agência Lusa
20 de dezembro de 2014

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O Instituto Politécnico de Leiria (IPL) e o Instituto Politécnico de Macau (IPM) promovem em parceria há oito anos o Curso de Tradução e Interpretação Português-Chinês e Chinês-Português.

Esse curso especial de tradução já formou 114 tradutores e intérpretes, sendo 44 licenciados portugueses e 70 chineses, colocados em empresas privadas e instituições governamentais, dando-lhes habilidades de comunicação tanto na Língua Portuguesa quanto no chinês mandarim: a versão oficial adotada pela República Popular da China.

Iniciado em 2006, o Curso de Tradução e Interpretação Português-Chinês e Chinês-Português funciona em paralelo nas duas instituições: o primeiro e quarto ano no país de origem dos alunos e os dois anos intermédios em Portugal, para os chineses, e na China, para os portugueses.

“Essa é uma das mais-valias: potenciar a formação num contexto de imersão linguística”, disse à Agência Lusa a professora da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do IPL, Inês Conde, coordenadora do curso.

De acordo com Inês Conde, empresas privadas da área da tradução em Portugal, Brasil e Angola, órgãos de comunicação social da Região Administrativa Especial de Macau, universidades e entidades representantes do governo da República Portuguesa na China estão entre os organismos que têm garantido saídas profissionais aos alunos.

–– Diferenças de métodos de ensino de línguas ––
Durante as aulas, todos os alunos portugueses e chineses sentem as diferenças nas metodologias de ensino – conforme é praticado em Portugal ou na China –, embora Inês Conde sublinhe ser “mais difícil” aos alunos chineses assimilarem o método português do que o contrário.

“Os professores portugueses usam muito as estratégias criativas ou espontâneas de escrita ou produção oral, e os alunos chineses estão habituados a um sistema de mais memorização, repetição até de conteúdos e de estruturas gramaticais. Eles têm muita facilidade em estudar a gramática e sentem mais dificuldade na produção oral espontânea, sem preparação prévia”, explicou.

Já os portugueses, continuou, embora em geral adorem a experiência de estudar em Pequim e de sentir a “pulsão” da capital do país mais populoso do mundo – “o mar de gente que pulsa em Pequim todos os dias” –, relatam as diferenças encontradas na metodologia chinesa, “um tipo de ensino que requer muita disciplina, muito estudo, muito trabalho, muito treino linguístico”.

O feedback [retorno] que o Instituto Politécnico de Leiria tem dos responsáveis do seu congénere de Macau – com quem a parceria permitiu desenvolver uma “relação muito próxima com docentes e funcionários, quase familiar” – é o de que os alunos portugueses que ali demandam “são muito bons a aprender línguas estrangeiras”.

–– Alunos chineses são “muito respeitadores” e os portugueses, “mais informais” ––
No relacionamento com os professores, os alunos macaenses oriundos do Politécnico de Macau “têm uma relação muito cordial e muito formal”, principalmente no início do ano letivo. “Depois percebem que podem estar um pouco mais à vontade, mas são muito respeitadores, muito bem comportados nas aulas, respondem muito bem às solicitações dos docentes”, refere Inês Conde.

Os portugueses, esses, são mais informais, denotam “algumas características típicas” do país de origem, “nem sempre respeitam as horas de entrada nas aulas”, assinala, com um sorriso, a coordenadora do curso.

“Temos alunos que já falam chinês quase sem as marcas da sua origem, da sua língua materna. Têm-nos dito que trabalham e vão ao encontro das exigências que lhes são feitas na aprendizagem do mandarim”, frisou.

No regresso a Leiria, no quarto ano do curso, os professores de chinês destacados na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais “ficam muito contentes por perceberem que houve uma evolução enorme nos dois anos que passaram na China, e o trabalho que é feito já é de grande complexidade”.

No último ano os estudantes trabalham géneros textuais legais, administrativos, relacionados com a economia ou com a literatura “e conseguem atingir bons resultados”, manifestados, depois, nos estágios profissionais que se realizam no segundo semestre do quarto ano. “Fazem tradução de chinês para português e, se lhes pedirem, também de português para chinês”, revela.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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A Língua Portuguesa resiste no Mercado Vermelho de Macau

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 19 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência Lusa
17 de dezembro de 2014

:::  Na esquina da Almirante Lacerda, todo o pescado é conhecido pelo seu nome português.  :::

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No Mercado Vermelho, o mais icónico de Macau, a língua chinesa é rainha, mas ainda há quem recorra ao português para atrair clientes.

“Batata, tomate, cebola, alface, agrião, brócolos, couve-flor”, enumera Ana Wong, 56 anos, enquanto aponta, um a um, os legumes na sua banca.

Há mais de 30 anos que a vendedora tem o seu negócio no mercado – um dos mais antigos da cidade, estabelecido em 1936, e o único classificado como património cultural de Macau.

O seu português, que hoje não vai muito além dos nomes dos legumes e dos preços, aprendeu-o em aulas noturnas, que frequentou antes da transferência de administração [ocorrida em dezembro de 1999], quando, aos vinte e poucos anos, se mudou de Zhongshan, na China, para Macau.

“Tinha de aprender português porque contactava com os portugueses que iam fazer compras. Se não aprendesse, era difícil”, explica, com o auxílio de um tradutor. “Falo um bocadinho, mas não falo muito bem”, desculpa-se.

Antes de 1999, os clientes que dominavam o idioma eram “muitos”, mas agora são só “dois ou três”. Ainda assim, denota uma nova tendência: Depois da transferência, “muitos portugueses foram para Portugal. Mas agora é diferente: agora muitos vivem em Macau”.

Ao contrário do que acontecia no passado, já “surgem alguns portugueses que pedem os legumes em chinês”, apesar de maioritariamente serem “portugueses de lá casados com macaenses”. “Mas também há muitos portugueses que chegam a Macau e não querem falar chinês”, lamenta.

O negócio de família já correu melhor, diz, culpando o aumento do custo de vida que faz com que o rendimento, de mais de 20 mil patacas [ou 2 mil euros], “não dê para nada”.

Os preços dos legumes também subiram significativamente desde 1999, admite, com destaque para as batatas e hortaliças. “A hortaliça custava duas ou três patacas [20 ou 30 cêntimos], agora custa 16 ou 18 patacas o cate [1,6 ou 1,8 euros por 600 gramas]”, conta.

–– “Amigo, quer peixe?” ––
No andar de cima do mercado, na zona do peixe, fica a banca de Leong Chi Pong. Não há rosto ocidental que o vendedor de 59 anos deixe passar sem tentar a sorte. “Amigo, quer peixe?”, diz, em jeito de cumprimento.

Foi também de Zhongshan que veio, há mais de 30 anos, para Macau, com 26 anos. “Tinha de trabalhar. Por isso vim vender peixe”, resume.

O idioma aprendeu-o com os clientes. “Os portugueses vinham comprar, precisavam de sardinhas ou perguntavam ‘Tem salmão?’. Foi assim que aprendi”, conta.

O português pode falhar em conversas mais gerais, mas, no que toca ao pescado, Leong Chi Pong não erra uma. “Salmão, corvina, lula, choco, polvo, cabeça, filete”, enumera, sorridente, emoldurado pelos icónicos candeeiros vermelhos, típicos dos mercados chineses, que pendem sobre a sua banca.

Os clientes portugueses habituais já não são tantos como antes, apenas “três ou quatro”, mas conhece-os pelo nome, como “o Manel e o Branco”. São também seus clientes os chefs do restaurante do Instituto de Formação Turística.

Satisfeito com a profissão que escolheu, explica como usa ainda o pouco português que domina para ensinar aos clientes a confecionar os produtos. “Assado, caldeirada, forno”, exemplifica.

Lamenta que hoje haja menos portugueses a visitar o mercado, em comparação com os que havia há 15 anos. “Os portugueses têm mais o hábito do convívio quando compram, conversam mais, têm mais amizade”, comenta.

Também na sua seção, os preços têm subido “muito”, o que gera reclamações. “De vez em quando as pessoas queixam-se. Dizem :’Vende tão caro’. Mas não é minha culpa, é do fornecedor”, justifica, tentando por uma última vez perguntar: “Não quer peixe?”.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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Embaixador de Portugal na China elogia Macau como “ponto de encontro” entre os dois países

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 11 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Rádio China Internacional
10 de dezembro de 2014

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Este ano marca o 15º aniversário do retorno da administração de Macau para a China. Em entrevista à Rádio Internacional da China, o embaixador de Portugal em Pequim, Jorge Torres Pereira, avaliou que a região tem um papel muito importante no relacionamento entre os dois países, e serve como um “ponto de encontro” para a China, Portugal e todos os países de Língua Portuguesa.

“Eu creio que o mais importante dizer, agora que consumamos quinze anos desta transferência da soberania à Republica Popular da China, é que Macau constitui ativo muito importante do relacionamento bilateral entre Portugal e a China.

Continuamos – quer o governo português, quer o governo da República Popular da China – a considerar que é um aspecto importante e simbólico da excelência do relacionamento entre os dois países o facto como Macau tem influenciado positivamente a atitude dos dois governos.”

Macau foi um dos primeiros locais de encontro entre China e Portugal, e essa importância permanece até hoje. O embaixador Jorge Torres Pereira disse acreditar que a cidade tem um potencial ainda maior no relacionamento bilateral.

“Portugal foi dos países que mais cedo teve contactos com a China. Nós gostamos de dizer que ‘por mar fomos os primeiros a chegar’. E pouco depois Macau foi, no fundo, um ponto de encontro entre a cultura chinesa e a realidade da China e a realidade portuguesa.

E esse papel de ponto de encontro, no fundo, nunca se perdeu. Foi adquirindo, ao longo da história, diferentes aspectos e, na história mais recente –depois do estabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a República Popular da China, depois da Declaração Conjunta Sino-Portuguesa–, o que nós temos visto nestes últimos quinze anos, é que cada vez mais há resultados concretos deste bom relacionamento, e há cada vez mais potencial de explorar e há cada vez mais áreas de cooperação que passam por Macau.”

Macau é palco do Fórum de Cooperação entre China e países lusófonos. Pereira também vê com bons olhos o evento na promoção dos intercâmbios e cooperações bilaterais e multilaterais.

“De certa maneira, balizam o que este Fórum poderá fazer nestes próximos anos e confirmam aquilo que eu venho de dizer, que há uma perspectiva otimista em relação à cooperação entre China e os diferentes países em que se fala português, em setores que, aliás, tem vindo a ser olhados desde o começo do formato.

É evidente que cada um dos países de Língua Portuguesa tem relações bilaterais com a China muito importantes, e nós não temos a pretensão de dizer que o fórum multilateral –que é o Fórum de Macau– substitui as relações bilaterais de cada um desses países. Agora, o que nós achamos é que é um espaço complementar muito importante, onde se podem descobrir sinergias, onde podem-se descobrir oportunidades que vão para além do relacionamento bilateral.”  :::

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–– Extraído da Rádio China Internacional ––

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IV Congresso da AILP em Macau: o Português na Ásia e seu caráter de “Língua-legião”

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 9 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Da AILP – Associação Internacional de Linguística do Português e do IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa

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Entre os dias 3 e 5 de dezembro de 2014, realizou-se em Macau, no sul da China, o IV Congresso da Associação Internacional de Linguística do Português (AILP). O evento foi realizado no Departamento de Português da Universidade de Macau, no novo câmpus da instituição, situado na Ilha da Montanha (ou Hengqin, em seu nome chinês).

Um dos grandes objetivos do Congresso da AILP é investigar a presença da Língua Portuguesa na Ásia nos chamados “ambientes de superdiversidade”, com o fim do contexto colonial e o surgimento do conceito de Lusofonia.

O evento reuniu cerca de 150 linguistas, professores de português, pesquisadores e diretores de institutos de Língua Portuguesa dos mais variados países da Ásia, que abordaram sobre o ensino e a promoção da Língua no continente.

–– O Português como uma “Língua-legião” ––
O congresso também destacou o português como uma Língua pluricêntrica. O comunicado oficial da AILP na Internet sublinhou que “a onda mais recente de investigações socioculturais em e sobre a língua portuguesa, desenvolvidas na Ásia especialmente na Universidade de Macau, tem evidenciado novas marcas e tonalidades que evidenciam o português como uma Língua transnacional”.

“É insustentável falar em línguas puras, homogéneas, associáveis a um povo específico e faladas, com exclusividade, em um território circunscrito”, prossegue o comunicado, explicando o que é a “superdiversidade da Língua Portuguesa”.

“Assim, o que sobretudo precisa ser sublinhado é a ideia de uma Língua-legião: porque são muitas as Línguas Portuguesas. E como vêm sendo faladas por sujeitos com heranças linguísticas e culturais imprevisíveis, na Ásia e em outros espaços, vão sendo alimentadas, (re)criadas, e, assim, vão se manifestando saudáveis, mestiças, carregadas com as contradições dos seus falantes”, conclui o texto da AILP.

–– “Como está a Língua Portuguesa na Ásia?” ––
“Este congresso foi pensado para refletir a Língua Portuguesa na Ásia, porque sabe-se muito pouco sobre a região. À exceção de Macau, que é uma referência para toda a Ásia, sabemos muito pouco sobre o que acontece na Indonésia ou Malásia”, declarou no comunicado de abertura do evento o presidente da AILP e professor da Universidade de Macau, Roberval Teixeira e Silva.

“Como a perspectiva dos Países de Língua Portuguesa é cada vez mais promissora em termos mundiais, a Língua vai aparecendo e brotando em mais espaços”, explicou o docente, ao realçar a importância de se saber o “é que está acontecer com a Língua Portuguesa? Como é que funciona e que tipo de imagem existe sobre ela?”

–– Documentos em defesa do Português na Ásia ––
O congresso lançou um movimento inicial para gerar um documento direcionado às instituições de ensino e de pesquisa, públicas e privadas, em apoio às investigações sobre a Língua Portuguesa em seus mais variados usos na Ásia.

“Queríamos trazer pesquisadores de cada país para fazer um documento, que fosse útil para embaixadas, consulados, governos, instituições de fomento, no sentido de apoiar mais iniciativas ligadas à Língua Portuguesa, não apenas em termos de pesquisa, mas também em atividades culturais”, destacou Roberval Teixeira e Silva.

Entre as metas da AILP nesse sentido, pretende-se promover um encontro de líderes asiáticos envolvidos com a Língua Portuguesa, para a elaboração de um documento oficial em português nos diferentes países do continente. Será ainda lançado um livro a reunir as palestras dos especialistas asiáticos presentes ao congresso, cujo título provisório é o tema do evento: A Língua Portuguesa na Ásia sob a Perspectiva da Superdiversidade: Ensino, Pesquisa e Difusão.

–– Sobre a AILP ––
A Associação Internacional de Linguística do Português (AILP), sem fins lucrativos e de caráter científico e de promoção cultural, foi criada em 2001 pelos esforços conjuntos da Associação Brasileira de Linguística e da Associação Portuguesa de Linguística.

Seus congressos anteriores foram realizados na Universidade de Lisboa, em 2003, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2007, e na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, Brasil, em 2010.

O IV Congresso da AILP, na Universidade de Macau, contou também com os apoios do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), da Fundação Oriente (de Macau, China) e da Sociedade Internacional de Português Língua Estrangeira (SIPLE).  :::

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–– Extraído da AILP – Associação Internacional de Linguística do Português e do IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa ––

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Isabel Pires de Lima: mais cooperação entre os países na promoção do Português no mundo

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 7 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência Lusa e do jornal Ponto Final (Macau, China)
6 de novembro de 2014

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A antiga ministra da Cultura da República Portuguesa, Isabel Pires de Lima, defendeu em Macau, na China, que os países lusófonos devem cooperar no ensino da Língua Portuguesa no estrangeiro, ao invés de competirem.

A ex-governante esteve no Instituto Politécnico de Macau (IPM), onde apresentou em 6 de novembro último a palestra “As culturas da Lusofonia no mundo contemporâneo”, onde defendeu que “havendo vontade política, há muitas medidas que podem ser extremamente produtivas” para a promoção da Lusofonia.

Além da criação de “conteúdos em português na Internet” através de meios partilhados pelos diferentes países, Isabel Pires de Lima defendeu que o Ensino do Português no estrangeiro seja feito de forma coordenada, de modo a poupar esforços e recursos.

“É preciso congregar políticas no sentido em que, nos locais onde se ensina português no estrangeiro, como os leitorados, não esteja o Brasil a puxar para um lado, Portugal a puxar para outro, e em breve, provavelmente, Angola a puxar para outro”, alertou.

Isabel Pires de Lima exemplificou a ação de isolamento dos países lusófonos pela promoção da Língua comum, que, “quando está presente o Brasil, não precisa de estar presente Portugal nem precisa de estar presente Angola”.

“Podem conjugar-se no sentido de cobrir espaços diferentes e terem mais capacidade de intervenção. Se houver congregação de esforços, é muito mais eficaz”, concluiu.

No âmbito da promoção da Língua, Isabel Pires de Lima considera que Macau tem “um lugar angular neste momento”, já que “é uma praça-forte e uma plataforma de lançamento num continente que é o mais populoso de todos e num país que é o mais populoso do mundo”.

“A ação que o Centro Pedagógico e Cientifico da Língua Portuguesa”, que promoveu a palestra no IPM, “está a desenvolver, de formar professores e os colocar a ensinar português pela China fora, é uma ação extraordinariamente potenciadora para o português”, elogiou.

Macau é, no entanto, uma exceção, assim ela acredita, já que, na maioria dos países lusófonos, a vontade política para a promoção da lusofonia é “debilzinha”.

Os motivos são vários e de natureza diferente. “Algumas reticências que os países africanos de Língua Portuguesa colocam decorrem do facto de serem países que saíram há pouco tempo da era colonial. Há ressentimentos coloniais que demoram tempo a ser ultrapassados”, explicou. Já o Brasil, “tem uma dimensão continental que lhe dá a ilusão de que talvez possa atuar sozinho”, lamentou.

Isabel Pires de Lima ministrou sua palestra no Anfiteatro 1 do Edifício Wui Chi, sede do Instituto Politécnico de Macau. Professora catedrática de Literatura Portuguesa da Universidade do Porto, foi ministra da Cultura de Portugal entre 2005 e 2008, no gabinete de governo comandado por José Sócrates.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa e do jornal Ponto Final (Macau, China) ––

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17º Festival da Lusofonia a animar Macau, na China

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 25 de Outubro de 2014 por ronsoar Tagged: , , ,

Do jornal O Emigrante – Mundo Português e do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (Macau, China)
22 de outubro de 2014

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Exposições, colóquios, espetáculos de música e dança, jogos tradicionais e um festival de gastronomia são algumas das atividades inseridas no Festival da Lusofonia e Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, que decorre em Macau de 22 a 29 de outubro.

Em sua 17ª edição, o festival pretende dar a conhecer ao público macaense as culturas dos países e regiões de Língua Portuguesa e da China e homenagear as comunidades de expressão portuguesa local que ajudaram a construir a identidade e o desenvolvimento de Macau.

Os organizadores pretendem ainda que o evento, sempre realizado no mês de outubro, passe a integrar o calendário das grandes festividades da região e ajude a “revitalizar o modelo cultural próprio de Macau”.

O Festival da Lusofonia “atrai a participação de muitos residentes de Macau, dos países de Língua Portuguesa, de visitantes continentais da China, de Hong Kong e ainda de outros países que visitam Macau nessa altura do ano”, diz o comunicado oficial do evento. “Este acontecimento tornou-se numa oportunidade para os turistas e cidadãos conhecerem melhor a multiculturalidade e a harmonia entre os povos, existente nesta Região Administrativa Especial de Macau.”

Os vários eventos que integram o Festival da Lusofonia vão decorrer na Zona do Carmo, na ilha da Taipa – Avenida da Praia, Casas-Museu da Taipa, Largo do Carmo, Jardim Municipal da Taipa, Rua da Restauração, Feira do Carmo e Campo Desportivo e Recreativo do Carmo – e também no Largo do Senado, no Largo do Mercado Iao Hon, na Casa Garden e na Biblioteca da Universidade de Macau.

–– Música, dança, gastronomia e crioulos linguísticos ––
A música e a dança tradicional lusófona e chinesa vão animar o Largo do Senado nos dias 26 e 27 e o Largo do Mercado de Iao Hon nos dias 28 e 29, sempre a partir das 19 horas e 30, com a atuação do Grupo Artístico da Província de Sichuan (no sudoeste da República Popular da China) e nove artistas convidados dos países de Língua Portuguesa.

Já o espaço da Feira do Carmo, na Taipa, vai acolher, entre as 16 e as 21 horas, a Feira de Artesanato da Lusofonia: uma mostra de trabalhos de artesanato fabricados por artesãos provenientes dos países de Língua Portuguesa e também da província de Sichuan.

A 28 e 29 de outubro, das 9 às 18 horas, na Biblioteca da Universidade de Macau, realiza-se o colóquio ‘Crioulos Ibero-Asiáticos: Perspectivas Comparativas’, que vai reunir “os maiores especialistas mundiais no estudo dos crioulos asiáticos de base lexical portuguesa e espanhola”.

Na noite de 22 e nos dias 23 e 24, um restaurante intitulado “Gastronomia Lusófona” estará de portas abertas no Jardim Municipal do Carmo. A cachupa de Cabo Verde, a feijoada do Brasil, o sarapatel de Goa, Damão e Diu (na Índia), a moamba de Angola, os grelhados e o caldo verde, são alguns dos pratos da gastronomia lusófona a serem apresentados ao público de Macau.

O Festival da Lusofonia de Macau é organizado pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, pela Direção dos Serviços de Turismo (ambos do governo de Macau) e pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau (o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa).  :::

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Clique aqui para acessar a página do Festival da Lusofonia, disponível no sítio do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, de Macau (China).

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–– Extraído do jornal O Emigrante – Mundo Português e do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (Macau, China) ––