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Assim (não) se vê a influência da Língua Portuguesa – Renato Epifânio

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 30 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , , ,

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O presidente do Movimento Internacional Lusófono (MIL), Renato Epifânio, lançou críticas em opinião recentemente veiculada no jornal Público aos resultados de uma pesquisa sobre a influência mundial das línguas, conduzida por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, sigla em inglês) dos EUA.

A pesquisa foi realizada mediante elaboração de mapas a partir de três grandes massas multilingues de dados: uma do Twitter, outra do Wikipédia e outra de uma lista de traduções literárias de livros impressos.

“Verificamos que a estrutura destas três redes globais de línguas está centrada na língua inglesa, como um eixo global, e ao redor de um punhado de línguas de um eixo intermediário, que inclui o espanhol, o alemão, o francês, o russo, o português e o chinês”, explicam os autores do estudo publicado em novembro de 2014 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, dos Estados Unidos da América.

Renato Epifânio contesta os resultados desta investigação e alega que “muito poucas línguas deveriam estar acima da Língua Portuguesa, desde logo pela sua geográfica difusão”, pois “estamos a falar de uma Língua com difusão na Europa, nas Américas, em África e na Ásia”.

O autor do artigo lamenta que, em virtude de muita divisão ainda reinante entre os países da Lusofonia no trato com a Língua comum e de muita relutância quanto ao princípio da gestão conjunta da Língua, “são os lusófonos os primeiros a não valorizar devidamente a sua cultura histórica”.

Mas ressalva que, em relação ao papel global da Língua Portuguesa, “o mais importante é essa capacidade ‘pontifícia’ (“construtora de pontes”) que a Língua e cultura portuguesa historicamente tiveram e que ainda hoje é reconhecida”.

Ventos da Lusofonia reproduz a seguir o artigo de opinião de Renato Epifânio, a criticar os resultados do estudo sobre o poder de influência das línguas no mundo. O artigo foi publicado na edição de 29 de dezembro de 2014 do jornal Público, de Portugal.  :::

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–– Assim (não) se vê a influência
da Língua Portuguesa ––

Renato Epifânio,
do jornal Público (Portugal)
29 de dezembro de 2014

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:::  Muito poucas línguas deveriam estar acima da Língua Portuguesa, desde logo pela sua geográfica difusão.  :::

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Num interessante artigo publicado no dia 22 de dezembro (Influência de uma língua mede-se pela capacidade de ligar línguas diferentes), o jornal Público reproduz os dados essenciais de um estudo saído na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Neste, defende-se que “ao contrário do que se poderia pensar, a influência global de uma língua mede-se principalmente pelo seu nível de ligação com outras línguas, e, em particular, pela sua capacidade de mediar a comunicação entre línguas que de outra forma não conseguiriam ‘falar’ entre si”.

Surpreendentemente, porém, à luz dessa premissa, a Língua Portuguesa aparece numa posição “intermédia”, quando deveria aparecer numa posição mais cimeira.

Se a premissa é, como no artigo se enfatiza, a “capacidade de estabelecer pontes entre línguas associadas a culturas por vezes muito diferentes e afastadas do ponto de vista geográfico”, então muito poucas línguas deveriam estar acima da Língua Portuguesa, desde logo pela sua geográfica difusão: falando só dos países de Língua oficial portuguesa, estamos a falar de uma Língua com difusão na Europa, nas Américas, em África e na Ásia.

Se contarmos, como devemos contar, com as várias diásporas lusófonas e com outras regiões que, historicamente, mantiveram laços com o espaço de Língua Portuguesa, essa difusão geográfica alarga-se ainda mais.

Manifestamente, contudo, isso não foi tido em conta neste estudo – o seu coautor português, Bruno Gonçalves, chega mesmo a manifestar a sua “surpresa” pela “ligação [da Língua Portuguesa] à língua malaia”. Como se na Malásia não existisse, ainda hoje, uma significativa comunidade lusófona, em grande parte residente no chamado “Bairro Português de Malaca”, que tem preservado essa ligação à Lusofonia, mesmo com poucos ou nenhuns apoios oficiais.

A este respeito, não pode deixar de ser referida a Associação Coração em Malaca, sediada em Portugal, que, através dos seus membros – desde logo, da sua Presidente, Luísa Timóteo – não se tem cansado de manter essa ponte, que já levou, inclusive, a que alguns membros dessa comunidade tivessem estado recentemente em Portugal.

Este exemplo é, de resto, multiplicável a muitos outros países, sendo que o mais importante nem é sequer isso: o mais importante é essa capacidade pontifícia (“construtora de pontes”) que a Língua e cultura portuguesa historicamente tiveram e que ainda hoje é reconhecida – nomeadamente, no mundo árabe.

Daí o papel que a Lusofonia poderia hoje ter à escala global na resolução de alguns conflitos, inclusive de cariz religioso. Enquanto cultura em que desde sempre conviveram as “três religiões do Livro” – judaísmo, cristianismo e islamismo –, a cultura lusófona poderia dar um importante contributo para a paz mundial.

Infelizmente, contudo – importa reconhecê-lo –, são os lusófonos os primeiros a não valorizar devidamente a sua cultura histórica. Não surpreende, por isso, que muitos não lusófonos não a conheçam e que surjam mesmo estudos internacionais que façam tábua rasa dessa nossa cultura. Assim (não) se vê a “influência da Língua Portuguesa”.  :::

EPIFÂNIO, Renato. Assim (não) se vê a influência da Língua Portuguesa.
Extraído do jornal Público – seção Opinião
Lisboa, Portugal.
Publicado em: 29 dez. 2014.

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Influência de uma língua mede-se pela capacidade de ligar línguas distantes

In Defesa da Língua Portuguesa,Lusofonia e Diversidade on 25 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Ana Gerschenfeld,
do jornal Público (Lisboa, Portugal)
22 de dezembro de 2014

:::  Nem o número de falantes, nem a riqueza económica são o que mais condiciona a influência de uma dada língua a nível global: conclui estudo com participação portuguesa.  :::

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Está a pensar em aprender chinês (ou melhor, mandarim) ou a aconselhar os seus filhos a optarem por essa segunda língua estrangeira? É certo que, quando olhamos para o astronómico número de pessoas que fala hoje chinês – e para o crescente poderio económico da China –, temos tendência para pensar que, a par (ou talvez em vez) do inglês, o chinês é que será a língua do futuro.

Porém, a acreditar nas conclusões de um estudo realizado por uma equipa internacional, entre os quais um cientista português, essa escolha poderá não ser a mais acertada… A língua franca do futuro poderá ser outra – e as mais importantes no ranking [classificação] mundial também poderão ser outras.

Os resultados, publicados na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostram que, ao contrário do que se poderia pensar, influência global de uma língua mede-se principalmente pelo seu nível de ligação com outras línguas. E em particular, pela sua capacidade de mediar a comunicação entre línguas que de outra forma não conseguiriam “falar” entre si.

A questão reside em saber, no fundo, como avaliar a influência de uma língua na cultura global. Ora, até aqui, os parâmetros utilizados têm sido, justamente, o número de pessoas que falam uma dada língua e o nível económico dessas pessoas.

Mas agora, estes cientistas decidiram avaliar esse poderio linguístico com outra bitola: mapeando as redes de ligações entre as diferentes línguas do mundo. E concluem que, muito mais do que ao peso da demografia ou da riqueza – que obviamente também contribuem para o poderio das diversas línguas –, o sucesso global de uma língua deve-se sobretudo ao número e à força dessas ligações.

Mais: o que define a influência global de uma língua, argumentam os autores, é a sua capacidade de estabelecer pontes entre línguas associadas a culturas por vezes muito diferentes e afastadas do ponto de vista geográfico.

“O chinês – ou mandarim para ser mais preciso –, apesar de ter um grande número de falantes, é uma língua relativamente periférica, ou seja é uma língua que está isolada sobre si mesma e não interage com as restantes”, explicou ao Público Bruno Gonçalves, coautor português do artigo, a trabalhar na Universidade de Aix-Marseille (França).

“Ou seja, o chinês é útil na China, mas está longe de ser uma língua falada frequentemente noutros países ou regiões. Isto deve-se tanto à sua complexidade – que dificulta a aprendizagem – quanto ao tamanho da China – que facilita o isolamento cultural, visto poderem ser autossuficientes.”

–– Twitter, Wikipédia & Companhia ––
Para determinar as ligações existentes entre as línguas e avaliar a sua força, os cientistas – liderados por César Hidalgo e incluindo Steven Pinker – ambos do célebre Media Lab do Massachusetts Institute of Technology [o Instituto de Tecnologia de Massachusetts] ou MIT, EUA) – construíram três mapas diferentes a partir de três grandes massas de dados, respectivamente provenientes do Twitter, da Wikipédia e de traduções literárias.

No caso do Twitter – explica em comunicado o MIT –, o critério de ligação entre duas línguas era que o autor de um tweet [as micropostagens do Twitter] na sua própria língua (a primeira) também tivesse produzido pelo menos três tweets na segunda língua. Os dados representavam assim 17 milhões de tweets produzidos em 73 línguas por cerca de 280 milhões de utilizadores deste serviço online [em linha].

Quanto à força da ligação entre duas línguas, era medida pelo número de utilizadores desse “par” de línguas. Essencialmente, “a força de ligação entre as diversas línguas é dada pelo número de pessoas bilingues”, diz-nos Bruno Gonçalves.

No caso da Wikipédia, o critério era semelhante: os “editores” daquela megaciberenciclopédia eram retidos para análise quando tinham editado artigos na sua língua-mãe e noutras línguas. O conjunto final continha 2,2 milhões de tais editores.

–– A lista de traduções literárias da UNESCO ––
Por último, para gerar os dados de base relativos à tradução literária, os cientistas utilizaram o chamado Index Translationum da UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] – um catálogo de 2,2 milhões de traduções de livros em mais de mil línguas, publicadas entre 1979 e 2011. Aqui, a força da ligação entre duas línguas era determinada pelo número de traduções que existiam de uma para a outra.

Para obter as redes, os cientistas utilizaram, lê-se no artigo da PNAS, um algoritmo semelhante ao que o motor de pesquisa da Google utiliza para fazer o ranking das páginas da Web nas suas listagens de resultados de pesquisa. Esse algoritmo utiliza o número e a qualidade dos links [enlaces ou hiperligações] que apontam para um dado site [sítio de Internet] como estimativa da importância desse site.

–– Duas listas de personalidades e de suas publicações ––
Por outro lado, para validar os seus mapas de forma independente, os cientistas recorreram a mais dois conjuntos de dados que ligam pessoas famosas e difusão linguística: uma lista (obtida anteriormente por César Hidalgo) de 11.340 pessoas que tinham artigos acerca delas na Wikipédia escritos em mais de 26 línguas; e uma outra lista, publicada num livro da autoria do politólogo norte-americano Charles Murray, das 4.002 pessoas mais citadas em 167 obras de referência (de enciclopédias a inquéritos) publicadas à escala mundial.

Resultados? Os três mapas das redes linguísticas não eram idênticas – o que era de esperar, uma vez que o grupo de “autores” utilizado para cada um dos mapeamentos era diferente: no caso do Twitter, representava uma parcela dos internautas bilingues; no caso da Wikipédia, uma mistura de curiosos e especialistas (poliglotas) de um tema; e, no caso da base de dados da UNESCO, obras literárias de fama internacional.

“Por exemplo”, lê-se no mesmo comunicado, “na rede da Wikipédia, o alemão é muito mais central do que o espanhol, enquanto o contrário se verifica na rede gerada a partir do Twitter.”

Da mesma forma – e pela mesma razão –, a rede derivada dos dados da UNESCO estava mais em linha com a lista de famosos de Murray, cujos elementos proveem das artes e das ciências. Pelo seu lado, as redes derivadas do Twitter e da Wikipédia correspondiam melhor à lista de famosos estabelecida pelo coautor César Hidalgo com base na Wikipédia, que é mais inclusiva, uma vez que contém famosos das mais variadas profissões, da música pop ao desporto.

Mas mesmo assim, fosse qual fosse a lista de celebridades considerada, havia sempre pelo menos um dos mapas que conseguia prever de forma mais fiável a composição dessa lista com base na “centralidade” da língua na rede correspondente do que no PIB [Produto Interno Bruto] ou no número de falantes associados.

–– Línguas do futuro? ––
Uma coisa é certa: no topo da influência global está atualmente o inglês. Com 1500 milhões de falantes e um elevado rendimento per capita, os novos resultados também confirmam esta língua como a mais capaz de ligar outras línguas entre si – o que aliás já todos sabíamos.

Quanto ao chinês (com mais de 1.600 milhões de falantes) ou o árabe (500 milhões de falantes), apesar de estas línguas serem mais faladas do que línguas como o português (290 milhões), o francês (200 milhões), o alemão (185 milhões), ou o italiano (70 milhões), ambas surgem nos resultados como mais periféricas, menos centrais do que este conjunto de línguas europeias.

De facto, a seguir ao inglês, as línguas mais centrais a nível global são o francês, o alemão, o espanhol, o italiano e o russo (nessa ordem, com os três últimos no mesmo patamar). E, no “círculo” seguinte, encontram-se, entre outras, o holandês (com apenas 27 milhões de falantes), o português, o sueco (com dez milhões) e o dinamarquês (com seis milhões).

“O português é uma Língua intermédia”, explica ainda Bruno Gonçalves. “Porque, apesar de estar difundida pelo mundo e ter ligações a línguas mais distantes, tanto geográfica como linguisticamente, não tem a importância global de uma língua como o inglês tem atualmente ou como o francês teve em décadas passadas.”

“Para mim, o resultado mais surpreendente em relação ao português foi a sua ligação à língua malaia e ao finlandês, que são visíveis nas redes derivadas do Twitter e da Wikipédia”, acrescenta Bruno Gonçalves.

–– “Cultura e língua estão ligadas” ––
Seja como for, todas estas línguas medianamente periféricas – e muito menos faladas do que o chinês ou o árabe – revelam-se, nos três mapas, mais centrais do que o chinês ou o árabe (os diversos mapas estão acessíveis no site do projeto).

E em particular, no mapa derivado do Twitter, o português e o espanhol são as línguas indo-europeias mais centrais a seguir ao inglês – enquanto as línguas “sino-tibetanas” como o chinês se tornam praticamente irrelevantes.

Poder-se-á objetar que estes dados estão enviesados, dado que consideram populações não representativas da totalidade da população humana – e que portanto não representam a influência real de cada língua. A isso, César Hidalgo responde no mesmo comunicado: “Quero dizer claramente que este estudo não é sobre línguas globais. As três redes são representativas de elites. Mas, ao mesmo tempo, essas elites são os motores da transferência de informação entre culturas.”

“O que estes resultados demonstram é que a cultura e a língua estão intrinsecamente ligadas, e que promover uma é promover a outra”, frisa Bruno Gonçalves.

–– Quanto ao português? E haverá uma nova Língua franca? ––
Como preservar o português? “Através de medidas que aumentem o número de estrangeiros que falam a nossa Língua – promoção de aulas de português para estrangeiros, etc. – ou que difundam a cultura portuguesa, como a tradução de livros de autores nacionais para outras línguas”, responde-nos o cientista.

E qual será a língua franca do futuro?, perguntámos. “Será provavelmente uma mistura de línguas. O inglês manterá o seu domínio, mas acho que não corremos o risco de ter uma única língua global que elimine as outras.”  :::

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GERSCHENFELD, Ana. Influência de uma língua mede-se pela capacidade de ligar línguas distantes.
Extraído do jornal Público – Lisboa, Portugal.
Publicado em: 22 dez. 2014.

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“Vapear”, “vaporar”… Como dizer ‘vape’ em português?

In Defesa da Língua Portuguesa,Enriquecimento da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 22 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência Lusa e do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

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Em meados de novembro, a equipa de linguistas dos Dicionários Oxford – responsáveis pela pesquisa e elaboração de um dos mais renomados dicionários da língua inglesa – escolheu vape como a Palavra do Ano da Língua Inglesa de 2014.

De acordo com o Dicionário Oxford, os primeiros registros escritos de vape datam de 2009. A palavra, classificada como verbo, é uma abreviação de vapour ou de vaporize, significando “inalar e exalar vapor produzido por cigarro eletrónico ou dispositivo similar”.

Os cigarros eletrónicos (chamados em inglês também como personal vaporizer) são dispositivos com formato semelhante ao de cigarro e que funcionam com pilhas elétricas. Não contêm tabaco, mas contêm nicotina extraída da planta do tabaco. E não geram fumaça no ar, mas liberam um aerosol semelhante a um “vapor”: daí a origem do termo escolhido, inclusive para diferenciá-lo de fumar um cigarro convencional, com tabaco.

A palavra inglesa vape pode ser usada tanto como substantivo quanto como verbo, de acordo com postagem do blogue dos Dicionários Oxford. A definição de vape ficou registada nos dicionários de referência para a lexicografia nos Estados Unidos em agosto de 2014.

Derivado de vape, apareceram também o termo inglês vaping como o ato de “aspirar o vapor produzido por cigarros eletrónicos”, e o termo vaper, designando o “utilizador de cigarros eletrónicos”, como atesta o arquivo Buzzword, do Dicionário MacMillan. Todos estes vocábulos ganharam destaque na imprensa e nas redes digitais de língua inglesa em 2013, ganhando rápido uso corrente em âmbito internacional.

Levando-se em conta a vitalidade das línguas e a necessidade de encontrar nomes para designar novos conceitos, quais seriam os termos recomendados para, neste caso, traduzir vape para a Língua Portuguesa?

–– Aspirando da língua espanhola ––
Para traduzir vape para o português, a consultora do sítio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, Sara Mourato, defende como termo possível a forma verbal “vapear“, inspirada no espanhol vapear.

O sítio da Fundação do Espanhol Urgente (Fundéu) faz também a observação de que, seguindo a norma espanhola, em vez de vapear, recomenda-se o verbo vaporear que já aparecia dicionarizada na língua castelhana com o sentido de “exalar vapores”, podendo daí abranger o significado de “exalar o vapor produzido por cigarros eletrónicos”.

–– “Vapear”, “vaporar”… ––
Voltando ao português, pergunta-se: que forma usar? Para Sara Mourato, isto “muito dependerá da popularidade deste processo de (não) fumar e do uso das suas denominações” – embora o conceito de vape, para um cigarro eletrónico que exala “vapor”, seja diferente do de “fumar”, para um cigarro com tabaco que exala fumaça.

Além de “vapear”, inspirado no espanhol, há a recomendação da especialista para se usar em português o verbo “vaporar“.

“O espanhol vaporear encontra o correspondente português ‘vaporar‘, que, ainda assim, é um bom candidato a designar esta moda, porque já há muito se encontra registado nos dicionários, na acepção de ‘exalar (vapores, fragrâncias etc.); recender'”, diz a consultora, usando o exemplo do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.

Os primeiros registos de “vaporar” na Língua Portuguesa vêm do século XVI, diretamente do latim vaporare, e o termo já se encontrava como verbete dos primeiros grandes dicionários de Língua Portuguesa: o de Morais Silva e o de Caldas Aulete.

–– “Vapeador”, “vaporador”, “caneta vaporadora”… ––
“Quanto à tradução do vaper, é aceitável a forma ‘vapeador‘, mais uma vez com base em ‘vapear‘, mas, estando ‘vaporar‘ disponível, porque não ‘vaporador‘?” A especialista do Ciberdúvidas não recomenda o uso de “vaporizar”, nem de “vaporizador”, que fazem referência não ao “fumante”, mas ao aparelho, que converte líquido em “vapor”.

Com base na dica da consultora, sugere-se aqui ainda uma tradução para vape pen, que é um dos tipos de cigarro eletrónico, com formato assemelhado ao de uma caneta: pode ser “caneta vaporadora” ou “caneta vaporizadora“.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa e do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa ––

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República Checa: Centro de Língua Portuguesa de Praga comemora 10º aniversário

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 4 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal)
2 de dezembro de 2014

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O Centro de Língua Portuguesa do Camões, I.P. em Praga celebrou o seu 10º aniversário com uma cerimónia que reuniu os embaixadores de Portugal e do Brasil na República Checa, bem como a responsável do Departamento de Estudos Luso-Brasileiros da Universidade Carolina de Praga, professora Sarka Grauová, e ainda lusitanistas, alunos e utentes em geral.

No evento, realizado a 27 de novembro de 2014, os embaixadores de Portugal e do Brasil sublinharam nos seus discursos o serviço deste Centro no apoio à divulgação e promoção da Língua Portuguesa na República Checa. A celebração contou com a atuação do Coral da Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo que interpretou, entre outras, peças de Fernando Lopes-Graça (1906-1994) e poemas musicados de Florbela Espanca (1894-1930).

O Centro de Língua Portuguesa (CLP) em Praga atua em três eixos: ação cultural externa, em articulação com a Embaixada da República Portuguesa, representação do Camões, I.P. em organismos internacionais com responsabilidades culturais – caso do grupo EUNIC em Praga (a rede dos Institutos Nacionais para a Cultura da União Europeia) – e promoção da Língua Portuguesa, materializada na oferta de aulas e seminários para o público em geral, bem como na dinamização de um centro de recursos composto por biblioteca, audioteca e videoteca.

Nesta última área de intervenção, o CLP do Camões em Praga presta ainda apoio pedagógico e didático a oito escolas e universidades checas onde a Língua Portuguesa está presente. E também participa ou coorganiza eventos especializados, de que se destacam a Feira Internacional do Livro de Praga, o Prémio Ibero-Americano de trabalhos académicos ou o Prémio “Hieronymitae Pragenses” de tradução literária, dirigido a jovens tradutores de obras em Língua Portuguesa.

Desde 2012, este CLP tutela também a atividade educativa da Escolinha Camões – Escolinha Portuguesa de Praga, que oferece atividades pedagógicas e didáticas em Língua Portuguesa a crianças entre os 2 e os 7 anos de idade.  :::

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–– Extraído do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal) ––

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Leia também:
República Checa: “ponto de situação” sobre o Ensino do Português – 27 de outubro de 2012
Sociedade Checa de Língua Portuguesa em Praga – 05 de julho de 2012

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Brasil: congresso de tradução de língua de sinais em Florianópolis

In Lusofonia e Diversidade on 14 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Do sítio da Universidade Federal de Santa Catarina (Florianópolis, Brasil)

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A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sedia o mais importante evento deste ano ligado à Língua Brasileira de Sinais (Libras). Trata-se do 4º. Congresso Internacional de Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa, de 10 a 14 de novembro em Florianópolis.

O evento teve início com aulas e demonstrações de interpretação em Libras e em outras línguas gestuais, além de um minicurso sobre a importância da formação de intérpretes bilingues Libras-Língua Portuguesa nas universidades federais brasileiras.

O Congresso Internacional de Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa ocorre no Centro de Cultura e Eventos da UFSC e é organizado pelo Programa de Pós-Graduação dos Estudos da Tradução (PGET), contando com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PGL), da UFSC.

O evento reúne cerca de 400 especialistas, investigadores de línguas, intérpretes e tradutores de Libras e de outras línguas gestuais, bem como profissionais ligados à comunidade surda do Brasil.

“A produção de pesquisas na área da Tradução e Interpretação da Libras e da Língua Portuguesa possibilitam a produção de materiais e qualificam a formação destes profissionais no país”, diz o comunicado oficial do congresso de língua gestual no sul do Brasil. “Sendo assim, esse evento é altamente relevante do ponto de vista científico, bem como, quanto ao seu impacto social e educacional.”  :::

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Clique aqui para acessar o sítio do 4º. Congresso Internacional de Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa – Universidade Federal de Santa Catarina – Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

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–– Extraído do sítio da Universidade Federal de Santa Catarina (Florianópolis, Brasil) ––

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Lançada primeira tradução direta de ‘Os Lusíadas’ em russo

In O Mundo de Língua Portuguesa on 19 de Outubro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Da RTP e do jornal digital Observador (Portugal)
17 de outubro de 2014

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Três coisas em comum ligam o maior poeta da Língua Portuguesa a um tradutor russo de meados do século XX, os nomes de Luís de Camões e de Mikhail Travtchetov. Ambos tiveram morte trágica. O trabalho poético de ambos quase perdeu-se para sempre. E esse trabalho trata-se da maior obra da Língua Portuguesa: Os Lusíadas.

Foram 70 anos de espera. A primeira tradução poética direta de Os Lusíadas do português para o russo foi feita em 1940, mas somente agora, em outubro de 2014, foi publicada. O público russo costumava ler Camões a partir de traduções do francês desde o século XVIII até por volta da década de 1980.

Na década de 1930, Mikhail Travtchetov, um poeta e tradutor de Leninegrado (atual São Petersburgo) dedicou-se à tradução em versos para o russo do grande obra-prima da Língua Portuguesa.

Os trabalhos de tradução de Os Lusíadas por Travtchetov levaram dez anos a ser feita e, em 1940, estava pronta para ser publicada. Porém, ocorreu o cerco da Alemanha nazista a Leninegrado durante a Segunda Guerra Mundial. Mikhail Travtchetov morreu em dezembro de 1941.

Após o fim da guerra, a irmã de Travtchetov, Sofia Dubrovskaia, com quem ficou a guarda da obra de tradução, tentou, por duas décadas, mas sem sucesso, a publicação do texto traduzido do grande poema – que fora heroicamente salvo por Camões após sofrer naufrágio no Delta do Mecong. Porém, assim como Travtchetov, Camões faleceu em 1580, pobre e esquecido pelo povo que ele exaltou.

–– Tradução só foi descoberta em 2011 ––
Em 2011, a Editora da Biblioteca de Línguas Estrangeiras de Moscovo, descobriu o manuscrito da tradução. Por iniciativa do diplomata português Rui Baceira, os bibliógrafos pesquisaram os manuscritos pelos arquivos de Moscovo até encontrarem os originais da tradução.

As pesquisas foram resultado de colaboração intensa entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, a Embaixada da República Portuguesa em Moscovo e o Centro de Língua e Cultura Portuguesa de Moscovo.

“Inicialmente, vimos uma tradução com omissões, onde faltavam cantos inteiros. Senti que o autor estava a seguir, encantado, a linha central da narração”, disse Yuri Fridshtein, um dos bibliógrafos que participaram da investigação.

“Vai muito além do domínio cultural. Um russo que conhece a obra que representa a essência do que é ser português nunca mais vai olhar para Portugal com os mesmos olhos”, disse o presidente do Centro de Língua e Cultura Portuguesa de Moscovo, Stanislav Micos.

Em 16 de outubro de 2014, a cerimónia de lançamento da tradução pioneira de Travtchetov teve lugar na sala da Biblioteca de Línguas Estrangeiras de Moscovo, lotada de estudantes jovens.

A tradução de Mikhail Travtchetov foi a pioneira, mas não é a única tradução integral direta do português para o russo de Os Lusíadas. A primeira edição direta de Os Lusíadas – com a tradução feita por Olga Ovtcherenko – foi publicada na década de 1980, ainda durante os anos da União Soviética.  :::

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Clique aqui para ver a reportagem da rede de televisão RTP sobre a publicação em Moscovo de Os Lusíadas traduzida para o russo por Mikhail Travtchetov.

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–– Extraído da RTP e do jornal digital Observador (Portugal) ––

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A história de uma tipografia portuguesa de Goa

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 11 de Outubro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

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Existe uma rica e longa história muito especial entre duas importantes civilizações que muito acrescentaram uma à outra – entre a Índia e o mundo de Língua Portuguesa. Dentre as nações do Ocidente, a presença portuguesa foi a que teve mais longa duração na Índia: durou mais tempo que a do domínio britânico, por exemplo.

A Índia foi o destino principal das Grandes Navegações portuguesas dos séculos XV e XVI. Goa foi a capital do Estado da Índia Portuguesa e esteve sob administração lusa de 1510 a 1961, quando – após muita relutância do autoritarismo português contra a transferência pacífica – foi anexada por via militar à União Indiana.

Boa parte dos manuscritos de Os Lusíadas de Camões foi escrita em Goa. A presença portuguesa permanece viva nessa parte da costa ocidental da Índia com toda a riqueza da cultura indo-portuguesa, com a arquitetura das casas de estilo mesclado indiano e português, nos nomes e apelidos de muitos indianos tanto de Goa quanto de outras partes do subcontinente.

E nas línguas também, com os crioulos de matiz portuguesa da Índia e a própria “Língua de Camões”, que foi a Língua franca da costa da Ásia nos séculos XVI e XVII. Por sua presença e influência, a Língua Portuguesa é tão “indiana” quanto o inglês.

Os portugueses trouxeram a imprensa à Índia em 1553. A partir de meados do século XIX, diversas editoras e tipografias apareceram no então Estado da Índia Portuguesa, que publicavam não somente em Língua Portuguesa como também em outras línguas, como o concani.

A reportagem a seguir do jornal The Times of India mostra a história de uma das editoras portuguesas de Goa – a Tipografia Rangel. Trata-se também de um pequeno testemunho da história de simbiose cultural de mais de cinco séculos entre a Índia e o mundo que fala português.

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–– A gravar o seu nome nas páginas da história –––

Andrew Pereira, de Goa (Índia)
do jornal The Times of India
28 de setembro de 2014

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Bem guardado em uma tranquila, bonita e arborizada esquina da vila de Bastora, no concelho de Bardez [no distrito de Goa Norte], repousa um pedaço de história que definiu as vidas leitoras de várias gerações de goeses.

Essa parte da nossa história provavelmente surgiu devido a um evento que teve lugar dois séculos e meio atrás. Os jesuítas, que vieram para publicar obras escritas desde 1556, haviam sido expulsos de Goa em 1759 durante o governo do Marquês de Pombal. Como resultado, a publicação de livros chegou a uma paralisia em Goa por algum tempo. Foi nessa época em que nasceu Vicente João Janin Rangel, a 16 de março de 1858, na vila de Piedade, na ilha de Divar. Após perder o pai aos seis anos de idade, ele foi apadrinhado por sua mãe Luísa Maria Lobo e Rangel e instruído por seu tio, o padre Caetano Francisco Lobo, que exerceu um impacto duradouro em sua vida.

A família Rangel mudou-se de Divar para Bastora, e Janin cresceu para tornar-se um jovem com espírito empreendedor. “Aos 28 anos, ele, juntamente com sua irmã, aventurou-se em um negócio conhecido como ‘indústria de conservas’, que envolvia a embalagem de frutas, legumes, e produtos de leite e carnes. Sua empresa, a J. Rangel e Companhia, foi assim constituída”, conta Jaime Rangel, médico e escritor, bisneto de Janin Rangel.

Em 1886, quando alguns indivíduos tinham estabelecido prensas e circularam os seus próprios jornais em Goa, Janin sentiu que havia ali uma oportunidade no mundo da impressão e da editoração, e foi a fundo na área. Ele fundou a Tipografia Rangel em sua casa em Boa Vista, na vila de Bastora, e depois começou a coordenar e publicar os Elementos de Música para o ensino de solfejo, um método de educação musical com entonação e canto por leitura.

“Este foi o primeiro livro desse gênero, não apenas em Goa, mas também na Índia Britânica. Ele continua a ser usado até hoje”, diz Jaime Rangel. O primeiro livro publicado em Bastora foi o Almanaque de Bofete [sobre alimentos]. Em seguida, veio o Almanaque de Parede. Entre outros trabalhos posteriormente publicados, havia uma revista quinzenal chamada O Indispensável, que ele cofundou com o Dr. Pitágoras Lobo do Socorro. Ele também foi autor do livro do Regulamento das Comunidades Agrícolas de Goa.

Ao lado das obras em Língua Portuguesa, a Tipografia Rangel também publicou livros em concani, em inglês e em francês. Foi em 1909, quando a Tipografia Rangel publicou o Almanach Illustrado de Parede e Bofete, que chegou a era de apogeu da impressão em Goa. Esse foi o primeiro livro a usar o processo de impressão em quatro cores CMYK, que teve fotografias e desenhos em composição, todos feitos a oito décadas de distância do Coreldraw e da editoração por computador.

As obras pedagógicas de Janin incluíram posteriormente o Primeiro Tomo e o Segundo Tomo em Línguas Portuguesa e concani, uma gramática elementar da Língua Portuguesa e um livro elementar do sistema métrico decimal. “Em 1933, ele publicou sua magnum opus: uma obra monumental intitulada A Gramática da Lingua Concani, em português e concani. Esse livro tinha um prefácio de 28 páginas todo escrito em concani por seu filho, o dr. Jaime Valfredo Rangel, a detalhar a história da língua concani”, disse Jaime Rangel.

Valfredo Rangel logo assumiu o negócio de impressão e editoração de seu pai. “Foi durante a era de Valfredo que o negócio expandiu e floresceu”, disse Jaime Rangel.

Valfredo fez circular seu próprio jornal semanário, O Independente, de 1933 a 1945. Ele também foi editor dos Arquivos da Escola Médica de Goa, publicados pela Tipografia Rangel. “Ele assumiu a responsabilidade de imprimir o Boletim do Instituto Vasco da Gama, que foi rebatizado mais tarde como Instituto Meneses Bragança, e o boletim também, como o ‘Boletim do Instituto Meneses Bragança'”, disse Jaime Rangel.

Outros livros publicados foram o Boletim Eclesiástico de Goa, da Arquidiocese de Goa, e o seu formato anterior, A Voz de S. Francisco Xavier. Além de publicar livros para estudantes de línguas e de ciências e revistas médicas, Valfredo escreveu e publicou o livro Imprensa de Goa em 1956, a comemorar os 400 anos de livros impressos em Goa. Tudo isso foi feito, mesmo com Valfredo Rangel a exercer o cargo que lhe foi confiado de presidente da Câmara Municipal de Bardez, posto que ocupou por 10 anos.

Valfredo faleceu em 1959 aos 62 anos, e as rédeas do negócio foram transferidas para seu filho, José Rangel. O primeiro teste de José Rangel veio em 1961, quando Goa atravessou momentos turbulentos, que culminaram em profunda mudança política. “Muitas obras por imprimir não foram concluídas. A Tipografia Rangel ficou sem pagamentos e enfrentou perdas financeiras”, disse Jaime Rangel.

José Rangel suportou esse período de provação e continuou a publicar obras em várias línguas. “Com o predomínio do inglês e das línguas nacionais nos anos seguintes, muitas editoras não viram sentido para os negócios na publicação de obras escritas em português. O meu pai, José, porém, deu uma saída a esses escritores e ajudou-os a publicar suas obras” disse Jaime Rangel.

A Tipografia Rangel logo tornou-se um nome popular entre as crianças na idade escolar, com a impressão de calendários escolares das instituições de ensino das vilas próximas de Bastora, Aldoná e Mapuçá. Quando José ficou em idade avançada, ele encerrou suas operações por razões diversas e a Tipografia Rangel fez rodar a impressão de suas últimas obras em 1994.

O filho de José Rangel, Jaime, diz não ter a intenção de refundar a editora. “Apesar disso, fiz reviver a empresa com a publicação de uma edição comemorativa: Let a Million Blossoms Bloom [“Que Desabrochem Um Milhão de Flores”, de 2011], que estava ligada ao 125º. aniversário da Tipografia Rangel e da fundação da Escola Secundária de Santa Cruz de Bastora, que foi construída em um terreno oferecido por meu avô, Jaime Valfredo Rangel”, disse.

Das máquinas de impressão manual para o uso de prensas a gasóleo e até a mudança para as prensas elétricas, a Tipografia Rangel indelevelmente gravou o seu nome nas páginas da história de Goa.  :::

PEREIRA, Andrew. Etching its name on the pages of history.
Extraído do jornal The Times of India (Índia).
Publicado em: set. 2014.