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Japão: vencedores do Concurso de Eloquência recebem bolsa para estudar em Portugal

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 18 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal)
16 de dezembro de 2014

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A Universidade de Estudos Estrangeiros de Quioto realizou a 32 ª edição do Concurso de Eloquência de Língua Portuguesa para estudantes universitários japoneses. O evento conta com o apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, que concede bolsas de estudo aos estudantes vencedores.

Apresentaram-se a concurso 17 estudantes japoneses representando os Departamentos de Português da Universidade de Estudos Estrangeiros de Quioto, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio, da Universidade Kanda de Estudos Internacionais, da Universidade de Osaka e da Universidade de Tenri.

As provas realizaram-se a 29 de novembro de 2014 e foram constituídas por um discurso memorizado sobre um tema de livre escolha e uma entrevista, ambos realizados em Língua Portuguesa.

Os vencedores das duas primeiras universidades classificadas – de Quioto e de Osaka – terão a oportunidade de estudar em Portugal no próximo ano letivo com as bolsas de estudo concedidas pelo Camões, IP.

Este concurso é um dos eventos académicos mais importantes no que respeita ao ensino e à divulgação da Língua Portuguesa no Japão.

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–– Extraído do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal) ––

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Portugal e Japão: uma relação entre povos desde a época das Grandes Navegações

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 3 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

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Em 1543, marinheiros das naus portuguesas vindos de Macau, na China, desembarcaram nas praias da ilha de Tanegashima, no sul do arquipélago nipónico, para estabelecer comércio com o povo japonês, então relativamente isolado do mundo exterior.

Assim, Portugal tornou-se a primeira nação europeia a estabelecer contactos com o Japão, durante o período das Grandes Navegações. Foram aqueles portugueses desembarcados em Tanegashima que ainda teriam introduzido as armas de fogo no arquipélago japonês.

A chegada dos portugueses ao Japão é citada no livro História da Expansão e do Império Português, elaborado pelo professor da Universidade Nova de Lisboa, João de Oliveira e Costa. A obra abrange todo o período em que existiu o Império Português, que começou em Ceuta em 1415 e encerrou-se com a transferência de Macau à China em 1999.

A seguir, a reportagem da Agência EFE sobre o multissecular contacto entre portugueses e japoneses, inclusive entre as Línguas Portuguesa e japonesa. “Os portugueses mudaram a história do Japão, mas este manteve a sua própria civilização”, disse Oliveira e Costa.  :::

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–– Portugal e Japão: uma desconhecida relação
fruto da audácia lusa ––

Sabrina Aïd,
da Agência EFE (Espanha)
19 de novembro de 2014

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Apesar de ambos os países estarem em pontos distantes do planeta, Portugal e Japão conservam uma relação peculiar e pouco conhecida, que começou há 400 anos, graças à ousadia dos navegadores portugueses.

“O Japão foi o país asiático que sofreu o maior impacto e as maiores transformações vindas da expansão portuguesa”, disse o historiador e professor universitário João Oliveira e Costa, um dos autores do livro História da Expansão e do Império Português, publicado recentemente pela editora Esfera dos Livros.

A audácia dos navegadores portugueses no “descobrimento” do Brasil ou do caminho marítimo para a Índia já inspirou epopeias como Os Lusíadas, mas o impacto das naus portuguesas no remoto Japão é um capítulo pouco conhecido.

Iniciado em 1415 com a conquista de Ceuta [na África do Norte], o Império Colonial Português estendeu-se na África, na Ásia e na América do Sul, e ainda apenas três décadas mais tarde ocorreu o primeiro contacto com as ilhas nipónicas.

–– Semi-isolamento e primeiro contacto com europeus ––
Os japoneses conheceram um povo europeu pela primeira vez quando um grupo de comerciantes portugueses desembarcou em seu território em 1543, e desde então, desenvolveu-se uma intensa interação económica, assim como social e religiosa.

A escopeta portuguesa foi um dos objetos que causou maior impacto ao povo local japonês, que até então desconhecia as armas de fogo e lutava nas guerras com flechas e outras armas brancas.

“O Japão era um país semi-isolado até a chegada dos portugueses. A relação luso-nipónica contribuiu para uma atualização significativa dos conhecimentos da civilização japonesa”, disse Oliveira e Costa, cuja obra [sobre o Império Português] reúne de forma inédita desde o início da expansão marítima portuguesa (1415) até a independência [transferência da soberania à China] da colônia chinesa de Macau (1999).

–– Palavras portuguesas e arte namban ––
Além das armas de fogo, os portugueses introduziram várias palavras na língua japonesa durante o período conhecido como “Comércio Namban”.

Assim, os japoneses adotaram vocábulos da Língua Portuguesa como pan (pão), tabako (tabaco), botan (botão) e kirishitan (cristão).

“A chegada das naus portuguesas, com os seus trajes, estranhos para eles, com animais nunca vistos no Japão [galinhas, patos ou coelhos], com tripulantes negros, com costumes diferentes, foi registada pelos artistas japonenses”, disse o docente da Universidade Nova de Lisboa.

Outro reflexo da interação entre europeus e japoneses foi a arte namban, normalmente observada nos biombos japoneses, nos quais foram retratados os contatos comerciais entre as duas civilizações, à maneira de um álbum de imagens.

“Há vários museus japoneses com peças associadas à cultura namban, principalmente as de caráter religioso, como pinturas, bandeiras e armas dos cristãos”, relatou o historiador, que destacou os móveis lacados que evocam o Ocidente.

A cultura namban deixou a sua marca não só nas artes visuais, mas também nos rituais religiosos, nas artes interpretativas e na cultura científica de ambas as civilizações.

–– “Os portugueses mudaram a história do Japão” ––
Outras marcas relevantes perderam-se devido aos conflitos políticos e religiosos, que levaram inclusive à perseguição de cristãos no Japão, considerados um perigo para o arquipélago por ser uma bandeira colonizadora.

“Tudo o que estava relacionado com os portugueses foi destruído. Todas as igrejas foram destruídas no século XVII”, constata Oliveira e Costa.

Apesar dessas tensões, a prova viva da relação centenária que uniu Japão e Portugal durante quase um século está em Macau, que se tornou uma importante porta para o comércio entre China, Europa e Japão.

A pequena Macau, transferida para a administração de Pequim em 1999, é um ponto onde convergem a identidade portuguesa e chinesa, uma ponte entre a cultura ocidental e oriental.

“Os portugueses mudaram a história do Japão, mas este manteve a sua própria civilização”, lembrou Oliveira e Costa, que explicou a razão pela qual este episódio da história acabou por ter menos peso que a colonização portuguesa do Brasil em 1500.

Diante de uma civilização de tecnologia escassa, especialmente em relação às armas, os portugueses impuseram sua força diante dos aborígenes do Brasil.

“Embora, no caso do Japão, que nunca passou pela cabeça dos portugueses colonizá-los”, disse Oliveira e Costa para concluir a chave da questão, “toda a gente sabia que o país dos samurais era impossível de se conquistar”.  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares)

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Com base em
AÏD, Sabrina. Portugal y Japón, una desconocida relación fruto de la audacia lusa.
Extraído da Agência EFE (Espanha)
Publicado em: 19 nov. 2014.

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‘Dicionário Global da Língua Portuguesa’ a ser lançado na sede do Camões em Lisboa

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade on 24 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , ,

Do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal)
24 de novembro de 2014

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A obra Dicionário Global da Língua Portuguesa – autoexplicativo com exemplos contextualizados, de Jaime Coelho, elaborada para facilitar a aprendizagem de Português Língua Estrangeira, Português Língua Segunda ou Português Língua Não Materna.

A obra de Jaime Coelho será lançada nesta terça-feira, 25 de novembro de 2014, em Lisboa, no Auditório do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Com a chancela da Lidel Edições Técnicas e com 55 mil entradas, o Dicionário Global da Língua Portuguesa “tem como principal alvo o público estrangeiro que aprende português”.

Nas palavras de Ana Paula Laborinho, presidente do Camões, trata-se de uma obra “que há muito era esperada e que vem colmatar um vazio injustificável”.

O subtítulo de “autoexplicativo” classifica-o de uma forma adequada, pois todas as palavras usadas ao longo do dicionário aparecem também como entradas e, assim, quando o utilizador se deparar com alguma palavra mais difícil, pode consultá-la no próprio dicionário, sem necessidade de recorrer a outra fonte de informação.

O tratamento das entradas está dividido em várias seções (exemplos – ou provérbios –, locuções, idiomatismos e combinatórias) de forma a ajudar o leitor a encontrar com rapidez o que procura saber. O Dicionário, de caráter internacional, inclui a etimologia de todos os vocábulos e regista os contributos dos diversos países de Língua oficial portuguesa.

“A Língua Portuguesa é das que continuam a crescer nos vários continentes e a ficar cada vez mais rica. Para tal, contribuem todos os países que a têm como Língua oficial. Este dicionário continuará a registar esses contributos”, declarou a presidente do Camões no sítio da Lidel Edições Técnicas.

–– Jaime Coelho, o autor do Dicionário Global ––
O autor do Dicionário, Jaime Coelho, nasceu em Soeima, Distrito de Bragança, em 1936. Entrou na Companhia de Jesus em 1952. Formado em filosofia e teologia, lecionou história, língua e literatura portuguesa no Departamento de Estudos Luso-afro -brasileiros da Universidade Sophia, Tóquio – na época, recém-fundado em 1964.

Publicou em 1998 o Dicionário Universal Japonês-Português em dupla edição. A edição lançada no Japão, com ideogramas japoneses e alfabeto latino, conta já com 11 tiragens em edição de luxo, tendo sido mais recentemente editada em um formato compacto e também em versão eletrónica. A outra edição foi publicada na mesma data em Portugal, com o alfabeto português ou latino, e cuja segunda tiragem é de 2009.

O autor reside atualmente em Tóquio, onde prossegue os seus trabalhos lexicográficos relacionados com a Língua Portuguesa no Japão, na China, na Península Coreana e no Vietname.  :::

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Clique aqui para ver mais detalhes sobre o Dicionário Global da Língua Portuguesa no sítio da Lidel Edições Técnicas (Portugal).

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–– Extraído do sítio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal) ––

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Japão quer estatuto de membro observador da CPLP

In Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade on 7 de Maio de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , ,

Da Agência Lusa, da rádio TSF e do jornal Diário de Notícias (Portugal)

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:::  O Japão deseja ingressar com o estatuto de membro observador na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O pedido para que Portugal interceda nesta aspiração oficial do Japão foi feito na tarde do domingo, 4 de abril de 2014, a Pedro Passos Coelho pelo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe em sua visita histórica e inédita a Lisboa.  :::

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, em visita a Lisboa, manifestou o desejo de seu país a ser membro observador da CPLP a seu homólogo de Portugal, Pedro Passos Coelho. 

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, em visita a Lisboa, manifestou o desejo de seu país a ser membro observador da CPLP a seu homólogo de Portugal, Pedro Passos Coelho.
 

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Os laços e relações entre Portugal e Japão já têm mais de 470 anos de história, mas somente no último dia 4 de abril ocorreu pela primeira vez a visita oficial de um primeiro-ministro japonês a Portugal.

O primeiro-ministro da República Portuguesa, Pedro Passos Coelho, recebeu Shinzo Abe em sua visita a Lisboa. Além da enorme comitiva, recebeu também um convite.

“Agradeço ao sr. primeiro-ministro o convite que hoje me dirigiu para me deslocar ao Japão, e ali efetuar uma visita oficial de trabalho, retribuindo assim esta visita feita pelo sr. primeiro-ministro a Portugal”, afirmou Passos Coelho. “Naturalmente, aceitei este convite que nos permitirá prosseguir o diálogo que agora iniciámos aqui em Lisboa.”

Os dois chefes de governo assinaram uma declaração conjunta em áreas para o aprofundamento das relações políticas, segurança e relações culturais, com Passos Coelho a destacar as questões económicas entre União Europeia e Japão.

Na declaração conjunta, ambos reconheceram que há sinais claros de retoma económica tanto no Japão como em Portugal.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que quer aprofundar a parceria com os países de Língua Portuguesa que estão a aumentar a presença na África e América Latina – principalmente com Brasil, Angola e Moçambique. Daí, o interesse do Japão em entrar para a CPLP como observador – aspiração que encontrou apoio oficial de Portugal.

Em Lisboa, Shinzo Abe manteve também igualmente contacto com o presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva.

A passagem por Portugal constou na viagem europeia do primeiro-ministro japonês, que inclui Alemanha, Reino Unido, Espanha, França e Bélgica. Shinzo Abe ainda realizou visita rápida de quatro horas a Santiago de Compostela, capital da comunidade autónoma espanhola da Galiza.

"Japão e Portugal são países marítimos com uma longa história de intercâmbios", declarou Shinzo Abe a Pedro Passos Coelho. "São parceiros que podem contribuir para o crescimento recíproco." 

“Japão e Portugal são países marítimos com uma longa história de intercâmbios”, declarou Shinzo Abe a Pedro Passos Coelho. “São parceiros que podem contribuir para o crescimento recíproco.”
 

–– Uma relação multissecular de duas nações de expansão marítima ––
Em entrevista ao jornal Diário de Notícias, o primeiro-ministro Shinzo Abe sublinhou que “o Japão e Portugal possuem uma longa história de intercâmbio” e “são parceiros que podem contribuir para o crescimento recíproco” no plano económico – uma importante mais-valia nas relações bilaterais.

São relações multisseculares que integram ainda um forte património histórico e interação cultural. “O intercâmbio com Portugal gerou palavras novas em japonês como kasutera [o pão-de-castela, como era chamado o pão-de-ló português], pan [pão] ou koppu [copo]. Ainda hoje em dia, essas palavras se usam no quotidiano. O famoso escritor japonês, Kazuo Dan, escolheu Portugal para viver no fim da sua vida”, explicou o chefe de governo japonês.

“O Japão e Portugal são países marítimos, não muito grandes, olhando para a sua superfície terrestre. Porém, com as suas extensões marítimas, entram no grupo dos países com grande área territorial”, declarou ainda o primeiro-ministro do Japão ao Diário de Notícias.

“Tenho esperança de que a minha visita seja uma oportunidade para o aprofundamento do interesse do povo português pelo Japão”, revelou Shinzo Abe, realçando uma longa história de relações entre os dois países, com raiz no passado, mas a apontar também para o futuro.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa, da rádio TSF e do jornal Diário de Notícias (Portugal) ––

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Universidade japonesa selecionará professor de Estudos Portugueses

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 14 de Fevereiro de 2013 por ronsoar Tagged: , , , ,

Do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua

A Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio selecionará um professor de Estudos Portugueses através de cooperação com o Instituto Camões.
 

No âmbito de um protocolo de cooperação entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e a Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio (TUFS, sigla em inglês), encontra-se aberta uma vaga na instituição japonesa de ensino superior para o posto de Docente de Estudos Portugueses.

O docente estará envolvido no ensino e divulgação da Língua Portuguesa e da cultura da Lusofonia na TUFS, nomeadamente nas áreas da sociedade e culturas de expressão portuguesa.

O professor de Estudos Portugueses trabalhará com um legado de quase cinco séculos de contatos entre a Língua Portuguesa e o Japão, cujos primeiros documentos datam do período das Grandes Navegações no século XVI.

Hoje são mais de 300 mil pessoas que fazem do português a Língua ocidental mais falada no Japão. E a “Língua de Camões” ganha grande importância para os contatos do Japão atual com todo um universo de cerca de 250 milhões de pessoas que constitui a Lusofonia.

Em vista disso, o profissional ainda desenvolverá investigações nas áreas da Língua Portuguesa e da cultura e sociedade lusófonas no Japão. A carga de trabalho será de 12 horas letivas por semana.

Os requisitos para a candidatura à vaga na Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio estão disponíveis nesta página do sítio do Camões, I.P. na Internet.

• As candidaturas deverão ser enviadas por correio eletrónico, até 19 de fevereiro, para:
<zmadeira@camoes.mne.pt>.

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–– Extraído do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua ––

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Leia também:
A Língua Portuguesa pode voltar a despertar interesse no Japão – (I) – 02 de outubro de 2012
A Língua Portuguesa pode voltar a despertar interesse no Japão – (II) – 02 de outubro de 2012

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A Língua Portuguesa pode voltar a despertar interesse no Japão – (II)

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 2 de Outubro de 2012 por ronsoar Tagged: , , , ,

Edifício da Faculdade de Estudos Estrangeiros da Universidade de Osaka, um dos mais importantes centros acadêmicos de estudos da Língua Portuguesa no Japão.
 

Ventos da Lusofonia mostra a segunda parte da reportagem sobre o aumento da projeção da Língua Portuguesa no Japão – uma etapa nova da presença da Língua entre a sociedade japonesa. Mas a reportagem, em vez de dar um alcance da Língua no âmbito da Lusofonia, centra as suas atenções, especificamente, sobre o português brasileiro. A reportagem foi publicada no Brasil pela revista econômica Exame, em 24 de setembro de 2012.

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–– Língua Portuguesa pode voltar a despertar interesse no Japão (2ª. parte) ––

Elton Alisson, da Agência Fapesp
Da revista Exame (Brasil)
24 de setembro de 2012

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:::  Aumento do contato com brasileiros e atual projeção do Brasil no cenário mundial podem aumentar interesse pelo ensino e aprendizagem do idioma no país.  :::

–– Obstáculos para a aprendizagem da Língua ––

O professor Akira Kono, da Universidade de Osaka, entre estudantes: cresceu o interesse pela Língua Portuguesa nas universidades japonesas.

De acordo com o pesquisador, alguns dos maiores obstáculos para os japoneses aprenderem português são inerentes à própria dificuldade que têm em aprender línguas estrangeiras, de forma geral, devido à falta de semelhanças do idioma japonês com outras línguas.

Ao contrário das línguas românicas – como o português, o espanhol, o italiano, o francês e o romeno, que possuem afinidades que facilitam o ensino e a aprendizagem –, ainda não se sabe exatamente qual a raiz e a origem do idioma japonês.

Uma das hipóteses levantadas por Kono é que o idioma – que é extremamente peculiar e não tem distinção fonética entre as letras L e R, por exemplo – seja resultado do cruzamento de várias línguas, como o pidgin e o crioulo.

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“Gramaticalmente, a língua coreana é a mais próxima do japonês, mas a fonologia e o léxico são diferentes. Então, nesse sentido somos ‘órfãos’ em relação à filiação a famílias linguísticas e para dominarmos qualquer língua, especialmente as ocidentais, é preciso ter garra, perseverança e nos esforçarmos muito”, avaliou Kono.

Outra barreira para ensinar e aprender a Língua Portuguesa, segundo o pesquisador, é o facto de se dividir entre o português europeu e o português brasileiro, que tem em alguns aspectos suas próprias normas gramaticais.

No português falado em Portugal, por exemplo, de acordo com Kono, ainda se ensinam as seis formas verbais (eu, tu, ele, nós, vós e eles), ao passo que no Brasil elas estão sendo reduzidas para quatro, com o desaparecimento do pronome “tu” e a substituição de “nós” por “gente” ou “a gente”.

Universidade Sophia, de Tóquio, um dos primeiros centros universitários do Japão com departamento de Língua Portuguesa.

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“Eu estou muito sensibilizado e pretendo escrever um artigo sobre essa mudança radical e a simplificação do paradigma de pronomes na Língua Portuguesa no Brasil, com a expansão cada vez maior do uso de ‘a gente’ ou ‘gente’ em vez de ‘nós’, substituindo o verbo na terceira pessoa, que está fazendo com que o uso do sujeito seja mais frequente”, disse Kono.

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“Eu já tinha reparado antes nessas mudanças por meio de trabalhos publicados por linguistas brasileiros, mas estou percebendo por meio da leitura de jornais e de outras publicações do Brasil disponíveis na Internet que esses fenômenos, que até então eram mais observados na linguagem falada, estão penetrando cada vez mais na linguagem escrita”, afirmou Kono.

Contudo, na avaliação do pesquisador, essas mudanças são positivas, fazem parte do processo natural de evolução de qualquer língua, que é um mecanismo dinâmico e está em constante mutação, e já ocorreram fenômenos semelhantes com outros idiomas, como o inglês e o francês.

Já a recente reforma ortográfica da Língua Portuguesa, que aboliu, por exemplo, o uso do trema em algumas palavras, segundo ele prejudicou o ensino e a aprendizagem do idioma por estudantes estrangeiros.

“A retirada do trema de palavras como ‘frequente’ e ‘cinquenta’ fez com que nossos alunos acabassem pronunciando expressões de forma errada. Essa reforma ortográfica não teve muito cabimento”, avaliou.

Outro problema para ensinar o português do Brasil no Japão, de acordo com ele, é o desconhecimento sobre aspectos culturais, políticos, geográficos e históricos do país, que são em parte compensados pelo envio de estudantes japoneses para o Brasil para conhecer a realidade brasileira, pela leitura de livros e audição de músicas de compositores brasileiros.

“Eu me apaixonei pela Língua Portuguesa e aprendi várias expressões ouvindo música popular brasileira de compositores como Noel Rosa, Chico Buarque e Caetano Veloso. Esse é um ótimo método que eu adoto em sala de aula”, disse o pesquisador, que se interessou em aprender português ao ouvir no rádio ainda criança a versão em inglês de Garota de Ipanema, de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, cantada por Frank Sinatra.

Atualmente, de acordo com o pesquisador, a Universidade de Osaka oferece 30 vagas por ano para o curso de graduação em Língua Portuguesa, que tem duração de quatro anos.

Além de Língua Portuguesa, o Departamento de Línguas da universidade japonesa também é voltado ao estudo e ensino de mais 24 idiomas, incluindo o japonês e o inglês, que é considerado a primeira língua estrangeira do país.

–– Colaboração científica com o Brasil ––

Celso Lafer: relações mais estreitas entre o Japão e o Estado brasileiro de São Paulo.

Representante no Brasil entre 1995 e 1997 da Sociedade para a Promoção da Ciência do Japão (JSPS, sigla em inglês) – a maior entidade de apoio à pesquisa no Japão –, por intermédio de um escritório que a instituição mantinha em São Paulo com apoio do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, de acordo com Kono, o Brasil é um forte candidato para o Japão aumentar a cooperação científica, por ser hoje uma das maiores potências econômicas do mundo.

“O trabalho de ensinar e disseminar a Língua Portuguesa e a cultura brasileira no Japão deve facilitar o intercâmbio entre o Brasil e o Japão em ciências, que precisa ser muito mais intensivo”, indicou.

Na avaliação dele, um dos principais obstáculos para aumentar a cooperação científica do Japão com o Brasil é o desconhecimento japonês sobre o sistema federativo brasileiro, que, apesar de centralizado, permite que os Estados tenham autonomia na elaboração e execução de suas políticas, como a científica e tecnológica.

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Como o Japão é pequeno geograficamente, suas políticas são bastante centralizadas e cada província não tem muito poder, é difícil para os dirigentes japoneses entenderem, por exemplo, a autonomia de Estados brasileiros, como São Paulo, que é responsável por mais de 50% da ciência produzida no Brasil.

“Nós devemos reconhecer a importância do Estado de São Paulo e, consequentemente, o papel que a Fapesp vem desempenhando para o avanço da ciência no Brasil”, disse Kono.

De modo a facilitar a aproximação entre pesquisadores do Estado de São Paulo com os do Japão, para intensificar a cooperação científica entre os dois países, em março de 2013 a Fapesp realizará no país um encontro com representantes da JSPS.

O evento tem o objetivo de reunir pesquisadores do Brasil com os do país para apresentar os últimos avanços na produção científica e os resultados científicos mais expressivos que obtiveram nos últimos anos, em diferentes áreas, com vistas a incrementar a cooperação científica.

“Nós temos uma grande preocupação aqui na Fapesp com o processo de internacionalização da ciência e consideramos que é muito importante estimularmos uma relação científica mais intensa com países como o Japão. Por isso que promoveremos este encontro no país”, disse Celso Lafer [ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil], presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Além disso, na avaliação de Lafer, o Estado de São Paulo tem uma relação própria com o Japão, em função de ter recebido a primeira leva de imigrantes japoneses no Brasil, no período de 1908 a 1941. “Em nenhum outro Estado brasileiro há tanta percepção do significado da importância dos laços que temos com o Japão do que em São Paulo”, disse Lafer.

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ALISSON, Elton. Língua Portuguesa pode voltar a despertar interesse no Japão.
Da Agência Fapesp de Notícias.
Extraído da revista Exame (Brasil).
Publicado em: 21 set. 2012.

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A Língua Portuguesa pode voltar a despertar interesse no Japão – (I)

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 2 de Outubro de 2012 por ronsoar Tagged: , , , ,

Imigrantes japoneses recebem aula de Língua Portuguesa a bordo do navio Kasato Maru, com destino ao Brasil em 1908: a presença de longa data da Língua Portuguesa no Japão passou por diversas etapas.
 

O interesse pelo aprendizado da Língua Portuguesa no Japão vive um momento crescente. O crescimento econômico de países da Lusofonia, bem como as novas oportunidades de relações comerciais advindas desse desenvolvimento, despertaram entre os japoneses a necessidade de domínio da Língua Portuguesa. Por enquanto, são as universidades que estão à frente do Ensino de Português Língua Estrangeira para o público japonês.

Ventos da Lusofonia mostra, em duas partes, uma reportagem sobre esse aumento da projeção da Língua Portuguesa no Japão – que, na verdade, é uma etapa nova da presença da Língua naquele país, cujos contatos iniciais remontam à Era das Grandes Navegações, no século XVI. Mas a reportagem, em vez de dar um alcance da Língua no âmbito da Lusofonia, centra as suas atenções, especificamente, sobre o português brasileiro. Confira a reportagem a seguir, publicada no Brasil pela revista econômica Exame, em 24 de setembro de 2012.

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–– Língua Portuguesa pode voltar a despertar interesse no Japão ––

Elton Alisson, da Agência Fapesp
Da revista Exame (Brasil)
24 de setembro de 2012

:::  Aumento do contato com brasileiros e atual projeção do Brasil no cenário mundial podem aumentar interesse pelo ensino e aprendizagem do idioma no país.  :::

O professor Akira Kono, da Universidade de Osaka, entre estudantes: cresceu o interesse pela Língua Portuguesa nas universidades japonesas.

O aumento do contato direto de japoneses com brasileiros nos últimos anos, em função de fatores como a globalização e o destaque que o Brasil vem ganhando no cenário mundial, podem voltar a despertar o interesse pelo ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa no Japão.

A avaliação foi feita por Akira Kono, professor de Língua Portuguesa e Linguística na Escola de Letras e Cultura da Universidade de Osaka, no Japão, durante uma conferência que proferiu no dia 20 de setembro no auditório da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) sobre o Ensino de Português no Japão.

O pesquisador participou no dia anterior de um encontro com dirigentes da Fapesp com o objetivo de discutir sobre possibilidades de se intensificar a cooperação científica de pesquisadores do Estado de São Paulo com os do Japão.

De acordo com o pesquisador, o contato dos japoneses com a Língua Portuguesa ocorreu em três diferentes etapas, que se traduziram em influências tanto no idioma estrangeiro quanto no nativo.

O primeiro contato ocorreu em 1543, com a chegada de missionários jesuítas portugueses na ilha de Tanegashima, no sul de Kiushu, que foram ao país com o intuito de disseminar o catolicismo.

Durante esse período, os jesuítas portugueses realizaram estudos sobre a língua japonesa e publicaram livros, como a A Arte da Lingoa de Iapam e a Arte Breve da Lingoa Iapoa, escritos pelo padre João Rodrigues Girão e publicados, respectivamente, em 1608 e 1620. Porém, essa etapa durou até meados do começo do século XVII, quando o cristianismo foi proibido no Japão e os jesuítas foram expulsos do país.

A chegada dos portugueses à ilha de Tanegashima em 1543 foi retratada em biombos japoneses da época.

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“Já nesta primeira etapa do contato entre os japoneses e portugueses, houve uma certa influência entre as duas línguas”, disse Kono.

“Nas cartas que os jesuítas mandaram do Japão, é possível perceber alguns léxicos do japonês, como ‘daimiô’, que significa ‘senhor feudal’ em japonês. E do lado japonês houve alguns casos isolados de japoneses que aprenderam português, mas não foram muitos”, contou.

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A segunda etapa do contato dos japoneses com a Língua Portuguesa, segundo Kono, aconteceu no Brasil, em 1908, com a primeira fase da imigração japonesa no país, encerrada em 1941, quando o Japão ingressou na Segunda Guerra Mundial.

Uma das maiores potências mundiais na época – com grandes conglomerados empresariais como Mitsubishi, Mitsui e Sumitomo –, o Japão vivia ao mesmo tempo graves problemas econômicos, com desemprego elevado e condições de pobreza no campo.

Em função disso, o país enfrentava críticas de segmentos da sociedade que não concordavam com a forma com que vinha se desenvolvendo, conquistando países à força, como fez no período conhecido como “imperialista”, em que invadiu a Coreia, a Manchúria e parte da China.

Uma das alternativas identificadas para continuar a crescer pacificamente era por meio da imigração, vista como uma forma em que ambos os lados ganhavam – tanto o país que enviava como o que recebia os imigrantes – e diferente da conquista militar, em que só o país invasor se beneficia.

Por essas e outras razões, o governo japonês decidiu encampar políticas de imigração de seus cidadãos para países como o Brasil, que precisava de mão de obra para as lavouras de café em São Paulo.

“Os primeiros imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil não vieram bem preparados e não sabiam português. Mas, pouco a pouco, começaram a assimilar palavras portuguesas na língua japonesa que falavam na colônia e eram mais relacionadas ao trabalho agrícola que faziam, como ‘enxada’ e ‘camarada'”, disse Kono.

Mas, de acordo com o pesquisador, só quase oito anos depois do início da imigração japonesa para o Brasil, foi criado, em 1916, o primeiro curso de graduação em Língua Portuguesa pela Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio.

“Eu acho que, naquela época, as autoridades japonesas ainda não tinham reconhecido a importância da Língua Portuguesa para suas relações exteriores”, avaliou Kono.

Desembarque de imigrantes japoneses do navio Kasato Maru no porto de Santos em 1908: início da presença japonesa no Brasil.

“Já existiam cursos de espanhol no Japão, que se achava que era suficiente para se relacionar com a América do Sul. Mas, ao começar a se relacionar com o Brasil, se reconheceu a importância de aprender a Língua Portuguesa e se decidiu criar um curso de graduação voltado para o idioma”, disse o pesquisador.

Para iniciar o curso, a universidade pública japonesa recrutou o historiador português João Abranches Pinto, que residia no Japão na época e era casado com uma japonesa.

Com isso, embora a Língua Portuguesa fosse muito importante para o país oriental, o primeiro curso do idioma criado no Japão foi mais voltado para o português de Portugal. Por outro lado, de acordo com Kono, a iniciativa teve o importante papel de fazer com que, pelo menos, o Ensino de Português fosse mantido oficialmente no sistema educacional japonês.

Só em 1964, a Universidade Sophia, de Tóquio, uma instituição particular, criou um departamento de português, fundado por padres brasileiros, onde Kono ingressou em 1967 e iniciou seus estudos do idioma falado no Brasil.

No mesmo ano, a Universidade de Estudos Estrangeiros de Kyoto também estabeleceu um Departamento de Estudos Lusos-Brasileiros para ensinar português.

Já em 1979, também foi fundado um curso de português falado no Brasil na Universidade de Estudos Estrangeiros de Osaka, que em outubro de 2007 passou a ser uma faculdade da Universidade de Osaka, para a qual Kono foi o primeiro professor contratado.

Na década de 1990 – que marca a terceira etapa do contato dos japoneses com a Língua Portuguesa, quando o Japão mudou sua política de imigração e muitos brasileiros foram trabalhar no país –, a Universidade de Tenri também criou um curso de português. Porém, o curso foi abolido em 2010.

“As universidades japonesas, especialmente as particulares, estão cortando cursos, que não só os de português, em função da diminuição da população do país nos últimos anos”, explicou Kono.

Segundo o pesquisador, o corpo docente que ensina português no Japão é composto, em sua maioria, por professores japoneses, graduados em português por uma das quatro universidades que possuem cursos voltados ao idioma no país. Mas nem todos são especialistas no Ensino de Português como Língua Estrangeira.

“Nossa abordagem do idioma é mais tradicional, voltada a ensinar o aluno a não só ler em português, mas também a se comunicar com os brasileiros e ter alguma fluência no idioma, que representa um grande desafio. É muito difícil para os alunos dominarem a Língua Portuguesa”, afirmou Kono.

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