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Assim (não) se vê a influência da Língua Portuguesa – Renato Epifânio

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 30 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , , ,

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O presidente do Movimento Internacional Lusófono (MIL), Renato Epifânio, lançou críticas em opinião recentemente veiculada no jornal Público aos resultados de uma pesquisa sobre a influência mundial das línguas, conduzida por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, sigla em inglês) dos EUA.

A pesquisa foi realizada mediante elaboração de mapas a partir de três grandes massas multilingues de dados: uma do Twitter, outra do Wikipédia e outra de uma lista de traduções literárias de livros impressos.

“Verificamos que a estrutura destas três redes globais de línguas está centrada na língua inglesa, como um eixo global, e ao redor de um punhado de línguas de um eixo intermediário, que inclui o espanhol, o alemão, o francês, o russo, o português e o chinês”, explicam os autores do estudo publicado em novembro de 2014 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, dos Estados Unidos da América.

Renato Epifânio contesta os resultados desta investigação e alega que “muito poucas línguas deveriam estar acima da Língua Portuguesa, desde logo pela sua geográfica difusão”, pois “estamos a falar de uma Língua com difusão na Europa, nas Américas, em África e na Ásia”.

O autor do artigo lamenta que, em virtude de muita divisão ainda reinante entre os países da Lusofonia no trato com a Língua comum e de muita relutância quanto ao princípio da gestão conjunta da Língua, “são os lusófonos os primeiros a não valorizar devidamente a sua cultura histórica”.

Mas ressalva que, em relação ao papel global da Língua Portuguesa, “o mais importante é essa capacidade ‘pontifícia’ (“construtora de pontes”) que a Língua e cultura portuguesa historicamente tiveram e que ainda hoje é reconhecida”.

Ventos da Lusofonia reproduz a seguir o artigo de opinião de Renato Epifânio, a criticar os resultados do estudo sobre o poder de influência das línguas no mundo. O artigo foi publicado na edição de 29 de dezembro de 2014 do jornal Público, de Portugal.  :::

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–– Assim (não) se vê a influência
da Língua Portuguesa ––

Renato Epifânio,
do jornal Público (Portugal)
29 de dezembro de 2014

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:::  Muito poucas línguas deveriam estar acima da Língua Portuguesa, desde logo pela sua geográfica difusão.  :::

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Num interessante artigo publicado no dia 22 de dezembro (Influência de uma língua mede-se pela capacidade de ligar línguas diferentes), o jornal Público reproduz os dados essenciais de um estudo saído na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Neste, defende-se que “ao contrário do que se poderia pensar, a influência global de uma língua mede-se principalmente pelo seu nível de ligação com outras línguas, e, em particular, pela sua capacidade de mediar a comunicação entre línguas que de outra forma não conseguiriam ‘falar’ entre si”.

Surpreendentemente, porém, à luz dessa premissa, a Língua Portuguesa aparece numa posição “intermédia”, quando deveria aparecer numa posição mais cimeira.

Se a premissa é, como no artigo se enfatiza, a “capacidade de estabelecer pontes entre línguas associadas a culturas por vezes muito diferentes e afastadas do ponto de vista geográfico”, então muito poucas línguas deveriam estar acima da Língua Portuguesa, desde logo pela sua geográfica difusão: falando só dos países de Língua oficial portuguesa, estamos a falar de uma Língua com difusão na Europa, nas Américas, em África e na Ásia.

Se contarmos, como devemos contar, com as várias diásporas lusófonas e com outras regiões que, historicamente, mantiveram laços com o espaço de Língua Portuguesa, essa difusão geográfica alarga-se ainda mais.

Manifestamente, contudo, isso não foi tido em conta neste estudo – o seu coautor português, Bruno Gonçalves, chega mesmo a manifestar a sua “surpresa” pela “ligação [da Língua Portuguesa] à língua malaia”. Como se na Malásia não existisse, ainda hoje, uma significativa comunidade lusófona, em grande parte residente no chamado “Bairro Português de Malaca”, que tem preservado essa ligação à Lusofonia, mesmo com poucos ou nenhuns apoios oficiais.

A este respeito, não pode deixar de ser referida a Associação Coração em Malaca, sediada em Portugal, que, através dos seus membros – desde logo, da sua Presidente, Luísa Timóteo – não se tem cansado de manter essa ponte, que já levou, inclusive, a que alguns membros dessa comunidade tivessem estado recentemente em Portugal.

Este exemplo é, de resto, multiplicável a muitos outros países, sendo que o mais importante nem é sequer isso: o mais importante é essa capacidade pontifícia (“construtora de pontes”) que a Língua e cultura portuguesa historicamente tiveram e que ainda hoje é reconhecida – nomeadamente, no mundo árabe.

Daí o papel que a Lusofonia poderia hoje ter à escala global na resolução de alguns conflitos, inclusive de cariz religioso. Enquanto cultura em que desde sempre conviveram as “três religiões do Livro” – judaísmo, cristianismo e islamismo –, a cultura lusófona poderia dar um importante contributo para a paz mundial.

Infelizmente, contudo – importa reconhecê-lo –, são os lusófonos os primeiros a não valorizar devidamente a sua cultura histórica. Não surpreende, por isso, que muitos não lusófonos não a conheçam e que surjam mesmo estudos internacionais que façam tábua rasa dessa nossa cultura. Assim (não) se vê a “influência da Língua Portuguesa”.  :::

EPIFÂNIO, Renato. Assim (não) se vê a influência da Língua Portuguesa.
Extraído do jornal Público – seção Opinião
Lisboa, Portugal.
Publicado em: 29 dez. 2014.

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Influência de uma língua mede-se pela capacidade de ligar línguas distantes

In Defesa da Língua Portuguesa,Lusofonia e Diversidade on 25 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Ana Gerschenfeld,
do jornal Público (Lisboa, Portugal)
22 de dezembro de 2014

:::  Nem o número de falantes, nem a riqueza económica são o que mais condiciona a influência de uma dada língua a nível global: conclui estudo com participação portuguesa.  :::

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Está a pensar em aprender chinês (ou melhor, mandarim) ou a aconselhar os seus filhos a optarem por essa segunda língua estrangeira? É certo que, quando olhamos para o astronómico número de pessoas que fala hoje chinês – e para o crescente poderio económico da China –, temos tendência para pensar que, a par (ou talvez em vez) do inglês, o chinês é que será a língua do futuro.

Porém, a acreditar nas conclusões de um estudo realizado por uma equipa internacional, entre os quais um cientista português, essa escolha poderá não ser a mais acertada… A língua franca do futuro poderá ser outra – e as mais importantes no ranking [classificação] mundial também poderão ser outras.

Os resultados, publicados na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostram que, ao contrário do que se poderia pensar, influência global de uma língua mede-se principalmente pelo seu nível de ligação com outras línguas. E em particular, pela sua capacidade de mediar a comunicação entre línguas que de outra forma não conseguiriam “falar” entre si.

A questão reside em saber, no fundo, como avaliar a influência de uma língua na cultura global. Ora, até aqui, os parâmetros utilizados têm sido, justamente, o número de pessoas que falam uma dada língua e o nível económico dessas pessoas.

Mas agora, estes cientistas decidiram avaliar esse poderio linguístico com outra bitola: mapeando as redes de ligações entre as diferentes línguas do mundo. E concluem que, muito mais do que ao peso da demografia ou da riqueza – que obviamente também contribuem para o poderio das diversas línguas –, o sucesso global de uma língua deve-se sobretudo ao número e à força dessas ligações.

Mais: o que define a influência global de uma língua, argumentam os autores, é a sua capacidade de estabelecer pontes entre línguas associadas a culturas por vezes muito diferentes e afastadas do ponto de vista geográfico.

“O chinês – ou mandarim para ser mais preciso –, apesar de ter um grande número de falantes, é uma língua relativamente periférica, ou seja é uma língua que está isolada sobre si mesma e não interage com as restantes”, explicou ao Público Bruno Gonçalves, coautor português do artigo, a trabalhar na Universidade de Aix-Marseille (França).

“Ou seja, o chinês é útil na China, mas está longe de ser uma língua falada frequentemente noutros países ou regiões. Isto deve-se tanto à sua complexidade – que dificulta a aprendizagem – quanto ao tamanho da China – que facilita o isolamento cultural, visto poderem ser autossuficientes.”

–– Twitter, Wikipédia & Companhia ––
Para determinar as ligações existentes entre as línguas e avaliar a sua força, os cientistas – liderados por César Hidalgo e incluindo Steven Pinker – ambos do célebre Media Lab do Massachusetts Institute of Technology [o Instituto de Tecnologia de Massachusetts] ou MIT, EUA) – construíram três mapas diferentes a partir de três grandes massas de dados, respectivamente provenientes do Twitter, da Wikipédia e de traduções literárias.

No caso do Twitter – explica em comunicado o MIT –, o critério de ligação entre duas línguas era que o autor de um tweet [as micropostagens do Twitter] na sua própria língua (a primeira) também tivesse produzido pelo menos três tweets na segunda língua. Os dados representavam assim 17 milhões de tweets produzidos em 73 línguas por cerca de 280 milhões de utilizadores deste serviço online [em linha].

Quanto à força da ligação entre duas línguas, era medida pelo número de utilizadores desse “par” de línguas. Essencialmente, “a força de ligação entre as diversas línguas é dada pelo número de pessoas bilingues”, diz-nos Bruno Gonçalves.

No caso da Wikipédia, o critério era semelhante: os “editores” daquela megaciberenciclopédia eram retidos para análise quando tinham editado artigos na sua língua-mãe e noutras línguas. O conjunto final continha 2,2 milhões de tais editores.

–– A lista de traduções literárias da UNESCO ––
Por último, para gerar os dados de base relativos à tradução literária, os cientistas utilizaram o chamado Index Translationum da UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] – um catálogo de 2,2 milhões de traduções de livros em mais de mil línguas, publicadas entre 1979 e 2011. Aqui, a força da ligação entre duas línguas era determinada pelo número de traduções que existiam de uma para a outra.

Para obter as redes, os cientistas utilizaram, lê-se no artigo da PNAS, um algoritmo semelhante ao que o motor de pesquisa da Google utiliza para fazer o ranking das páginas da Web nas suas listagens de resultados de pesquisa. Esse algoritmo utiliza o número e a qualidade dos links [enlaces ou hiperligações] que apontam para um dado site [sítio de Internet] como estimativa da importância desse site.

–– Duas listas de personalidades e de suas publicações ––
Por outro lado, para validar os seus mapas de forma independente, os cientistas recorreram a mais dois conjuntos de dados que ligam pessoas famosas e difusão linguística: uma lista (obtida anteriormente por César Hidalgo) de 11.340 pessoas que tinham artigos acerca delas na Wikipédia escritos em mais de 26 línguas; e uma outra lista, publicada num livro da autoria do politólogo norte-americano Charles Murray, das 4.002 pessoas mais citadas em 167 obras de referência (de enciclopédias a inquéritos) publicadas à escala mundial.

Resultados? Os três mapas das redes linguísticas não eram idênticas – o que era de esperar, uma vez que o grupo de “autores” utilizado para cada um dos mapeamentos era diferente: no caso do Twitter, representava uma parcela dos internautas bilingues; no caso da Wikipédia, uma mistura de curiosos e especialistas (poliglotas) de um tema; e, no caso da base de dados da UNESCO, obras literárias de fama internacional.

“Por exemplo”, lê-se no mesmo comunicado, “na rede da Wikipédia, o alemão é muito mais central do que o espanhol, enquanto o contrário se verifica na rede gerada a partir do Twitter.”

Da mesma forma – e pela mesma razão –, a rede derivada dos dados da UNESCO estava mais em linha com a lista de famosos de Murray, cujos elementos proveem das artes e das ciências. Pelo seu lado, as redes derivadas do Twitter e da Wikipédia correspondiam melhor à lista de famosos estabelecida pelo coautor César Hidalgo com base na Wikipédia, que é mais inclusiva, uma vez que contém famosos das mais variadas profissões, da música pop ao desporto.

Mas mesmo assim, fosse qual fosse a lista de celebridades considerada, havia sempre pelo menos um dos mapas que conseguia prever de forma mais fiável a composição dessa lista com base na “centralidade” da língua na rede correspondente do que no PIB [Produto Interno Bruto] ou no número de falantes associados.

–– Línguas do futuro? ––
Uma coisa é certa: no topo da influência global está atualmente o inglês. Com 1500 milhões de falantes e um elevado rendimento per capita, os novos resultados também confirmam esta língua como a mais capaz de ligar outras línguas entre si – o que aliás já todos sabíamos.

Quanto ao chinês (com mais de 1.600 milhões de falantes) ou o árabe (500 milhões de falantes), apesar de estas línguas serem mais faladas do que línguas como o português (290 milhões), o francês (200 milhões), o alemão (185 milhões), ou o italiano (70 milhões), ambas surgem nos resultados como mais periféricas, menos centrais do que este conjunto de línguas europeias.

De facto, a seguir ao inglês, as línguas mais centrais a nível global são o francês, o alemão, o espanhol, o italiano e o russo (nessa ordem, com os três últimos no mesmo patamar). E, no “círculo” seguinte, encontram-se, entre outras, o holandês (com apenas 27 milhões de falantes), o português, o sueco (com dez milhões) e o dinamarquês (com seis milhões).

“O português é uma Língua intermédia”, explica ainda Bruno Gonçalves. “Porque, apesar de estar difundida pelo mundo e ter ligações a línguas mais distantes, tanto geográfica como linguisticamente, não tem a importância global de uma língua como o inglês tem atualmente ou como o francês teve em décadas passadas.”

“Para mim, o resultado mais surpreendente em relação ao português foi a sua ligação à língua malaia e ao finlandês, que são visíveis nas redes derivadas do Twitter e da Wikipédia”, acrescenta Bruno Gonçalves.

–– “Cultura e língua estão ligadas” ––
Seja como for, todas estas línguas medianamente periféricas – e muito menos faladas do que o chinês ou o árabe – revelam-se, nos três mapas, mais centrais do que o chinês ou o árabe (os diversos mapas estão acessíveis no site do projeto).

E em particular, no mapa derivado do Twitter, o português e o espanhol são as línguas indo-europeias mais centrais a seguir ao inglês – enquanto as línguas “sino-tibetanas” como o chinês se tornam praticamente irrelevantes.

Poder-se-á objetar que estes dados estão enviesados, dado que consideram populações não representativas da totalidade da população humana – e que portanto não representam a influência real de cada língua. A isso, César Hidalgo responde no mesmo comunicado: “Quero dizer claramente que este estudo não é sobre línguas globais. As três redes são representativas de elites. Mas, ao mesmo tempo, essas elites são os motores da transferência de informação entre culturas.”

“O que estes resultados demonstram é que a cultura e a língua estão intrinsecamente ligadas, e que promover uma é promover a outra”, frisa Bruno Gonçalves.

–– Quanto ao português? E haverá uma nova Língua franca? ––
Como preservar o português? “Através de medidas que aumentem o número de estrangeiros que falam a nossa Língua – promoção de aulas de português para estrangeiros, etc. – ou que difundam a cultura portuguesa, como a tradução de livros de autores nacionais para outras línguas”, responde-nos o cientista.

E qual será a língua franca do futuro?, perguntámos. “Será provavelmente uma mistura de línguas. O inglês manterá o seu domínio, mas acho que não corremos o risco de ter uma única língua global que elimine as outras.”  :::

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GERSCHENFELD, Ana. Influência de uma língua mede-se pela capacidade de ligar línguas distantes.
Extraído do jornal Público – Lisboa, Portugal.
Publicado em: 22 dez. 2014.

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Angola: 4ª. Conferência do Fórum do Ensino Superior em Luanda e Lubango

In Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 26 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência AngolaPress

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Académicos dos países e regiões do mundo de Língua Portuguesa participaram, em Angola, da 4ª Conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges), ocorrida entre os dias 19 e 21 de novembro de 2014.

A conferência foi realizada com o seguinte tema: A expansão do ensino superior nos Países de Língua Portuguesa, estratégias, qualidade e avaliação. Os eventos dos dois primeiros dias foram realizados na cidade do Lubango, e os do último dia na capital de Angola, Luanda.

A 4ª. Conferência do Forges foi coorganizada pela Universidade Agostinho Neto, de Luanda, pela Universidade Mandume Ya Ndemufayo, de Lubango, e conta com o patrocínio do Ministério do Ensino Superior da República de Angola.

Segundo comunicado oficial do Forges, o evento se reveste “de capital interesse e relevância para as instituições do ensino superior destes países e regiões, tanto pelo seu caráter inovador como pelo valor dos temas colocados a reflexão e debate pelos participantes”.

De acordo com o comunicado, a organização da conferência “propõe-se contribuir para a reflexão sobre o modo como o ensino superior se tem afirmado, se afirma, e deverá continuar a melhorar para se afirmar, como essencial para o desenvolvimento dos países e regiões”.

“Os decisores da política educativa, membros dos órgãos de gestão das instituições universitárias, administradores, docentes e investigadores são chamados a refletir e debater alguns dos principais temas estruturantes do ensino superior, nos países e regiões da Língua Portuguesa”, afirma o texto alusivo à conferência.

A agenda foi constituída da abordagem de cinco subtemas: “A importância do Ensino Superior no desenvolvimento dos países e regiões”, “O financiamento e expansão do Ensino Superior”, “A tecnologia e a inovação: redes de cooperação”, “A avaliação do Ensino Superior: modalidades e tendências”, e “Os sistemas de garantia da qualidade no Ensino Superior”.

Segundo o comunicado oficial, os temas têm “a finalidade de enriquecer o conhecimento recíproco, refletir à luz de um leque alargado de experiências, estreitar parcerias, e construir novas pontes de cooperação universitária entre os países de Língua Portuguesa”.

–– “O ensino para melhorar a qualidade de vida” ––
Em entrevista à imprensa, a presidente do Forges, Luísa Cedeira, disse que “as instituições de ensino superior, por serem pilares para o desenvolvimento sustentável de qualquer país, devem dar resposta aos desafios que são impostas pela própria sociedade, apostando cada vez mais num ensino com qualidade e responsabilidade”.

“A conferência constitui um espaço de debate científico e tecnológico para criação de oportunidades para a otimização de valências das áreas de ensino, que vão ajudar a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos da província e do país”, disse então, uma das palestrantes em Lubango, a vice-governadora para o Setor Político e Social da Província de Huíla, Maria João Chipalavela.

“Numa altura em que os Estados no mundo trabalham para combater a pobreza, os países devem empenhar-se em garantir um ensino superior de qualidade e relevante, pois que somente com uma economia baseada no conhecimento poderemos melhorar, cada vez mais, a qualidade de vida das populações”, disse o vice-ministro da Educação de Moçambique, Arlindo Chilundo.

Para a apresentação dos temas, a Forges convidou cerca de 120 gestores, docentes e investigadores de instituições do ensino superior de Angola, Portugal, Brasil, Cabo Verde e Moçambique, bem como de Macau, na China.

A 1ª. Conferência do Forges foi realizada em 2011, na Universidade de Coimbra e na Universidade de Lisboa; a de 2012, no Instituto Politécnico de Macau, na China; e em 2013, na Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, nordeste do Brasil.   :::

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Clique aqui para aceder ao sítio oficial da 4ª Conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges) – de 19 a 21 de novembro de 2014 – Luanda e Lubango, Angola.

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–– Extraído da Agência AngolaPress ––

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Programa brasileiro ensina Português para Estrangeiros e outras seis línguas

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 21 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Do Ministério da Educação do Brasil (Brasília, Brasil)
17 de novembro de 2014

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:::  O Ministério da Educação brasileiro lançou programa que oferece pela Internet aulas de Português para Estrangeiros, além de inglês, francês, espanhol, italiano, japonês e chinês mandarim.  :::

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O Ministério da Educação do Brasil lançou nesta segunda-feira, 17 de novembro, o programa Idiomas Sem Fronteiras voltado para a formação e a capacitação de estudantes, professores e corpo técnico-administrativo de instituições de educação superior e de professores de idiomas da rede pública de educação básica.

O programa é direcionado aos estudantes e professores que precisam melhorar a proficiência em línguas como inglês, francês, espanhol, italiano, japonês, chinês mandarim, alemão e Português para Estrangeiros.

A iniciativa, complementar ao Ciência Sem Fronteiras e às demais políticas públicas de internacionalização, vai dar bolsas de estudos aos estudantes e professores que queiram estudar línguas.

Serão publicados editais específicos para cada idioma, com os requisitos a serem preenchidos para a participação nos diferentes cursos e testes ofertados. As aulas são presenciais e pela Internet.

Para a execução do programa, poderão ser firmados convênios entre o governo e entidades privadas. Também poderão ser utilizadas parcerias já firmadas no programa Ciência Sem Fronteiras e de outros programas do governo brasileiro voltados à cooperação internacional na educação superior.

“As parcerias entre instituições de ensino superior estrangeiras e brasileiras deverão ser estimuladas, permitindo o intercâmbio de estudantes, professores e corpo técnico-administrativo, com foco no ensino de línguas no Brasil e de Língua Portuguesa no exterior”, diz o comunicado do Ministério da Educação.

Desde 2013, têm sido publicados editais para cursos de língua inglesa, no âmbito do programa pioneiro Inglês Sem Fronteiras. Atualmente, estão abertas as inscrições para o exame TOEFL-ITP (Test of English as a Foreign Language/Institutional Testing Program) e para o curso pela Internet My English Online. Ainda para o mês de novembro, está previsto o início das inscrições para cursos on-line (em linha) de francês.

–– Para universitários e para professores até da educação básica ––
O programa atenderá professores, técnicos e alunos de graduação e pós-graduação (stricto sensu) das instituições de educação superior, públicas e particulares, com regras específicas para a participação em cada uma das ações que integram o Idiomas Sem Fronteiras.

Professores de idiomas da rede pública da educação básica também serão beneficiados por ações do programa com lançamento de editais próprios. Além disso, o programa irá capacitar professores e estudantes universitários no exterior para a aprendizagem da Língua Portuguesa.  :::

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–– Extraído do Ministério da Educação do Brasil (Brasília, Brasil) ––

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Programa pan-americano da OEA concede bolsas de mestrado e doutorado no Brasil

In Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 16 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Da Organização dos Estados Americanos (Washington, EUA)
11 de novembro de 2014

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A Organização dos Estados Americanos (OEA), o Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB) e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), com o apoio da Divisão de Temas Educacionais do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, publicaram na terça-feira, 11 de novembro, uma lista com mais de 450 candidatos selecionados para receber bolsas de estudo do Programa de Alianças para a Educação e a Capacitação (PAEC) OEA-GCUB 2014.

Os candidatos selecionados vêm de 26 países membros da OEA e, a começar no primeiro ou no segundo semestre de 2015, estarão em programas de estudos de mestrado ou de doutorado em uma das 46 universidades brasileiras participantes.

As bolsas a serem destinadas para os primeiros 125 candidatos selecionados abrangem os custos de inscrição, mais uma bolsa mensal para as despesas pessoais, outra para aprendizagem da Língua Portuguesa nas universidades de destino e um subsídio único para despesas de deslocamento.

Para esta quarta edição do programa, cerca de 75 bolsas de estudo serão oferecidas especificamente a estudantes na área da saúde, como resultado de acordo assinado entre a OEA e a OPAS em fevereiro de 2014.

Desde a primeira edição até a atual, o programa entregou cerca de mil bolsas de estudo para estudos de mestrado e de doutorado em mais de 50 universidades. De 2005 até hoje, o número anual de bolsas de estudo concedidas pela OEA mais que triplicou, de 570 para 1.855.

O programa de bolsas OEA-GCUB 2014 é um dos maiores e mais importantes da OEA. Esta iniciativa visa integrar ainda mais as universidades brasileiras com os demais países da região, bem como estimular o intercâmbio científico e cultural, a internacionalização e mobilização dos estudantes das Américas e a promoção do desenvolvimento humano.

O Comité Consultivo de Avaliação do PAEC OEA-GCUB, composto por professores de alto nível de universidades de diferentes regiões do Brasil, reuniu-se na sede da OEA em Washington, Estados Unidos da América, entre 27 e 31 de outubro para avaliar e classificar as milhares de solicitações recebidas e para selecionar os bolsistas.

A Comissão tomou a decisão final a considerar os critérios de distribuição geográfica ampla e equitativa para o benefício de todos os Estados membros da OEA, assim como as maiores necessidades das economias menores e relativamente menos desenvolvidas, com especial atenção aos que vêm de países com baixos Índices de Desenvolvimento Humano, segundo critérios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), assim como à diversidade de gênero e ao impacto potencial do candidato quando retornar ao país de origem.

A sessão de abertura da Comissão em Washington contou com a presença do representante interino do Brasil junto à OEA, Breno Dias da Costa; da secretária executiva para o Desenvolvimento Integral da OEA, a norte-americana Sherry Tross; da diretora do Departamento de Desenvolvimento Humano, Educação e Emprego da OEA, Marie Levens, do Suriname; da diretora executiva do GCUB, Rossana Valéria de Souza e Silva; e da assessora de Pesquisas sobre Promoção e Fortalecimento de Sistemas de Saúde da OPAS, Eleana C. Villanueva, do Peru.  :::

Mais informações neste sítio da Organização dos Estados Americanos (em espanhol) do Programa de Alianças para a Educação e a Capacitação OEA-GCUB 2014.

• Organização dos Estados Americanos:
<http://www.oas.org/pt>

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–– Extraído da Organização dos Estados Americanos (Washington, EUA) ––

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Técnicos angolanos vão elaborar Atlas Linguístico de Angola

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 10 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Da Agência Lusa
7 de novembro de 2014

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O Instituto de Línguas Nacionais de Angola anunciou que já estão a ser treinados técnicos angolanos para a produção do Atlas Linguístico de Angola.

O diretor-geral do instituto, José Domingos Pedro, declarou que, no dia 11 de novembro, o grupo estará na província do Uíge, para dar continuidade aos trabalhos de formação e recolha de elementos, igualmente realizados nas províncias de Cabinda, Cuanza Sul, Huíla e Cunene.

Um despacho do Ministério da Cultura de Angola autoriza a contratação de investigadores nacionais e estrangeiros para a elaboração do Atlas Linguístico de Angola. Este insere-se no Projeto de Investigação sobre o “Mapeamento Linguístico de Angola”, previsto no Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2017.

De acordo com José Domingos Pedro, o país não tem especialistas de mapeamento linguístico, havendo necessidade de se recorrer a investigadores estrangeiros para apurar quantas línguas existem e o número de variantes.

“Este trabalho visa ajudar sobretudo o Ministério da Educação na política de inserção das línguas nacionais no ensino, agora mais fácil com o resultado do censo populacional”, frisou.

O português é a Língua oficial da República de Angola, mas existem ainda quase duas dezenas de línguas nacionais, estando já oficializadas seis: casos do umbundu (ou ovimbundo), kimbundu (ou quimbundo), kikongo (ou quicongo), tchókwe, oxikwanhama (ou cuanhama) e mbunda.

Além destas, o nganguela (ou ganguela), oxiherero (ou herero), nyaneka (ou nhianeca) e várias outras aguardam pela atribuição do mesmo estatuto, como línguas nacionais.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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Seminário Internacional Diálogo Índia-Brasil II na Universidade do Estado do Rio de Janeiro

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 5 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Do Programa de Estudos Indianos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, Brasil)
5 de novembro de 2014

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Entre os dias 5 e 7 de novembro, será realizado no Rio de Janeiro o Seminário Internacional Diálogo Índia-Brasil II. O evento é uma iniciativa do Programa de Estudos Indianos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

O objetivo do seminário é fortalecer a integração acadêmica entre Índia e Brasil. O evento atende às necessidades advindas do surgimento do bloco de nações do BRICS – acrônimo que representa as cinco principais nações emergentes do mundo: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que reúnem 40% da população mundial e tiveram rápida expansão econômica nos últimos anos.

O evento sobre as relações entre Brasil e Índia também remete ao Congresso Internacional Índia e o Mercado Lusófono ocorrido em Panjim, capital do Estado de Goa, em 14 e 15 de janeiro deste ano, com maior foco comercial. E realça o importante legado histórico de relações de mais de 500 anos entre a Índia e o mundo lusófono, bem como a importância da preservação da Língua Portuguesa como marca da identidade cultural de Goa.

“O estabelecimento de elos acadêmicos entre os dois países é importante para a produção de conhecimento capaz de sustentar a comum demanda de ambas as sociedades: um desenvolvimento social, econômico e político equilibrado e consistente”, diz o comunicado da página oficial do evento da UERJ.

“Acreditamos que o Seminário Internacional Diálogo Índia-Brasil II será importante para o estreitamento dos laços entre Brasil e Índia e para a ampliação dos horizontes acadêmicos em diversas áreas no Rio de Janeiro, realçando a importância da Índia no mundo contemporâneo e a nossa capacidade em pensar, produzir e aprender em colaboração e entendimento com os pesquisadores indianos”, conclui o comunicado.

O evento, a ser realizado no câmpus Francisco Negrão de Lima, da UERJ, é voltado a estudantes de graduação e pós-graduação e Profissionais ligados às relações entre Brasil e Índia.

–– A programação do Seminário Índia-Brasil no Rio de Janeiro ––
O evento conta com a abertura a ser feita pelo Embaixador da Índia em Brasília, Ashok Tomar, e com o representante do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Renato Flores.

Na quinta-feira, 6 de novembro, duas comunicações sobre as relações Brasil-Índia: um balanço das relações comerciais, na comunicação de Leonardo Ananda Gomes (da Câmara de Comércio Brasil-Índia) e de Leane Naidin (da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-RJ); e sobre o quadro atual das relações gerais binacionais, na comunicação de Aparajita Gangopadhyay (da Universidade de Goa) e Adriana Abdenur (da PUC-RJ).

E na sexta-feira, destaca-se a comunicação sobre novas perspectivas das abordagens de Goa com o mundo lusófono, a ser feita por Célia Tavares (da UERJ) e Patrícia Souza de Faria (da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro). E a comunicação sobre a integração acadêmica entre o Brasil e a Índia, a ser feita por Amit Bhaya (da Universidade Federal do Rio de Janeiro).

No final da conferência, ocorrerá no local a reunião do conselho acadêmico do Programa de Estudos Indianos da UERJ.

O Seminário Internacional Diálogo Índia-Brasil II é uma sequência do seminário com o mesmo tema, que teve lugar em Goa, em 2011, a cargo do Centro para os Estudos Latino-Americanos e Internacionais, na Universidade de Goa.  :::

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Clique aqui para ter acesso à programação do Seminário Internacional Diálogo Índia-Brasil II – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro, Brasil.

• Programa de Estudos Indianos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro:
<http://www.peind.org/>

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–– Extraído do Programa de Estudos Indianos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, Brasil) ––

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