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Oportunidades e proximidade cultural atraem brasileiros para Angola

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 29 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Michèlle Canes
da Agência Brasil
28 de dezembro de 2014

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Localizada na região ocidental da África, Angola tem 18 milhões de habitantes, de acordo com a embaixada do país no Brasil. Com a história marcada por uma longa guerra civil, os angolanos conheceram a paz em 2002 e precisaram reconstruir o país.

Apesar das dificuldades, muitos brasileiros veem o país como um lugar acolhedor e que oferece boas oportunidades. Hoje, aproximadamente 30 mil brasileiros vivem no país africano, segundo a Embaixada do Brasil em Luanda, capital angolana. O fator que mais atrai brasileiros é o trabalho.

“Hoje a gente tem pessoas em todas as áreas. Desde cabeleireiros, manicures a engenheiros, pessoal de música. Tudo. Fora a mão de obra mais específica para a construção civil, para a área do petróleo”, conta o fotógrafo Sérgio Guerra, que vive há 17 anos no país.

“Inicialmente foi o trabalho que me atraiu. Aqui, a gente consegue entender a sociedade [angolana], as demandas da população.” Sérgio viajou por todo o país e conheceu pessoas e realidades diferentes durante o período de guerra civil. “E isso foi me aproximando do país, da cultura, das pessoas. Eu, que já vinha da Bahia, com uma referência de África muito forte, só fui confirmando essa estreiteza de afinidades.”

–– “Grande significado e respeito” para o professor em Angola ––
O professor e especialista em marketing [análise de mercados] Cláudio de Holanda Santos também foi a Angola para trabalhar, e acabou se apaixonando pelo país. Em Angola há 12 anos, ele conta que chegou logo depois do fim dos conflitos para trabalhar como coordenador de um projeto de reinserção social de ex-militares por meio de formação profissional. O projeto, que contava com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, ajudou na formação de 38 mil ex-militares.

O resultado do trabalho rendeu novas oportunidades, e o administrador ajudou também a fundar a Escola Nacional de Administração, um trabalho conjunto com o governo local e a Fundação Getúlio Vargas [do Brasil].

Ele lembra que um dos pontos que chamam a atenção, mesmo depois de tanto tempo, é o interesse da população angolana pelo desenvolvimento. “Aqui, uma necessidade deles é aprender. O professor passa a ter um papel com grande significado e respeito. Isso me deixou apaixonado, e é a razão de estar aqui até hoje.”

Cláudio também destaca a aposta do país no investimento em educação. “Eles sabem que não basta ter informação: é importante ter o conhecimento. Muitos estrangeiros estão explorando várias áreas, e o angolano precisava ter condições de tocar o seu país. Por isso, eles estão mandando vários jovens angolanos para toda parte do mundo para aprender.”

–– “Tem muita coisa parecida” ––
A cultura, as belas praias e a alegria do povo são pontos de destaque entre as semelhanças entre o Brasil e Angola. Milena Vieira chegou ao país há sete anos para prestar assessoria na área de saúde.

Hoje, a enfermeira virou empresária. “Eu não tive dificuldade nenhuma de adaptação. Morei na Bahia e no Rio de Janeiro, e vejo que aqui, na capital, tem muita coisa parecida. Quando eu estou no Rio de Janeiro, até brinco dizendo que parece que estou em Luanda. Tem muita coisa parecida.”

Por ser um país em reconstrução, as oportunidades surgem a todo o momento. “Eu via que faltava tudo no país. Tinha muita coisa a ser trabalhada. E me chamou a atenção uma vez que eu precisei fazer um carimbo, e o custo era muito alto”, conta Milena. A necessidade virou negócio. Hoje ela vende carimbos e chaves.

–– Cidades inteiras a ser construídas do zero ––
Cláudio destaca que, com o acordo de paz de 2002, o país passou a ter que construir tudo que havia sido destruído pela guerra. “Estão começando as indústrias agora. Estão começando os serviços agora. Tudo está começando.”

A área de construção é uma das que mais chamam a atenção. Sérgio diz que o nível de crescimento do país é grande e que, nos últimos sete anos, novas cidades foram construídas do zero. “São cidades inteiras com edifícios e estrutura urbana, todas feitas nos últimos oito anos, sete anos. São essas possibilidades que dão oportunidades aos brasileiros e às empresas brasileiras.”

–– Angola ainda tem muito a crescer ––
Apesar das oportunidades, as dificuldades ainda são muitas. Brasileiros que vivem no país ressaltam que é possível perceber a melhora na estrutura de Angola, mas que ainda há muito a ser feito. “Problemas básicos. Ninguém consegue se livrar dos geradores, dos problemas com água. Ainda temos muitos problemas com abastecimento”, afirma Sérgio Guerra.

Custo de vida alto, falta de lazer, engarrafamentos e problemas sociais decorrentes da guerra também são constantes na vida dos angolanos. Para os brasileiros, o país ainda tem muito a crescer.

“Viemos com um objetivo: é trabalho mesmo. Ninguém vem para cá desfrutar das belezas naturais, infelizmente, ainda. E acredito que essas coisas devem mudar. Mudou muito. Cinco anos atrás, não tínhamos nada, e mudou bastante. A tendência é que fique melhor com o passar dos anos”, diz Milena.

“Hoje é um país muito diferente daquele que eu conheci. É um país que tem estabilidade econômica, a inflação está controlada, o país tem comprometimento com a institucionalidade, o que abre muitas possibilidades de trabalho e de relações internacionais”, enfatiza Guerra.  :::

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CANES, Michèlle. Oportunidades e proximidade cultural atraem brasileiros para Angola.
Extraído da Agência Brasil.
Publicado em: 28 dez. 2014.

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Língua comum e trabalho fazem angolanos virem para o Brasil

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 28 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Isabela Vieira
da Agência Brasil
26 de dezembro de 2014

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Rio de Janeiro — Bilongo Lando Domingos, 32 anos, é cabeleireiro e há 13 anos mora no Rio de Janeiro. Angelina Sissa João, 26 anos, é estudante e desembarcou há dois anos na cidade para estudar marketing [análise de mercados]. Cabingano Manuel é jornalista, com especialização em administração, e chegou há quatro anos para trabalhar como correspondente de uma emissora de TV. Todos são angolanos e escolheram o Brasil em busca de melhores condições de vida e de oportunidades profissionais.

De acordo com o Ministério da Justiça brasileiro, vivem no Brasil cerca de 12,5 mil angolanos, sendo 3,7 mil residentes. Boa parte chegou ao Rio e a São Paulo durante a guerra civil naquele país, entre 1990 e o início de 2000, quando o Brasil concedia refúgio àqueles que deixavam o país. É o caso de Bilongo, que saiu de Luanda, capital de Angola, para não ser recrutado.

“Eu queria muito sair. O país estava em guerra, e nós, jovens, naquela época com 16 e 17 anos, com porte físico, éramos alvo, no sentido de que as Forças Armadas do país precisavam de jovens para poder lutar, e eu não queria isso. Aquela guerra não valia a pena”, contou Bilongo, que hoje é cabeleireiro especializado em cortes masculinos estilizados, no centro da capital fluminense.

Ele escolheu o Brasil pela Língua e pela proximidade cultural. “Os brasileiros têm muito respeito por nós, se identificam com a música, as cores, o jeito de ser”, lista.

Angelina Sissa veio em busca de qualificação profissional. Incentivada por parentes que estudaram no Rio e voltaram para Angola, ela se matriculou em marketing. “O Brasil tem mais experiência nessa área.” Há dois anos ela estuda em uma universidade particular e mora na Tijuca, na Zona Norte [da Cidade do Rio de Janeiro]. Para Angelina, a escolha pelo Brasil também se deve à proximidade cultural.

“O ambiente aqui é próximo ao de Angola: a maneira de ser [dos brasileiros] não foge muito [do que é em Angola]. São pessoas abertas, que gostam de conversar, simpáticas”, destacou.

Cabingano Manuel chegou para fazer mestrado em comunicação e cursar pós-graduação em administração. De correspondente internacional no continente americano, ele foi alçado a representante da Televisão Pública de Angola (TPA). Jornalista, revelou que conheceu o Brasil dando palestras na Bahia e há quatro anos resolveu vir para morar com a família. “Minha decisão de vir foi primeiramente acadêmica, só depois disso vieram as outras coisas [o trabalho]”, disse.

Manuel também assegura que as semelhanças entre a cultura brasileira e a angolana foram determinantes em sua decisão. “É muito mais prático reencontrar-me, adaptar-me ao Brasil do que a Portugal ou a outro país: as ruas, as pessoas, os hábitos e costumes são muito parecidos aos de Angola e, particularmente, aos de Luanda”, revelou. Entre seus programas favoritos de fim de semana, estão caminhar na Praia de Copacabana e visitar pontos turísticos.

–– “O acolhimento pelo Brasil deu certo” ––
A facilidade de se comunicar – os dois países têm a Língua Portuguesa como idioma oficial – ajudou a atrair os imigrantes, diz Luiz Fernando Godinho, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) –(*)–. Por causa da guerra, o Brasil chegou a receber cerca de 1,7 mil angolanos e, durante muitos anos, eles foram o maior grupo de refugiados no país.

“Essa população [de refugiados no Brasil] foi diminuindo. Hoje, os angolanos são o terceiro maior grupo, entre os cerca de 7,2 mil refugiados, de 80 nacionalidades. A maioria é formada de pessoas vindas da Síria [1,2 mil] e da Colômbia [1 mil]”, informou Godinho. O número de angolanos com refúgio – que atualmente está em 873 – tende a cair mais, uma vez que eles têm trocado essa condição pela residência.

O porta-voz da ACNUR conta que, com o fim da concessão de refúgio, o Brasil fez um programa de repatriação para permitir a volta dos refugiados ao país africano, mas que nenhum angolano se inscreveu. “É um sinal de que o Brasil cumpriu bem seu papel de receber, de fornecer meios para reconstruir a vida e se integrar”, avaliou. “O acolhimento pelo país deu certo.”  :::

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–– Nota: ––
–(*)–  O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) é o órgão das Nações Unidas encarregado de garantir proteção e segurança a refugiados e expatriados de todo o mundo. A sede do órgão localiza-se em Genebra, Suíça, e é presidido pelo antigo primeiro-ministro da República Portuguesa, António Guterres.

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VIEIRA, Isabela. Facilidade com Língua e vagas de trabalho fazem angolanos virem para o Brasil.
Extraído da Agência Brasil.
Publicado em: 26 dez. 2014.

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A diversidade nas palavras e sotaques de uma Língua cada vez mais integrada

In Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 13 de Dezembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , , ,

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A Língua Portuguesa é dos poucos idiomas que têm caráter internacional e uso oficial nos cinco continentes. Abrange vasta área geográfica ao redor do mundo e convive com as mais diversas realidades culturais.

Desde o período das Grandes Navegações portuguesas dos séculos XV e XVI, a Língua Portuguesa foi levada para os locais mais remotos do mundo e serviu como canal de comunicação entre culturas distintas. O resultado disso é o facto de ser enriquecida com grande vocabulário e sotaques diversos que dão características locais à Língua em cada região onde é falada.

E, por conseguinte, a “Língua filha ilustre do Latim” fortalece a sua identidade transcultural, como uma Língua de expressão mundial. Mas, ainda assim, é importante que iniciativas sejam dadas para a sua expansão, como o Acordo Ortográfico de 1990 que uniformiza as regras de escrita da Língua Portuguesa em todo o mundo.

A implantação do Acordo permitirá a troca entre os países de materiais escritos na mesma Língua e facilitará o aprendizado da Língua no exterior e a sua adoção por organismos internacionais.

A seguir, uma reportagem da Agência Brasil sobre a variedade do vocabulário da Língua Portuguesa, os aspectos locais que a Língua assume em cada país e a importância da promoção do ensino da Língua e das novas regras internacionais de ortografia.  :::

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–– Regionalismos distinguem português brasileiro do africano ––

Da Agência Brasil

:::  Termos e modo de falar dos países de Língua Portuguesa apresentam variações e enriquecem o idioma tornando-o mais diversificado.  :::

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Camba? Kumbu? Kota? Você pode não saber, mas essas são palavras da língua portuguesa faladas em Angola, país da costa sudoeste da África colonizado por portugueses. Esses são termos usados para designar, respectivamente, “amigo”, “dinheiro” e “pessoa mais velha e respeitável”, e são uma pequena amostra de como a Língua Portuguesa tem variações que podem torná-la incompreensível até mesmo para seus falantes.

Há também casos de palavras que existem no português brasileiro e que podem gerar confusão em uma conversa com um angolano. “Geleira”, por exemplo, que no Brasil significa uma grande massa de gelo formada em lugares frios, em Angola, significa “geladeira”.

Angola é apenas um dos oito países –(1)– de Língua Portuguesa espalhados pelo globo. Além do Brasil, de Portugal e de Angola, o português é a Língua nacional de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de Moçambique, São Tomé e Príncipe e do Timor-Leste, localizado no arquipélago indonésio, entre a Ásia e a Oceania.

Cada lugar tem um falar distinto, que torna o português, assim como outras línguas globais, um idioma rico e diversificado. Em alguns países, o português apresenta variações de sotaque e vocabulário, como é o caso das diferenças na forma de se expressar dos falantes do Nordeste, Sul e Sudeste do país [do Brasil].

O escritor e linguista Marcos Bagno, professor do Instituto de Letras da Universidade de Brasília, explica que a Língua Portuguesa foi levada para vários lugares do mundo por meio das conquistas marítimas de Portugal. Aos poucos, essa Língua foi assumindo características próprias em cada comunidade.

“O que ainda nos mantém mais ou menos em contato fácil é a Língua escrita formal, que é mais conservadora e tenta neutralizar as diferenças entre os modos de falar característicos de cada país”, destacou. “Faço parte de um grupo cada vez maior de pesquisadores que afirmam que, sim, o português brasileiro é uma Língua diferente do português europeu, depois de mais de 500 anos de divergência.”

–– Acordo Ortográfico e expansão da Língua no mundo ––
Recentemente, houve um movimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para aproximar a escrita desses países. O resultado foi a assinatura de um Acordo internacional para a implantação de uma ortografia unificada –(2)–. Todos os oito países assinaram e sete deles já ratificaram o documento. Apenas em Angola, o Acordo encontra barreiras políticas.

Segundo o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Gilvan Müller de Oliveira, que foi diretor-executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) da CPLP por quatro anos (entre 2010 e 2014), o Acordo Ortográfico, o aumento do fluxo de pessoas entre esses países e a expansão do sistema educacional dos países da África e do Timor-Leste deverão ajudar no crescimento do número de falantes.

“Nesses países, uma parte muito grande da população não é falante do português. Eles falam outras línguas. Em Moçambique hoje, 50% da população não falam português. O português passa por um período de crescimento importante, porque finalmente esses países terminaram suas guerras civis, o sistema de ensino foi reestruturado e também os meios de comunicação. Pela previsão das Nações Unidas, todos os cidadãos falarão português nesses países a partir de 2050”, disse Müller.  :::

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–– Notas: ––
–(1)–  Atualmente, são nove os países que tem como Língua oficial o português: em 2011, a Guiné Equatorial adotou o português como uma das Línguas oficiais ao lado do espanhol e do francês.

–(2)–  Trata-se do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que foi elaborado em Lisboa em 16 de dezembro de 1990 e que unifica as regras de escrita da Língua em todo o mundo.

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–– Extraído da Agência Brasil ––

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Angola: Acordo Ortográfico deve respeitar realidade cultural dos países lusófonos

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade on 28 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência AngolaPress
26 de novembro de 2014

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A coordenadora da Comissão Nacional angolana do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, Ana Paula Henriques, considerou em Luanda que a implementação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 deve respeitar aspectos ligados à realidade cultural e linguística dos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Ana Paula Henriques, que falava na habitual Maka à Quarta-feira, promovida pela União dos Escritores Angolanos (UEA), afirmou ainda que o Acordo Ortográfico – elaborado em Lisboa em 16 de dezembro de 1990 e que foi ratificado pela maioria dos países da Comunidade – “não inclui o vocabulário de todos os vários países membros, e esta situação dificulta a implementação que desejam ver a seu termo linguístico”.

Segundo ela, o Acordo de 1990 “utiliza terminologia e escritas apenas de Portugal e do Brasil” – e esta é uma “situação que preocupa, sobretudo Angola, por não ver os seus termos nesta retificação, sendo que o mesmo [Acordo] tem o propósito de servir todos os países de Língua Portuguesa”.

A coordenadora, que orientou a palestra sobre o Acordo Ortográfico, considerou que as novas regras devem entrar em vigor em Angola à medida que o país “ver todos os intentos realizados, sobretudo, a uniformidade em todos os países da Comunidade”.

Disse que “a edição de manuais, revistas e programas informáticos vem criar uma certa dificuldade para aqueles que ainda não retificaram o Acordo”. Contudo, fez saber que as Comissões Nacionais do IILP “trabalham para que haja um meio termo para esta questão”.

Ana Paula Henriques acrescentou que “para a entrada em vigor deste Acordo no país, é necessário uma formação dos profissionais de educação, a troca do material educativo e de trabalho e a divulgação desta retificação e as suas vantagens”.

O evento Maka à Quarta-Feira, realizado na sede da UEA, contou com a participação de académicos, escritores, estudiosos da Língua Portuguesa, estudantes e jornalistas.  :::

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–– Extraído da Agência AngolaPress ––

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Angola: 4ª. Conferência do Fórum do Ensino Superior em Luanda e Lubango

In Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 26 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência AngolaPress

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Académicos dos países e regiões do mundo de Língua Portuguesa participaram, em Angola, da 4ª Conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges), ocorrida entre os dias 19 e 21 de novembro de 2014.

A conferência foi realizada com o seguinte tema: A expansão do ensino superior nos Países de Língua Portuguesa, estratégias, qualidade e avaliação. Os eventos dos dois primeiros dias foram realizados na cidade do Lubango, e os do último dia na capital de Angola, Luanda.

A 4ª. Conferência do Forges foi coorganizada pela Universidade Agostinho Neto, de Luanda, pela Universidade Mandume Ya Ndemufayo, de Lubango, e conta com o patrocínio do Ministério do Ensino Superior da República de Angola.

Segundo comunicado oficial do Forges, o evento se reveste “de capital interesse e relevância para as instituições do ensino superior destes países e regiões, tanto pelo seu caráter inovador como pelo valor dos temas colocados a reflexão e debate pelos participantes”.

De acordo com o comunicado, a organização da conferência “propõe-se contribuir para a reflexão sobre o modo como o ensino superior se tem afirmado, se afirma, e deverá continuar a melhorar para se afirmar, como essencial para o desenvolvimento dos países e regiões”.

“Os decisores da política educativa, membros dos órgãos de gestão das instituições universitárias, administradores, docentes e investigadores são chamados a refletir e debater alguns dos principais temas estruturantes do ensino superior, nos países e regiões da Língua Portuguesa”, afirma o texto alusivo à conferência.

A agenda foi constituída da abordagem de cinco subtemas: “A importância do Ensino Superior no desenvolvimento dos países e regiões”, “O financiamento e expansão do Ensino Superior”, “A tecnologia e a inovação: redes de cooperação”, “A avaliação do Ensino Superior: modalidades e tendências”, e “Os sistemas de garantia da qualidade no Ensino Superior”.

Segundo o comunicado oficial, os temas têm “a finalidade de enriquecer o conhecimento recíproco, refletir à luz de um leque alargado de experiências, estreitar parcerias, e construir novas pontes de cooperação universitária entre os países de Língua Portuguesa”.

–– “O ensino para melhorar a qualidade de vida” ––
Em entrevista à imprensa, a presidente do Forges, Luísa Cedeira, disse que “as instituições de ensino superior, por serem pilares para o desenvolvimento sustentável de qualquer país, devem dar resposta aos desafios que são impostas pela própria sociedade, apostando cada vez mais num ensino com qualidade e responsabilidade”.

“A conferência constitui um espaço de debate científico e tecnológico para criação de oportunidades para a otimização de valências das áreas de ensino, que vão ajudar a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos da província e do país”, disse então, uma das palestrantes em Lubango, a vice-governadora para o Setor Político e Social da Província de Huíla, Maria João Chipalavela.

“Numa altura em que os Estados no mundo trabalham para combater a pobreza, os países devem empenhar-se em garantir um ensino superior de qualidade e relevante, pois que somente com uma economia baseada no conhecimento poderemos melhorar, cada vez mais, a qualidade de vida das populações”, disse o vice-ministro da Educação de Moçambique, Arlindo Chilundo.

Para a apresentação dos temas, a Forges convidou cerca de 120 gestores, docentes e investigadores de instituições do ensino superior de Angola, Portugal, Brasil, Cabo Verde e Moçambique, bem como de Macau, na China.

A 1ª. Conferência do Forges foi realizada em 2011, na Universidade de Coimbra e na Universidade de Lisboa; a de 2012, no Instituto Politécnico de Macau, na China; e em 2013, na Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, nordeste do Brasil.   :::

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Clique aqui para aceder ao sítio oficial da 4ª Conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges) – de 19 a 21 de novembro de 2014 – Luanda e Lubango, Angola.

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–– Extraído da Agência AngolaPress ––

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Técnicos angolanos vão elaborar Atlas Linguístico de Angola

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 10 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Da Agência Lusa
7 de novembro de 2014

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O Instituto de Línguas Nacionais de Angola anunciou que já estão a ser treinados técnicos angolanos para a produção do Atlas Linguístico de Angola.

O diretor-geral do instituto, José Domingos Pedro, declarou que, no dia 11 de novembro, o grupo estará na província do Uíge, para dar continuidade aos trabalhos de formação e recolha de elementos, igualmente realizados nas províncias de Cabinda, Cuanza Sul, Huíla e Cunene.

Um despacho do Ministério da Cultura de Angola autoriza a contratação de investigadores nacionais e estrangeiros para a elaboração do Atlas Linguístico de Angola. Este insere-se no Projeto de Investigação sobre o “Mapeamento Linguístico de Angola”, previsto no Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2017.

De acordo com José Domingos Pedro, o país não tem especialistas de mapeamento linguístico, havendo necessidade de se recorrer a investigadores estrangeiros para apurar quantas línguas existem e o número de variantes.

“Este trabalho visa ajudar sobretudo o Ministério da Educação na política de inserção das línguas nacionais no ensino, agora mais fácil com o resultado do censo populacional”, frisou.

O português é a Língua oficial da República de Angola, mas existem ainda quase duas dezenas de línguas nacionais, estando já oficializadas seis: casos do umbundu (ou ovimbundo), kimbundu (ou quimbundo), kikongo (ou quicongo), tchókwe, oxikwanhama (ou cuanhama) e mbunda.

Além destas, o nganguela (ou ganguela), oxiherero (ou herero), nyaneka (ou nhianeca) e várias outras aguardam pela atribuição do mesmo estatuto, como línguas nacionais.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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A demanda pelo português como Língua oficial da Organização Mundial das Alfândegas

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 4 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Extraído da Agência Lusa
3 de outubro de 2014

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As direções alfandegárias da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) querem que o português seja uma dos idiomas oficiais da Organização Mundial das Alfândegas (OMA).

A OMA, entidade que reúne 179 países, conta atualmente com o inglês e o francês como línguas oficiais, sendo utilizados ainda o espanhol, o russo e o árabe como línguas de trabalho.

Reunidos até sexta-feira, dia 7 de outubro, em Luanda, os diretores das Alfândegas da CPLP assumem como pretensão acrescentar a Língua Portuguesa a esta lista, face à preponderância crescente da Língua e dos países daquela organização.

“Os passos que foram dados em relação ao português já são significativos. Isto porque no Conselho da OMA, que é o órgão mais importante em termos de reuniões, já é possível falar e ouvir em português desde 2012”, explicou à Agência Lusa o secretário-geral do Conselho de Diretores Gerais das Alfândegas da CPLP, o português Francisco Curinha.

O responsável falava à margem da cerimónia de abertura da 29.ª Reunião de Cooperação Multilateral do Conselho dos Diretores Gerais das Alfândegas da CPLP, a decorrer na capital angolana.

Um membro escolhido pela CPLP integra as reuniões do Conselho da OMA, órgão que define políticas e regras internacionais na área aduaneira. Esse papel foi assegurado por dois representantes de Moçambique e um de Angola nos últimos três anos.

Contudo, para o secretário-geral do Conselho de Diretores Gerais das Alfândegas da CPLP, definir o português como Língua oficial continua a ser o objetivo deste grupo setorial, cuja génese remonta a 1983.

“Será sempre difícil, mas não vamos desistir, como é óbvio. Isso significaria que todos os nossos instrumentos de trabalho estariam em português, uma réplica total de todos os instrumentos de trabalho da OMA”, sublinhou Francisco Curinha.

De acordo com a organização desta reunião, a cargo de Angola, o encontro das Alfândegas visa a análise do Programa Integrado de Cooperação e Assistência Técnica entre os países da CPLP e a “tomada de decisões sobre projetos comuns”, dando “continuidade à cooperação aduaneira” entre os países daquela comunidade.

A cooperação aduaneira ao nível da CPLP centra-se na troca de informações, na capacitação dos recursos humanos e na harmonização de políticas e procedimentos, além do combate à fraude fiscal e aduaneira, recorrendo a Acordos de Assistência Mútua ou ao intercâmbio das melhores práticas entre as diferentes administrações.

Participam no encontro de Luanda diretores e representantes das Alfândegas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, além da estreia de uma representação da Guiné Equatorial, que em julho, na Cimeira de Díli, concretizou sua adesão à CPLP.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––