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“Língua e liberdade”: uma jornada de partilha e de reflexão sobre o Português cabo-verdiano

In Defesa da Língua Portuguesa, Lusofonia e Diversidade on 12 de Dezembro de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Da RTC (Cabo Verde) e do IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa
4 de dezembro de 2014

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O tema Língua e Liberdade nomeou a primeira Jornada de Partilha e Reflexão da Língua Portuguesa ocorrida no dia 3 de dezembro de 2014 na cidade da Praia, capital de Cabo Verde.

A reunião foi promovida pelo recém-criado Instituto de Línguas e Protocolos Executivos (ILPE), com o apoio da Casa Verbo e Edições, e teve como meta identificar os desvios que afetam os níveis académicos e profissionais quanto à expressão da Língua falada e escrita no país.

Professores de diferentes níveis de ensino, académicos, estudantes e autoridades da área de educação e cultura, jornalistas, e profissionais de outros sectores reuniram-se para debater o estado da Língua Portuguesa de Cabo Verde.

“Nós pretendemos fazer uma reflexão para além da sala de aula, para além dos nossos organismos institucionais”, disse Augusta Évora Teixeira, coordenadora da Casa Verbo, em entrevista à TVC, a televisão pública de Cabo Verde.

“Somos professores de formação. Então, o objetivo é partilhar, refletir sobre as preocupações que nós temos enquanto falantes e enquanto profissionais da Língua para ver se conseguimos dialogar, porque, como acabou de acontecer aqui, as propostas do Ensino Primário são diferentes das do Ensino Secundário e as propostas do Ensino Superior são diferentes das outras, mas há um ponto em comum em que há uma falta nos três níveis.”

Os promotores da jornada contaram com um debate entre os participantes, de modo a obter propostas de melhoria em todas as vertentes do ensino, como um investimento para uma maior destreza linguística dos cabo-verdianos a médio e longo prazos.

–– “Há falta de oportunidade de praticar a Língua oral” ––
A especialista apontou ainda riscos para a Língua Portuguesa no país, sobretudo quanto à falta de separação de usos linguísticos entre o português e as formas do crioulo cabo-verdiano.

“As maiores preocupações que são idênticas, que são iguais nos três níveis de ensino, são a falta de leitura e a falta de oportunidade de praticar a Língua oral”, explicou Augusta Teixeira. “A questão dos programas que, principalmente no Ensino Superior, há um programa defasado, há uma ausência de manual didático. E em relação aos meios intelectuais, aos políticos e aos jornalistas –que é a área que eu pesquisei–, também tem dificuldades, como todos os cabo-verdianos têm, mas principalmente na questão que denuncia a falta de prática da Língua oral.”

–– Português como Língua Segunda nas escolas e Plano Nacional de Leitura ––
Durante a jornada, o ILPE apresentou um diagnóstico sobre a Língua a recomendar que se deve ensinar mais cedo o português, que os pais devem assumir a Língua Portuguesa em uma vertente lúdica e que deve ser criado um Plano Nacional de Leitura em Cabo Verde. Tal plano nacional estaria a cargo do Ministério da Educação e da Cultura.

“O estudo mostra claramente que a leitura está em relação a qualquer outras da habilidades, a mais prejudicada. Há uma falta de leitura, mesmo em universitários. Isso –como nós não temos o português no dia a dia em outros ambientes a não ser escolares e oficiais– acaba por prejudicar realmente a competência linguística dos falantes, em relação à fala. Quando não há leitura e há pouca prática da oralidade, há uma deficiência grave. E a escrita, mesmo a parte gráfica, está a ser invadida pela escrita dos chats [o bate-papo da Internet]”, referiu Augusta Teixeira.

Quanto à Língua nas escolas, o ILPE recomendou aos professores uma abordagem mais comunicativa e mais aberta, a priorizar o ensino de Português como Língua Segunda.

A Jornada foi composta por três grandes painéis: “Diagnóstico, Desafios e Perspectivas de Ensino”, “Leitura: uma Sementeira em Terra Boa” e “Património e Memória”, além de outros temas complementares que foram debatidos como “Ensinar as primeiras letras em Cabo Verde” e “A docência da Língua Portuguesa no Ensino Secundário: experiência e desafios”.  :::

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–– Extraído da RTC (Cabo Verde) e do IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa ––

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