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Índia: o dilema linguístico chega ao ensino oficial de Goa

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 1 de Dezembro de 2014 by ronsoar Tagged: , , , ,

Baseado em reportagem do jornal The Times of India (Índia)

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A ministra do Desenvolvimento de Recursos Humanos da Índia, Smriti Irani, em declarações recentes à imprensa, afirmou seu apoio à nova política educacional de ensino trilingue nas escolas oficiais de Ensino Secundário de todo o país.

A nova política das línguas de instrução, conhecida como a “fórmula das três línguas”, foi adotada em 2013 pelo Conselho Central da Educação Secundária, órgão oficial do governo indiano que fiscaliza os estabelecimentos de ensino do país, tanto públicos quanto privados.

A declaração da ministra Irani gerou fortes controvérsias por ter, por exemplo, apoiado a substituição do alemão – uma língua viva, porém, estrangeira – pelo sânscrito – língua antiga da Índia e de uso litúrgico no hinduísmo – como terceira língua de instrução, e não como uma língua estrangeira.

As escolas goesas têm aderido largamente à “fórmula das três línguas”, mas as autoridades do Estado de Goa – antigo território português na Índia – têm ainda dúvidas quanto à determinação de uma terceira língua de instrução para as escolas.

Na maioria das escolas secundárias em Goa, a língua inglesa é ensinada como primeira língua e o hindi – a outra língua oficial da Índia – é a segunda língua de instrução. A partir do 8º ano, as escolas goesas oferecem, como opção de terceira língua, a de maior preferência na região onde se situam: o sânscrito, línguas locais como concani e marata, o urdu, o francês e a Língua Portuguesa.

De acordo com as autoridades do Estado de Goa, a terceira língua mais escolhida pelos estudantes do 8º ao 12º ano é o marata, seguido do concani e do francês. O sânscrito é também uma escolha apreciada no território. O Conselho de Educação Secundária de Goa ainda oferece o alemão como opção de terceira língua, mas não foi escolhida por nenhum estudante secundário nos últimos anos.

–– Faltam professores de português em Goa ––
A escolha da terceira língua entre os estudantes também depende muito da disponibilidade no território de professores nela versados. As autoridades de ensino têm afirmado que há um bom número de professores de concani, marata e francês em Goa, assim como professores de sânscrito.

Para o desfavor da Língua Portuguesa, é pequeno o número de professores na Língua que outrora já foi oficial no território de Goa.

–– Concani, marata e… qual a terceira língua? E o português nisto? ––
A mudança da política das línguas de instrução fez com que Goa tornasse obrigatório o ensino de concani e de marata do 1º ao 10º ano. O objetivo era de manter vivo o ensino das línguas maternas locais. Mas desde então, o Governo do Estado de Goa ainda não revelou detalhes quanto à sua política de ensino trilingue e qual a sua preferência como terceira língua.

Neste ponto, reside o dilema linguístico da educação goesa: se Goa incluir, junto ao concani e ao marata, o inglês como a terceira língua obrigatória, qual será o lugar reservado para o hindi, a outra língua oficial da Índia? Mesmo que haja a adoção obrigatória de concani, marata, hindi e inglês, será que restaria em Goa um fio de esperança para o Ensino de Português?

De acordo com as autoridades locais, há um plano de tornar o ensino do hindi opcional do 8º ano em diante, juntamente com as línguas estrangeiras e com as demais opções de terceira língua, como o português.

Mas tem havido seguidos adiamentos quanto a uma definição de terceira língua obrigatória, e há a impressão de que o Governo goês tome a decisão daqui a 6 ou 7 anos, quando chegar ao 8º ano a primeira leva de crianças que ingressaram na vida escolar com as novas regras do ensino trilingue.

“Também no caso dos conselhos nacionais de ensino, o hindi é obrigatório só até o 8º ano. E Goa poderia adotar a mesma fórmula”, disse um alto funcionário local ao jornal The Times of India.

De acordo com esse mesmo funcionário, as escolas de ensino oficial nacional em Goa tornariam obrigatório o ensino até o 7º ano do concani, do marata e do hindi. Quanto às escolas secundárias goesas, a “fórmula das três línguas” seria mais flexível, a depender do local onde se situa a escola, pois crê-se que não seria medida justa em um país multilingue estabelecer um sistema rígido para todo o seu território.  :::

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Com base em
MALKARNEKAR, Gauree. Goa’s third language remains unclear since new MoI policy.
Extraído do jornal The Times of India (Índia) – seção Goa.
Publicado em: 27 nov. 2014.

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