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Capoeira e cante alentejano são Patrimónios Culturais da Humanidade da UNESCO

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 27 de Novembro de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência Lusa, da Agência Brasil e do Ministério da Cultura do Brasil
27 de novembro de 2014

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Nesta mesma semana de novembro de 2014, a Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu a capoeira, do Brasil, e o cante alentejano, de Portugal, como integrantes da lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

–– A capoeira: arte marcial afro-brasileira ––
A capoeira, uma arte marcial afro-brasileira que ainda engloba dança e música, entrou para a lista do Património Cultural da Humanidade no dia 26 de novembro.

A manifestação cultural “tem raízes africanas que devem ser cada vez mais valorizadas por nós. Agora, é um património a ser conhecido e praticado em todo o mundo”, destacou a ministra interina da Cultura do Brasil, Ana Cristina Wanzeler, que acompanhou a votação em Paris.

A capoeira teria surgido na Bahia, por volta do século XVII, durante o período da colonização portuguesa, enquanto ainda vigorava a escravidão de africanos no Brasil. Ela desenvolveu-se como uma forma de socialização e resistência física e cultural entre os escravos.

As lutas eram proibidas nas senzalas; com isso, os escravos reuniam-se em torno de rodas em campos abertos, com pouca vegetação, chamados de “capoeiras” – daí a origem do nome. Ali puderam realizar movimentos de artes marciais, mas sem contato físico com o adversário e com o embalo de música, o que conferiam à luta ares de dança.

Até hoje, um capoeirista completo deve dominar a musicalidade e saber tocar o berimbau, instrumento típico afro-brasileiro constituído de um arco com uma única corda de metal, que dá o ritmo aos movimentos do jogo de capoeira.

A prática da capoeira foi proibida no Brasil até à década de 1930, por ser considerada perigosa e subversiva, mas em 1937 foi declarada desporto nacional pelo então presidente da República Getúlio Vargas.

O reconhecimento eleva o número de manifestações culturais brasileiras que constam no Património Cultural da Humanidade da UNESCO, que já inclui duas danças: o frevo, dança do carnaval de rua de Recife e Olinda, e o samba de roda do Recôncavo Baiano, além da arte de pintura corporal do povo indígena Kusiwa, do Estado do Amapá, e o Círio de Nazaré, manifestação religiosa típica de Belém, capital do Estado do Pará.

“O reconhecimento representa um tributo à capoeira como manifestação cultural importante, que durante séculos foi criminalizada, além de dar visibilidade internacional. Além disso, reconhece que o Brasil tem políticas públicas para cuidar do seu patrimônio cultural”, disse, em entrevista à imprensa na sede da UNESCO em Paris, Jurema Machado, presidenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), do Ministério da Cultura do Brasil.

–– O cante alentejano: o cantar da terra camponesa ––
E na sexta-feira, 27 de novembro, a UNESCO reconheceu o cante alentejano como parte da lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade. O próprio órgão da ONU havia reconhecido a candidatura do cante alentejano como “exemplar”.

A candidatura do cante alentejano a Património Cultural da Humanidade, explica tratar-se de “um canto coletivo, sem recurso a instrumentos e que incorpora música e poesia”, associado geograficamente ao Baixo Alentejo. “Historicamente, nenhuma informação documental parece provar a existência de canto coral sem instrumentos no Baixo Alentejo antes de 1907”, quando foi formado o Orfeão Popular de Serpa e começaram a surgir grupos corais como existem na atualidade, indica a candidatura enviada à UNESCO em março deste ano.

Ainda de acordo com o texto da candidatura, a origem do cante alentejano, o “(can)to da (te)rra”, era a sua interpretação sobretudo por homens das classes trabalhadoras, “consideradas rurais e camponesas no passado, mas que eram proto-industriais ou industriais, porque trabalhavam na agricultura com máquinas ou em explorações mineiras, como a de Aljustrel, onde, em 1926, foi criado o primeiro grupo coral, Os Mineiros de Aljustrel”.

Segundo a Moda – Associação do Cante Alentejano, o canto a vozes tradicional do Alentejo “nasceu no afã” das longas caminhadas dos trabalhadores do campo entre as aldeias onde moravam e os locais de monda ou ceifa, onde era “forçoso” estar ao nascer do sol.

Em entrevista nesta semana ao jornal digital Observador, Tomé Pires, presidente da Câmara Municipal de Serpa, no Alentejo, disse que a chancela da UNESCO ao cante alentejano podia abrir muitas portas. Ao objetivo de salvaguardar e transmitir o cante, é preciso também “começar a pensar em tornar este ativo cultural num ativo económico, para ajudar a sustentabilidade do cante e o desenvolvimento da nossa região”, disse.

O , que retrata a “ligação umbilical do trabalhador com a terra-mãe”, nasceu entre gentes das planícies, tornou-se a “marca identitária” da cultura do Alentejo e pode tornar-se Património da Humanidade.

Há exatamente três anos, a 27 de novembro de 2011, Portugal celebrou a eleição do fado como Património Cultural Imaterial da Humanidade. E em 2013, a dieta mediterrânica foi escolhida para ingressar na lista, através da candidatura conjunta de Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Croácia, Chipre e Marrocos.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa, da Agência Brasil e do Ministério da Cultura do Brasil ––

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