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Sobre a Casa dos Estudantes do Império: uma homenagem à Lusofonia – Vítor Ramalho

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 25 de Novembro de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , ,

Nascido na então Angola do Ultramar português em 1948, o atual secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), o português Vítor Ramalho, lançou artigo em homenagem à Casa dos Estudantes do Império. O que seria originalmente uma instituição do colonialismo português acabou por tornar-se um dos símbolos da formação da Lusofonia, tal como conhecemos hoje

Criada em 1944, a Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, tinha a função pretendida de instruir os estudantes das colónias portuguesas do então Ultramar dentro da ideologia da ditadura do Estado Novo, de António de Oliveira Salazar (que durou de 1933 a 1974). Porém, a partir do final dos anos 1950, acabou tornando-se o centro irradiador dos movimentos de independência dos países da África Lusófona e de combate ao fascismo e ao colonialismo português.

Pela Casa dos Estudantes do Império, passaram diversos intelectuais da África Portuguesa que conheceram as ideias em defesa dos nacionalismos africanos e entraram em contacto ente si para troca de informações e formação de alianças para, em seguida, darem início aos processos de independência das colónias do Ultramar, através das Guerras de Libertação.

Estiveram na Casa dos Estudantes do Império, entre outros: Amílcar Cabral (1924-1973), líder da libertação da Guiné-Bissau e de Cabo Verde; Mário Pinto de Andrade (1928-1990), ensaísta e líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA); Marcelino dos Santos, poeta e membro fundador da Frente de Libertação de Moçambique; e Agostinho Neto (1922-1979), poeta, líder do MPLA e primeiro presidente de Angola.

A Casa dos Estudantes do Império foi fechada pela polícia política do salazarismo em setembro de 1965. Mas isso não freou os movimentos de libertação e de contestação do regime: dez anos depois, ganharam a independência os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, os PALOP.

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A seguir, o artigo de Vítor Ramalho em homenagem à Casa dos Estudantes do Império, publicado no portal África 21 Digital em 3 de novembro de 2014. Segundo ele, a lembrança da Casa dos Estudantes do Império “é tão justa e importante para os povos e países de Língua oficial portuguesa”.

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–– Uma justa e importante homenagem para a Lusofonia ––

Vítor Ramalho
do portal África 21 Digital
3 de novembro de 2014

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Estão em marcha ações promovidas pela UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa – integradas na homenagem à Casa dos Estudantes do Império (CEI) que se iniciam na Universidade de Coimbra.

Não havendo futuro sem memória, a CEI, que existiu entre 1944 e 1965, foi uma escola de formação cívica, cultural e política para muitos dos seus associados, então jovens universitários de todos os territórios e países que se exprimiam em português.

Por ela passaram e intervieram ativamente ou foram por ela registados, personalidades como Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Joaquim Chissano, Pedro Pires, Lúcio Lara, França Van Dunem, Miguel Trovoada, Pepetela, Manuel Rui Monteiro, Óscar Monteiro, Alda Lara, Alda do Espirito Santo, Francisco José Tenreiro, Manuela Margarido.

Tornaram-se mais tarde referências incontornáveis dos países de Língua Portuguesa.

Numa altura em que se endeusam os mercados, é muito importante ter outro olhar para a afetividade, para a solidariedade e para a generosidade, cuidando da memória coletiva comum.

Daí a homenagem, que vai envolver a publicação de 22 livros de bolso que serão reeditados, a partir do dia 31 de outubro e até março de 2015, pelo jornal Sol.

Serão, também, reeditadas as Antologias Poéticas de Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, haverá em maio de 2015 uma grande exposição sobre a CEI, na Câmara Municipal de Lisboa, um Colóquio Internacional na Fundação Calouste Gulbenkian, em 22, 23 e 25 de maio de 2015 e, neste último dia, encerrar-se-ão as homenagens com chave de ouro, com uma cerimónia especial.

Nela intervirão todos os associados da CEI que acabaram mais tarde por ser primeiros-ministros ou presidentes da República – Joaquim Chissano, Pascoal Mocumbi, Mário Machungo, Miguel Trovoada, França Van Dunem, Pedro Pires e Jorge Sampaio. Sobre Agostinho Neto, falará a sua viúva, Maria Eugénia Neto.

É por isso que esta homenagem, iniciada a 28 de outubro deste ano, no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, com a presença, entre outros, do senhor Secretário-Executivo da CPLP, é tão justa e importante para os povos e países de Língua oficial portuguesa.  :::

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RAMALHO, Vítor. Uma justa e importante homenagem para a Lusofonia.
Extraído do portal África 21 Digital – seção Observador Lusófono.
Publicado em: 03 nov. 2014.

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