Archive for Novembro, 2014

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A preocupante questão da proibição da Língua Portuguesa nas escolas do Luxemburgo

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade on 30 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Da Agência Lusa, do jornal Diário de Notícias (Lisboa, Portugal) e da rede TVI (Portugal)

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Um assunto relativo à Língua Portuguesa tem causado preocupações às comunidades lusófonas de um pequeno país da Europa Central caracterizado justamente por sua diversidade linguística.

Creches e ateliês de tempos livres (ATL) públicos no Luxemburgo estão a punir crianças que falarem em Língua Portuguesa, e a decisão se estende aos funcionários imigrantes no país.

“Foi-nos dito que não podíamos falar português com os miúdos e que eles também não podiam falar português entre eles: é uma regra da casa”, disse uma funcionária portuguesa de um estabelecimento público em Esch-sur-Alzette, que inclui uma creche.

As línguas autorizadas neste ATL onde meninos, com idade entre três meses e 12 anos, passam entre “quatro a seis horas por dia”, fora do horário escolar, são apenas as três oficiais do país: francês, alemão e luxemburguês. Elas estão indicadas em um painel “feito em conjunto” com as crianças no início do ano.

“Na creche, as educadoras são um pouco mais flexíveis, mas a proibição existe na mesma”, relatou a funcionária portuguesa. E ela frisou que, apesar de o Luxemburgo ter três línguas oficiais, “há uma exigência de falar luxemburguês em primeiro lugar”.

Para garantir o cumprimento da proibição, o ATL adotou um sistema próprio de castigos aos meninos. “Há o castigo de os separar” para “não poderem falar entre eles, ou o isolamento numa mesa em frente ao escritório” dos funcionários, explica a funcionária. E, nas saídas de grupo, pode chegar até a imobilização forçada. “A criança [que falou em português] tem de se sentar ou ficar quieta durante cinco minutos.”

No ATL de Esch-sur-Alzette, há apenas dois meninos luxemburgueses: os restantes, cerca de meia centena, são portugueses ou cabo-verdianos, e os castigos são aplicados “diariamente”, garante a funcionária.

“Eu própria falo português com as crianças, mas um bocadinho às escondidas, porque às vezes é mais fácil para elas comunicarem e porque precisam de afeto. E é mais fácil transmitir esse carinho na Língua que elas compreendem”, confessa a funcionária. “Eles vêm-me perguntar: ‘Posso-te dizer em português, porque não sei em luxemburguês?’, e eu digo que sim, ‘mas baixinho'”.

–– Criança punida por falar em português na rua ––
Em Rodange, também no sul do país, há também a interdição nos infantários do jardim de infância e na escola primária, disse à Lusa Manuel Santos, que vive no Luxemburgo há quase 12 anos e tem um filho de sete anos. “No infantário era a mesma coisa, nem nós pudemos falar em português com as empregadas, que são portuguesas, e as crianças também não.”

Em outubro, uma criança foi castigada com trabalhos de casa suplementares por ter falado em português com um colega. O incidente ocorreu durante uma visita da turma do 2º ano da escola primária de Rodange à capital – a Cidade do Luxemburgo –, para ver um concerto de música clássica.

“Falou na rua. Não foi na sala de aulas”, queixa-se o pai. “Achei uma injustiça numa classe em que são quase todos portugueses. É normal que falem a Língua dos pais, e só não reclamei porque tenho quase a certeza que o miúdo ia ser prejudicado”, diz Manuel Santos.

–– Há discriminação a quem fala português? ––
Em julho, o ministro da Educação do Luxemburgo, Claude Meisch, anunciou em entrevista ao jornal L’Essentiel, a intenção de criar creches gratuitas bilingues (em francês e luxemburguês). O objetivo, segundo ele, é evitar que “as crianças de origem portuguesa, francesa ou servo-croata frequentem creches privadas onde o pessoal só fala francês”, de modo a que aprendam também o luxemburguês – um dialeto germânico local reconhecido como idioma oficial do país em 1984.

O presidente da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), José Coimbra de Matos, garantiu à Agência Lusa que os casos não são únicos no Luxemburgo, e confirmou que há mesmo creches em que a Língua Portuguesa é proibida. “Pessoas que trabalham em creches públicas informaram-nos que as crianças são punidas se forem apanhadas a falar português”, contou ele à Lusa, dizendo que a medida discrimina sobretudo a comunidade portuguesa. O presidente da CCPL questionou: “Será que os que falam inglês ou italiano têm o mesmo tratamento?”

–– “Dois pesos e duas medidas” do Governo luxemburguês ––
Em postagem de seu perfil no Facebook, a ministra da Família e da Integração do Luxemburgo, Corinne Cahen, defendeu a promoção da aprendizagem de várias línguas “desde o ensino precoce”.

No dia seguinte, em comentário à postagem da ministra, uma mãe disse que temia que “o tiro saísse pela culatra”, e acrescentou: “Na turma do sétimo ano da minha filha, 14 dos 20 alunos são portugueses, e o diretor de turma decidiu que não podem falar português nas aulas, mas que o luxemburguês é obrigatório”. A ministra, porém, respondeu ao comentário, dizendo: “Decisão acertada do diretor de turma”.

Para o presidente da CCPL, o comentário da ministra mostra que há “dois pesos e duas medidas” na política do Executivo luxemburguês.

“O próprio Ministério da Educação do Luxemburgo diz que é importante valorizar a Língua materna e quis que o português fosse incluído no boletim escolar, e agora surge este caso que, ainda por cima, é aprovado por alguém com responsabilidades no Governo”, lamentou o dirigente associativo.

A postagem na página do Facebook da ministra da Família, a que a Agência Lusa teve acesso, foi entretanto apagada. A Agência Lusa tentou ouvir a ministra sobre este caso, mas fonte do seu gabinete informou na ocasião que Corinne Cahen estava fora do país.

A Agência Lusa questionou também a autora do comentário na rede social que denunciou o caso da proibição de falar português, mas a mãe da aluna do 7° ano (o primeiro ano do Ensino Secundário no Luxemburgo) recusou revelar em que liceu o caso se passou ou prestar declarações.

–– Diplomacia portuguesa expressa preocupação ––
Também em postagem no Facebook feita no início de novembro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa declarou ter diligenciado “junto do Ministério da Educação do Luxemburgo, no sentido de esclarecer a existência de normas que pretensamente proibissem a utilização da Língua Portuguesa nas creches e escolas daquele país”.

De acordo com a diplomacia portuguesa, as autoridades do Luxemburgo reiteraram “a política de diversidade linguística em vigor no sistema educativo público daquele país, incluindo o ensino da Língua Portuguesa”. Elas também asseguraram que “o recurso à Língua materna dos alunos continua […] a ser incentivado como elemento de integração e facilitador de aprendizagem”.

A chancelaria portuguesa prometeu que continuaria a acompanhar o caso, bem como pretende informar-se sobre o assunto das escolas através da embaixada de Portugal no Luxemburgo.

–– Grande presença lusófona no Grão-Ducado ––
No Luxemburgo há cerca de 100 mil portugueses e emigrantes de outros países lusófonos, que representam cerca de 20% da população no país.

Segundo dados do Ministério da Educação do Luxemburgo, o português é a segunda Língua materna mais falada nas escolas do país, com 28,9% de falantes, a seguir ao luxemburguês, com 39,8%, mas à frente dos outros dois idiomas oficiais do Grão-Ducado, francês (11,9% de falantes) e alemão (2%).

Os alunos lusodescendentes representam mais de vinte por cento dos estudantes em todos os níveis de ensino no país – uma percentagem que no Ensino Secundário técnico ronda os 28%, segundo dados do Ministério da Educação de 2012/2013.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa, do jornal Diário de Notícias (Lisboa, Portugal) e da rede TVI (Portugal) ––

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Maioria da população dos países lusófonos tem cerca de um terço de jovens

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 29 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Da Agência Lusa
18 de novembro de 2014

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Cerca de um terço da população da maioria dos países de Língua oficial portuguesa tem entre 10 e 24 anos e pode “transformar o futuro” do seu Estado, segundo o relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) divulgado em 18 de novembro.

“O Poder de 1,8 Mil Milhões de Adolescentes e Jovens e a Transformação do Futuro”: este é o título do estudo sobre o estado da população mundial em 2014, que defende que o atual número de jovens no mundo – um recorde – pode impulsionar o desenvolvimento socioeconómico, com o adequado investimento na sua educação, na saúde e na proteção de direitos.

Dos nove lusófonos, apenas em Portugal e no Brasil os jovens não representam atualmente cerca de um terço da população: são 16% no país europeu e 25% no país sul-americano, embora neste caso ascendam ainda assim a 50,9 milhões.

Entre os restantes membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Timor-Leste apresenta o maior número de jovens, com 38% da população entre os 10 e os 24 anos, seguido de Angola e de Moçambique, ambos com 33% (7,2 milhões e 8,7 milhões respectivamente).

Cabo Verde e Guiné-Bissau têm 32% de jovens entre os 10 e os 24 anos, São Tomé e Príncipe tem 31% e a Guiné-Equatorial 30%.

O diretor-executivo do FNUAP, o nigeriano Babatunde Osotimehin, salientou, em um comunicado de divulgação do estudo, a oportunidade que a existência de um grande número de jovens representa para os países. Mas advertiu, no entanto, que “eles só podem transformar o futuro se tiverem competências técnicas, saúde, poderem decidir e fazer escolhas”.

O “dividendo demográfico” – que ocorre quando a população em idade ativa é maior do que a dependente e mais jovem – “tem o potencial para retirar centenas de milhões de pessoas da pobreza e elevar os padrões de vida, lançando as economias”, afirma o relatório do FNUAP.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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Angola: Acordo Ortográfico deve respeitar realidade cultural dos países lusófonos

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade on 28 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência AngolaPress
26 de novembro de 2014

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A coordenadora da Comissão Nacional angolana do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, Ana Paula Henriques, considerou em Luanda que a implementação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 deve respeitar aspectos ligados à realidade cultural e linguística dos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Ana Paula Henriques, que falava na habitual Maka à Quarta-feira, promovida pela União dos Escritores Angolanos (UEA), afirmou ainda que o Acordo Ortográfico – elaborado em Lisboa em 16 de dezembro de 1990 e que foi ratificado pela maioria dos países da Comunidade – “não inclui o vocabulário de todos os vários países membros, e esta situação dificulta a implementação que desejam ver a seu termo linguístico”.

Segundo ela, o Acordo de 1990 “utiliza terminologia e escritas apenas de Portugal e do Brasil” – e esta é uma “situação que preocupa, sobretudo Angola, por não ver os seus termos nesta retificação, sendo que o mesmo [Acordo] tem o propósito de servir todos os países de Língua Portuguesa”.

A coordenadora, que orientou a palestra sobre o Acordo Ortográfico, considerou que as novas regras devem entrar em vigor em Angola à medida que o país “ver todos os intentos realizados, sobretudo, a uniformidade em todos os países da Comunidade”.

Disse que “a edição de manuais, revistas e programas informáticos vem criar uma certa dificuldade para aqueles que ainda não retificaram o Acordo”. Contudo, fez saber que as Comissões Nacionais do IILP “trabalham para que haja um meio termo para esta questão”.

Ana Paula Henriques acrescentou que “para a entrada em vigor deste Acordo no país, é necessário uma formação dos profissionais de educação, a troca do material educativo e de trabalho e a divulgação desta retificação e as suas vantagens”.

O evento Maka à Quarta-Feira, realizado na sede da UEA, contou com a participação de académicos, escritores, estudiosos da Língua Portuguesa, estudantes e jornalistas.  :::

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–– Extraído da Agência AngolaPress ––

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Capoeira e cante alentejano são Patrimónios Culturais da Humanidade da UNESCO

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 27 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência Lusa, da Agência Brasil e do Ministério da Cultura do Brasil
27 de novembro de 2014

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Nesta mesma semana de novembro de 2014, a Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu a capoeira, do Brasil, e o cante alentejano, de Portugal, como integrantes da lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

–– A capoeira: arte marcial afro-brasileira ––
A capoeira, uma arte marcial afro-brasileira que ainda engloba dança e música, entrou para a lista do Património Cultural da Humanidade no dia 26 de novembro.

A manifestação cultural “tem raízes africanas que devem ser cada vez mais valorizadas por nós. Agora, é um património a ser conhecido e praticado em todo o mundo”, destacou a ministra interina da Cultura do Brasil, Ana Cristina Wanzeler, que acompanhou a votação em Paris.

A capoeira teria surgido na Bahia, por volta do século XVII, durante o período da colonização portuguesa, enquanto ainda vigorava a escravidão de africanos no Brasil. Ela desenvolveu-se como uma forma de socialização e resistência física e cultural entre os escravos.

As lutas eram proibidas nas senzalas; com isso, os escravos reuniam-se em torno de rodas em campos abertos, com pouca vegetação, chamados de “capoeiras” – daí a origem do nome. Ali puderam realizar movimentos de artes marciais, mas sem contato físico com o adversário e com o embalo de música, o que conferiam à luta ares de dança.

Até hoje, um capoeirista completo deve dominar a musicalidade e saber tocar o berimbau, instrumento típico afro-brasileiro constituído de um arco com uma única corda de metal, que dá o ritmo aos movimentos do jogo de capoeira.

A prática da capoeira foi proibida no Brasil até à década de 1930, por ser considerada perigosa e subversiva, mas em 1937 foi declarada desporto nacional pelo então presidente da República Getúlio Vargas.

O reconhecimento eleva o número de manifestações culturais brasileiras que constam no Património Cultural da Humanidade da UNESCO, que já inclui duas danças: o frevo, dança do carnaval de rua de Recife e Olinda, e o samba de roda do Recôncavo Baiano, além da arte de pintura corporal do povo indígena Kusiwa, do Estado do Amapá, e o Círio de Nazaré, manifestação religiosa típica de Belém, capital do Estado do Pará.

“O reconhecimento representa um tributo à capoeira como manifestação cultural importante, que durante séculos foi criminalizada, além de dar visibilidade internacional. Além disso, reconhece que o Brasil tem políticas públicas para cuidar do seu patrimônio cultural”, disse, em entrevista à imprensa na sede da UNESCO em Paris, Jurema Machado, presidenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), do Ministério da Cultura do Brasil.

–– O cante alentejano: o cantar da terra camponesa ––
E na sexta-feira, 27 de novembro, a UNESCO reconheceu o cante alentejano como parte da lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade. O próprio órgão da ONU havia reconhecido a candidatura do cante alentejano como “exemplar”.

A candidatura do cante alentejano a Património Cultural da Humanidade, explica tratar-se de “um canto coletivo, sem recurso a instrumentos e que incorpora música e poesia”, associado geograficamente ao Baixo Alentejo. “Historicamente, nenhuma informação documental parece provar a existência de canto coral sem instrumentos no Baixo Alentejo antes de 1907”, quando foi formado o Orfeão Popular de Serpa e começaram a surgir grupos corais como existem na atualidade, indica a candidatura enviada à UNESCO em março deste ano.

Ainda de acordo com o texto da candidatura, a origem do cante alentejano, o “(can)to da (te)rra”, era a sua interpretação sobretudo por homens das classes trabalhadoras, “consideradas rurais e camponesas no passado, mas que eram proto-industriais ou industriais, porque trabalhavam na agricultura com máquinas ou em explorações mineiras, como a de Aljustrel, onde, em 1926, foi criado o primeiro grupo coral, Os Mineiros de Aljustrel”.

Segundo a Moda – Associação do Cante Alentejano, o canto a vozes tradicional do Alentejo “nasceu no afã” das longas caminhadas dos trabalhadores do campo entre as aldeias onde moravam e os locais de monda ou ceifa, onde era “forçoso” estar ao nascer do sol.

Em entrevista nesta semana ao jornal digital Observador, Tomé Pires, presidente da Câmara Municipal de Serpa, no Alentejo, disse que a chancela da UNESCO ao cante alentejano podia abrir muitas portas. Ao objetivo de salvaguardar e transmitir o cante, é preciso também “começar a pensar em tornar este ativo cultural num ativo económico, para ajudar a sustentabilidade do cante e o desenvolvimento da nossa região”, disse.

O , que retrata a “ligação umbilical do trabalhador com a terra-mãe”, nasceu entre gentes das planícies, tornou-se a “marca identitária” da cultura do Alentejo e pode tornar-se Património da Humanidade.

Há exatamente três anos, a 27 de novembro de 2011, Portugal celebrou a eleição do fado como Património Cultural Imaterial da Humanidade. E em 2013, a dieta mediterrânica foi escolhida para ingressar na lista, através da candidatura conjunta de Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Croácia, Chipre e Marrocos.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa, da Agência Brasil e do Ministério da Cultura do Brasil ––

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Angola: 4ª. Conferência do Fórum do Ensino Superior em Luanda e Lubango

In Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 26 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência AngolaPress

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Académicos dos países e regiões do mundo de Língua Portuguesa participaram, em Angola, da 4ª Conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges), ocorrida entre os dias 19 e 21 de novembro de 2014.

A conferência foi realizada com o seguinte tema: A expansão do ensino superior nos Países de Língua Portuguesa, estratégias, qualidade e avaliação. Os eventos dos dois primeiros dias foram realizados na cidade do Lubango, e os do último dia na capital de Angola, Luanda.

A 4ª. Conferência do Forges foi coorganizada pela Universidade Agostinho Neto, de Luanda, pela Universidade Mandume Ya Ndemufayo, de Lubango, e conta com o patrocínio do Ministério do Ensino Superior da República de Angola.

Segundo comunicado oficial do Forges, o evento se reveste “de capital interesse e relevância para as instituições do ensino superior destes países e regiões, tanto pelo seu caráter inovador como pelo valor dos temas colocados a reflexão e debate pelos participantes”.

De acordo com o comunicado, a organização da conferência “propõe-se contribuir para a reflexão sobre o modo como o ensino superior se tem afirmado, se afirma, e deverá continuar a melhorar para se afirmar, como essencial para o desenvolvimento dos países e regiões”.

“Os decisores da política educativa, membros dos órgãos de gestão das instituições universitárias, administradores, docentes e investigadores são chamados a refletir e debater alguns dos principais temas estruturantes do ensino superior, nos países e regiões da Língua Portuguesa”, afirma o texto alusivo à conferência.

A agenda foi constituída da abordagem de cinco subtemas: “A importância do Ensino Superior no desenvolvimento dos países e regiões”, “O financiamento e expansão do Ensino Superior”, “A tecnologia e a inovação: redes de cooperação”, “A avaliação do Ensino Superior: modalidades e tendências”, e “Os sistemas de garantia da qualidade no Ensino Superior”.

Segundo o comunicado oficial, os temas têm “a finalidade de enriquecer o conhecimento recíproco, refletir à luz de um leque alargado de experiências, estreitar parcerias, e construir novas pontes de cooperação universitária entre os países de Língua Portuguesa”.

–– “O ensino para melhorar a qualidade de vida” ––
Em entrevista à imprensa, a presidente do Forges, Luísa Cedeira, disse que “as instituições de ensino superior, por serem pilares para o desenvolvimento sustentável de qualquer país, devem dar resposta aos desafios que são impostas pela própria sociedade, apostando cada vez mais num ensino com qualidade e responsabilidade”.

“A conferência constitui um espaço de debate científico e tecnológico para criação de oportunidades para a otimização de valências das áreas de ensino, que vão ajudar a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos da província e do país”, disse então, uma das palestrantes em Lubango, a vice-governadora para o Setor Político e Social da Província de Huíla, Maria João Chipalavela.

“Numa altura em que os Estados no mundo trabalham para combater a pobreza, os países devem empenhar-se em garantir um ensino superior de qualidade e relevante, pois que somente com uma economia baseada no conhecimento poderemos melhorar, cada vez mais, a qualidade de vida das populações”, disse o vice-ministro da Educação de Moçambique, Arlindo Chilundo.

Para a apresentação dos temas, a Forges convidou cerca de 120 gestores, docentes e investigadores de instituições do ensino superior de Angola, Portugal, Brasil, Cabo Verde e Moçambique, bem como de Macau, na China.

A 1ª. Conferência do Forges foi realizada em 2011, na Universidade de Coimbra e na Universidade de Lisboa; a de 2012, no Instituto Politécnico de Macau, na China; e em 2013, na Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, nordeste do Brasil.   :::

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Clique aqui para aceder ao sítio oficial da 4ª Conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges) – de 19 a 21 de novembro de 2014 – Luanda e Lubango, Angola.

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–– Extraído da Agência AngolaPress ––

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Sobre a Casa dos Estudantes do Império: uma homenagem à Lusofonia – Vítor Ramalho

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 25 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Nascido na então Angola do Ultramar português em 1948, o atual secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), o português Vítor Ramalho, lançou artigo em homenagem à Casa dos Estudantes do Império. O que seria originalmente uma instituição do colonialismo português acabou por tornar-se um dos símbolos da formação da Lusofonia, tal como conhecemos hoje

Criada em 1944, a Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, tinha a função pretendida de instruir os estudantes das colónias portuguesas do então Ultramar dentro da ideologia da ditadura do Estado Novo, de António de Oliveira Salazar (que durou de 1933 a 1974). Porém, a partir do final dos anos 1950, acabou tornando-se o centro irradiador dos movimentos de independência dos países da África Lusófona e de combate ao fascismo e ao colonialismo português.

Pela Casa dos Estudantes do Império, passaram diversos intelectuais da África Portuguesa que conheceram as ideias em defesa dos nacionalismos africanos e entraram em contacto ente si para troca de informações e formação de alianças para, em seguida, darem início aos processos de independência das colónias do Ultramar, através das Guerras de Libertação.

Estiveram na Casa dos Estudantes do Império, entre outros: Amílcar Cabral (1924-1973), líder da libertação da Guiné-Bissau e de Cabo Verde; Mário Pinto de Andrade (1928-1990), ensaísta e líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA); Marcelino dos Santos, poeta e membro fundador da Frente de Libertação de Moçambique; e Agostinho Neto (1922-1979), poeta, líder do MPLA e primeiro presidente de Angola.

A Casa dos Estudantes do Império foi fechada pela polícia política do salazarismo em setembro de 1965. Mas isso não freou os movimentos de libertação e de contestação do regime: dez anos depois, ganharam a independência os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, os PALOP.

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A seguir, o artigo de Vítor Ramalho em homenagem à Casa dos Estudantes do Império, publicado no portal África 21 Digital em 3 de novembro de 2014. Segundo ele, a lembrança da Casa dos Estudantes do Império “é tão justa e importante para os povos e países de Língua oficial portuguesa”.

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–– Uma justa e importante homenagem para a Lusofonia ––

Vítor Ramalho
do portal África 21 Digital
3 de novembro de 2014

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Estão em marcha ações promovidas pela UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa – integradas na homenagem à Casa dos Estudantes do Império (CEI) que se iniciam na Universidade de Coimbra.

Não havendo futuro sem memória, a CEI, que existiu entre 1944 e 1965, foi uma escola de formação cívica, cultural e política para muitos dos seus associados, então jovens universitários de todos os territórios e países que se exprimiam em português.

Por ela passaram e intervieram ativamente ou foram por ela registados, personalidades como Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Joaquim Chissano, Pedro Pires, Lúcio Lara, França Van Dunem, Miguel Trovoada, Pepetela, Manuel Rui Monteiro, Óscar Monteiro, Alda Lara, Alda do Espirito Santo, Francisco José Tenreiro, Manuela Margarido.

Tornaram-se mais tarde referências incontornáveis dos países de Língua Portuguesa.

Numa altura em que se endeusam os mercados, é muito importante ter outro olhar para a afetividade, para a solidariedade e para a generosidade, cuidando da memória coletiva comum.

Daí a homenagem, que vai envolver a publicação de 22 livros de bolso que serão reeditados, a partir do dia 31 de outubro e até março de 2015, pelo jornal Sol.

Serão, também, reeditadas as Antologias Poéticas de Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, haverá em maio de 2015 uma grande exposição sobre a CEI, na Câmara Municipal de Lisboa, um Colóquio Internacional na Fundação Calouste Gulbenkian, em 22, 23 e 25 de maio de 2015 e, neste último dia, encerrar-se-ão as homenagens com chave de ouro, com uma cerimónia especial.

Nela intervirão todos os associados da CEI que acabaram mais tarde por ser primeiros-ministros ou presidentes da República – Joaquim Chissano, Pascoal Mocumbi, Mário Machungo, Miguel Trovoada, França Van Dunem, Pedro Pires e Jorge Sampaio. Sobre Agostinho Neto, falará a sua viúva, Maria Eugénia Neto.

É por isso que esta homenagem, iniciada a 28 de outubro deste ano, no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, com a presença, entre outros, do senhor Secretário-Executivo da CPLP, é tão justa e importante para os povos e países de Língua oficial portuguesa.  :::

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RAMALHO, Vítor. Uma justa e importante homenagem para a Lusofonia.
Extraído do portal África 21 Digital – seção Observador Lusófono.
Publicado em: 03 nov. 2014.

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‘Dicionário Global da Língua Portuguesa’ a ser lançado na sede do Camões em Lisboa

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade on 24 de Novembro de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , ,

Do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal)
24 de novembro de 2014

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A obra Dicionário Global da Língua Portuguesa – autoexplicativo com exemplos contextualizados, de Jaime Coelho, elaborada para facilitar a aprendizagem de Português Língua Estrangeira, Português Língua Segunda ou Português Língua Não Materna.

A obra de Jaime Coelho será lançada nesta terça-feira, 25 de novembro de 2014, em Lisboa, no Auditório do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Com a chancela da Lidel Edições Técnicas e com 55 mil entradas, o Dicionário Global da Língua Portuguesa “tem como principal alvo o público estrangeiro que aprende português”.

Nas palavras de Ana Paula Laborinho, presidente do Camões, trata-se de uma obra “que há muito era esperada e que vem colmatar um vazio injustificável”.

O subtítulo de “autoexplicativo” classifica-o de uma forma adequada, pois todas as palavras usadas ao longo do dicionário aparecem também como entradas e, assim, quando o utilizador se deparar com alguma palavra mais difícil, pode consultá-la no próprio dicionário, sem necessidade de recorrer a outra fonte de informação.

O tratamento das entradas está dividido em várias seções (exemplos – ou provérbios –, locuções, idiomatismos e combinatórias) de forma a ajudar o leitor a encontrar com rapidez o que procura saber. O Dicionário, de caráter internacional, inclui a etimologia de todos os vocábulos e regista os contributos dos diversos países de Língua oficial portuguesa.

“A Língua Portuguesa é das que continuam a crescer nos vários continentes e a ficar cada vez mais rica. Para tal, contribuem todos os países que a têm como Língua oficial. Este dicionário continuará a registar esses contributos”, declarou a presidente do Camões no sítio da Lidel Edições Técnicas.

–– Jaime Coelho, o autor do Dicionário Global ––
O autor do Dicionário, Jaime Coelho, nasceu em Soeima, Distrito de Bragança, em 1936. Entrou na Companhia de Jesus em 1952. Formado em filosofia e teologia, lecionou história, língua e literatura portuguesa no Departamento de Estudos Luso-afro -brasileiros da Universidade Sophia, Tóquio – na época, recém-fundado em 1964.

Publicou em 1998 o Dicionário Universal Japonês-Português em dupla edição. A edição lançada no Japão, com ideogramas japoneses e alfabeto latino, conta já com 11 tiragens em edição de luxo, tendo sido mais recentemente editada em um formato compacto e também em versão eletrónica. A outra edição foi publicada na mesma data em Portugal, com o alfabeto português ou latino, e cuja segunda tiragem é de 2009.

O autor reside atualmente em Tóquio, onde prossegue os seus trabalhos lexicográficos relacionados com a Língua Portuguesa no Japão, na China, na Península Coreana e no Vietname.  :::

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Clique aqui para ver mais detalhes sobre o Dicionário Global da Língua Portuguesa no sítio da Lidel Edições Técnicas (Portugal).

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–– Extraído do sítio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal) ––