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O Mercosul e a CPLP: negócios para além da Língua – Milton Lourenço

In O Mundo de Língua Portuguesa on 12 de Outubro de 2014 by ronsoar Tagged: , , , ,

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O brasileiro Milton Lourenço, diretor da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC), escreveu artigo de opinião em defesa do aprimoramento das relações dos países e regiões da Lusofonia com as nações da América do Sul. Sobretudo, as relações comerciais com os países que fazem parte do Mercado Comum do Sul (Mercosul).

O autor do artigo defende que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) não seja “um instrumento voltado apenas para a difusão da Língua, da amizade, da cultura e das tradições lusófonas” – embora este seja o seu eixo principal e a sua razão de existência: a promoção da Lusofonia –, mas que seja também um “bloco econômico expressivo”.

O texto também defende maiores relações comerciais do Brasil – e também das nações de Língua Portuguesa – com as economias da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) através de Timor-Leste.

O artigo de Milton Lourenço sobre o futuro dos contatos comerciais da CPLP foi publicado na edição de 9 de outubro de 2014 do jornal Mundo Lusíada.

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–– O Mercosul e a CPLP ––

Milton Lourenço
Do jornal Mundo Lusíada (São Paulo, Brasil)
9 de outubro de 2014

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O novo governo brasileiro que assumirá a partir de 1º de janeiro de 2015 deveria colocar em sua pauta de prioridades a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), assumindo a liderança de um movimento de interligação desse organismo com o Mercosul. Afinal, está mais do que na hora de a CPLP deixar de ser um instrumento voltado apenas para a difusão da Língua, da amizade, da cultura e das tradições lusófonas para se transformar num bloco econômico expressivo.

Aliás, esse é o pensamento do primeiro-ministro do Timor-Leste, Xanana Gusmão, que, ao assumir a presidência da CPLP em julho passado, anunciou sua disposição de estabelecer uma estratégia direcionada a promover maior cooperação e interligação das economias das nações do bloco (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), aproveitando-se as oportunidades de investimento que existem nos nove países.

No setor de petróleo, há uma proposta de Timor-Leste para o estabelecimento de um consórcio CPLP de exploração on shore [em terra firme] naquele país na base de uma parceria estratégica entre os países-membros da Comunidade.

Por meio do Timor-Leste, além do setor de petróleo, há a possibilidade de uma interligação econômica do Brasil com países da região, a partir da adesão daquela nação ao mercado regional do Sudeste Asiático (ASEAN). Além disso, as parcerias de empresas lusófonas com empresas timorenses podem ajudar a dinamizar o setor privado no país, de maneira que muitas empresas locais possam apostar também na internacionalização.

Por sua economia e extensão geográfica, o Brasil, claro está, deveria assumir esse papel de aglutinador, valendo-se não só do fato de dispor de um mercado interno geograficamente maior que a Europa como de uma indústria petrolífera em expansão, uma indústria aeronáutica consolidada e uma construção naval em condições competitivas.

É de ressaltar que o seu setor industrial necessita urgentemente de mercados para colocar seus produtos manufaturados e impedir o crescimento da atual tendência de desindustrialização. Ao mesmo tempo, seu mercado interno pode absorver commodities [matérias-primas] e produtos acabados de seus parceiros na CPLP.

É de lembrar também que, nos últimos anos, cresceram de modo significativo os investimentos brasileiros em Moçambique na exploração mineral e nos setores de logística e energia, além da exportação de carnes, veículos, caldeiras, máquinas e equipamentos para aquele país.

Com a Namíbia, país observador associado da CPLP, o Brasil já tem abertas as portas, depois da assinatura de recente acordo de cooperação entre as Marinhas das duas nações para o intercâmbio em escolas militares e assuntos de segurança internacional.

Namíbia e Moçambique podem facilitar e estimular a participação brasileira e, por extensão, do Mercosul no desenvolvimento econômico do sul da África.  :::

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LOURENÇO, Milton. O Mercosul e a CPLP.
Extraído do jornal Mundo Lusíada (São Paulo, Brasil).
Publicado em: 09 out. 2014.

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