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Gestos manuais ajudam as crianças no desenvolvimento da linguagem

In Lusofonia e Diversidade on 21 de Setembro de 2014 by ronsoar Tagged: , ,

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Uma equipa de investigadores norte-americanos divulga estudo no qual relatam que o movimento e os gestos das mãos feitos pelos pais ajudam as crianças no desenvolvimento da linguagem e no aprendizado de palavras novas.

O uso combinado do gesto juntamente com a palavra falada facilita para as crianças a compreensão do significado das palavras e das frases. E também serve como estímulo para as crianças adquirirem maior vocabulário quando chegam à idade escolar.

O estudo da Universidade de Chicago aponta ainda que esses benefícios de aprendizado valem tanto para a aquisição de uma língua falada convencional como também para as línguas de sinais.

Mais detalhes sobre as descobertas da investigação norte-americana na reportagem publicada pelo jornal britânico Daily Mail em 20 de agosto de 2014 e reproduzida a seguir em Ventos da Lusofonia.

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–– Como o desenvolvimento da linguagem de uma criança
pode ter o auxílio dos movimentos manuais ––
:::  O ato de gesticular torna as palavras “mais fáceis de serem entendidas”  :::

Jonathan O’Callaghan
do jornal Daily Mail (Londres, Reino Unido)
20 de agosto de 2014

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Mover as mãos de forma espontânea para elucidar um assunto pode ajudar a impulsionar o desenvolvimento da linguagem da criança, dizem os investigadores.

As combinações de gesto e palavra falada podem tornar mais fácil para as crianças fixar o que significam algumas palavras e frases significam – até mesmo em relação à língua de sinais.

As descobertas reforçam o resultado de uma investigação anterior, que apurou como o ato de gesticular ajuda os mais jovens a desenvolver a sua linguagem, a sua aprendizagem e as suas habilidades cognitivas.

O novo estudo, conduzido pela drª. Susan Goldin-Meadow, da Universidade de Chicago, examinou como o ato de gesticular contribui para a aprendizagem de línguas por crianças ouvintes e por crianças surdas.

Ela concluiu que o gesto é uma maneira mais flexível para se comunicar, que pode funcionar junto com a língua expressa para comunicação ou, se necessário, o próprio gesto pode tornar-se uma linguagem.

“As crianças que podem ouvir usam o gesto junto com a fala para se comunicar à medida que adquirem a linguagem falada”, disse a drª. Susan Goldin-Meadow.

“Essas combinações de gesto com palavra antecedem e preveem a aquisição de combinações de palavras que expressam as mesmas noções.”

“Os resultados deixam claro que as crianças têm uma compreensão destas noções, antes que elas sejam capazes de expressá-las na fala.”

Além das crianças que aprenderam línguas faladas, a drª. Goldin-Meadow estudou as crianças que aprenderam a língua de sinais a partir de seus pais.

Ela descobriu que eles também usam gestos enquanto usam em simultâneo a Língua Norte-Americana de Sinais. Estes gestos antecipam a sua aprendizagem, da mesma forma que acontece com os gestos que acompanham a fala.

–– “Sinais caseiros” podem gerar língua de sinais ––
Finalmente, a drª. Goldin-Meadow observou as crianças surdas cuja perda de audição impediu-as de aprenderem a língua falada, e cujos pais ouvintes não foram apresentados às convenções da língua de sinais.

Estas crianças usam sistemas de gestos caseiros, chamados de “sinais caseiros”, para se comunicarem.

Os “sinais caseiros” partilham de propriedades comuns com as línguas naturais, mas não são uma língua prontamente desenvolvida, talvez porque falta às crianças “uma comunidade de parceiros de comunicação”, citou a drª. Goldin-Meadow em seu estudo.

No entanto, os “sinais caseiros” podem ser o “primeiro passo na direção de uma língua de sinais estabelecida”.

Na Nicarágua [país da América Central], os sistemas de gestos individuais desenvolveram-se no sentido de um sistema mais complexo e partilhado quando os que faziam os “sinais caseiros” foram reunidos pela primeira vez.

Estes resultados fornecem uma visão sensível sobre a contribuição dos gestos para a aprendizagem.

O gesto desempenha um papel na aprendizagem da língua de sinais, muito embora os próprios sinais estejam baseados em uma convenção fixa de gestos.

Como resultado, o gesto não pode ajudar os aprendizes a simplesmente proporcionar-lhes uma segunda língua. Em vez disso, os gestos acrescentam imagens às distinções de categorias que formam o núcleo tanto das línguas faladas quanto das de sinais.

A drª. Susan Goldin-Meadow conclui que o gesto pode ser a base para uma língua autoproduzida, a assumir formas e funções linguísticas quando outros veículos não estiverem disponíveis.

Mas quando está presente uma língua convencional falada ou de sinais, o gesto opera junto com a língua, ajudando a promover a aprendizagem.

O estudo será publicado na revista científica britânica Philosophical Transactions of the Royal Society.

–– A pesquisa anterior de Sarah Goldin-Meadow ––
Em 2009, a drª. Susan Goldin-Meadow e sua equipa descobriram que meninos e meninas cujos pais gesticulam muito adquirem vocabulário mais extenso quando ingressam na escola.

Com o argumento de que os pais começam a falar com elas com a ajuda das mãos, os investigadores citaram que gestos simples – como balançar a cabeça para a frente e para os lados a indicar “sim” e “não”, e balançar os braços para cima e para baixo a indicar “voo” – podem fazer toda a diferença.

Os investigadores norte-americanos observaram as ações e gestos usados por 50 crianças pequenas e por seus pais enquanto brincavam juntos.

Os pesquisadores disseram que gestos simples, como os de apontar, impeliam os pais a apresentar palavras novas às crianças.

Em artigo na revista Science, eles citaram: “Por exemplo, em resposta a uma criança que aponta para uma boneca, a mãe poderia dizer: ‘Sim, isto é uma boneca’, fornecendo assim uma palavra para o objeto que é o foco da atenção da criança.”

Essa conexão poderia também ser mais direta, com gestos a permitirem que as crianças usem as mãos para executar os significados das palavras que elas têm dificuldade de pronunciar.

Incentivar os pais e as crianças a falarem com as mãos pode vir a ser uma maneira barata e fácil de dar aos mais jovens o incremento ao poder da palavra e o melhor preparo para a escola.

“Conversem mais com seus filhos e gesticulem mais”, disse a copesquisadora, a drª. Meredith Rowe.  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares)

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O’CALLAGHAN, Jonathan. How a child’s language development can be helped by hand movements: Gesticulating makes words ‘easier to understand’.
Extraído do jornal Daily Mail – seção Science & Tech
Londres, Reino Unido.
Publicado em: 20 ago. 2014.

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