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Brasil: especialistas defendem Acordo Ortográfico e rejeitam simplificação da Língua

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 31 de Agosto de 2014 by ronsoar

Da Agência Lusa
27 de agosto de 2014

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O projeto de simplificação do idioma tem sido defendido por linguistas brasileiros, liderados por Ernani Pimentel, e está em análise na Comissão de Educação do Senado brasileiro.

Um académico, um historiador e um linguista brasileiros defenderam a implantação do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa e rejeitaram o projeto de simplificação do idioma, analisado pelo Senado brasileiro, durante um debate na 23.ª Bienal Internacional do Livro, em São Paulo.

O debate contou com a participação do gramaticista e membro da Academia Brasileira de Letras Evanildo Bechara, do linguista e coordenador da Comissão Nacional brasileira no Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) Carlos Alberto Faraco, e do historiador Jaime Pinsky.

Faraco criticou o adiamento do prazo para a obrigatoriedade de alicação do Acordo Ortográfico no Brasil – de janeiro de 2013 para janeiro de 2016 – e defendeu a integridade do documento, ou seja, que o Acordo não sofra alterações.

O projeto de simplificação do idioma tem sido defendido por linguistas brasileiros, liderados por Ernani Pimentel, e está em análise na Comissão de Educação do Senado Federal brasileiro.

A proposta, que já foi apresentada em Portugal e em África, prevê a adoção de uma nova ortografia que suprima, por exemplo, a letra “h” não pronunciada e mude as atuais regras de uso do “g” e do “j”.

–– “Vandalismo ortográfico” ––
“O que se propõe é vandalismo ortográfico”, afirmou Faraco. “Não há fundamentação técnica ou razão social, cultural e econômica para mexer numa ortografia estabilizada”, afirmou Faraco, para quem a escrita fonética (aquela que segue o som das palavras) seria um “descalabro” e o “fim da ortografia”.

O historiador Jaime Pinsky citou um artigo que escreveu para o jornal Correio Braziliense, em maio. No texto, problematiza a questão dos sotaques regionais que, no caso de uma escrita fonética, causaria confusão na grafia das palavras – o mês de abril, por exemplo, é pronunciado “abriu” ou até “abrir” em diferentes localidades brasileiras.

“É ridícula a ideia de escrever como se fala. A Língua tem fatores de caráter históricos, que não podem ser desconsiderados”, disse.

O académico Evanildo Bechara lembrou que a opção por uma escrita fonética em português já foi rejeitada no século XIX, quando foi proposta, e realçou que a Língua tem princípios culturais e sociais. “Há de se trabalhar para que a coletividade escreva [a Língua Portuguesa] de uma maneira única, mas quem deve propor [as regras] são os técnicos, as academias e as universidades”, afirmou.

Bechara disse também que não concorda com todas as regras do Acordo Ortográfico, e que ele necessita de algumas adaptações, mas que serão feitas com o tempo.

Faraco usou como exemplo a falta de padronização para as palavras provenientes do idioma banto, em África, mas que essas questões poderão ser resolvidas localmente, como fez Moçambique ao incluir vocabulário dessa Língua, nas normas ortográficas.

O Acordo Ortográfico começou a ser negociado em 1975, foi assinado em 1990 pelos oito países de Língua oficial portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – e ratificado por seis deles, com exceção de Angola e Moçambique.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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