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Vice-presidente de Angola afirma a Língua Portuguesa na Cimeira EUA-África

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional on 19 de Agosto de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , ,

Com dados da Rede Angola e da rede de televisão ABC (EUA)

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Um interessante e breve episódio em Washington no início do mês de agosto mostrou o importante patamar da Língua Portuguesa como canal de comunicação de assuntos internacionais.

No dia 5 de agosto de 2014, durante a ocorrência da Cimeira Estados Unidos-África, o vice-presidente da República de Angola, Manuel Domingos Vicente, fez breve pronunciamento em Língua Portuguesa antes da reunião reservada com o secretário de Estado norte-americano John Kerry.

A declaração de Manuel Vicente foi espontânea, embora não contasse com a omissão do protocolo norte-americano de colocar um tradutor-intérprete.

“Como disse bem o senhor secretário, nós contámos com o apoio e toda a colaboração dos Estados Unidos para em conjunto podermos estabilizar, portanto, o continente africano. Sabemos que sem paz e segurança não há investimento, de modos que é o primeiro foco de Sua Excelência o senhor presidente da República colaborar e participar e fazer todo o esforço no sentido de podermos garantir a paz a nível de todo o continente africano e não só a nível global”, pronunciou Manuel Vicente em português na sede do Departamento de Estado dos EUA.

“Essa também é uma das razões, e no espírito da missão que nos leva, que estamos a candidatarmos para membro não permanente do Conselho de Segurança [das Nações Unidas] para o próximo mandato. E isso condiz sempre no primórdio de levarmos a paz ao continente e ao mundo. Muito obrigado.”

–– O chefe da diplomacia dos EUA como intérprete ––
John Kerry bem que tentou não mostrar embaraço por não ter à disposição no Departamento de Estado um tradutor-intérprete. “Eu sei que ele fala, estávamos a contar com o seu excelente inglês, que eu sei que fala, mas, basicamente, quer resumir ou quer que eu diga?”, perguntou dirigindo-se ao vice-presidente de Angola. “Claro que pode”, respondeu Manuel Vicente.

O chefe da diplomacia norte-americana prossegue: “O resumo mais rápido do mundo é que ele declarou que estava muito feliz por estar aqui em Washington com o secretário de Estado, muito feliz por fazer parte nesta conferência, que deseja trabalhar conosco adiante e para a estabilização contínua do continente africano. Falou sobre o crescimento e o desenvolvimento e as relações económicas. E acho que este é um resumo rápido”, parafraseou Kerry.

A seguir perguntou a Manuel Vicente: “Está bom assim?” E o vice-presidente angolano respondeu afirmativamente. John Kerry teria embaraços maiores se não contasse com o facto de saber a Língua Portuguesa e de estar casado há quase 20 anos com uma portuguesa nascida em Moçambique, Maria Teresa Simões Ferreira, mais conhecida como Teresa Heinz Kerry.

–– Um gesto de afirmação ––
Antes do constrangimento que a diplomacia norte-americana teve por não contar com intérpretes em português, Kerry havia elogiado Angola e a liderança do presidente do país, José Eduardo dos Santos. E declarou ter testemunhado o progresso da economia angolana na ocasião de sua recente visita a Luanda.

“Temos fortalecido nossas relações económicas com Angola, e esperamos fazer isso ainda mais. E parabenizamos Angola pelo trabalho significativo que eles têm feito em ajudar a reintegrar umas 500 mil pessoas a mais que estavam deslocadas devido a uma guerra civil muito longa. É de grande monta o que está a acontecer, e Angola é um dos países em que é evidente a transformação que vem a estabelecer-se em África”, disse John Kerry.

A atitude de afirmação do vice-presidente angolano foi simbolicamente exemplar e altiva, ao seguir um procedimento feito cada vez mais pelos líderes políticos dos países da Lusofonia, de se expressarem ao mundo na Língua oficial da nação que representam. E ainda por considerar que há um número estimado de 1,4 milhão de lusofalantes nos Estados Unidos da América.

Já que os próprios representantes do Governo dos EUA, por onde vão, fazem seus pronunciamentos em inglês, uma língua de valor internacional inegável, nada mais justo que os líderes da Lusofonia se expressem no estrangeiro em uma Língua parelha ao inglês, de longa história internacional e transcultural. Na Língua que une o povo de Angola e que é uma grande Língua do mundo.  :::

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• O pronunciamento do vice-presidente da República de Angola, Manuel Domingos Vicente, na sede do Departamento de Estado dos EUA, em Washington, na Cimeira Estados Unidos-África, em 5 de agosto de 2014.

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–– Extraído de reportagens da Rede Angola e da rede de televisão ABC (EUA) ––

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