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Guiné Equatorial: crianças aprendem português com sotaque brasileiro

In Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 29 de Julho de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Da Agência Lusa
21 de julho de 2014

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“Eu sei apresentar-me em português: ‘Bom dia, sou a Constança'”, diz uma menina de nove anos, em um sotaque brasileiro, na Embaixada do Brasil em Malabo, capital da Guiné Equatorial.

Na cidade, existem 300 alunos de português que frequentam um projeto-piloto da Embaixada do Brasil e que tem tido um grande sucesso no país que participou da Cimeira de Díli, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

As aulas decorrem na embaixada do Brasil e no Centro Cultural Equato-Guineense. Shirleide Pereira é a professora da turma de Constança, que inclui 20 crianças, com aulas duas vezes por semana.

O projeto inclui um jornal, O Carioca, que é distribuído pela embaixada e em que se podem ler os trabalhos dos alunos. “Temos de desenvolver o português e para isso é preciso criar um curso. Quando eu abri o curso, em abril de 2012, tínhamos um espaço para 100 alunos e apareceram quase 300”, recorda Eliana Puglia, a embaixadora cessante do Brasil.

Desde que se começou a falar na adesão à CPLP, a diplomata já nota diferença. Está-se a criar um “‘portunhol’ que é falado nas ruas” e a “Língua Portuguesa é muito acarinhada”.

–– Rumo à abertura em uma “semidemocracia autoritária” ––
Apoiante da entrada do país, o Brasil acha que esta adesão constitui uma “oportunidade” para a organização e a aposta deve ser no alargamento: “A CPLP deve crescer porque na medida em que cresce, cresce também a nossa cultura.”

A formalização do português como Língua oficial da Guiné Equatorial “vai forçar que cada vez mais pessoas falem português”, podendo depois gerar benefícios para todos.

“Na hora de fazer o comércio, eles vão fazer com os portugueses, com os brasileiros e com os angolanos” e haverá “uma abertura muito maior”, diz a diplomata, confiando que a Cimeira de Díli seja um “momento certo” para a formalização da entrada do país. Caso “demore muito tempo a acontecer, pode ser que a gente perca o bom da história”, diz Eliana Puglia, que reconhece a existência de vários problemas de direitos humanos no país, mas salienta que o Governo está a fazer um esforço para resolvê-los.

“Há um processo de abertura gradual neste país e, pelo que era, está a ser bastante rápido”, diz a embaixadora, que invoca a sua própria experiência para aconselhar a sociedade civil dos países ocidentais. “Depois de três anos em África, acho que temos de respeitar as tradições africanas”, que têm um modelo de gestão “quase feudal e tribal de sociedade antiga”.

No entanto, reconhece, a Guiné Equatorial ainda continua a ser “uma semidemocracia autoritária”, mas para mudar isso é necessário formar a sociedade civil. Por isso é que as aulas de português podem ajudar a formar uma nova consciência política.

“Um aluno vem para a aula e sabe que no Brasil vai haver eleições e vê a briga que existe”, diz Eliana Puglia, acrescentando: “Só a mera existência do exemplo” do que se passa noutros países “já é alguma coisa”.

–– O primeiro livro didático em português da Guiné Equatorial ––
As aulas são ministradas por dois professores brasileiros e um português. Shirleide Pereira lida em particular com as crianças, com as quais “é possível fazer a diferença” porque “têm muita facilidade” em aprender. “Sou apaixonada por dar aulas” e a adesão inicial “surpreendeu bastante”.

Um dos instrumentos didáticos é o primeiro livro escrito em Língua Portuguesa, pela própria embaixadora e por outro professor, Emmanuel Laureano, denominado Conhecendo Malabo.

No livro, são feitas comparações lexicais e fonéticas entre o espanhol e o português, juntando também exercícios básicos para as crianças.

O livro inclui-se também em um dos “escopos da diplomacia brasileira”, que é a “difusão do português”, refere a diplomata.

Rodrigo, de 10 anos; Gael, 9; Willie, 9; Frankin, 8; Sara, 5; Rossia, 7; e Manuel, 7. São colegas de Constança em um projeto a marcar o início das aulas de Língua Portuguesa em um país que usa mais o espanhol nas ruas.

“Gosto muito de português”, mas “falo melhor espanhol”, resume Emerson, de 9 anos.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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