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Aprender um novo idioma faz bem para o cérebro – e em qualquer idade

In Lusofonia e Diversidade on 17 de Julho de 2014 by ronsoar Tagged: , , , ,

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Uma notícia positiva para quem aprende a falar e a escrever a Língua Portuguesa no exterior. Ou para quem, no mundo lusófono, fala uma língua local e aprende em seguida a comunicar-se em português – mesmo em uma fase mais avançada da vida.

Uma investigação conduzida por cientistas britânicos comprova os benefícios para as funções cognitivas – isto é, a capacidade de o cérebro aprender informações novas – proporcionados pelo aprendizado de uma segunda língua.

Aprender um outro idioma faz bem para o cérebro em qualquer idade. Esta é a conclusão do estudo citado em reportagem do sítio LiveScience – especializado em noticiário científico – cuja matéria é a seguir reproduzida em Ventos da Lusofonia.

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–– Aprender um novo idioma ajuda o cérebro em qualquer idade ––

Christopher Wanjek
do sítio LiveScience (EUA)
2 de junho de 2014

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Aprender uma segunda língua pode ajudar a melhorar a função cerebral, independentemente de quando se começa: é o que sugere um novo estudo.

Os investigadores descobriram que jovens adultos proficientes em duas línguas obtinham melhor desempenho em testes de atenção e tinham melhor concentração do que aqueles que falavam apenas uma língua, independentemente de terem aprendido a segunda língua durante a infância ou a adolescência.

O estudo aparece na última edição da revista Frontiers in Psychology, e foi conduzido pelo doutor Thomas Bak, livre docente da Escola de Filosofia, Psicologia e Ciências da Linguagem de Edimburgo (na Escócia, Reino Unido).

Não está ainda claro se o efeito positivo estende-se às pessoas que aprendem uma língua na meia idade ou até mais tarde na vida, mas Bak e outros investigadores do cérebro humano disseram não ver nenhuma razão por tal não ocorrer, e que este é o foco dos estudos em andamento.

–– Melhora na atenção auditiva ––
No ano passado, Bak e seus colegas indianos da Universidade de Haiderabad descobriram que pessoas na Índia que falavam mais de uma língua a partir de uma idade muito jovem desenvolviam demência cerca de quatro anos mais tarde, em média, comparados àqueles que falavam apenas um idioma.

Esta descoberta inspirou Bak a investigar os benefícios cognitivos de aprendizagem de uma segunda língua na idade adulta. No novo estudo, os jovens adultos bilíngues tiveram desempenho melhor quanto a ignorar estímulos irrelevantes e a focar-se em informações relevantes.

Uma possível razão para essa habilidade é que esses próprios processos – o de aprender duas línguas e o de mudar constantemente de uma língua para outra – treinam o cérebro para estar mais sintonizado com a informação auditiva, afirma Bak.

Esta melhoria no que é chamado de atenção auditiva é essencialmente uma medida de concentração, e poderia, por exemplo, habilitar uma pessoa a extrair melhor as informações relevantes de uma palestra, disse Bak.

Ele também observou que muitos medicamentos, que visavam diminuir os efeitos do mal de Alzheimer, funcionam pela tentativa de melhorar esse mecanismo de atenção.

Bak observou que o estudo foi pequeno (incluiu 38 estudantes universitários monolíngues e 60 bilíngues) e os participantes realizaram apenas poucos testes mentais; sendo que os alunos mais velhos bilingues tinham apenas 19 anos de idade.

Em um segundo estudo, publicado a 2 de junho na revista Annals of Neurology, Bak tentou determinar se os efeitos positivos do bilinguismo na cognição poderiam realmente agir no sentido contrário: de que as pessoas que têm melhores funções cognitivas são mais aptas a aprender línguas estrangeiras.

Para isso, Bak analisou 853 participantes, cuja inteligência foi testada pela primeira vez em 1947 e, em seguida, testados novamente entre 2008 e 2010.

Ele verificou que as pessoas bilíngues neste grupo tinham de facto um desempenho melhor do que o esperado em testes de inteligência na sua idade avançada, e que apresentaram menor declínio cognitivo relativo em comparação com pessoas monolíngues.

–– “Nada é mais envolvente ao cérebro do que aprender uma nova língua” ––
“Este é um belo estudo que é um acréscimo ao corpo da literatura especializada por tentar descobrir exatamente as condições nas quais o bilinguismo melhora a função cognitiva”, disse a doutora Ellen Bialystok, professora e especialista em bilinguismo na Universidade de York, em Toronto, Canadá, e que não participou desta investigação.

A especialista canadense acrescentou que “muito está ainda a ser feito” para que se compreendam os benefícios específicos do bilinguismo em todas as idades e populações.

A doutora Ellen Bialystok, no entanto, ficou mais otimista. “Não há nada que eu possa pensar que seja mais difícil ou mais cognitivamente envolvente do que tentar aprender uma outra Língua”, disse ela. Aprender uma segunda língua em qualquer idade “é uma excelente atividade para manter as funções cognitivas”.  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares.)

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WANJEK, Christopher. Learning a new language at any age helps the brain.
Extraído do sítio LiveScience (EUA).
Publicado em: 02 jun. 2014.

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