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É preciso abandonar o complexo de inferioridade da Língua Portuguesa – Isabelle Oliveira

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 10 de Junho de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , , , ,

Com base em entrevista ao jornal digital iOnline (Portugal)

Isabelle Oliveira: "Queremos é restabelecer o poder da Língua Portuguesa, dar-lhe o lugar que ela merece."

Isabelle Oliveira: “Queremos é restabelecer o poder da Língua Portuguesa, dar-lhe o lugar que ela merece.”

A diretora da Faculdade de Línguas Estrangeiras Aplicadas da Universidade Sorbonne Nouvelle Paris 3, Isabelle Oliveira, concedeu entrevista ao jornal digital iOnline, de Portugal, na ocasião do 10 de Junho – Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

“Em minha casa sempre se falou francês mas eu sempre tive um carinho especial pelo português. Considero-me franco-portuguesa mas não me revejo de maneira nenhuma no conceito de lusodescendente”, disse.

À frente de um cargo de relevância no ensino e na investigação de uma das principais universidades do mundo, ela empreende ideias em prol da difusão e da promoção da Língua Portuguesa na França e no estrangeiro. “É uma Língua com um enorme potencial e vejo o português a ocupar o lugar que o inglês ocupa atualmente.”

A investigadora da Sorbonne Inclusive lançou críticas aos políticos portugueses (e aqui podemos estender aos políticos lusófonos) que se recusam a pronunciar em português e dão preferência ao inglês nas cimeiras internacionais. “Queremos é restabelecer o poder da Língua Portuguesa, dar-lhe o lugar que ela merece”, afirmou. E acrescentou que, em relação a uma política internacional para a Língua Portuguesa, a CPLP “pode ter o papel que teve a Organização Internacional da Francofonia na defesa do francês”.

Porém, apesar da grande contribuição que seu trabalho desempenha à promoção do português como Língua internacional, Isabelle Oliveira criticou a implementação e a vigência do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em 1990 e já ratificado pela maioria dos países lusófonos. Segundo suas palavras, “o Acordo vai matar o nosso património linguístico e a diversidade linguística e cultural que deviam ser a nossa força”.

Apesar da discordância quanto ao Acordo Ortográfico, a investigadora vislumbra um futuro positivo, um “futuro risonho” para a “Língua de Camões”: “Não se percebe, por exemplo, como é que o português não é uma das Línguas oficiais das Nações Unidas.”

A seguir, alguns trechos da entrevista da drª. Isabelle Oliveira, da Universidade Sorbonne Nouvelle Paris 3, ao portal iOnline, de Portugal, publicada em 7 de junho.

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Segundo Isabelle Oliveira, em relação à uma política da Língua, a CPLP "pode ter o papel que teve a Organização Internacional da Francofonia na defesa do francês". 

Segundo Isabelle Oliveira, em relação à uma política da Língua, a CPLP “pode ter o papel que teve a Organização Internacional da Francofonia na defesa do francês”.
 

:::  O português é uma Língua muito procurada na Sorbonne?  :::
Isabelle Oliveira – É o terceiro idioma com mais procura, a seguir ao inglês e ao espanhol, mas muito por mérito da universidade. Vamos aos liceus e organizamos jornadas. Não ficamos à espera dos governantes para fazer promoção.

:::  E é fácil para os estrangeiros aprender português?  :::
IO – Damos a opção de aprenderem a norma brasileira ou portuguesa. Normalmente, dizem que a fonética brasileira é mais fácil de aprender.

::: O que pode ser feito a nível governamental [pela promoção do português]? :::
IO – O Português nunca fez sequer parte dos currículos do secundário em França. Os alunos que recebemos dizem que aprendem o português nas ruas, não na escola. Não se entende, tendo em conta que é uma das Línguas mais faladas em todo o mundo. Não existe um projeto global: apenas medidas dispersas a servir demagogias impostas. A Língua Portuguesa não é propriedade de ninguém, muito menos dos políticos, mas a verdade é que nunca houve uma política da Língua em Portugal, coisa que existe em França há anos. É preciso uma política mais agressiva e abandonar o complexo de inferioridade quanto à Língua Portuguesa.

:::  Considera que a Língua Portuguesa não é defendida internacionalmente?  :::
IO – O problema começa com os governantes. Por exemplo, no Parlamento Europeu não se fala português. Há um deslize constante para o inglês ou o espanhol, quase sempre mal falado. E estamos a falar de um local que tem intérpretes. Nessas situações deviam sempre escolher falar português: é uma forma de impor o país.

:::  A CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] pode ter um papel importante nesse trabalho internacional?  :::
IO – Claro que sim. Pode ter o papel que teve a Organização Internacional da Francofonia na defesa do francês. Não se percebe, por exemplo, como é que o português não é uma das Línguas oficiais das Nações Unidas.

:::  Consegue ver a Língua Portuguesa a impor-se no futuro?  :::
IO – Como otimista que sou, vejo um futuro risonho. É uma Língua com um enorme potencial e vejo o português a ocupar o lugar que o inglês ocupa atualmente.

:::  Acha mesmo que é possível quebrar a hegemonia do inglês?  :::
IO – Não estamos numa luta contra o inglês, que esse tipo de rivalidades não leva a lado nenhum. Queremos é restabelecer o poder da Língua Portuguesa, dar-lhe o lugar que ela merece. Mas não é com uma uniformização da Língua que chegamos lá.

:::  Refere-se ao Acordo Ortográfico?  :::
IO – Sim. Nenhuma língua, até mesmo algumas com mais variantes que o português, teve de se unificar para se impor internacionalmente. O Acordo vai matar o nosso património linguístico e a diversidade linguística e cultural que deviam ser a nossa força.

:::  Considerando que Portugal sozinho não tem força para projetar a Língua, a uniformização não poderia ser uma ajuda?  :::
IO – É preciso conjugar esforços para a defesa da Língua, mas isso não passa pela sua uniformização. O Acordo é uma aberração a todos os níveis, jurídico, linguístico, cultural. É importante perceber que saímos mais enriquecidos com as diversidades de cada país.

:::  Mas já está a ser criado um Vocabulário Comum entre os países da CPLP.  :::
IO – Inicialmente achavam que suprimir meia dúzia de consoantes mudas ia resolver o problema. É evidente que não, porque as diferenças entre os países vão muito além disso, tanto a nível de escrita como culturalmente falando. O vocabulário comum para certas áreas de especialidade já existe e são os glossários. Mais que isso não me parece sensato.  :::

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Clique aqui para ler na íntegra a entrevista da drª. Isabelle Oliveira concedida a Marta Cerqueira, do jornal digital iOnline, de Portugal, publicada em 7 de junho de 2014.

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Com base em
OLIVEIRA, Isabelle. “Temos de abandonar complexo de inferioridade da Língua Portuguesa”.
(Entrevista a Marta Cerqueira.)
Extraído do jornal digital iOnline (Portugal).
Publicado em: 07 jun. 2014.

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Leia também:
Português, uma Língua científica: um desafio a superar! – Isabelle Oliveira – 18 de maio de 2014
Ser falante da Língua Portuguesa: um valor seguro! – Isabelle Oliveira – 22 de março de 2014

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