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Guiné-Bissau: eleições pacíficas e esperança de normalização política

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 25 de Maio de 2014 by ronsoar Tagged: , , ,

Da Agência Lusa, da Organização das Nações Unidas e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

O processo eleitoral da Guiné-Bissau transcorreu de forma "serena, cívica e ordeira", segundo a CPLP, o que pode trazer esperanças de estabilização política do país. 

O processo eleitoral da Guiné-Bissau transcorreu de forma “serena, cívica e ordeira”, segundo a CPLP, o que pode trazer esperanças de estabilização política do país.
 

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A Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau anunciou no dia 20 de maio de 2014 que o candidato apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), José Mário Vaz, antigo ministro das Finanças do Governo deposto no golpe de Estado de abril de 2012, foi o vencedor das eleições presidenciais com 61,9% dos votos.

Ramos-Horta declarou-se "satisfeitíssimo com este processo" eleitoral na Guiné-Bissau.

Ramos-Horta declarou-se “satisfeitíssimo com este processo” eleitoral na Guiné-Bissau.

O candidato derrotado na segunda volta, o independente Nuno Nabian – que contou com o apoio do Partido da Renovação Social (PRS) – obteve 38,1% dos votos.

Em 13 de abril, o mesmo dia da primeira volta das eleições presidenciais, haviam sido realizadas as eleições legislativas, ganhas pelo PAIGC com maioria absoluta na Assembleia Popular Nacional.

“Neste momento, gostaríamos de endereçar as nossas felicitações ao presidente eleito e ao candidato derrotado por terem valorizado o processo”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicano, Oldemiro Baloi em entrevista à Agência de Informação de Moçambique (AIM).

“A eleição do presidente da Guiné-Bissau não é um fim em si, mas um importante passo no processo de normalização da situação política neste país irmão”, declarou Oldemiro Baloi.

–– Ramos-Horta e Chissano parabenizam eleições “sem problemas” ––
O representante do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Guiné Bissau, José Ramos-Horta, ex-presidente de Timor-Leste, afirmou que o segundo turno das eleições presidenciais, realizado domingo, decorreu sem problemas.

“Eu, pessoalmente, representante do secretário-geral, partilhando a opinião de todos os outros observadores, estou satisfeitíssimo com este processo. Até agora, em que a contagem está a decorrer, não tem havido qualquer incidente”, declarou em 19 de maio.

Joaquim Chissano: "ambiente pacífico e ordeiro" na segunda volta das eleições guineenses.

Joaquim Chissano: “ambiente pacífico e ordeiro” na segunda volta das eleições guineenses.

Ramos-Horta falou também sobre a expectativa do próximo presidente da Guiné-Bissau para lidar com as divergências internas.

“Importante é que o líder eleito seja um homem prudente, sensato, sensível, inteligente, com experiência, e que possa fazer a gestão correta de todas essas forças diferentes ou facções que existem no seu partido para que ele possa governar. Esta é a realidade da vida, a realidade da política. Quem quer ser líder tem que saber gerenciar bem as diferenças e conflitos que existem no seio do seu partido político, no seio da sociedade e no seio do país.”

O ex-presidente de Moçambique e chefe da Missão de Observadores da União Africana na Guiné-Bissau, Joaquim Chissano, também considerou que a segunda volta das eleições presidenciais no país ocorreu dentro de um “ambiente pacífico e ordeiro”.

Joaquim Chissano destacou o “grau de profissionalismo”, que “foi mais alto do que no primeiro turno”.

“A contagem dos votos foi feita à luz do dia, com uma boa participação de todos os intervenientes. Os delegados dos candidatos estavam presentes e todas as dúvidas sobre a situação de um voto ou de outro foram resolvidas, por consenso ou unanimidade, mesmo pelos presentes entre os agentes eleitorais e os agentes dos candidatos”, ressaltou Chissano.

Leonardo Simão, da CPLP: "O povo guineense mostrou o seu espírito ordeiro e cívico."

Leonardo Simão, da CPLP: “O povo guineense mostrou o seu espírito ordeiro e cívico.”

–– CPLP saúda eleição “serena, cívica e ordeira” ––
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em comunicado também saudou os candidatos, as autoridades políticas e a população da Guiné-Bissau pela realização das eleições legislativas e das duas voltas das eleições presidenciais no país africano.

“O povo guineense mostrou o seu espírito ordeiro e cívico no exercício do seu direito de voto”, disse o chefe da Missão de Observação Eleitoral da CPLP, Leonardo Simão, no último dia 19 de maio.

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A seguir, Ventos da Lusofonia reproduz na íntegra o comunicado da CPLP sobre as eleições na República da Guiné-Bissau, datado de 21 de maio de 2014.

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–– Comunicado da CPLP sobre as eleições
na República da Guiné-Bissau ––

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A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) saúda, com satisfação, o povo da Guiné-Bissau, as forças políticas e os candidatos eleitorais pela sua participação serena, cívica e ordeira nas eleições legislativas e presidenciais de 13 de abril de 2014 e na segunda volta presidencial de 18 de maio de 2014.

A CPLP toma nota da postura construtiva das forças de defesa e segurança da Guiné-Bissau durante todo o processo eleitoral e ressalta a importância do respeito pela ordem democrática, no novo período histórico que se inaugura no país.

A realização destas eleições reflete a vontade genuína de todas as partes em trabalhar para a reposição da legalidade constitucional e consolidação do Estado de Direito democrático.

A CPLP exorta as autoridades saídas das presentes eleições e todas as forças políticas e o conjunto da sociedade guineense ao diálogo, com vista a promover a coesão e unidade nacional, essenciais para a paz efetiva e progresso económico e social da Guiné-Bissau;

A CPLP manifesta a expectativa de que, com a formação do novo governo, emanado da vontade popular, a Guiné-Bissau reassuma plenamente a sua participação na Comunidade.

A CPLP reitera a sua plena disponibilidade para prestar o apoio necessário à estabilidade duradoira da Guiné-Bissau, em concertação com os atores políticos, sociedade guineense e parceiros sub-regionais, regionais e internacionais do país.

:::  Lisboa, 21 de maio de 2014  :::

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–– Extraído da Agência Lusa, da Organização das Nações Unidas e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ––

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