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Português, uma Língua científica: um desafio a superar! – Isabelle Oliveira

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional on 18 de Maio de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , , ,

Isabelle Oliveira, da Sorbonne de Paris: "A Língua Portuguesa pode afirmar-se como uma Língua científica, técnica, económica, financeira, jurídica, e tem vocação para ser uma Língua da sociedade da informação." 

Isabelle Oliveira, da Sorbonne de Paris: “A Língua Portuguesa pode afirmar-se como uma Língua científica, técnica, económica, financeira, jurídica, e tem vocação para ser uma Língua da sociedade da informação.”
 

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O papel da Língua Portuguesa como Língua viva, moderna, útil para expressar todos os ramos do conhecimento humano, criativa e adaptável às novas tecnologias é um dos valores de ação linguística defendidos aqui no blogue Ventos da Lusofonia. E cada vez mais os principais especialistas de estudos linguísticos percebem esta real necessidade de afirmação da “Língua filha ilustre do Latim” e para manter-se como Língua de importância mundial para o século XXI. E também para estar em concordância com a defesa do multilinguismo no mundo.

Dentre esses especialistas de renome, está a professora drª. Isabelle Oliveira, diretora da Faculdade de Línguas Estrangeiras Aplicadas, da Universidade Sorbonne-Nouvelle Paris 3 – uma das mais conceituadas universidades do mundo. Ela é autora de recente artigo na Internet em defesa do uso da Língua Portuguesa como grande Língua para as comunicações dos conceitos do mundo atual: entre os quais, o uso como Língua da ciência e da tecnologia.

As declarações da drª. Isabelle Oliveira vão em concordância com as diretrizes estabelecidas pelo Plano de Ação de Lisboa, elaborado em outubro de 2013 durante a II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, com foco no papel do português como Língua de investigação científica e de expressão das tecnologias de ponta.

A académica questiona: é justo “aceitar, resignadamente, o uso de uma única Língua da economia e das finanças?” Seria correto, “resignadamente, investigar, trabalhar e negociar em uma única Língua, que uns dominarão sempre mais do que outros?”

Em seguida, lança a resposta: “Devemos tornar-nos insurretos linguísticos, cientes de que, a par de outras línguas, o português pode afirmar-se como Língua científica, técnica, económica, financeira, jurídica”, dentre outras importantes aplicações para uma grande Língua no século XXI.

“Até em ciência é necessário proteger e fomentar as diversidades de pensamento, de concepções, de imaginário cultural”, afirma a académica da Sorbonne de Paris, “e, nesse aspecto, nada as favorece tanto quanto a diversidade linguística.”

“A possibilidade de contar com uma manifestação, em Língua Portuguesa, da ciência viva, original, de qualidade”, conclui a drª. Isabelle Oliveira, “seria a forma mais segura de evitar determinados monopólios.”

A seguir, o artigo da professora drª. Isabelle Oliveira intitulado Português, uma Língua científica: um desafio a superar! Foi publicado no portal iOnline, no último dia 16 de maio.  :::

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–– Português, uma Língua científica: um desafio a superar! ––

Do sítio iOnline (Portugal)
16 de maio de 2014

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Tendo em conta o papel estratégico da Língua Portuguesa e da diversidade linguística e cultural, é inegável que, alicerçados nos verdadeiros valores da Lusofonia, podemos fomentar a evolução do projeto político de um mundo mais justo, mais democrático e com maior respeito pelas diferenças.

Será coerente denunciar as tendências da economia e das finanças na era da mundialização e aceitar, resignadamente, o uso de uma única Língua da economia e das finanças? Será coerente denunciar a falta de democracia nas organizações internacionais e nas relações internacionais e, resignadamente, investigar, trabalhar e negociar em uma única Língua, que uns dominarão sempre mais do que outros?

Porque recusamos a segregação linguística e o darwinismo cultural, já não estamos dispostos a confiar a um globish – uma atrofia conceptual – a missão de transmitir toda a complexidade e diversidade do pensamento através de uma parca lista de 1.500 palavras.

Devemos tornar-nos insurretos linguísticos, cientes de que, a par de outras línguas, a Língua Portuguesa pode afirmar-se como uma Língua científica, técnica, económica, financeira, jurídica, e que tem vocação para ser uma Língua de transmissão de conhecimentos e de produção de material de referência, uma Língua profissionalizante, uma Língua da sociedade da informação, uma Língua de criação artística e cultural.

–– O português científico ––
Uma ação em prol do “português científico” só pode surtir algum efeito se for articulada e empreendida no âmbito de uma intervenção ponderada e resoluta a favor da projeção científica dos países lusófonos.

Ora, para esses países, tal projeção implica um domínio quádruplo, tanto a nível do ensino, quanto da investigação: o domínio da transmissão do saber e dos conhecimentos, o domínio da sua capacidade criadora, o domínio da avaliação dos resultados, o domínio da respectiva difusão. É no domínio destas diversas vertentes que importa analisar como, e em que medida, o uso do português pode e deve desempenhar o papel de “Língua científica”.

Talvez essa comunidade linguística venha a descobrir, progressivamente, o significado profundo que pode ter – tanto para a última quanto para toda a comunidade científica – a preservação e o desenvolvimento de um pensamento científico que é procurado, desenvolvido, manifestado e transmitido recorrendo frequentemente à Língua Portuguesa. Descobrirá, então, que não deve ceder à tentação da uniformização que, em ciência, se afigura inebriante.

Até em ciência é necessário proteger e fomentar as diversidades de pensamento, de concepções, de imaginário cultural e, nesse aspecto, nada as favorece tanto quanto a diversidade linguística.

A possibilidade de contar com uma manifestação, em Língua Portuguesa, da ciência viva, original, de qualidade, sustentada pelas reflexões e pelos trabalhos da comunidade lusófona, estimulada pelas suas próprias necessidades, mas aberta à comunidade mundial e com ela articulada, seria a forma mais segura de evitar determinados monopólios.

Uma utopia?… Um sonho inalcançável?… Juntamente com outras famílias linguísticas, a nossa missão consiste em mostrar as dificuldades inerentes a este repto, esclarecer os objetivos, revelar a magnitude dos meios necessários e aclarar as condições para a sua consecução. Face às suas dúvidas, estarão os nossos países e os nossos dirigentes disponíveis para superar o desafio?  :::

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OLIVEIRA, Isabelle. Português, uma Língua científica: um desafio a superar!
Extraído do sítio iOnline (Portugal).
Publicado em: 16 maio 2014.

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Leia também:
O Plano de Ação de Lisboa sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial – 02 de março de 2014

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