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A Galiza e a Lusofonia – sem “truques” – Renato Epifânio

In Língua Portuguesa Internacional, Lusofonia e Diversidade on 29 de Abril de 2014 by ronsoar Tagged: , , , ,

Renato Epifânio, presidente do Movimento Internacional Lusófono, defende lei de Ensino de Português na Galiza e a representação da comunidade galega na CPLP. 

Renato Epifânio, presidente do Movimento Internacional Lusófono, defende lei de Ensino de Português na Galiza e a representação da comunidade galega na CPLP.
 

Renato Epifânio é presidente do Movimento Internacional Lusófono, organização com sede em Lisboa e voltada para a promoção da cultura lusófona no mundo e para a integração dos países da Lusofonia e das comunidades falantes de português espalhadas pelo mundo.

Ele manifestou defesa à aprovação por unanimidade, em 11 de março deste ano, da Iniciativa Legislativa Popular Valentín Paz-Andrade pelo Paço do Hórreo, o Parlamento da Galiza. Ela foi transformada na Lei para o Aproveitamento da Língua Portuguesa e Vínculos com a Lusofonia, promulgada pela Junta da Galiza no último dia 8 de abril.

Segundo o texto da lei que entrou em vigor no dia 9 de abril, “os poderes públicos galegos” têm o compromisso de promover “o conhecimento da Língua Portuguesa e das culturas lusófonas para aprofundar os laços históricos que unem a Galiza aos países e comunidades de Língua Portuguesa.”

A entrada em vigor da lei na comunidade autónoma do noroeste da Espanha rendeu esta opinião crítica da direção editorial do jornal Público, de Portugal, veiculada no dia 10 de abril, e intitulada A Galiza e o estranho mundo da Lusofonia, cujo texto segue-se na íntegra:

Agora que Teodoro Obiang prepara a adesão da sua ditadura equatorial à CPLP, o que deve suceder lá para o Verão, surge a notícia de que a Galiza aposta no Ensino do Português para estreitar laços com os países da Lusofonia. Ora a Galiza, região de Espanha com privilegiadas relações com Portugal, nunca precisou de truques para selar essa proximidade. Foi lá, até, que José Afonso estreou Grândola, Vila Morena, e não no Alentejo, em Lisboa ou no Porto. E quem diz ele diz milhares de portugueses, ou de galegos, que estreitaram laços sem pensar em leis. Mas agora é com força de lei que o Português integra o ensino obrigatório na Galiza e isso há de ser aplaudido com euforia pelos que ambicionam ver a Galiza como parte da CPLP, alterando-lhe os estatutos para também receber regiões (o Ensino do Português ajudará essa “causa”). Mas nada melhor, entre Portugal e Galiza, do que uma relação de respeito recíproco e em total liberdade.  :::

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Em resposta ao editorial, Renato Epifânio escreveu cinco dias depois ao mesmo jornal: “Parece-nos perfeitamente natural esse estreitamento de laços com os países da Lusofonia e que isso passe, desde logo, pelo ensino da Língua.”

O autor também defende que a Galiza e outras regiões lusófonas do mundo tenham o direito de serem representadas na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Salvaguardando a diferença de estatuto entre regiões e países, o espaço lusófono só ficará completo quando abarcar e abraçar não apenas os países como todas essas regiões”, disse Epifânio. “Tudo isto, obviamente, respeitando a vontade expressa das pessoas de cada uma dessas regiões – como foi agora o caso.”

Se a Galiza pretende, pois, ‘estreitar laços com os países da Lusofonia’, não percebemos o incómodo que isso possa causar”, complementa o presidente do Movimento Internacional Lusófono, lembrando que “foram os parlamentares galegos que (por unanimidade, reitero) votaram esta iniciativa”.

Ventos da Lusofonia reproduz a seguir o texto de Renato Epifânio veiculado na edição de 15 de abril de 2014 do jornal Público, de Portugal, em defesa do Ensino de Português na Galiza e da integração maior da região com o mundo lusófono.

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A Galiza e a Lusofonia – sem “truques” ––

Renato Epifânio
do jornal Público (Portugal)
15 de abril de 2014

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No editorial da sua edição de 10 de abril do corrente ano, o jornal Público, sob o título A Galiza e o estranho mundo da Lusofonia, qualifica como um “truque” a recente (data de 11 de março) aprovação parlamentar, por unanimidade, da Iniciativa Legislativa Popular “Valentín Paz-Andrade”, que visa não só, conforme é dito, o ensino obrigatório da Língua Portuguesa na Galiza, como ainda o relacionamento institucional e a recepção dos mass media portugueses. Tudo isto para, como é dito no editorial, “estreitar laços com os países da Lusofonia”.

Com o devido respeito, não vemos onde está o “truque”. Parece-nos perfeitamente natural esse estreitamento de laços com os países da Lusofonia e que isso passe, desde logo, pelo ensino da Língua. O que tem sido um “truque”, ou seja, algo de totalmente artificial, tem sido a política oficial nas últimas décadas de escamoteamento da especificidade da Língua e da cultura galega e do voltar de costas ao espaço lusófono. Que finalmente o Parlamento galego tenha reconhecido, por unanimidade, o óbvio, isso só pode pecar por tardio.

No editorial diz-se ainda que a medida “há de ser aplaudida com euforia pelos que ambicionam ver a Galiza como parte da CPLP, alterando-lhe os estatutos para também receber regiões”. Tirando a referência à “euforia” (apenas porque não sou dado a esse tipo de sentimentos), assumo que aplaudo a iniciativa e que também me parece natural que a Galiza esteja institucionalmente representada na CPLP, assim como outras regiões com ligações históricas ao espaço lusófono – como, apenas para dar três exemplos, Goa, Macau e Malaca. Salvaguardando a diferença de estatuto entre regiões e países, o espaço lusófono só ficará completo quando abarcar e abraçar não apenas os países como todas essas regiões.

Tudo isto, obviamente, respeitando a vontade expressa das pessoas de cada uma dessas regiões – como foi agora o caso. Se a Galiza pretende, pois, “estreitar laços com os países da Lusofonia”, não percebemos o incómodo que isso possa causar (a menos que se continue a agitar o “papão espanhol”). Se, como se escreve ainda no referido editorial, deve haver uma “relação de respeito recíproco e em total liberdade”, não compreendemos em que medida esta iniciativa põe em causa esse respeito recíproco e essa total liberdade. Foram os parlamentares galegos que (por unanimidade, reitero) votaram esta iniciativa.

Que a iniciativa seja aplaudida em Portugal e um pouco por todo o espaço lusófono, isso só pode ser visto como um bom sinal: não só do reconhecimento do nosso passado histórico comum, como, sobretudo, da importância para o nosso futuro coletivo do desígnio estratégico da convergência lusófona – no plano cultural, desde logo, mas também nos planos social, económico e político. Não por acaso: nesta quarta-feira, 16 de abril, na Sociedade de Geografia de Lisboa, no âmbito do II Congresso da Cidadania Lusófona, o MIL: Movimento Internacional Lusófono entregará o Prémio Personalidade Lusófona ao cidadão galego (e lusófono) Ângelo Cristóvão, em reconhecimento de todo o seu incansável trabalho em prol do reforço dos laços entre a Galiza e a Lusofonia. Fica o convite. Sem “truques”.  :::

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EPIFÂNIO, Renato. A Galiza e a Lusofonia – sem “truques”.
Extraído do jornal Público – seção Opinião
Lisboa, Portugal.
Publicado em: 15 abr. 2014.

 

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