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Faleceu o escritor português Vasco Graça Moura

In Defesa da Língua Portuguesa, O Mundo de Língua Portuguesa on 27 de Abril de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência Lusa, da RTP e do jornal Público (Portugal)
27 de abril de 2014

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Faleceu no final da manhã de 27 de abril de 2014, no Hospital da Luz, em Lisboa, o escritor e tradutor Vasco Graça Moura, aos 72 anos, disse à Agência Lusa fonte do Centro Cultural de Belém (CCB).

Poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo, cronista e tradutor de clássicos, Vasco Navarro da Graça Moura nasceu em 1942 na cidade do Porto e licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa. Exerceu a advocacia até 1983, quando enveredou-se em definitivo pela carreira literária.

Estreou-se nas letras com Modo Mudando (1962). Publicou, entre outros, A Sombra das Figuras (1985), A Furiosa Paixão pelo Tangível (1987), Testamento de VGM (2001) e Os Nossos Tristes Assuntos (2006). Reuniu a Poesia Toda, em dois volumes com um total de mais de mil páginas, em 2012.

Além de escritor, Vasco Graça Moura traduziu grandes obras da literatura ocidental para a Língua Portuguesa.

Além de escritor, Vasco Graça Moura traduziu grandes obras da literatura ocidental para a Língua Portuguesa.

Graça Moura foi administrador da Imprensa Nacional-Casa da Moeda ao longo da década de 1980. Entre 1988 e 1995, foi presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Foi diretor da Fundação Casa de Mateus e diretor do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1996 e 1999. O escritor era militante do PSD (Partido Social Democrata) e foi eurodeputado – membro do Parlamento Europeu – entre 1999 e 2009.

Em janeiro de 2012, substituiu António Mega Ferreira na presidência da Fundação Centro Cultural de Belém.

Vasco Graça Moura também tornou-se conhecido nos últimos anos por ser uma das vozes de maior oposição ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.

Recebeu o Prémio Pessoa de 1995 e o Prémio Vergílio Ferreira de 2007 – este oferecido pela Universidade de Évora –, os prémios de Poesia do PEN Clube Português e da Associação Portuguesa de Escritores, que também lhe atribuiu o Grande Prémio de Romance e Novela, entre outras distinções.

Na homenagem que a Fundação Gulbenkian lhe dedicou em janeiro deste ano – ocasião em que recebeu do presidente Aníbal Cavaco Silva a comenda da Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada –, foi coletada esta frase do poeta, autor e intelectual português: “A poesia é a minha forma verbal de estar no mundo”.

“Momento de luto para a cultura portuguesa” ––
O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho lamentou a morte de Vasco Graça Moura, afirmando que este é um “momento de luto para a cultura” portuguesa e “para a vida cívica do país”.

“Portugal perdeu hoje [27 de abril] um dos seus maiores cidadãos”, afirmou o chefe do Governo da República Portuguesa em uma mensagem divulgada ao início da tarde, na qual acrescenta que foi com um “profundo pesar” que soube da morte do presidente do Centro Cultural de Belém.

Afirmando que ambos estavam ligados por “laços de amizade”, Passos Coelho lembrou que Vasco Graça Moura deixou um “vasto legado literário, marcado pela inspiração e pela dedicação à Língua Portuguesa, que enriqueceu como poucos, uma constante procura da identidade nacional e um clarividente pensamento sobre as raízes, a herança política e filosófica e o futuro da Europa”.

O primeiro-ministro destacou ainda a sua atividade como “divulgador das letras portuguesas”, como responsável por várias e prestigiadas instituições nacionais e o seu percurso político “marcado pela coragem, pela frontalidade e pelo arreigado humanismo com que assumiu a cada passo as suas convicções”.

“Por tudo isto, Vasco Graça Moura recebeu em vida as mais altas honras e distinções”, acrescentou Passos Coelho, destacando a homenagem que lhe foi prestada em janeiro na Fundação Calouste Gulbenkian.

–– “Obra considerável” de “um criador invulgar” ––

Vasco Graça Moura foi um dos principais opositores ao Acordo Ortográfico de 1990.

Vasco Graça Moura foi um dos principais opositores ao Acordo Ortográfico de 1990.

“Quando penso na poesia portuguesa, julgo que é uma obra considerável e daquelas que irá ficar. Vê-la interrompida desta maneira é sempre uma péssima notícia para a nossa cultura”, disse o poeta Nuno Júdice.

Em entrevista ao jornal Público, a escritora, poeta e editora Maria do Rosário Pedreira declarou: “Com a morte de Vasco Graça Moura, perdemos um dos nossos últimos verdadeiros intelectuais: um homem com uma cultura extraordinária da grande e da pequena história, melómano, literato, e um criador invulgar que nos lega uma obra felizmente bastante extensa, e ainda, por meio das suas traduções, a obra de muitos outros autores de épocas e estilos diferentes com a sua marca poética muito especial.”

“Além disso, era a voz com mais peso contra o Acordo Ortográfico e, também por isso, vai fazer muita falta”, acrescentou a autora.

Vasco Graça Moura recebeu de Cavaco Silva comenda da República Portuguesa em cerimónia na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa em janeiro de 2014. 

Vasco Graça Moura recebeu de Cavaco Silva comenda da República Portuguesa em cerimónia na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa em janeiro de 2014.
 

–– Graça Moura “deixa uma marca indelével na cultura portuguesa” ––
“Neste momento de luto, rendo a minha homenagem ao homem de letras e ao homem de ação, que deixa uma marca indelével tanto na literatura, como no debate democrático de ideias e na defesa da nossa cultura”, lê-se em mensagem divulgada no sítio da Presidência da República Portuguesa.

Na missiva, Aníbal Cavaco Silva sublinha que foi com “profundo pesar” que tomou conhecimento da morte de Vasco Graça Moura, “um dos maiores escritores portugueses das últimas décadas e um dos intelectuais que mais contribuíram para a afirmação e a projeção internacional da nossa cultura”.

“Poeta e romancista de prestígio abundantemente reconhecido, quer entre nós, quer no espaço europeu, Graça Moura foi também o tradutor de alguns dos grandes autores do Ocidente para a Língua Portuguesa, a qual enriqueceu como poucos”, recorda Cavaco Silva.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa, da RTP e do jornal Público (Portugal) ––

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