Articles

A Cooperação na Lusofonia: tema do II Congresso da Cidadania Lusófona em Lisboa

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 21 de Abril de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , , , , ,

Da Agência Lusa e da PASC – Plataforma Ativa da Sociedade Civil (Lisboa, Portugal)

.
Uma pergunta: Que Prioridades na Cooperação Lusófona? Esse foi o tema central do II Congresso da Cidadania Lusófona, ocorrido no dia 16 de abril de 2014 na sede da Sociedade de Geografia de Lisboa.

O evento foi coordenado pelo Movimento Internacional Lusófono e pela Sphaera Mundi – Museu do Mundo, no âmbito da Plataforma Ativa da Sociedade Civil (PASC).

O primeiro painel teve como tema “A Lusofonia no Século XXI”. Contou com as presenças de Ana Paula Laborinho, presidente do Instituto Camões; Gilvan Müller de Oliveira, diretor do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP); e Vítor Ramalho, secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA).

Em seguida, a cooperação lusófona foi discutida por representantes dos oito membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dos territórios de Macau (China) e Malaca (Malásia) e também da Guiné Equatorial, país candidato à adesão à organização lusófona, bem como da região espanhola da Galiza.

Por fim, houve a discussão do tema “O Mar como Prioridade Estratégica”. Também foi assunto abordado no congresso a ampliação da Plataforma de Associações Lusófonas (Palus), que já reúne uma centena de associações da sociedade civil de todo o mundo lusófono.

–– Brasil tem “miopia política” quanto à Lusofonia ––

Loryel Rocha: "O Brasil tem posições bastante ambíguas em relação à cooperação lusófona."

Loryel Rocha: “O Brasil tem posições bastante ambíguas em relação à cooperação lusófona.”

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Loryel Rocha, presente ao congresso, declarou que o Governo brasileiro sofre de “miopia política”, por ter “posições bastante ambíguas em relação à cooperação lusófona”.

Em declarações à Agência Lusa, à margem do evento, Loryel Rocha disse que, “embora haja um discurso de alinhamento com a Lusofonia”, na prática, “as ações do Governo” da presidente brasileira Dilma Rousseff “são bem diferentes”.

O professor citou vários exemplos: “Há três anos que o Governo brasileiro não paga a contribuição” para o IILP; “há mais de dez anos” que tem adotado “sistematicamente uma política cultural de quebra da miscigenação racial”; as aulas de história das escolas brasileiras substituíram “o Brasil descoberto por Portugal” por “o Brasil invadido por Portugal”; e as universidades brasileiras estão tomadas por “um discurso ideológico”, que exclui projetos de investigação que não sigam a linha estabelecida.

.

–– Angola quer mais investimento para a Língua Portuguesa ––

Vítor Fortes: "Se apostarmos mais na educação, o futuro será mais promissor."

Vítor Fortes: “Se apostarmos mais na educação, o futuro será mais promissor.”

Por outro lado, em declarações à Agência Lusa, Vítor Fortes, secretário-geral da Liga Africana, que representou Angola no congresso de Lisboa, defendeu “um investimento muito grande” na Língua Portuguesa. E recordou que, apesar de “uma maioria” das pessoas dos países lusófonos a falarem, “há um défice muito grande na qualidade de expressão da Língua e na forma como ela é escrita”.

Os “países que tenham melhores condições para o fazer, especialmente Portugal” devem investir “muito mais nesta área”, repetiu Vítor Fortes.

Angola não está “de costas viradas” a Portugal; “pelo contrário”, a cooperação bilateral é “muito satisfatória”, avaliou o secretário geral da Liga Africana. Porém, mencionou que a cooperação no âmbito do ensino ainda é “um pouco deficiente” e que na saúde “há muito a fazer também”.

Em referência à longa guerra civil em seu país, iniciada ainda antes da independência e encerrada em 2002, Vítor Fortes disse que Angola “saiu de uma guerra atroz”, que durou “muitos anos” e “há muitas famílias marcadas ainda”.

Por isso, a educação é também considerada como o desafio “fundamental” de Angola, que “está a crescer economicamente de uma forma exponencial”, disse Vítor Fortes. “Vimos com muito bons olhos o desenvolvimento de Angola”, afirmou, reconhecendo que os desafios “são muitos”, desde logo a formação. “Se apostarmos mais na formação, na educação”, o futuro será “mais promissor”, acredita.

–– Prémio pelo reforço das relações Galiza-Lusofonia ––

Ângelo Cristóvão, da Academia Galega da Língua Portuguesa

Ângelo Cristóvão, da Academia Galega da Língua Portuguesa

 

O II Congresso da Cidadania Lusófona foi também a ocasião para a entrega do “Prémio Personalidade Lusófona de 2014”, elaborado pelo Movimento Internacional Lusófono e pelo Instituto Internacional de Macau (China).

O prémio foi concedido ao linguista Ângelo Cristóvão, da Academia Galega da Língua Portuguesa, “em reconhecimento de todo o seu incansável trabalho em prol do reforço dos laços entre a Galiza e a Lusofonia”, disseram os organizadores do congresso em seu sítio oficial.

“A Galiza faz parte, por direito próprio, da comunidade lusófona, independentemente do seu estatuto político no Estado Espanhol, que não pomos em causa. Eis, a nosso ver, o que deveria ser igualmente reconhecido por todos os Estados da CPLP, a começar pelo Estado português”, afirma a página do evento na Internet.  :::

.
–– Extraído da Agência Lusa e da PASC – Plataforma Ativa da Sociedade Civil (Lisboa, Portugal) ––

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: