Archive for Abril, 2014

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Universidade de Coimbra usará nota do ENEM para admissão de estudantes brasileiros

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 30 de Abril de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Da Agência Estado (São Paulo, Brasil)
24 de abril de 2014

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 Pela primeira vez, a Universidade de Coimbra adotará a nota do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) para a seleção de candidatos brasileiros.  :::

A universidade portuguesa, uma das mais tradicionais do mundo, informa em sua página na Internet que os estudantes brasileiros interessados em fazer toda a graduação em Coimbra poderão usar as notas obtidas nos exames de 2011, 2012 ou 2013 para sua candidatura.

As notas das provas e da redação terão pesos diferentes conforme o curso escolhido pelo aluno. A instituição oferece cursos como direito, economia e biologia. A mensalidade é de 700 euros (ou 2.168 reais), segundo o sítio da instituição na Internet. Também está disponível na Internet uma tabela com os pesos das pontuações para as provas.

Segundo o vice-reitor da Universidade de Coimbra, Joaquim Ramos de Carvalho, o ENEM tem padrão elevado de qualidade e a medida deve facilitar a mobilidade de estudantes brasileiros. “O ENEM já é o exame de acesso de várias boas universidades brasileiras e avaliamos que também serviria de qualificação para nossos candidatos”, afirma.

“Não faz sentido obrigar os estudantes brasileiros que já fizeram o ENEM a passarem por outro processo seletivo difícil”, argumenta Joaquim Ramos de Carvalho.

A Universidade de Coimbra tornou-se a primeira instituição acadêmica do exterior a aceitar o exame brasileiro como critério de admissão. A universidade criou na Internet um sítio especialmente dirigido a estudantes e pesquisadores brasileiros, onde se encontram todas as informações úteis, como os cursos oferecidos, as linhas de pesquisa realizadas, o financiamento e as informações práticas para preparação de uma mudança para Coimbra.

Fundada através de documento assinado em Leiria pelo rei D. Dinis em 1 de março de 1290, a Universidade de Coimbra foi considerada em 2013 Patrimônio Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Atualmente 2.059 alunos do Brasil estudam na instituição de Coimbra.

–– Sobre o ENEM brasileiro ––
Criado em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio é usado para selecionar ingressantes nos cursos superiores de faculdades e universidades federais por meio do Sisu (Sistema de Seleção Unificada).

Também pode ser utilizado para concorrer a vagas em instituições privadas brasileiras de ensino superior, por meio do Prouni (Programa Universidade para Todos) ou para obter financiamento pelo FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), ambos programas do Ministério da Educação do Brasil.

O ENEM está a cargo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), órgão subordinado ao Ministério da Educação brasileiro. O teste deve ser realizado no Brasil nos dias 8 e 9 de novembro.

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• Sítio de informação para candidatos brasileiros da Universidade de Coimbra (Coimbra, Portugal):
<http://www.uc.pt/brasil>

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–– Extraído da Agência Estado (São Paulo, Brasil) ––

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A Galiza e a Lusofonia – sem “truques” – Renato Epifânio

In Língua Portuguesa Internacional,Lusofonia e Diversidade on 29 de Abril de 2014 por ronsoar Tagged: , , , ,

Renato Epifânio, presidente do Movimento Internacional Lusófono, defende lei de Ensino de Português na Galiza e a representação da comunidade galega na CPLP. 

Renato Epifânio, presidente do Movimento Internacional Lusófono, defende lei de Ensino de Português na Galiza e a representação da comunidade galega na CPLP.
 

Renato Epifânio é presidente do Movimento Internacional Lusófono, organização com sede em Lisboa e voltada para a promoção da cultura lusófona no mundo e para a integração dos países da Lusofonia e das comunidades falantes de português espalhadas pelo mundo.

Ele manifestou defesa à aprovação por unanimidade, em 11 de março deste ano, da Iniciativa Legislativa Popular Valentín Paz-Andrade pelo Paço do Hórreo, o Parlamento da Galiza. Ela foi transformada na Lei para o Aproveitamento da Língua Portuguesa e Vínculos com a Lusofonia, promulgada pela Junta da Galiza no último dia 8 de abril.

Segundo o texto da lei que entrou em vigor no dia 9 de abril, “os poderes públicos galegos” têm o compromisso de promover “o conhecimento da Língua Portuguesa e das culturas lusófonas para aprofundar os laços históricos que unem a Galiza aos países e comunidades de Língua Portuguesa.”

A entrada em vigor da lei na comunidade autónoma do noroeste da Espanha rendeu esta opinião crítica da direção editorial do jornal Público, de Portugal, veiculada no dia 10 de abril, e intitulada A Galiza e o estranho mundo da Lusofonia, cujo texto segue-se na íntegra:

Agora que Teodoro Obiang prepara a adesão da sua ditadura equatorial à CPLP, o que deve suceder lá para o Verão, surge a notícia de que a Galiza aposta no Ensino do Português para estreitar laços com os países da Lusofonia. Ora a Galiza, região de Espanha com privilegiadas relações com Portugal, nunca precisou de truques para selar essa proximidade. Foi lá, até, que José Afonso estreou Grândola, Vila Morena, e não no Alentejo, em Lisboa ou no Porto. E quem diz ele diz milhares de portugueses, ou de galegos, que estreitaram laços sem pensar em leis. Mas agora é com força de lei que o Português integra o ensino obrigatório na Galiza e isso há de ser aplaudido com euforia pelos que ambicionam ver a Galiza como parte da CPLP, alterando-lhe os estatutos para também receber regiões (o Ensino do Português ajudará essa “causa”). Mas nada melhor, entre Portugal e Galiza, do que uma relação de respeito recíproco e em total liberdade.  :::

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Em resposta ao editorial, Renato Epifânio escreveu cinco dias depois ao mesmo jornal: “Parece-nos perfeitamente natural esse estreitamento de laços com os países da Lusofonia e que isso passe, desde logo, pelo ensino da Língua.”

O autor também defende que a Galiza e outras regiões lusófonas do mundo tenham o direito de serem representadas na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Salvaguardando a diferença de estatuto entre regiões e países, o espaço lusófono só ficará completo quando abarcar e abraçar não apenas os países como todas essas regiões”, disse Epifânio. “Tudo isto, obviamente, respeitando a vontade expressa das pessoas de cada uma dessas regiões – como foi agora o caso.”

Se a Galiza pretende, pois, ‘estreitar laços com os países da Lusofonia’, não percebemos o incómodo que isso possa causar”, complementa o presidente do Movimento Internacional Lusófono, lembrando que “foram os parlamentares galegos que (por unanimidade, reitero) votaram esta iniciativa”.

Ventos da Lusofonia reproduz a seguir o texto de Renato Epifânio veiculado na edição de 15 de abril de 2014 do jornal Público, de Portugal, em defesa do Ensino de Português na Galiza e da integração maior da região com o mundo lusófono.

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A Galiza e a Lusofonia – sem “truques” ––

Renato Epifânio
do jornal Público (Portugal)
15 de abril de 2014

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No editorial da sua edição de 10 de abril do corrente ano, o jornal Público, sob o título A Galiza e o estranho mundo da Lusofonia, qualifica como um “truque” a recente (data de 11 de março) aprovação parlamentar, por unanimidade, da Iniciativa Legislativa Popular “Valentín Paz-Andrade”, que visa não só, conforme é dito, o ensino obrigatório da Língua Portuguesa na Galiza, como ainda o relacionamento institucional e a recepção dos mass media portugueses. Tudo isto para, como é dito no editorial, “estreitar laços com os países da Lusofonia”.

Com o devido respeito, não vemos onde está o “truque”. Parece-nos perfeitamente natural esse estreitamento de laços com os países da Lusofonia e que isso passe, desde logo, pelo ensino da Língua. O que tem sido um “truque”, ou seja, algo de totalmente artificial, tem sido a política oficial nas últimas décadas de escamoteamento da especificidade da Língua e da cultura galega e do voltar de costas ao espaço lusófono. Que finalmente o Parlamento galego tenha reconhecido, por unanimidade, o óbvio, isso só pode pecar por tardio.

No editorial diz-se ainda que a medida “há de ser aplaudida com euforia pelos que ambicionam ver a Galiza como parte da CPLP, alterando-lhe os estatutos para também receber regiões”. Tirando a referência à “euforia” (apenas porque não sou dado a esse tipo de sentimentos), assumo que aplaudo a iniciativa e que também me parece natural que a Galiza esteja institucionalmente representada na CPLP, assim como outras regiões com ligações históricas ao espaço lusófono – como, apenas para dar três exemplos, Goa, Macau e Malaca. Salvaguardando a diferença de estatuto entre regiões e países, o espaço lusófono só ficará completo quando abarcar e abraçar não apenas os países como todas essas regiões.

Tudo isto, obviamente, respeitando a vontade expressa das pessoas de cada uma dessas regiões – como foi agora o caso. Se a Galiza pretende, pois, “estreitar laços com os países da Lusofonia”, não percebemos o incómodo que isso possa causar (a menos que se continue a agitar o “papão espanhol”). Se, como se escreve ainda no referido editorial, deve haver uma “relação de respeito recíproco e em total liberdade”, não compreendemos em que medida esta iniciativa põe em causa esse respeito recíproco e essa total liberdade. Foram os parlamentares galegos que (por unanimidade, reitero) votaram esta iniciativa.

Que a iniciativa seja aplaudida em Portugal e um pouco por todo o espaço lusófono, isso só pode ser visto como um bom sinal: não só do reconhecimento do nosso passado histórico comum, como, sobretudo, da importância para o nosso futuro coletivo do desígnio estratégico da convergência lusófona – no plano cultural, desde logo, mas também nos planos social, económico e político. Não por acaso: nesta quarta-feira, 16 de abril, na Sociedade de Geografia de Lisboa, no âmbito do II Congresso da Cidadania Lusófona, o MIL: Movimento Internacional Lusófono entregará o Prémio Personalidade Lusófona ao cidadão galego (e lusófono) Ângelo Cristóvão, em reconhecimento de todo o seu incansável trabalho em prol do reforço dos laços entre a Galiza e a Lusofonia. Fica o convite. Sem “truques”.  :::

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EPIFÂNIO, Renato. A Galiza e a Lusofonia – sem “truques”.
Extraído do jornal Público – seção Opinião
Lisboa, Portugal.
Publicado em: 15 abr. 2014.

 

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Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP no Luxemburgo

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 28 de Abril de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , , , ,

:::  Dia 3 de maio, na capital do Grão-Ducado de Luxemburgo: celebração do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP  :::

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O Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai ser celebrado no dia 3 de maio, no Pavilhão La Coque, no bairro de Kirchberg, na Cidade de Luxemburgo.

O evento visa “mobilizar os atores dos diversos países do espaço da ‘Língua de Camões’ e sensibilizá-los para as oportunidades empresariais, culturais e científicas que se abrem pela partilha de uma Língua num espaço geográfico tão alargado”.

Qual o papel que a Língua Portuguesa assume no contexto mundial? Será este um idioma estratégico de comunicação e um fator gerador de novas oportunidades empresariais? De que forma é que as comunidades na Diáspora contribuem para a afirmação da nossa Língua?

Estas e outras questões vão ser debatidas em uma conferência a celebrar o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP, no dia 3 de maio, no anfiteatro do Pavilhão La Coque – Centre National Sportif et Culturel (Centro Nacional Desportivo e Cultural), de Kirchberg.

O evento do Dia da Língua Portuguesa será realizado no Pavilhão La Coque, no Luxemburgo. 

O evento do Dia da Língua Portuguesa será realizado no Pavilhão La Coque, no Luxemburgo.

A conferência conta com as presenças e intervenções das embaixadoras acreditadas no Luxemburgo – de Angola, Maria Elizabeth Simbrão; de Moçambique, Ana Nemba Uaiene; e de Portugal, Rita Ferro – e da diretora-geral da CPLP, Georgina Mello, além de representantes das comunidades lusófonas residentes no Grão-Ducado.

Integrada ao evento, decorrerá também a exposição O Potencial Económico da Língua Portuguesa, com a temática da importância da Língua Portuguesa no mundo. Recentemente apresentada no Parlamento Europeu, a exposição estará patente nas galerias do Pavilhão La Coque.

Esta iniciativa é da responsabilidade da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa dos Observadores Consultivos da CPLP. E conta com o apoio da Embaixada da República Portuguesa e do Centro Cultural Português, bem como das outras representações diplomáticas das nações da CPLP acreditadas no Luxemburgo.

O evento é aberto ao público. As inscrições devem ser feitas na página do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP no Luxemburgo, disponível no sítio do Observatório da Língua Portuguesa.  :::

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• Pavilhão La Coque – Centre National Sportif et Culturel (Centro Nacional Desportivo e Cultural)
2, rua Léon Hengen – Kirchberg
L-1745 – Cidade de Luxemburgo

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–– Extraído do Observatório da Língua Portuguesa e da Rádio Latina (Luxemburgo) ––

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Faleceu o escritor português Vasco Graça Moura

In Defesa da Língua Portuguesa,O Mundo de Língua Portuguesa on 27 de Abril de 2014 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência Lusa, da RTP e do jornal Público (Portugal)
27 de abril de 2014

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Faleceu no final da manhã de 27 de abril de 2014, no Hospital da Luz, em Lisboa, o escritor e tradutor Vasco Graça Moura, aos 72 anos, disse à Agência Lusa fonte do Centro Cultural de Belém (CCB).

Poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo, cronista e tradutor de clássicos, Vasco Navarro da Graça Moura nasceu em 1942 na cidade do Porto e licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa. Exerceu a advocacia até 1983, quando enveredou-se em definitivo pela carreira literária.

Estreou-se nas letras com Modo Mudando (1962). Publicou, entre outros, A Sombra das Figuras (1985), A Furiosa Paixão pelo Tangível (1987), Testamento de VGM (2001) e Os Nossos Tristes Assuntos (2006). Reuniu a Poesia Toda, em dois volumes com um total de mais de mil páginas, em 2012.

Além de escritor, Vasco Graça Moura traduziu grandes obras da literatura ocidental para a Língua Portuguesa.

Além de escritor, Vasco Graça Moura traduziu grandes obras da literatura ocidental para a Língua Portuguesa.

Graça Moura foi administrador da Imprensa Nacional-Casa da Moeda ao longo da década de 1980. Entre 1988 e 1995, foi presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Foi diretor da Fundação Casa de Mateus e diretor do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1996 e 1999. O escritor era militante do PSD (Partido Social Democrata) e foi eurodeputado – membro do Parlamento Europeu – entre 1999 e 2009.

Em janeiro de 2012, substituiu António Mega Ferreira na presidência da Fundação Centro Cultural de Belém.

Vasco Graça Moura também tornou-se conhecido nos últimos anos por ser uma das vozes de maior oposição ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.

Recebeu o Prémio Pessoa de 1995 e o Prémio Vergílio Ferreira de 2007 – este oferecido pela Universidade de Évora –, os prémios de Poesia do PEN Clube Português e da Associação Portuguesa de Escritores, que também lhe atribuiu o Grande Prémio de Romance e Novela, entre outras distinções.

Na homenagem que a Fundação Gulbenkian lhe dedicou em janeiro deste ano – ocasião em que recebeu do presidente Aníbal Cavaco Silva a comenda da Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada –, foi coletada esta frase do poeta, autor e intelectual português: “A poesia é a minha forma verbal de estar no mundo”.

“Momento de luto para a cultura portuguesa” ––
O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho lamentou a morte de Vasco Graça Moura, afirmando que este é um “momento de luto para a cultura” portuguesa e “para a vida cívica do país”.

“Portugal perdeu hoje [27 de abril] um dos seus maiores cidadãos”, afirmou o chefe do Governo da República Portuguesa em uma mensagem divulgada ao início da tarde, na qual acrescenta que foi com um “profundo pesar” que soube da morte do presidente do Centro Cultural de Belém.

Afirmando que ambos estavam ligados por “laços de amizade”, Passos Coelho lembrou que Vasco Graça Moura deixou um “vasto legado literário, marcado pela inspiração e pela dedicação à Língua Portuguesa, que enriqueceu como poucos, uma constante procura da identidade nacional e um clarividente pensamento sobre as raízes, a herança política e filosófica e o futuro da Europa”.

O primeiro-ministro destacou ainda a sua atividade como “divulgador das letras portuguesas”, como responsável por várias e prestigiadas instituições nacionais e o seu percurso político “marcado pela coragem, pela frontalidade e pelo arreigado humanismo com que assumiu a cada passo as suas convicções”.

“Por tudo isto, Vasco Graça Moura recebeu em vida as mais altas honras e distinções”, acrescentou Passos Coelho, destacando a homenagem que lhe foi prestada em janeiro na Fundação Calouste Gulbenkian.

–– “Obra considerável” de “um criador invulgar” ––

Vasco Graça Moura foi um dos principais opositores ao Acordo Ortográfico de 1990.

Vasco Graça Moura foi um dos principais opositores ao Acordo Ortográfico de 1990.

“Quando penso na poesia portuguesa, julgo que é uma obra considerável e daquelas que irá ficar. Vê-la interrompida desta maneira é sempre uma péssima notícia para a nossa cultura”, disse o poeta Nuno Júdice.

Em entrevista ao jornal Público, a escritora, poeta e editora Maria do Rosário Pedreira declarou: “Com a morte de Vasco Graça Moura, perdemos um dos nossos últimos verdadeiros intelectuais: um homem com uma cultura extraordinária da grande e da pequena história, melómano, literato, e um criador invulgar que nos lega uma obra felizmente bastante extensa, e ainda, por meio das suas traduções, a obra de muitos outros autores de épocas e estilos diferentes com a sua marca poética muito especial.”

“Além disso, era a voz com mais peso contra o Acordo Ortográfico e, também por isso, vai fazer muita falta”, acrescentou a autora.

Vasco Graça Moura recebeu de Cavaco Silva comenda da República Portuguesa em cerimónia na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa em janeiro de 2014. 

Vasco Graça Moura recebeu de Cavaco Silva comenda da República Portuguesa em cerimónia na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa em janeiro de 2014.
 

–– Graça Moura “deixa uma marca indelével na cultura portuguesa” ––
“Neste momento de luto, rendo a minha homenagem ao homem de letras e ao homem de ação, que deixa uma marca indelével tanto na literatura, como no debate democrático de ideias e na defesa da nossa cultura”, lê-se em mensagem divulgada no sítio da Presidência da República Portuguesa.

Na missiva, Aníbal Cavaco Silva sublinha que foi com “profundo pesar” que tomou conhecimento da morte de Vasco Graça Moura, “um dos maiores escritores portugueses das últimas décadas e um dos intelectuais que mais contribuíram para a afirmação e a projeção internacional da nossa cultura”.

“Poeta e romancista de prestígio abundantemente reconhecido, quer entre nós, quer no espaço europeu, Graça Moura foi também o tradutor de alguns dos grandes autores do Ocidente para a Língua Portuguesa, a qual enriqueceu como poucos”, recorda Cavaco Silva.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa, da RTP e do jornal Público (Portugal) ––

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As eleições na Guiné-Bissau e o desafio para retornar à democracia

In O Mundo de Língua Portuguesa on 26 de Abril de 2014 por ronsoar Tagged: , , ,

Da Agência Lusa e da Agência Brasil

Em 13 de abril, realizou-se a primeira volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau: país tem difíceis desafios, e um deles é tentar o retorno à normalidade democrática. 

Em 13 de abril, realizou-se a primeira volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau: país tem difíceis desafios, e um deles é tentar o retorno à normalidade democrática.
 

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Desde sua independência, reconhecida por Portugal em setembro de 1974, a República da Guiné-Bissau, país mais instável entre os que têm o português como Língua oficial, nunca teve um presidente escolhido pelo voto popular e que conseguisse completar seu mandato. Há muitos anos, o país atravessa uma grande instabilidade política, que impacta negativamente também sua economia. O quadro de desestabilização das instituições políticas da Guiné-Bissau agravava-se desde 2009 – ocasião do assassinato do então presidente João Bernardo “Nino” Vieira, que exercera o poder no país por 23 anos.

Depois do último golpe militar, em abril de 2012, o país lusófono da África Ocidental tenta retornar à democracia, com eleições presidenciais e legislativas. Treze candidatos tiveram suas candidaturas validadas à presidência e 15 partidos apresentaram suas listas fechadas para as eleições proporcionais legislativas ocorridas neste último dia 13 de abril.

O golpe militar da Guiné-Bissau ocorrido em 2012 depôs o então primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e o presidente interino Raimundo Pereira. O levante militar foi condenado pelos governos da CPLP. 

O golpe militar da Guiné-Bissau ocorrido em 2012 depôs o então primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e o presidente interino Raimundo Pereira. O levante militar foi condenado pelos governos da CPLP.
 

–– Golpe militar e “governo de transição” ––

Manuel Serifo Nhamadjo foi o presidente do "governo de transição" após o golpe de abril de 2012.

Manuel Serifo Nhamadjo foi o presidente do “governo de transição” após o golpe de abril de 2012.

Em março de 2012, após a morte do então presidente Malam Bacai Sanhá, por causas até hoje desconhecidas em um hospital de Paris, foram realizadas novas eleições. O ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, do Partido Africano da Independência da Guiné e de Cabo Verde (PAIGC), que tinha se afastado para concorrer na eleição presidencial, havia sido o mais votado na primeira volta, com 48,9% dos votos válidos.

Porém, após a primeira etapa das eleições, eclodiu um golpe militar no dia 12 de abril de 2012. Carlos Gomes Júnior teve sua casa invadida e foi preso, assim como o presidente interino Raimundo Pereira.

Depois de o comando militar assumir o poder, a presidência foi passada, em 11 de maio, para um “governo de transição” chefiado por Manuel Serifo Nhamadjo, dissidente do PAIGC e que havia conquistado apenas 15,75% dos votos na primeira ronda. Em consequência do golpe, no entanto, diversos países, como Brasil e Portugal, suspenderam as relações bilaterais. A Guiné-Bissau também ficou isolada nas instâncias da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A situação de instabilidade social ainda é complementada pelos altos índices de analfabetismo e escolarização e pela violência decorrente de o país ser eixo de tráfico de narcóticos da América do Sul para a Europa. Sem ajuda de outros países, a nação africana, que é altamente dependente da exploração da castanha de caju, agravou ainda mais sua precária economia.

–– Confiança na estabilidade política e económica ––
Apesar do histórico ruim, especialistas acreditam que o país tem potencial para se reorganizar e crescer economicamente. A Comissão de Consolidação da Paz (CCP) da Organização das Nações Unidas (ONU), presidida pelo Brasil desde janeiro de 2014, expressou entendimento de que, nessas eleições, há menos espaço de manobra para atores que pretendam interferir de modo ilegítimo no processo eleitoral, principalmente as Forças Armadas.

“Com recursos naturais, potencial econômico – pesca, mineração, portos –, presença de quadros qualificados, ausência de conflitos étnicos ou religiosos e de separatismos, pequena população e território bem dotado de terras agrícolas, Guiné-Bissau precisa de relativamente poucos recursos para diversificar sua economia, fortalecer suas instituições, avançar em sua coesão social e melhorar seus indicadores sociais”, explicou o presidente da CCP das Nações Unidas, Antonio Patriota, antigo ministro das Relações Exteriores do Brasil.

A segunda volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau será entre o ex-ministro José Mário Vaz e o líder da oposição, o independente Nuno Nabiam (na foto, de túnica branca e ao lado do ex-presidente Kumba Ialá, falecido em 4 de abril). 

A segunda volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau será entre o ex-ministro José Mário Vaz e o líder da oposição, o independente Nuno Nabiam (na foto, de túnica branca e ao lado do ex-presidente Kumba Ialá, falecido em 4 de abril).
 

–– Antigo ministro e estreante decidem presidenciais na Guiné-Bissau ––
A segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, marcada para 18 de maio, vai ser disputada por José Mário Vaz – do PAIGC e antigo ministro das Finanças do governo deposto pelo golpe de abril de 2012 – e por um político estreante, o independente Nuno Gomes Nabiam, que era apoiado pelo ex-presidente Kumba Ialá, ex-presidente do país de 2000 até 2003, quando foi deposto do cargo.

Nabiam não era apoiado pelo principal partido da oposição, o Partido da Renovação Social (PRS), mas as bandeiras daquela força política eram das que mais se viam nos seus comícios. No entanto, o candidato foi apoiado por Kumba Ialá, fundador do PRS, que faleceu neste último 4 de abril, vítima de doença, durante a campanha eleitoral.

No comício com que encerrou a campanha eleitoral, Nuno Nabiam defendeu a paz, a estabilidade e a unidade nacional como prioridades para o país, apontando a juventude da Guiné-Bissau como “a razão de concorrer à presidência”.

–– Ramos-Horta: “O povo guineense foi exemplar e fez sua quota-parte” ––

José Ramos-Horta saudou a calma da primeira volta nas eleições: "O povo guineense foi exemplar."

José Ramos-Horta saudou a calma da primeira volta nas eleições: “O povo guineense foi exemplar.”

As eleições do primeiro turno em 13 de abril transcorreram com calma em todo o território do país – facto que foi saudado uma semana depois pelo representante do Secretariado-Geral das Nações Unidas para a Guiné-Bissau, o ex-presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta.

“O povo guineense, os partidos e os seus líderes fizeram a sua quota-parte, um comportamento exemplar. Uma lição para todos nós. Eu sou timorense e oxalá que, no meu país, tenhamos nas eleições a exemplaridade de comportamento, quer por parte de líderes quer por parte da população, como presenciei aqui”, disse Ramos-Horta, que exerce a função especial da ONU para a Guiné-Bissau desde janeiro de 2013.

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O antigo presidente timorense afirmou em Bissau que, daí em diante, a responsabilidade dos guineenses é trabalhar para constituir um governo o mais inclusivo possível.

“Da minha parte, enquanto representante do Secretário-Geral ao serviço da ONU, e ainda enquanto cidadão, vou fazer tudo para não trair a esperança e a confiança do povo. Isso é a minha responsabilidade”, declarou Ramos-Horta.

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–– Extraído da Agência Lusa e da Agência Brasil ––

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25 de Abril: data comum de celebração da liberdade no mundo lusófono

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 25 de Abril de 2014 por ronsoar Tagged: , , ,

Na madrugada do dia 25 de abril de 1974, militares das Forças Armadas Portuguesas que haviam participado das guerras no então Ultramar, nas “Províncias Ultramarinas” portuguesas em África, iniciaram um movimento contra o regime salazarista em Lisboa. Perceberam que para evitar a iminente derrota militar no além-mar, teriam de forçar o governo a negociar a paz e as independências. Esse movimento foi além de seus objetivos: libertou um país de quase quatro décadas de ditadura, opressão e imperialismo colonial retrógrado.

A data de hoje tem razões para ser celebrada por todo o mundo de Língua Portuguesa. A partir desse dia, Portugal ganhou o direito à liberdade democrática, e os povos da África lusófona ganharam o direito à liberdade como nações.

Hoje, faz 40 anos que ocorreu a Revolução dos Cravos, o mais importante momento da história recente de Portugal, com fortes implicações na formação do que é o atual mundo da Lusofonia. E Ventos da Lusofonia também lembra e celebra a data, mostrando reportagem da Agência Lusa com a efeméride pela visão da África lusófona.

O primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, declarou: o 25 de Abril é “um grande momento da História” e uma “data comum de luta pela liberdade” para todas as nações de Língua Portuguesa.

“Há um mundo antes e depois dessa data” em Portugal. “O 25 de Abril é um momento particular da História, que deve ser valorizado, não só no contexto lusófono, mas também no de toda a humanidade.”  :::

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–– 25 de Abril: celebrar independências é forma de comemorar data,
afirma primeiro-ministro de Cabo Verde ––

Da Agência Lusa
23 de abril de 2014

A passagem dos 40 anos da Revolução dos Cravos, ocorrida em 25 de abril de 1974, foi celebrada em Portugal e no mundo lusófono: a data simboliza liberdade, democracia e independências. 

A passagem dos 40 anos da Revolução dos Cravos, ocorrida em 25 de abril de 1974, foi celebrada em Portugal e no mundo lusófono: a data simboliza liberdade, democracia e independências.
 

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A celebração das independências dos países africanos lusófonos é também uma forma de comemorar o 25 de Abril, uma revolução “essencial” para a libertação das antigas colónias, afirmou o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves.

José Maria Neves: "O 25 de Abril é uma data comum de luta pela liberdade nos países lusófonos."

José Maria Neves: “O 25 de Abril é uma data comum de luta pela liberdade nos países lusófonos.”

Em declarações à Agência Lusa, o chefe do Governo referiu que as celebrações da data, feriado em Portugal, estão diluídas no dia em que se celebram as independências em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Para José Maria Neves, a revolução portuguesa constitui, por um lado, o “corolário” de toda a luta de libertação e da luta dos antifascistas portugueses, “dos democratas portugueses”, mas é também o momento inicial para “profundas transformações políticas” tanto em Portugal como nas ex-colónias.

“A data deve ser lembrada como tal. Ao comemorarmos em Cabo Verde o 5 de Julho, os moçambicanos o 25 de Junho, os santomenses o 12 de Julho, os angolanos o 11 de Novembro [todos em 1975; a Guiné-Bissau celebra a data em 1974], ou Timor-Leste a restauração da independência [ocorrida em 2002], estamos um pouco a lembrar as vitórias da luta de libertação e o 25 de Abril. É uma data comum de luta pela liberdade, pela democracia e pelo desenvolvimento dos nossos países”, sustentou.

O primeiro-ministro cabo-verdiano, também presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, no poder desde 2001), insistiu na ideia de que a “Revolução dos Cravos” é um “grande momento da História” de todos os países de expressão portuguesa.

“É o corolário de uma luta comum dos antifascistas portugueses e dos combatentes pela liberdade da Pátria em África. Significou também a liberdade das ex-colónias contra a subjugação e permitiu a Portugal reencontrar os caminhos da democracia, instaurar o Estado de Direito Democrático e desenvolver o país”, disse.

Para a História moderna e para a ciência política – prosseguiu – o “25 de Abril” constitui um “contributo essencial”. “Há um mundo antes e depois dessa data” em Portugal.

“Agora que estamos a comemorar os 40 anos do 25 de Abril, podemos ver esta trajetória que os países africanos fizeram, o contributo que deram, por exemplo, para a transição na África do Sul, para a independência da Namíbia, para as mudanças no Zimbabué e em outros países do continente”, destacou.

Em relação a Portugal, acrescentou, as “intensas relações” com o Brasil e a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE, atual União Europeia), entre outros exemplos, são elementos que acabaram por “acelerar a história política da humanidade”.

“O 25 de Abril é um momento particular da História, que deve ser valorizado, não só no contexto lusófono, mas também no de toda a humanidade”, concluiu.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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São Paulo homenageada na Feira do Livro de Buenos Aires

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 24 de Abril de 2014 por ronsoar Tagged: , , ,

Da Agência EFE e da Fundación El Libro (Buenos Aires, Argentina)
23 de abril de 2014

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A 40ª. Feira Internacional do Livro de Buenos Aires receberá este ano a cidade de São Paulo como a sua “Cidade Convidada de Honra”, como foi o caso de Amsterdã na edição de 2013.

O prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, e o chefe de Governo da Cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri, abriram a 40ª. Feira do Livro portenha. Ambos os chefes de Governo assinarão convênios de cooperação entre Buenos Aires e São Paulo.

Uma ampla comitiva formada por funcionários, escritores, sociólogos, músicos e editores vinda da maior cidade brasileira estará presentes na Feira do Livro como uma forma de unir culturalmente as duas maiores cidades da América do Sul.

São Paulo é a cidade que abriga o Museu da Língua Portuguesa e a internacionalmente conhecida Bienal de Arte, além da maior Bienal do Livro da América do Sul. Sua música, suas tradições e seus autores serão as estrelas da Feira do Livro de Buenos Aires em sua edição de 2014, segundo os organizadores do evento. O destaque especial é para a produção literária e cultural da periferia da metrópole paulista, a ser apresentada em saraus pelas ruas portenhas.

Alguns dos autores convidados à Feira são escritores de peso, como o Nobel sul-africano John M. Coetzee e o campeão de vendas norte-americano Paul Auster. Ambos estarão em uma mesa redonda no dia 27 de abril.

A participação paulistana na Feira do Livro da capital argentina contará com o apoio da Embaixada do Brasil na Argentina, da Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo e da Câmara Brasileira do Livro.

No decorrer do programa da “Cidade Convidada de Honra”, acontecerão três conferências magistrais que abordarão diferentes perspectivas: social, econômica e política – a relação entre duas das cidades mais importantes da América Latina: Buenos Aires e São Paulo.

De forma inédita, a literatura, o teatro e a música paulistanos ultrapassarão os limites da feira, na Avenida Sarmiento, em Palermo, e tomarão os bairros vizinhos, confraternizando com a população nas ruas.

A Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, que homenageia São Paulo em sua 40ª. edição, reúne 1.500 expositores de mais de 40 países e espera atrair mais de um milhão de visitantes. 

A Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, que homenageia São Paulo em sua 40ª. edição, reúne 1.500 expositores de mais de 40 países e espera atrair mais de um milhão de visitantes.
 

–– “São Paulo apresentará a si mesma e a sua cultura” ––
“São Paulo não vem para nos contar o que é o Brasil: é uma cultura que conhecemos bem. O que interessa à cidade é apresentar a si mesma, é mostrar-nos sua cultura em primeira pessoa e sem intermediários”, explicou Gabriela Adamo, diretora executiva da Fundación El Libro, que organiza a feira, à agência oficial de notícias Télam.

“Há mais de uma década, a Feira do Livro de Buenos Aires é inaugurada por um autor argentino de destaque”, explica a organização em seu sítio na Internet. “Para comemorar nossos 40 anos, convidamos uma das pessoas mais talentosas, admiradas e internacionalmente reconhecidas da Argentina: Quino.”

O célebre quadrinista protagonizará o ato de abertura de um evento que ele mesmo descreveu como “um momento cultural importantíssimo para a vida de Buenos Aires” e da Argentina em geral.

Com cerca de 1.500 expositores de mais de 40 países, a 40ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires espera receber, como nas duas últimas edições, mais de um milhão de visitantes. A Feira do Livro da capital argentina ocorre de 24 de abril a 12 de maio.  :::

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• 40 ª. Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, Argentina:
<http://www.el-libro.org.ar>

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–– Extraído da Agência EFE e da Fundación El Libro (Buenos Aires, Argentina) ––