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Ser falante da Língua Portuguesa: um valor seguro! – Isabelle Oliveira

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 22 de Março de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , , ,

Isabelle Oliveira, da Universidade de Sorbonne – Paris 3: “A Lusofonia é um valor seguro. A Língua Portuguesa é de cultura e diplomacia e, também, é uma Língua empreendedora do futuro.” 

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A professora portuguesa Isabelle Oliveira é a diretora da Faculdade de Línguas Estrangeiras Aplicadas, da famosa Universidade de Sorbonne – Paris 3. Ela escreveu artigo recente em defesa da elaboração e da execução de políticas de promoção internacional da Língua Portuguesa. “A Lusofonia representa uma economia-mundo em transformação”, cujo “elemento ligante” é “a Língua lusófona – uma Língua de cultura e diplomacia”.

“Uma Língua empreendedora do futuro: 340 a 400 milhões de falantes em 2050, é a quarta Língua mais utilizada na Internet, a terceira no Facebook e no Twitter”, estes são os números superlativos da Língua Portuguesa no mundo, apontados pela responsável da Sorbonne.

Em vista disso, ela declara que “na Sorbonne, redobramos esforços para valorizar, defender e promover a Língua e cultura portuguesas em França”. O português, segundo ela, não deve ser tratado como “Língua de gueto”, apenas de comunidades esparsas. “A promoção da Língua Portuguesa tem de ser assumida por todos e sempre, seja internamente seja no estrangeiro.”

Isabelle Oliveira afirma que, para a manutenção da presença internacional da Língua Portuguesa, “é fundamental que se arquitetem propostas concretas, e não meras teorias vagas e pouco fundamentadas. Nesta matéria, não há lugar ao conformismo. Os problemas concretos não se resolvem com retóricas. Exige-se credibilidade, conhecimento aprofundado e experiência. Só assim é possível uma efetiva afirmação política que impulsione um novo rumo para a Lusofonia.”

Ventos da Lusofonia reproduz a seguir o artigo da académica Isabelle Oliveira que afirma “o incontestável valor de ser lusófono”, mas que cobra, em virtude desse valor, “credibilidade, conhecimento aprofundado e experiência”. E assim, efetiva-se o “grande desígnio de prosperidade comum” da Lusofonia. O artigo aparece no portal iOnline, publicado em 21 de março de 2014.

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–– Ser falante da Língua Portuguesa: um valor seguro! ––

Isabelle Oliveira
no portal iOnline (Portugal)
21 de março de 2014

“O português não é uma ‘Língua de gueto’. Urge uma orientação política responsável para as questões da Língua, que impulsione um novo rumo para a Lusofonia e para o ensino da Língua Portuguesa.” 

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A Lusofonia representa uma economia-mundo em transformação e revela uma área geoeconómica de limites estáveis e um ecossistema político, linguístico e cultural. O elemento ligante desse grande desígnio de prosperidade comum é, naturalmente, a Língua lusófona – uma Língua de cultura e diplomacia.

Mas, também, uma Língua empreendedora do futuro: com 340 a 400 milhões de falantes em 2050, segundo os dados da UNESCO, é a quarta Língua mais utilizada na Internet, a terceira Língua mais utilizada no Facebook e no Twitter, e o poder económico dos falantes de português representa 4% da riqueza mundial.

Se a partilha de uma Língua é, por si, um agente facilitador nas transações, a Língua Portuguesa – uma extraordinária moeda de troca humana – poderia converter-se no eixo manante e luminoso de uma interdependência económica solidária entre as suas centenas de milhões de falantes.

–– Barómetro Calvet: o português em destaque ––
Ressalva-se, igualmente, que a Língua Portuguesa alcançou a nona posição de acordo com o Barómetro Calvet das Línguas do Mundo –(1)–, que avalia o peso das línguas relativamente a dez factores distintos, aos quais se atribui igual ponderação.

Entre esses factores destacam-se, entre outros, o número de falantes como Língua não materna, o Índice de Desenvolvimento Humano, o índice de penetração da Internet e as traduções que têm o português como Língua tanto de partida como de chegada.

Estou convicta de que uma conjugação de esforços levará a uma rápida subida de posição.

“A Lusofonia representa uma economia-mundo, uma área geoeconómica cujo elemento ligante é a Língua lusófona.”

–– A “Lusoconomia” não é um gueto ––
É nesta vertente que, na Sorbonne, redobramos esforços para valorizar, defender e promover a Língua e cultura portuguesas em França. Fazemo-lo reforçando a faceta identitária da nossa diferença, exprimindo-a especialmente na criação de novos conceitos, tal como o de “Lusoconomia”, que se inscreve na nossa linha de investigação.

A divulgação/conhecimento e a preservação do ensino da Língua Portuguesa nas universidades francesas têm-nos exigido uma luta permanente, na medida em que o português ainda é considerado como Língua minoritária pelo Ministério do Ensino Superior, pelo que é de todo recomendável que os portugueses, principalmente os detentores de cargos públicos e/ou políticos, não assumam a Língua Portuguesa como “Língua de gueto”, referindo-se aos tempos remotos da emigração.

A promoção da Língua Portuguesa tem de ser assumida por todos e sempre, seja internamente seja no estrangeiro. (Re)Lembro que compete em primeiro lugar aos agentes políticos a afirmação da Língua Portuguesa no palco internacional. É tempo de acordar!

–– Necessidade de afirmação política ––
Para tal, é fundamental que se arquitetem propostas concretas, e não meras teorias vagas e pouco fundamentadas. Nesta matéria, não há lugar ao conformismo. Os problemas concretos não se resolvem com retóricas. Exige-se credibilidade, conhecimento aprofundado e experiência. Só assim é possível uma efetiva afirmação política que impulsione um novo rumo para a Lusofonia.

Urge uma orientação política responsável para as questões da Língua em Portugal, aplicada neste caso ao português, seja como Língua Materna seja como Não Materna, que não se compadeça com simples afirmações, normalmente tomadas como axiomas, mas dissociadas da realidade internacional.

É verdade que não falta quem fale sobre política linguístico-cultural e científica limitando-se, frequentemente, à exclusiva indicação de formas concretas de difusão da Língua nas suas diversas vertentes, sem se saber exatamente para quem, onde, como e para quê.

–– Necessidade de uma política linguística ––
Em França demorámos cerca de 40 anos a implementar uma verdadeira política linguística que resultou na criação da Organização Internacional da Francofonia (OIF), da Agência Universitária da Francofonia (AUF) e de um Ministério da Francofonia –(2)–, onde a excelência de um trabalho em rede promove permanentemente a língua francesa no mundo.

A questão é, pois, muito mais vasta e complexa do que meras ações fantasmagóricas ou efervescentes discursos floreados. Não é tempo de experimentalismos, aventuras ou fantasias.

Estamos em tempo de mudança! Aproveitemo-lo para efetivar uma mudança que irradie o incontestável valor de ser lusófono – que nos outorgue a Lusofonia como um valor seguro.  :::

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–– Notas: ––
–(1)–  O Barómetro Calvet das Línguas do Mundo foi criado em 2010 pelos linguistas Alain Calvet e Louis-Jean Calvet. O medidor avalia 563 línguas do mundo com mais de 500 mil falantes. A edição mais recente é de 2012. O sítio está ligado ao portal WikiLF, do Ministério da Cultura da França, e que divulga os portais de pesquisa e catalogação terminológica para o enriquecimento lexical da língua francesa.

–(2)–  A Organização Internacional da Francofonia (OIF) é uma entidade internacional que reúne os países e regiões do mundo em que o francês é língua oficial ou predominante. Fundada em 1970, congrega 57 países-membros e sua sede localiza-se em Paris.

A Agência Universitária da Francofonia (AUF) é uma rede mundial de universidades e de institutos de investigação dos países da Francofonia. Foi criada em 1961 e reúne 786 instituições de ensino e pesquisa de 98 países. Sua sede localiza-se em Montreal, Canadá.

O Ministério da Cultura e da Francofonia surgiu em 1993 na França. Após diversas reformulações ministeriais, tornou-se desde 2012 o Ministério Adjunto da Francofonia, subordinado ao Ministério dos Assuntos Estrangeiros e Europeus.

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OLIVEIRA, Isabelle. Ser falante da Língua Portuguesa: um valor seguro!
Extraído do portal iOnline (Portugal)
Publicado em: 21 mar. 2014.

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