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“Há maior interesse da China pelo Português”, diz professora da Universidade de Coimbra

In Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 17 de Março de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , , , , ,

Do jornal O Mirante (Santarém, Portugal)
14 de março de 2014

A professora Carmen Mendes lançou um livro em inglês sobre o processo de negociações da transferência de Macau da administração portuguesa para a China.
 

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A China mostra cada vez mais interesse na Língua Portuguesa e pretende transformar Macau em um centro de excelência de ensino da Língua, devido ao interesse económico em países lusófonos, disse a académica Carmen Mendes, em Coimbra.

“Há um crescente interesse da China na Língua Portuguesa” que acompanha o próprio interesse económico do país asiático em países como Brasil, Moçambique ou Angola, disse a professora da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra [FEUC], Carmen Mendes, à margem da apresentação do seu livro Portugal, China e as Negociações de Macau – 1986-1999 [escrito em inglês].

–– “A Língua prolifera mais agora do que antes” ––
A docente e especialista em Estudos Chineses considerou que, em Macau, para além de universidades, politécnicos e escolas apostarem no ensino da Língua, “há muitos institutos privados e do governo” que oferecem cursos.

Tal fenómeno “extravasa a vontade de Portugal”, e este “não tem voto na matéria”, observou, frisando que, “enquanto houver interesse da China no mercado lusófono, a Língua e o legado lusófono mantêm-se em Macau”.

“A Língua Portuguesa prolifera muito mais em Macau agora do que antes”, constatou a docente da FEUC, considerando que a missão de Macau na Lusofonia está espelhada no Fórum Macau, criado pela China em 2003, e que funciona como plataforma económica e comercial da China com os países de Língua Portuguesa, cujo secretariado permanente está na antiga colónia portuguesa.

–– Macau é um “aluno exemplar” da China ––
Para a investigadora, Macau garantiu a manutenção da “sua identidade”, muito por culpa de ser um “aluno exemplar”, no que toca a Regiões Administrativas Especiais da República Popular da China e à relação que tem com a mesma.

Também a ideia que o antigo primeiro-ministro chinês Li Peng transmitiu a Carlos Melancia, governador português da altura –(*)–, de que seria a China a aproximar-se de Macau parece estar “a funcionar”, disse. E recordou que a China “está a tornar-se cada vez mais aberta economicamente, estando perto de um capitalismo puro”, notando-se também alguma abertura do ponto de vista político.

Carmen Mendes constatou ainda que “são os chineses que tentam preservar” o património cultural deixado pela presença portuguesa, por “atrair muito turismo para Macau” e pelo interesse em ter uma cidade em território chinês com características semelhantes aos países de Língua Portuguesa.

Durante a apresentação do livro, o vice-reitor da Universidade de Coimbra, Joaquim Ramos de Carvalho, recordou que “há 30 licenciaturas em Língua Portuguesa” nas universidades chinesas.

O livro de Carmen Mendes foi editado pela Hong Kong University Press e é promovido em Portugal pela Livraria Almedina.  :::

Assinatura da Declaração Conjunta Sino-Portuguesa sobre a Questão de Macau, feita por Aníbal Cavaco Silva e Zhao Ziyang, em Pequim em 13 de abril de 1987.

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–– Nota: ––
–(*)– A reportagem faz referência ao final da década de 1980, durante o processo de transferência da soberania do território ultramarino português de Macau para a República Popular da China.

Carlos Melancia foi governador de Macau entre julho de 1987 e abril de 1991, e Li Peng foi primeiro-ministro da China entre novembro de 1987 e março de 1998. Ambos foram alçados ao poder já com a entrada em vigor da Declaração Conjunta Sino-Portuguesa sobre a Questão de Macau, assinada em Pequim a 13 de abril de 1987, pelo antecessor de Li Peng, Zhao Ziyang, e pelo então primeiro-ministro da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva.

A Declaração de 1987 conferiu a Macau o estatuto de “território chinês sob administração portuguesa”, e criou a Região Administrativa Especial de Macau. A transferência plena da soberania do território português de Macau para a República Popular da China ocorreu em 20 de dezembro de 1999.  :::

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Há cada vez mais interesse da China na Língua Portuguesa.
Extraído do jornal O Mirante (Santarém, Portugal).
Publicado em: 14 mar. 2014.

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