Articles

Sim, Acordo Ortográfico – Carlos Enes

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional on 9 de Março de 2014 by ronsoar Tagged: , , ,

O deputado português Carlos Enes: “O Acordo é para o futuro. É preciso cumprir o que foi assinado.”

  

O historiador e deputado da Assembleia da República, Carlos Enes, publicou artigo recente no jornal Diário Económico, de Portugal, em que defende a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, elaborado em Lisboa, em dezembro de 1990.

“A Assembleia da República aprovou-o, por larguíssima maioria, bem como aos Protocolos Modificativos que se seguiram, dando origem a um tratado entre os países que têm como oficial a Língua Portuguesa”, esclarece o parlamentar açoriano.

“O Acordo Ortográfico não fere a dignidade de Portugal nem da sua Língua”, diz Carlos Enes em relação à unificação das regras de escrita da Língua Portuguesa – que não é a Língua de um país só: é uma Língua internacional, partilhada com outras nações do mundo. Com o Acordo, “todos passamos a escrever segundo um único ditame legal.”

“Uma coisa é certa: as gerações que estão fazendo a sua aprendizagem com as novas regras não irão rejeitar o legado ortográfico que esta geração lhes deixou. Este é um Acordo para o futuro”, conclui o deputado da República Portuguesa.

Ventos da Lusofonia reproduz a seguir o artigo do deputado Carlos Enes, publicado na edição do Diário Económico de 6 de março de 2014.

.
*              *              *

–– Sim, Acordo Ortográfico ––

Carlos Enes
do jornal Diário Económico (Portugal)
6 de março de 2014

.
:::  O Acordo Ortográfico não fere a dignidade de Portugal nem da sua Língua. Mantendo o respeito de ninguém se impor ou vergar, todos passamos a escrever segundo um único ditame legal.  :::

.
A reforma da ortografia portuguesa de 1911 teve como objetivo contribuir para uma democratização cultural, funcionando como um instrumento de combate ao analfabetismo. Esse espírito está patente em outras iniciativas desencadeadas até se estabelecer o Acordo Ortográfico (AO), em 1990.

A Assembleia da República aprovou-o, por larguíssima maioria, bem como aos Protocolos Modificativos que se seguiram, dando origem a um tratado entre os países que têm como oficial a Língua Portuguesa.

Em qualquer reforma, há uma geração que se confronta, sempre penosamente, com uma transição; foi o que aconteceu depois de 1911 e de 1945. Porém, não consta que os portugueses de então tenham ficado traumatizados, perdido as referências culturais ou a identidade nacional.

A perspetiva deve ser a de se caminhar com confiança. Assim se está fazendo nas escolas deste país, com alunos e professores empenhados no sucesso da aprendizagem.

Sobre a reforma ortográfica de 1911, “não consta que os portugueses de então tenham ficado traumatizados, perdido as referências culturais ou a identidade nacional”.

É falsa a crítica de que o AO impõe na grafia do Estado qualquer caos maior do que o que muito temporariamente acarretam todas as reformas, como também não são baseados em critérios científicos muitos dos reparos de ordem técnica. Estudos rigorosos e verificáveis apontam para uma maior convergência, na proporção de cinco para um, entre a ortografia portuguesa e brasileira. Este AO é um compromisso para o futuro, e como tal deve ser encarado.

O AO tem sido aplicado em Portugal, dentro do planeado, bem como no Brasil, cujo embaixador confirmou em recente carta aos deputados portugueses que o seu país está determinado na reforma. É natural que nos restantes países da CPLP seja necessário assegurar a existência prévia das condições tecnológicas e humanas, o que está a ser feito, no âmbito do Vocabulário Ortográfico Comum, como previsto no tratado.

O AO não fere a dignidade de Portugal nem da sua Língua. Mantendo o respeito por todos os povos, sem ninguém se impor ou vergar, todos passamos a escrever segundo um único ditame legal. Quem o quiser aplicar tem à sua disposição bons instrumentos; quem não o quiser, por convicção, preguiça, ou até esnobismo, continua a ter liberdade para escrever conforme os seus conhecimentos, como sempre o fez.

Uma coisa é certa: as gerações que estão fazendo a sua aprendizagem com as novas regras não irão rejeitar o legado ortográfico que esta geração lhes deixou. Este é um Acordo para o futuro. É nossa obrigação não recuar e, como escreveu José Saramago, “é preciso cumprir o que foi assinado”.  :::

.
ENES, Carlos. Sim, Acordo Ortográfico.
Extraído do jornal Diário Económico (Portugal).
Publicado em: 06 mar. 2014.

.
*              *              *

Leia também:
Embaixador reitera compromisso do Brasil em cumprir o Acordo Ortográfico – 08 de março de 2014
“O Brasil está solidamente comprometido com o Acordo Ortográfico” – Mário Vilalva – 13 de outubro de 2013
Uma Cimeira Luso-Brasileira no Dia de Camões (II) – 15 de junho de 2013
O Acordo Ortográfico para integrar o mundo de Língua Portuguesa – 23 de dezembro de 2012

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: