Articles

Da universidade para o surfe: os alemães que estudam no Brasil

In Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 27 de Fevereiro de 2014 by ronsoar Tagged: , , , ,


 

Ao redor do mundo, torna-se cada vez maior a expectativa de muitos estudantes conhecerem e dominarem a Língua Portuguesa. Que pode abrir muitos caminhos nas áreas profissionais no futuro, tendo-se em vista o crescimento das economias dos países lusófonos.

Ventos da Lusofonia reproduz esta matéria da agência de notícias alemã DPA, mostrando o ânimo dos estudantes alemães que escolheram o Brasil como destino para intercâmbio acadêmico e para o início de uma carreira profissional no exterior. O que somente será possível com o estudo e o domínio da Língua Portuguesa.

.
*              *              *

Educação
–– Da universidade direto para o surfe: estudar no Brasil ––

Da agência DPA (Alemanha)
27 de janeiro de 2014

Philipp Sackenheim estuda em intercâmbio no Rio de Janeiro: “Depois de me formar na universidade, vou manter um estilo de vida brasileiro.”
 

.
Rio de Janeiro — Uma estadia no Brasil não vale a pena só durante a Copa do Mundo de Futebol. Também pode compensar para os alunos que passam um ano no exterior. Mas sem o conhecimento da Língua Portuguesa, eles não vão muito longe.

“Depois de me formar na universidade, vou manter um estilo de vida brasileiro”, diz Philipp Sackenheim. Um estudante de 23 anos de Munique, desde agosto no Rio de Janeiro. Ele aproveita a cidade ao máximo: “Logo após as aulas, eu faço esportes, jogo futebol com os amigos ou aprendo a surfar.”

Com a Copa do Mundo entre 12 de junho e 13 de julho, vai-se intensificando neste momento todo o foco do público para o Brasil. Entretanto, os alunos têm manifestado permanecer no país por mais tempo adiante. Sempre levam em consideração o plano de estudar no exterior. O número de candidatos para uma vaga de intercâmbio no Brasil mais do que duplicou nos últimos dois anos, diz Ana Santos-Kühn. Ela dirige o Escritório Internacional da Universidade Técnica de Munique. Ela fechou acordos de parceria da Universidade Técnica de Munique com oito instituições brasileiras de Ensino Superior. Neste momento, o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD [sigla em alemão]) auxilia cerca de 600 estudantes alemães no Brasil com uma bolsa de estudos anual.

Ana Santos-Kühn vê, como uma das razões para o aumento do interesse, a crescente importância econômica do país. “As empresas alemãs podem ser promovidas no Brasil e podem buscar gente que conhece ambos os países.” Cada vez mais alunos percebem isso – e com um ano de estudos no Brasil, querem melhorar suas chances no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, até aqui são relativamente poucos os profissionais que estão bem adaptados ao Brasil e com certa fluência em Língua Portuguesa, acrescenta Michael Eschweiler, que dirige a unidade para o Brasil do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD).

Mas também em aspectos técnicos, uma permanência de estudos no Brasil é interessante para estudantes universitários de muitas disciplinas. Os engenheiros acham muito empolgante o setor de energia, porque o Brasil, ao contrário da Alemanha, abrange uma grande parte de suas necessidades de energia com usinas hidrelétricas, relata Eschweiler.

Muitas vezes eles podem ficar lá para aprender técnicas que ainda são pouco utilizadas na Alemanha. “Mesmo aqueles que estão interessados em medicina tropical ou em proteção das florestas tropicais estão em boas mãos.” A atenção aos temas do desenvolvimento urbano e da modernização do país é também animadora para os cientistas sociais.

–– Educação mais orientada para a prática ––
Philipp Sackenheim não estudou nenhum desses assuntos. Ele está matriculado em Munique para Técnicas de Administração de Empresas. Mas ele veio ao Brasil por um motivo diferente. Após o Abitur [exame alemão de conclusão do Ensino Secundário], ele completou um ano de serviço social em uma favela localizada a cerca de uma hora e meia de automóvel do Rio de Janeiro. Desde então, ele fala o português – e aprendeu a amar tanto o país que ele quis voltar novamente para aprender mais.

Ele está entusiasmado com os estudos. “Estão mais orientados para a prática do que na Alemanha”, ele declara. Assim, os alunos tiveram a tarefa de desenvolver uma estratégia de negócios, em cooperação com uma empresa. “Em dois meses no Rio, tenho aprendido mais na prática do que em dois anos em Munique”, diz Sackenheim.

–– Seleção universitária mais difícil do que na Alemanha ––
“As universidades públicas são muito boas”, confirma Michael Eschweiler a partir do DAAD em Bonn. No entanto, eles selecionam os seus alunos com muito critério. O processo de seleção é bem mais difícil do que na Alemanha. Na universidade onde está Philipp Sackenheim, há um teste de entrada para cada curso [o exame vestibular]. Muitos brasileiros pagam cursos preparatórios extras. Portanto, não é fácil organizar um lugar para estudos no Brasil por conta própria. É mais fácil para os alunos alemães pedir informações no Escritório Internacional da universidade sobre se há uma universidade brasileira parceira.

Em todo caso, os estudantes universitários que desejam ir para o Brasil devem antes aprender o português, aconselha Ana Santos-Kühn. As aulas e conferências são geralmente ministradas na Língua do país. As competências linguísticas são essenciais. Mas não é difícil para a maioria integrar-se. A cultura brasileira é muito hospitaleira e aberta ao mundo. “Vai se juntar aqui muito rapidamente ao círculo privado de amigos e ser convidado, por exemplo, para jantar com os pais”, relata Sackenheim.

O acesso à universidade no Brasil não é fácil; recomenda-se pedir informações sobre intercâmbio com universidades brasileiras.
 

–– “Apesar dos custos e da burocracia, vale a pena” ––
A bolsista da DAAD, Bega Tesch, aceitou estudar em São Paulo, metrópole de milhões de habitantes. Em Heidelberg, Bega Tesch estudou Ciências da Tradução para o francês e o português. Na universidade brasileira, a estudante de 22 anos ocupa-se em cursos de português e naqueles ligados à cultura brasileira. Quase 90 mil estudantes estão matriculados na Universidade de São Paulo (USP). No câmpus, há várias paradas de ônibus, tão grande é o terreno. “No começo, fiquei mesmo um pouco desorientada”, disse ela.

Bega Tesch partilha o espaço com duas estudantes brasileiras em uma república nos arredores do câmpus. “Sem a bolsa, teria sido difícil custear os estudos do ano”, disse ela. Os preços em São Paulo são muito caros. A taxa para a bolsa da DAAD no Brasil é de atualmente 875 euros por mês. Para tanto dinheiro, os alunos devem pelo menos planejar pelos meses em que quiserem ficar lá.

Além disso, Philipp Sackenheim chama a atenção quanto à burocracia. “Aqui você deve passar todos os seus documentos para serem autenticados”, disse. Ele não acredita que conseguiu obter reconhecidas todas as suas contas em Munique. Com isso, seu estudo de graduação provavelmente tomará mais dois semestres. “Apesar disso, em todo caso, vale a pena.”  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares)

.
Nach der Uni zum Wellenreiten: studieren in Brasilien.
Extraído da agência DPA (Alemanha).
Publicado em: 27 jan. 2014.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: