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CPLP: economias lusófonas podem chegar a 10% do PIB mundial daqui a quinze anos

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 23 de Fevereiro de 2014 by ronsoar Tagged: , , ,

Da Agência Lusa e do jornal Público (Lisboa, Portugal)

Em Maputo, realizou-se no dia 21 de fevereiro a III Reunião dos Ministros de Finanças da CPLP: o uso dos recursos naturais e da “abençoada separação geoestratégica” em prol do desenvolvimento da Comunidade.
 

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A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vale hoje 4% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, mas podia mais do que duplicar de valor, se os políticos apostassem a sério na economia e se houvesse mais comunicação entre os Estados para juntar a procura de um país à oferta de outro.

Após a III Reunião dos Ministros das Finanças da CPLP, ocorrida na sexta-feira, dia 21 de fevereiro, em Maputo – que debateu a crise financeira mundial e a gestão sustentável dos recursos naturais – os especialistas na economia lusófona alertam que, do ponto de vista de promoção empresarial e das relações comerciais entre os Estados, há muito a fazer, para benefício de todos.

A reunião dos ministros das Finanças da CPLP ocorreu no dia seguinte à Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP, também na capital moçambicana e que, entre outras decisões, aprovou o Plano de Ação de Lisboa, sobre a difusão da Língua Portuguesa para as áreas técnicas, as ciências e as tecnologias de ponta.

“A riqueza no espaço lusófono pode passar de quatro para 10% do PIB mundial numa década e meia, se os países se juntarem e apostarem numa verdadeira Comunidade económica, criarem mais-valias sobre os abundantes recursos naturais e usarem a abençoada separação geoestratégica” que os espalha por quatro continentes, afirma o presidente da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), Salimo Abdula, que reclama uma política diplomática mais virada para a economia.

–– Georgina Mello: “Temos um diamante na mão” ––

Georgina Mello sobre o potencial das economias lusófonas: “Temos um diamante na mão, que vai ser brilhante.”

“Temos um diamante na mão e ainda não o conseguimos lapidar, mas, quando o fizermos, vai ser brilhante e uma coisa belíssima”, reconhece a diretora-geral da CPLP, Georgina Mello, referindo-se ao potencial de uma área que representa 4% da riqueza mundial e que junta mais de 250 milhões de pessoas, mas que ainda enfrenta dificuldades nas trocas comerciais entre os seus membros, por exemplo ao nível do financiamento e das barreiras ao comércio internacional.

“Há bons projetos, mas não têm acesso a financiamento que existe noutros países [da CPLP]. E depois, temos abundância de operadores de mercado e tecnológicos nalguns países, ao mesmo tempo que temos carências muito graves noutros”, diz a responsável, sublinhando que é preciso mais comunicação entre os países, para que um saiba que aquilo que tem é aquilo que o outro está à procura.

“A comunicação entre a procura de um país e a oferta do outro é fundamental, porque há necessidades que são gritantes nuns sítios e noutro país que nem sabe disto há excedentes nessa área. É preciso é comunicarem uns com os outros”, diz Georgina Mello.

Segundo Georgina Mello, os ministros reunidos em Maputo têm, por isso, um papel central, porque só eles podem desbloquear as dificuldades de compatibilização da CPLP com as regras dos sistemas regionais, dos quais nenhum país quer abdicar.

–– A livre circulação na CPLP “só depende de sensibilidade política” ––
Salimo Abdula defende a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capital no espaço lusófono. Já antecipando as críticas sobre a dificuldade de harmonizar regras rígidas como as da União Europeia ou do Mercosul [Mercado Comum do Sul, a união aduaneira sul-americana] sobre a abertura de portas, ele afirma que a livre circulação no contexto da CPLP “é um desafio, não é um problema, e só depende da sensibilidade política”.

“Ninguém quer sair da região económica em que está inserido”, disse Abdula. “É preciso é criar margem para construir esta comunidade paralela, que traz grandes oportunidades. Porque, se se conseguir conciliar os dois espaços, cria-se uma ponte que permite às empresas dos países da CPLP aceder a este espaço regional que não seria o seu espaço próprio, agarrando um potencial que se poderá converter em realidade, se se conseguir criar estes mecanismos.”

–– CPLP “estrela a nível mundial” em dez ou quinze anos ––

Salimo Abdula: “Fomos abençoados, e podemos transformar a CPLP numa estrela a nível mundial.”

Salimo Abdula mostrou-se ainda esperançado na aposta económica destes países: “Nada é impossível, se queremos uma CPLP forte e desafiante perante este ambiente de globalização.”

Abdula argumenta: “Temos condições. Fomos abençoados, temos recursos naturais de grande dimensão descobertos nos últimos dez anos. Temos mão-de-obra jovem, e, se nos posicionarmos como deve ser, levando a tecnologia necessária para dar mais-valias às nossas riquezas naturais onde elas existem, podemos transformar a CPLP numa estrela a nível mundial, fazendo o nosso PIB subir para 10% do total mundial daqui a dez ou quinze anos.”

O responsável afirma também que, para além de ser uma voz do setor privado, a CE-CPLP quer igualmente expandir-se para além dos países que falam o português, apostando nos mercados regionais onde cada um está inserido.

“A estratégia comercial da CE-CPLP é usar a Comunidade para chegar às outras plataformas da Lusofonia”, diz o responsável, lembrando que em janeiro participou na primeira reunião dos empresários lusófonos em Goa, local que pode ser usado como plataforma para a Índia e para a Ásia, à semelhança do que acontece em Macau, que é “uma plataforma de negócios com a China”.

Para crescermos, é preciso criar uma economia de escala maior e criar a nossa própria marca CPLP, concluiu o responsável, reconhecendo que estes são “projetos a médio prazo, mas que só precisam do apoio da classe política para os empresários os tornarem realidade”.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa e do jornal Público (Lisboa, Portugal) ––

Uma resposta to “CPLP: economias lusófonas podem chegar a 10% do PIB mundial daqui a quinze anos”

  1. Reblogged this on zarpante and commented:
    Estamos no caminho certo!

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