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Xanana Gusmão: “países irmãos” da CPLP devem deixar de lado “mútua desconfiança”

In O Mundo de Língua Portuguesa on 11 de Fevereiro de 2014 by ronsoar Tagged: , , ,

Da Agência Lusa e do jornal Público (Lisboa, Portugal)
7 de fevereiro de 2014

:::  Primeiro-ministro timorense recebeu grau de doutor honoris causa pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, de Lisboa, na capital portuguesa.  :::

Xanana Gusmão em Lisboa: “É já tempo de dar um novo rumo” à CPLP e de “plantar a bandeira” da Lusofonia “nos negócios do mundo”.

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A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deve ter “a coragem” de deixar de lado a “mútua desconfiança” para participar numa “discussão séria e honesta” sobre um modelo de desenvolvimento económico sustentável, sustentou o primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão.

No discurso após receber o grau de doutor honoris causa pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa, Xanana Gusmão aproveitou a realização da próxima Cimeira da CPLP na capital timorense, Díli, em Julho, para apontar os problemas da organização lusófona.

“Perdemos a noção de Comunidade; agora necessitamos de definir uma nova estratégia, de formular um roteiro de ações programáticas que resultem em benefícios sociais e económicos tangíveis para as nossas populações”, frisou.

“Tenhamos a coragem de descer do estrado de orgulhos mal disfarçados e de sentimentos latentes de mútua desconfiança”, apelou, considerando “urgente” que se faça uma “discussão séria e honesta” quanto à participação de cada Estado lusófono no “plano de desenvolvimento económico sustentável”.

Para o ex-líder da resistência timorense, “é já tempo de dar um novo rumo” à CPLP e de “plantar a bandeira” da Lusofonia “nos negócios do mundo”, corrigindo “as assimetrias” entre os “países irmãos”.

“Necessitamos de definir uma nova estratégia” para a CPLP, a fim de que se corrijam “as assimetrias” entre “países irmãos”, declarou Xanana Gusmão.

No discurso, que durou mais de uma hora, Xanana Gusmão criticou as lideranças mundiais e defendeu “um novo conceito de defesa global” e “uma diplomacia ativa” que promova a paz.

As “democracias do mundo inteiro” estão “capturadas por uma elite dominante, apoiada por uma indústria financeira arruinada”, lamentou.

“Há que mudar a mentalidade dos países ricos e poderosos, há que mudar a mentalidade dos governantes e dos centros mundiais de decisão, há que se ter também a humildade de reconhecer que o Homem, a pessoa humana, deixou de estar no centro das decisões”, vincou.

As “poderosas elites mundiais” devem ser “responsabilizadas”, porque “os pobres e os mais vulneráveis são os que pagam os erros do sistema global e recebem a miséria em troca”, denunciou, considerando “deveras chocante” que não se tenham atingido as metas de desenvolvimento definidas pelas Nações Unidas.

“Enquanto todos os dias vemos milhões e milhões de pessoas em deprimentes condições de vida e que vão morrendo de fome, os países detentores do poder de decisão reforçam as intervenções militares, despendendo biliões de dólares por ano”, realçou.

–– Em “processo de maturação democrática” ––
Sobre Timor-Leste, o atual primeiro-ministro, que já disse que não pretende voltar a candidatar-se a qualquer cargo de responsabilidade, disse que está em “processo de maturação democrática”.

Defendendo que as prioridades devem ser a “consolidação do Estado” e a “coesão da nação”, Xanana Gusmão instou “as pessoas eleitas” a fazerem “prevalecer os interesses nacionais sobre todos e quaisquer outros interesses” e apelou aos cidadãos para não se deixarem “manipular”.

Timor-Leste, disse, “está a crescer apesar da crise”, dando “sinais modestos, mas positivos”. Assinalando que “não haverá democracia sem paz e estabilidade”, recordou as “falsas expectativas de que a independência traria de imediato tudo o que se almejava” e criticou “os agitadores de opinião”, para os quais “não podia haver razões de demora”.

Após uma demorada ovação, Xanana Gusmão agradeceu a distinção com o grau de doutor honoris, já que não teve “a oportunidade de frequentar o Ensino Superior”, admitindo algum “desassossego por não estar realmente seguro” de ser merecedor de “tal generosidade”.

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–– Extraído da Agência Lusa e do jornal Público (Lisboa, Portugal) ––

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