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Livro e instituto para estudo das relações entre a China e os países de Língua Portuguesa

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 3 de Fevereiro de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , , ,

Baseado em reportagem do jornal Ponto Final (Macau, China)

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O livro Portefólio dos Oito Países de Língua Portuguesa para Negócios celebra os dez anos de criação do Fórum de Macau.

O professor universitário Luís Rodrigues, consultor do livro Portefólio dos Oito Países de Língua Portuguesa para Negócios, apresentado no último dia 25 de janeiro na Universidade da Cidade de Macau, deixa algumas sugestões para as relações entre a China e os países de Língua Portuguesa. A obra é um breviário bilingue para quem deseja aproximar-se do mundo lusófono.

A obra é bilingue e foi publicada pelo novo Instituto de Investigação sobre Países de Língua Portuguesa, da Universidade da Cidade de Macau. Trata-se de um breviário que compila informação destinada a servir investidores interessados em saber mais sobre as diferentes nações lusófonas.

“Fazia sentido que essa cooperação entre a China e os países de Língua Portuguesa tivesse uma resposta do lado das universidades. Como docente, sempre entendi que as universidades têm o seu futuro felizmente hipotecado à realidade, porque se não, não sobrevivem. É preciso que se atenham àquilo que a sociedade quer”, diz Rodrigues sobre a decisão da Universidade da Cidade de Macau em avançar para este projeto.

Portefólio dos Oito Países de Língua Portuguesa para Negócios analisa cada país seguindo os mesmos itens, como dados geográficos, históricos, políticos, religiosos, o sistema legal e, mais em detalhe, as questões económicas. “É uma primeira cortina que se abre num palco, porque são países dispersos, com diferentes ritmos de desenvolvimento. Não são estas páginas que podem dar total vida à realidade do país”, admite o consultor.

No entanto, “para um chinês que queira conhecer Angola, Moçambique, etc., chega aqui e tem dados económicos muito atuais, de 2012 e 2013. Nos dados não económicos, fica a saber as coisas mínimas. Na parte económica, tem o que se importa, o que se exporta e os corredores de entrada.” Isto significa ter noção de questões elementares.

Luís Rodrigues dá um exemplo: “Em Angola ninguém consegue fazer uma empresa sem que 60 por cento do capital seja angolano. Essa informação existe. Não é um trabalho de investigação no sentido de criar de novo – trata-se de disciplinar muita informação dispersa, que está entre gabinetes de advogados, em leis publicadas, e tentar pôr tudo arrumado num compêndio informativo que precisa de ser atualizado de quando em vez.”

–– Cooperação equilibrada ––
Além de reunir informação que considera relevante, o professor universitário deixa ainda algumas sugestões para a cooperação entre a China e os países lusófonos. “Há uma questão que não tem sentido, que é a do doador e do receptor. Hoje, a cooperação assim não faz qualquer sentido. O mundo tem de se virar para trocas de interesse, mas em situação paritária. Com as Áfricas em particular, e até com o Brasil, é preciso que a China se posicione não apenas como doador.”

Rodrigues vê grande potencial no tipo de cooperação que pode existir. “A China hoje em dia tem uma experiência de gestão de desenvolvimento inigualável. A parcimónia que vai em alguns desses países lusófonos é grande e só beneficiariam dessa experiência”, nota.

O consultor dá como exemplo a gestão das cidades de alguns países africanos de Língua Portuguesa. “São um caos, os lixos são mal trabalhados, as soluções urbanas de estacionamento… Ora, se há grandes cidades no mundo são as cidades chinesas. Este know how [saber técnico] pode ser matéria vendível, em cooperação, com investimento. Naturalmente que há aqui um segredo, o segredo da transferência de tecnologia, de formação – o segredo do conhecimento.”

Os professores Luís Rodrigues, autor do livro, e Rui Rocha, diretor do Departamento de Língua Portuguesa, ambos da Universidade da Cidade de Macau.
 

Luís Rodrigues defende cooperação “que inclua a transferência de tecnologia”, algo que muitas vezes tem falhado, por exemplo no caso angolano. “Angola beneficia da posição chinesa na construção, só que a metodologia é totalmente louca. Diria que a culpa não é da China, não é de Angola, é da ignorância. Desembarcam em Luanda com um navio que traz praticamente um prédio feito. E não há ninguém a fazer o hotel que não seja chinês. Em Luanda, a gente quer um canalizador ou um eletricista e não tem – não tem porque não foi transferida a tecnologia”, lamenta.

Para o professor universitário, o esforço que o Governo angolano faz para formar especialistas “é uma gota de água, quando podia nem sequer haver necessidade”, desde que a mão de obra local estive envolvida no processo de construção das novas infraestruturas. “Isto é desequilibrado, e é preciso refazer esta cooperação”, defende.

–– Uma instituição na China a investigar os países lusófonos ––

O recém-criado Instituto de Investigação sobre Países de Língua Portuguesa, pertence à Universidade da Cidade de Macau.

Duas principais razões motivaram a decisão de publicar este livro sobre a economia dos países lusófonos, como a seguir explica Rui Rocha, diretor do Departamento de Língua Portuguesa e Cultura de Países de Língua de Portuguesa, da Universidade da Cidade de Macau.

“Uma das razões inscreve-se na primeira das opções estatutárias do instituto de onde provém esse livro, que é o Instituto para a Investigação dos Países de Língua Portuguesa. O segundo tem que ver também com uma associação que fizemos aos dez anos de existência do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, o nome oficial do Fórum de Macau, com sede na Região Especial Administrativa situada na Riviera das Pérolas.

De resto, o livro reveste-se de cariz político. Como referiu o reitor da Universidade da Cidade de Macau, Pan Su Seng, no discurso proferido durante a apresentação da obra em 25 de janeiro, a instituição quer seguir as diretrizes do 12º Plano Quinquenal da República Popular da China, aprovado em 2011, e onde entre outros aspectos relativos a Macau se refere a necessidade de uma maior cooperação com os países lusófonos.

“Se olharmos para o cenário do ensino universitário em Macau, não há qualquer instituição que se dedique exclusivamente a investigar os países de Língua Portuguesa. Começámos precisamente por compilar e estruturar informação – económica, social, política – dos países de Língua Portuguesa, para efeitos de que quando um investidor quiser abordar os países de Língua Portuguesa e ver as oportunidades de negócio, ter pelo menos um breviário que lhe dê uma noção sucinta, mas bem fundamentada, do que são esses países.”  :::

 

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Com base na reportagem
Cooperação deve incluir “transferência de tecnologia”.
Do jornal Ponto Final – Macau, China.
Publicado em: 26 jan. 2014.

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