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A ciência do Império Português e a relação com Brasil e África em mostra em São Paulo

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 1 de Fevereiro de 2014 by ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência Lusa, da Agência Brasil, do sítio Portugal Digital, do Observatório da Língua Portuguesa e do Museu Afro-Brasil (São Paulo, Brasil)

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Uma exposição conjunta da Universidade de Coimbra e do Museu Afro-Brasil está em cartaz em São Paulo, cujo tema é o conhecimento científico de Portugal sobre o Brasil e a África.
 

A exposição Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber, iniciada em 24 de janeiro em São Paulo, Brasil, aborda a construção do conhecimento científico português em relação aos povos e territórios do além-mar e a relação científica do Império Português com o Brasil e a África, principalmente com Angola.

A mostra, que fica no Pavilhão da Oca, do Parque do Ibirapuera, busca o diálogo entre arte e ciência, com a união de peças raras do acervo da Universidade de Coimbra e de colecionadores, além de produções de artistas contemporâneas, segundo a organização.

“A Oca é esférica e permite que a exposição construa um atlas. E a ideia do itinerário é seguir a cartografia e a metáfora do viajante, onde cada um percorre e constrói o caminho”, afirmou à Agência Lusa o curador Bernaschina.

A mostra está em cartaz na Oca, localizada no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

A exposição, realizada pela primeira vez em 2011, na comemoração de cem anos da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, em Portugal, chega a São Paulo para marcar os dez anos do Museu Afro-Brasil, um dos seus organizadores no país.

A ideia inicial era que a mostra ocorresse de forma itinerante durante o Ano de Portugal no Brasil, que acabou em meados de 2013, mas não houve apoio financeiro a tempo. Em São Paulo, a mostra possui uma versão ampliada.

“É uma exposição invulgarmente importante porque ela faz uma abordagem sem precedentes sobre a forma como Portugal, enquanto Império, trabalhou a questão do conhecimento e desenvolvimento científico de suas colónias”, afirmou o cônsul-geral da República Portuguesa em São Paulo, Paulo Lourenço.

A base para a exposição, de acordo com o curador, parte da relação entre os professores e diretores da universidade com a construção do conhecimento científico em Portugal, após a refundação da instituição, na era do Marquês de Pombal (1699-1782), e a introdução do ensino das ciências na educação superior.

No Brasil, o impulso científico ganhou força no início do século XIX, com a chegada da Família Real portuguesa e a abertura dos portos, que favoreceu a entrada de naturalistas estrangeiros. Nesse contexto, ocorreu a criação, por decreto real de 1818, do Real Museu no Rio de Janeiro, o que permitiu a intensificação das pesquisas e a transferência de algumas coleções de Lisboa para o Brasil.

Os estudos científicos portugueses nas colónias do então Ultramar expandiram-se para a África no decorrer do século XIX, segundo os organizadores da mostra.

–– Acervo científico raro dos portugueses sobre a África ––
Entre os documentos, peças e obras expostos, há cartas geográficas, astrolábios e lunetas, bem como cartas com desenhos sobre as chamadas guerras guaraníticas de 1755, mapas do engenheiro italiano Miguel Ciera no século XVIII, desenhos do nobre português D. Luís António Morgado de Mateus, que governou a capitania de São Paulo, e retratos como o de D. Francisco de Lemos (1735-1822), nascido no Rio de Janeiro e um dos reitores da Universidade de Coimbra.

Bernaschina realçou a presença dos herbários do botânico Friedrich Welwitsch, colhidos em Angola em 1852 e que comprovam a existência das mesmas plantas em Angola e no Brasil. E também do documento de rescisão de José Bonifácio de Andrada e Silva com a universidade, personagem que viria a ser o patrono da independência brasileira.

Outro núcleo da exposição apresenta o acervo de Antropologia do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, com 32 tampas de panela do povo Woyo recolhidas em 1860, uma cadeira de espaldar do povo Chókwe e uma máscara masculina Nkaki, do povo Luluwa – uma parte dos itens que os portugueses trouxeram de Angola como parte do Ultramar.

A mostra reúne documentos e peças raras da Universidade de Coimbra e de colecionadores, bem como produções artísticas contemporâneas.
 

–– Abordagem contemporânea pela arte ––
Ao lado da coleção histórica, estão obras de artistas contemporâneos – portugueses, brasileiros e angolanos – que trazem novas possibilidades de interpretação sobre o passado.

“Produz uma abordagem no sentido de desconstruir os fatos históricos. São autorias que utilizam muito a ideia do objeto museológico. São propostas de releitura dessas peças”, ressalta Paulo Amaral, outro curador da exposição.

Nas suas obras, os artistas tratam também das relações de poder. “Falo de política, de escravatura e de desporto”, afirmou à Lusa o angolano Yonamine, que estava hoje a construir o seu mural na exposição, com imagens como a de seus compatriotas expostos como escravos.

Entre os artistas contemporâneos que participam da mostra estão também os portugueses Miguel Palma, Ana Vieira, Gonçalo Pena, Cristina Ataíde e João Fonte Santa, entre outros.

O confronto de interpretações de épocas tão diferentes sobre as culturas em contacto permite a humanização do conhecimento. O visitante tem a liberdade de criar seu próprio itinerário dentro da exposição. “A exposição não pretende exigir itinerários, nem tampouco leituras estáveis. Pretende que o visitante construa a sua própria narrativa e o próprio percurso a partir das obras”, aponta Paulo Amaral.

“Esta exposição com sua abordagem tão singular de um período importante do relacionamento entre Portugal e suas colónias cumpre um papel extremamente importante”, avalia o cônsul Paulo Lourenço. “Afinal, Portugal e Brasil são países que se conhecem há muito tempo, mas que no fundo não se conhecem tão bem assim”, conclui.

A exposição Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber está em cartaz no Pavilhão da Oca, do Parque do Ibirapuera, em São Paulo até o dia 24 de abril.  :::

• Clique aqui para ver o vídeo sobre a exposição Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber, da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e do Museu Afro-Brasil de São Paulo, no sítio do Observatório da Língua Portuguesa.

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Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber
Pavilhão da Oca – Parque do Ibirapuera
Av. Pedro Álvares Cabral s/nº. – portão 3
São Paulo – Brasil

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–– Extraído da Agência Lusa, da Agência Brasil, do sítio Portugal Digital, do Observatório da Língua Portuguesa e do Museu Afro-Brasil (São Paulo, Brasil) ––

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