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Brasil promove primeiros concursos públicos para professores indígenas

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 28 de Janeiro de 2014 by ronsoar Tagged: , , , ,

Do portal Terra Brasil e do Portal Amazônia (Manaus, Brasil)
24 de janeiro de 2014

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:::  Bahia e Rondônia são os primeiros Estados brasileiros a realizarem concursos públicos para a contratação de professores indígenas nas aldeias.  :::

Crianças indígenas em sala de aula: valorização das línguas e das culturas dos povos indígenas do Brasil através da educação.
 

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Ser protagonista da educação de seus povos é uma das lutas dos movimentos indígenas do Brasil. Por isso, foi comemorada a realização do primeiro concurso específico para professores indígenas da Bahia, promovido pela Secretaria de Educação do Estado no dia 12 de janeiro. A carreira de professor indígena na Bahia foi criada por lei estadual em 2011, mas até o momento os docentes são contratados como temporários.

Para concorrer a 390 vagas, puderam participar indígenas que concluíram o Ensino Médio em qualquer modalidade de ensino. Dos 1.200 inscritos, os candidatos aprovados e que não possuam formação específica deverão se matricular no curso de Formação Inicial, Continuada e em Serviço para o Magistério Indígena, ofertado pela Secretaria de Educação em parceria com universidades baianas.

A publicação dos resultados da primeira etapa, que envolveu uma prova discursiva e outra objetiva, está prevista para 12 de março.

–– Valorização dos povos indígenas pela educação intercultural ––
De acordo com o Censo brasileiro de 2010, existem, na Bahia, 60.120 indígenas – de um total de 15 milhões de habitantes.

Segundo a coordenadora de Educação Escolar Indígena do Estado, Rosilene Cruz de Araújo, da etnia Tuxá, a população indígena da Bahia está dividida em 22 etnias e 120 aldeias. Essas aldeias contam com 84 escolas indígenas, desde as creches até às do Ensino Médio, parte vinculada à secretaria estadual e parte às secretarias municipais de Educação, totalizando 8.600 alunos e 670 professores.

Os professores aprovados no concurso irão atender 19 escolas de 19 aldeias. O concurso é uma medida para garantir a qualidade da educação escolar indígena, ao mesmo tempo em que mantém a cultura dos povos por ser específica, bilíngue [na língua indígena e em Língua Portuguesa] e intercultural.

O concurso pede que, prioritariamente, os professores sejam da mesma etnia da aldeia em que lecionarão, com o objetivo de garantir a forma de organização própria, pois alguns povos têm seu calendário organizado de acordo com suas crenças, caçadas e colheitas.

Rosilene explica que, atualmente, o calendário escolar convencional baiano inicia-se em março, enquanto o das escolas indígenas começa em janeiro ou fevereiro, por conta do período de recesso em junho, época dos festejos culturais e religiosos.

“Se o professor é da mesma aldeia, existe uma afinidade cultural, conhece o aluno e sua família, a língua materna e o calendário do ano, que é diferente em cada etnia”, explica Rosilene.

O concurso foi comemorado pelo secretário-geral do Movimento Unido dos Povos Indígenas da Bahia, Kâhu, da etnia Pataxó, do sul do Estado. “É uma grande vitória para o movimento indígena, que vem lutando há anos por uma valorização de nossos povos e professores. Temos uma organização diferenciada dos demais no Estado brasileiro e agora poderemos fazer um papel não mais coadjuvante na construção da educação de nossos povos. Somos capazes de ter autonomia na educação”, conclui.

–– Rondônia terá concurso público para professores indígenas ––
O edital para o concurso público que vai contratar professores e técnicos indígenas para atuarem em aldeias indígenas no Estado de Rondônia está previsto para ser lançado no final deste mês de janeiro, segundo a Secretaria de Estado da Educação de Rondônia.

Será também o primeiro concurso para professores indígenas feito no Estado. Até então, os profissionais participavam de um processo seletivo e trabalhavam por período emergencial.

Os educadores serão destinados a 14 municípios de Rondônia: Alta Floresta, Cacoal, Espigão do Oeste, Extrema, Guajará-Mirim, Jaru, Ji-Paraná, Mirante da Serra, Nova Mamoré, Pimenta Bueno, Porto Velho, São Francisco do Guaporé, Seringueiras e Vilhena.

A Secretaria de Estado da Educação de Rondônia ainda não sabe o número de professores que serão contratados a partir do concurso público, mas o secretário titular da pasta, Emerson Castro, disse que os novos contratados vão suprir a necessidade desta primeira etapa, porém, ela não elimina o deficit [défice] de professores indígenas do Estado de Rondônia.

Atualmente, 342 professores trabalham nas escolas indígenas de Rondônia. O Estado possui 57 etnias e 87 escolas indígenas. Em 2013, 3.224 alunos indígenas estavam matriculados.  :::

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–– Extraído do portal Terra Brasil e do Portal Amazônia (Manaus, Brasil) ––

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Leia também:
Direitos linguísticos, as línguas indígenas e a literatura brasileira – Marco Lucchesi – 17 de outubro de 2013
Uma em cada quatro línguas indígenas do Brasil corre risco de desaparecer, diz estudo – 16 de outubro de 2013
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