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O dia de um professor de Língua Portuguesa que ama Goa

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 16 de Janeiro de 2014 by ronsoar Tagged: , , , ,

A Língua Portuguesa está presente na Índia há mais de cinco séculos e, principalmente em Goa, sempre houve uma comunidade de milhares de falantes da “Língua de Camões”. O português tornou-se uma das várias Línguas que moldam a identidade de Goa e da Índia.

Ultimamente, com o surgimento do conceito de Lusofonia e com a ascensão económica tanto da Índia quanto dos países falantes de português, aumentou a necessidade de revitalizar a Língua Portuguesa em Goa – marca de identidade do território – para preservar o seu legado multissecular histórico e cultural e para torná-la como mais um canal de comunicação da Índia para o mundo.

A reportagem seguinte mostra a vida de um professor português da Língua e a sua afeição por Goa e pela cultura indiana: “Ir para a Índia sempre esteve no fundo do meu pensamento, e eu tive a sorte de conseguir essa oportunidade”.

O professor Francisco Gonçalves, além de ensinar a Língua Portuguesa a estudantes de idades variadas, tem ainda o passatempo de estudar e observar as aves do Estado de Goa. Um professor que se sente filho do solo de Goa – a terra do deus hindu padroeiro Parashurama: “Eu sempre me senti em casa; nunca senti que eu sou português em terra de Goa”.

Confira esta matéria sobre o Ensino de Português de Goa, publicada no semanário The Goan, de Goa, Índia, de maio de 2013.

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–– Um professor português na terra do Senhor Parashurama ––

Joyce Dias
do semanário The Goan (Goa, Índia)
11 de maio de 2013

:::  Francisco Gonçalves ensina a Língua Portuguesa para cerca de 300 alunos, embarca em uma viagem de observação de pássaros bem no interior de Goa e, em seguida, volta para casa para alimentar seus gatos. Tudo em um dia de trabalho para este filho português do solo de Goa.  :::

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Em fevereiro de 2010, um jovem professor de cabelos escuros estava na frente da sala de aula em Portugal a ensinar Língua Portuguesa para estrangeiros na Universidade de Lisboa. Duas semanas depois, encontrava-se no aeroporto – Francisco Gonçalves estava indo para Goa. “Ir para a Índia sempre esteve no fundo do meu pensamento, e eu tive a sorte de conseguir essa oportunidade. O diretor do meu departamento foi contactado pela Fundação Cidade de Lisboa para pedir a referência de um professor de Português para seu programa de Ensino de Português em Goa. Eu respondi à entrevista e aqui estou”, diz o professor Gonçalves que foi enviado pela Fundação mediante três contratos de ensino de um ano para Goa a partir de 2010.

Cerca de 15 anos atrás, a Fundação Cidade de Lisboa, em colaboração com a Associação de Amizade Portugal-Índia em Goa, iniciou um programa de oferta de cursos de cinco meses de duração a cada ano – de agosto a dezembro – em Língua Portuguesa em Goa para os estudantes interessados.

Os cursos tiveram lugar em Panjim e em Margão. Para isso, a Fundação Cidade de Lisboa enviou um professor – um diferente por ano – vindo de Portugal. Três anos atrás, a Fundação iniciou cursos em mais duas cidades. O professor tem vindo a Goa a cada fevereiro desde 2010 e parte para Portugal em dezembro.

“Eu devo ter ensinado 300 alunos nesses três anos”, diz o professor. Os alunos de suas aulas situam-se na faixa entre os oito e os oitenta anos de idade. Cada um destes 300 estudantes atesta que ele é um professor maravilhoso. Teotónio Karl Alemão fala para eles: “Minha experiência de aprender o português com o professor foi ótima. Ele fez a classe animada por pedir-nos para conversar sobre temas aleatórios com outros estudantes. Enquanto na sala de aula, ele também lançou um pouco de história no currículo; ele também contou-nos sobre as origens de algumas palavras do português e que cada Língua está interconectada. Seu estilo de ensino é muito simples e meticuloso. Eu raramente perderia uma aula; seria uma fuga do mundano.”

Quando ele não está a dar aulas, o professor viaja por Goa e por locais nos estados vizinhos com sua câmera de telemóvel Activa. Alguns pássaros a cantar fora de seu apartamento em Altinho deixaram-no interessado em observar as aves, e ele passa o tempo no lago de Carambolim, além de já ter ido para Cotigão, para Molém e para o Santuário Natural de Bondla.

Na verdade, ele parece saber mais sobre as aves em Goa do que os próprios goeses; ele também é um colaborador do sítio <birdsofgoa.org> e já fotografou mais de 50 borboletas. “Em Portugal, temos belas praias, mas não temos florestas como estas”, diz ele. O amor do professor aos gatos não passa despercebido. “Eu adotei um gato de Panjim e um de Margão”, ele informa com uma piscadela.

“Goa tem tantas coisas em comum com Portugal. Estou a experimentar o melhor dos dois mundos. Mas aqui, os rostos das pessoas estão tão despertos com esperança e com uma expressão ao contrário da Europa”, diz ele. Cheio de bom humor e sempre com um sorriso de sobra, ele diz: “Eu sempre me senti em casa; nunca senti que eu sou português em terra de Goa”.  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares.)

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DIAS, Joyce. Portuguese professor in Lord Parashurama’s Land.
Extraído do semanário The Goan – Goa, Índia.
Publicado em: 11 maio 2013.

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Leia também:
Goa, a ponte da Índia para o mundo lusófono – Loro Horta – 14 de janeiro de 2014
“Fala Português?” – a importância da Língua Portuguesa para a Índia – Constantino Xavier – 13 de janeiro de 2014
Goa: ponto de encontro dos negócios entre a Índia e a Lusofonia – Eugénio Viassa Monteiro – 12 de janeiro de 2014

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