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Associação humanitária defende unificação das línguas gestuais da Lusofonia

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 24 de Novembro de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência Lusa

Alfabeto da Língua Gestual Portuguesa: associação humanitária defende maior difusão da Língua Gestual Portuguesa e sua unificação com as línguas gestuais dos países lusófonos.
 

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O presidente da associação humanitária Dignitas Vitae, Hélder do Carmo, defende a unificação da Língua Gestual Portuguesa com as dos países lusófonos da África e do Timor Leste, solidificando o cariz humanitário com a componente pedagógica da transmissão de conhecimentos.

Em 15 de novembro, data que assinalou o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa, Hélder do Carmo defendeu à Agência Lusa que Portugal, “enquanto centro do mundo da Língua Portuguesa”, devia ter a “responsabilidade” de tentar unificar a linguagem de sinais nos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). “Devíamos ter essa responsabilidade, uma vez que temos uma língua gestual desenvolvida, que vai evoluindo como língua viva, mas que já está com uma sintaxe e estrutura muito bem desenvolvida”, afirmou.

As linguagens gestuais não são universais: têm a sua própria estrutura e diferem de país para país. A linguagem de sinais é uma língua como outra qualquer, com estrutura sintática, semântica e morfológica. A grande diferença é que utiliza a imagem para expressar-se. Para determinar o seu significado, os sinais possuem alguns parâmetros para a sua formação – como, por exemplo, a localização das mãos em relação ao corpo, a expressão facial e a movimentação que se faz ou não quando se produz o sinal.

A Língua Gestual Portuguesa é a única dentre os países da Lusofonia que possui estatuto de língua gestual oficial.

Para Hélder do Carmo, além de “solidificar o cariz humanitário das missões” que venham a ser realizadas nesses países, Portugal podia “juntar essa componente pedagógica de transmissão da Língua Gestual Portuguesa, que já esta construída e em uso”. O responsável pela Dignitas Vitae considera que há pessoas surdas portuguesas com capacidades pedagógicas “muito boas” que podiam ensinar, partilhar esse conhecimento e unificar uma língua de pessoas surdas nesses países.

De acordo com Hélder do Carmo, a Língua Gestual Portuguesa tem por base a sueca, país com o qual Portugal, na altura em que começou a dar importância ao assunto, fez uma parceria, tendo recebido, há mais de 100 anos, técnicos da Suécia para dar formação. “Por isso a Linguagem Gestual Portuguesa tem a sua base na sueca, embora com muitas parecenças com a linguagem espanhola, que tem a mesma base, mas já se distanciando da brasileira, a Libras”, revelou, explicando que, embora o português do Brasil e de Portugal sejam semelhantes oralmente, gestualmente é muito diferente.

Em relação aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOPs), Hélder do Carmo avança que não há sequer uma intervenção no sentido de se homologar uma língua gestual, dado que são países em desenvolvimento. “O que acontece é que as intervenções no sentido da educação de surdos ou o acompanhamento de surdos têm um cariz humanitário, não têm um cariz pedagógico nestes países, ficando um bocado alienado de acordo com a intervenção das nacionalidades das pessoas que fazem a intervenção”, explicou.

Hélder do Carmo lembrou que no caso de Timor-Leste são as congregações indonésias e voluntários cubanos e brasileiros que lidam com população surda, “e, apenas, no sentido humanitário”. “Acredito que a linguagem gestual que utilizam será oriunda dos próprios países de origem”, afirmou.

–– A língua gestual é uma “língua natural” e “própria” ––
A Língua Gestual Portuguesa foi reconhecida há 16 anos, mas a Associação de Surdos do Porto lamenta hoje que ela não passe de uma ferramenta e defende “a sua maior visibilidade em uma sociedade que ainda mantém o preconceito”.

Para os surdos, porém, a Língua Gestual Portuguesa não é encarada como uma ferramenta de apoio ao sistema educativo, mas sim como a sua “língua natural” e “própria”, que lhes permite “uma perspectiva diferente da sociedade e do mundo” e, por isso, devia “ter maior visibilidade”, disse, entre gestos, Joana Cottim, membro da direção da Associação de Surdos do Porto.

Em 1997, a Assembleia da República fixou na Constituição da República Portuguesa o reconhecimento da Língua Gestual Portuguesa como uma das Línguas oficiais de Portugal, ao lado da Língua Portuguesa e do mirandês.

Na mesma ocasião, foi oficializado o dia 15 de novembro como o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa, definindo-se a sua proteção e valorização “enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades”.

No Brasil, em 2002, o Congresso Nacional reconheceu a existência da Língua Brasileira de Sinais (Libras), mas ainda não tem estatuto de língua oficial, juntamente com a Língua Portuguesa. E dentre os PALOPs, já existem a Língua Angolana de Sinais e a Língua de Sinais Moçambicana.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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