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Gilvan Müller: “Estratégia de promoção do Português é muito mais tardia, mas avança em conjunto”

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional on 22 de Novembro de 2013 by ronsoar Tagged: , , , ,

Baseado em reportagem de Andreia Sofia Silva,
do jornal Hoje Macau (Macau, China)

Para Gilvan Müller de Oliveira, somente com a CPLP e com o IILP está a acontecer “a concertação dos países para uma promoção conjunta” da Língua Portuguesa.
 

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Alvo de meros planos nacionais no passado, a Língua Portuguesa atrasou-se na sua expansão internacional, o que não aconteceu com o espanhol. A opinião é de Gilvan Müller de Oliveira, diretor-executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).

O professor brasileiro, à frente do IILP, aponta que a entidade vive hoje limitações na sua capacidade e que uma cooperação mais firme com a Região Administrativa Especial de Macau poderia ser benéfica em termos financeiros.

Abaixo, os principais excertos da entrevista de Gilvan Müller de Oliveira ao jornal Hoje Macau:

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–– A política de recursos do IILP ––

“O IILP é uma estrutura vanguardista que estabelece um tipo de cooperação linguística horizontal entre os países, o que não é muito comum no mundo das grandes línguas.”

Sobre o financiamento de recursos entre os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a promoção da Língua: “Vejo que temos conseguido somar recursos porque é muito mais econômico e inteligente dividirmos os custos. Não criamos sistemas que depois são incompatíveis, como tem sido muitas vezes a história da nossa Língua. Temos dois certificados de avaliação da proeficiência da Língua, duas ortografias e dois vocabulários. É uma visão inteligente dos nossos chefes de Estado terem incluído no Plano de Ação de Brasília a ideia de que devemos coordenar isso, que podemos, sim, compartilhar recursos, e com o próprio financiamento do IILP. É claro que os países que dispõem de mais recursos podem contribuir e são beneficiários dessa contribuição, na medida em que os seus recursos tecnológicos e em termos de qualificação profissional são aproveitados para a Comunidade.”

“Não acredito em falta de recursos, antes pelo contrário. Nunca houve tantos interessados em atuar na promoção da Língua, porque é lucrativa e traz benefícios. As universidades que se podem internacionalizar com a Língua Portuguesa, e que podem ter alunos de outros países, obtêm uma circulação internacional. Ter uma Língua expandida no mundo é extremamente vantajoso.”

–– A “concertação dos países para uma promoção conjunta” da Língua ––
Está consolidada a estratégia do português, comparando com o espanhol, por exemplo? “Não, considero que a estratégia de promoção da Língua Portuguesa é muito mais tardia, ainda está mais em formulação. Durante o século XX, tivemos a formação de um sistema de normas com a colaboração do Brasil e de Portugal, mas uma promoção estritamente em limites nacionais da Língua Portuguesa. O que vemos hoje se movimentando – através da CPLP, sobretudo – é a concertação dos países para uma promoção conjunta, com todas as dificuldades que isso traz.”

“Estamos a fazer esse trabalho de promoção, que não está consolidado, que se amplia através da incorporação na sociedade civil, das universidades, dos institutos de pesquisa, com uma cada vez mais crescente iniciativa privada. Estamos a passar por um momento muito importante na história da nossa Língua. Nunca ela foi tão desejada e ensinada no exterior. E também nunca os nossos povos tiveram tanto acesso à escolarização como neste momento. Foi citado na Conferência que na queda da monarquia em Portugal, no final do século XIX, 90% das nossas populações eram analfabetas. Hoje há um avanço enorme neste campo.”

–– “Seria muito positivo poder contar com parcerias com Macau” ––

Sobre a cooperação com Macau: “Seria efetivamente muito bom. Macau, sendo um território de Língua oficial portuguesa, é um parceiro muito importante para o IILP.”

Sobre os contatos entre o IILP e o Instituto Internacional de Macau: “Tivemos conversações, encontramo-nos algumas vezes, mas não temos um trabalho ainda estabelecido de cooperação, o que seria efetivamente muito bom. Macau, sendo um território de Língua oficial portuguesa, é um parceiro muito importante e poderia ser muito importante para o IILP.”

“Seria muito positivo poder contar com parcerias das instituições de Macau e com financiamento dos projetos aprovados pelo IILP. Talvez fosse uma boa ideia para a próxima direção, estabelecida a partir da presença da CPLP para Timor-Leste.”

–– “O IILP é uma estrutura vanguardista” ––
“O Instituto teve uma proposta muito vanguardista para a sua época, que foi a concepção de 1989, que cria o IILP, antes mesmo da CPLP. Posteriormente o IILP foi integrado na estrutura da CPLP. O IILP é uma estrutura vanguardista que estabelece um tipo de cooperação linguística horizontal entre os países, o que não é muito comum no mundo das grandes línguas. Têm modelos mais centralizadores em que um único país puxa o esforço para uma língua – o que não é o caso dos países de Língua Portuguesa neste modelo do IILP e da CPLP.”

“Mas construir um modelo como este não é algo fácil, e é preciso deixar muito claro aos Estados e vice-versa que níveis serão colocados pelos Estados e o que é que eles têm interesse de colocar num panorama multilateral. Para umas coisas é melhor, para outras será melhor um ambiente nacional. Acho que no século XXI o aprofundamento maior dos países de Língua Portuguesa, e a consciência de que é importante somar recursos tendem a favorecer uma visão mais internacional. A internacionalização da Língua Portuguesa também faz com que haja vantagens de internacionalizar a sua gestão e criar consensos.”  :::

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Clique aqui para ler na íntegra a entrevista a Gilvan Müller de Oliveira feita por Andreia Sofia Silva e publicada na edição de 7 de novembro de 2013 do jornal Hoje Macau.

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Gilvan Müller de Oliveira: “Estratégia de promoção do português é muito mais tardia”.
(Entrevista a Andreia Sofia Silva)
Do jornal Hoje Macau – seção Destaque – Macau, China.
Publicado em: 07 nov. 2013

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