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Lusofonia deve “preservar as línguas nacionais e maternas” da CPLP, diz ministro de Cabo Verde

In Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 5 de Novembro de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , , ,

Do jornal A Semana (Praia, Cabo Verde)
30 de outubro de 2013

António Correia e Silva defendeu a preservação das línguas locais e nacionais dentro do espaço da Lusofonia.
 

O ministro do Ensino Superior, Ciência e Inovação de Cabo Verde, António Correia e Silva, destacou em sua apresentação realizada no dia 29 de outubro, durante a II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, em Lisboa, que a Língua Portuguesa “deve ser capaz de preservar as línguas nacionais” e é preciso, “antes de mais, globalizar o espaço lusófono”.

Na sua intervenção, Correia e Silva defendeu que o novo ensino da Língua Portuguesa exige a aceitação da presença de outras línguas maternas no espaço lusófono, necessitando de uma nova metodologia para formar um novo perfil de cidadão, fomentando a inclusão social.

Disse ainda, que “a pretensão de ter uma Língua mundial de influência precisa saber contornar obstáculos. Tal objetivo exige novos falantes e matizes de Língua Portuguesa, em estados díspares de desenvolvimento, comunidades diasporizadas e articulação da diversidade de atores.”

Contudo, advertiu que “o peso da Língua no sistema mundial depende da intensidade cooperativa no interior do próprio espaço lusófono. É incontornável e não há fuga em frente”, referiu Correia e Silva, lembrando que “a Comunidade é resultante da cooperação dos povos”.

O governante cabo-verdiano recordou que a Língua Portuguesa, em muitas sociedades, lembra o colonialismo, a escravatura, os professores da escola que inferiorizavam os alunos. Mas, refere, “os povos apropriaram-se dessa Língua, que foi também o processo da antecâmara para a autonomia e as independências”. E “ela [a Língua Portuguesa] serviu também para criticar e conspirar contra o Império”.

Lembrou Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade, Marcelino dos Santos e Agostinho Neto, que o fizeram a partir de dentro da Casa do Império –(1)– e também escritores como Eugénio Tavares, Jorge Barbosa –(2)– ou outros que usaram a Língua Portuguesa para denunciar o poder colonial. Por isso, Amílcar Cabral disse que “a Língua não é a prova de mais nada senão a prova de os homens se relacionarem”. E acrescentou que “a Língua Portuguesa é a melhor herança do colonialismo”.

Correia e Silva apelou ainda à intervenção das universidades para a mudança porque os governos, por si só, são insuficientes para este processo. Ao mesmo tempo, sugere a criação de uma universidade aberta, federada, de Língua Portuguesa, entidade com vocação para criar cursos à distância. “Urge que as universidades dos nossos países concebam materiais didáticos, sendo necessário criar o conceito de recursos educativos abertos com online [em linha]. Isso é que dá corpo a um espaço lusófono plano”, referiu.  :::

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–– Notas: ––
–(1)– A Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, funcionou entre 1944 e 1965 com a função de instruir os estudantes das colónias portuguesas do então Ultramar dentro da ideologia da ditadura do Estado Novo, de António de Oliveira Salazar (que durou de 1933 a 1974). Acabou tornando-se centro irradiador dos movimentos de independência dos países da África Lusófona e de combate ao colonialismo português.

Pela Casa dos Estudantes do Império, passaram: Amílcar Cabral (1924-1973), líder da libertação da Guiné-Bissau e de Cabo Verde; Mário Pinto de Andrade (1928-1990), ensaísta e líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA); Marcelino dos Santos, poeta e membro fundador da Frente de Libertação de Moçambique; e Agostinho Neto (1922-1979), poeta, líder do MPLA e primeiro presidente de Angola.

–(2)– Eugénio Tavares (1867-1930), jornalista, escritor e poeta, um dos pioneiros em publicar obras literárias em crioulo cabo-verdiano; e Jorge Barbosa (1902-1971), primeiro grande nome da poesia modernista de Cabo Verde.  :::

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António Correia e Silva: “A Língua Portuguesa deve ser capaz de preservar as línguas nacionais e maternas” da CPLP.
Extraído do jornal A Semana – seção Actualidade.
Praia, Cabo Verde.
Publicado em: 30 out. 2013.

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