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CPLP pode ajudar na promoção da Língua Portuguesa em Macau e na China

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 4 de Novembro de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , , ,

Da Agência Lusa
31 de outubro de 2013

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A diretora do Departamento de Estudos Portugueses da Universidade de Macau afirmou esperar que no Plano de Ação de Lisboa haja uma referência ao português como Língua oficial da Região Administrativa Especial chinesa.

“Existem elos de ligação entre a Comunidade de Países de Língua Portuguesa [CPLP] e Macau, e apesar de a China ter recusado ser membro observador, revela interesse constante no desenvolvimento das relações com os países lusófonos, o que se traduz também no aparecimento desordenado da oferta de licenciaturas em Língua Portuguesa” em estabelecimentos de ensino chineses, considerou Fernanda Gil Costa, em uma sessão sobre “Ensino da Língua Portuguesa na China”, no último dia da II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, que decorreu em Lisboa.

“Se a Universidade de Macau foi aceite na Associação de Universidades de Língua Portuguesa [AULP], não se compreende porque não há menção no Plano de Ação de Brasília” – aprovado em 2010, na I Conferência da Língua Portuguesa – ao português como Língua oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), sublinhou.

A presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e da comissão organizadora da II Conferência da Língua Portuguesa, Ana Paula Laborinho, explicou que os Planos de Ação da CPLP são decididos pelos governos dos oito Estados-membros e resultam de uma série de recomendações.

“A CPLP não tem autoridade para incluir a China em uma política de Língua CPLP”, apesar da vontade muito clara da RAEM e da China de continuar o desenvolvimento da Língua Portuguesa, acrescentou a presidente do Camões, I.P.

Fernanda Gil Costa, da Universidade de Macau, deseja que no Plano de Ação de Lisboa haja referência quanto ao estatuto oficial da Língua Portuguesa em Macau, na China.
 

O Plano de Ação de Lisboa vai ser aprovado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e das Relações Exteriores dos oito países-membros, nesta segunda-feira, 4 de novembro, no Palácio Conde de Penafiel – a sede da organização – e endossado para a Cimeira de Díli: Timor-Leste sucede a Moçambique na presidência da organização.

Fernanda Gil Costa afirmou que a Universidade de Macau conta mais de 200 alunos no curso específico (major) de Estudos Portugueses, a nível da licenciatura, além de oferecer um mestrado em tradução português-chinês e chinês-português.

Os alunos são de Macau, mas também da China continental, e a universidade regista “uma procura contínua”, tendo estabelecido intercâmbios com as Universidades de Pequim e Cantão, disse.

Fernanda Gil Costa defendeu a constituição de uma associação de estudos portugueses na Ásia e o desenvolvimento de parcerias com outras instituições da RAEM, como o Instituto Politécnico de Macau (IPM).

–– Macau: posição estratégica para o Português na China ––

Carlos Ascenso André, do Instituto Politécnico de Macau, destacou a importância de Macau para a Língua Portuguesa na Ásia.
 

Para Carlos Ascenso André, coordenador do Centro Pedagógico e Científico de Língua Portuguesa do IPM – fundado em 2012 –, Macau assume uma posição estratégica, no Ensino do Português, que é uma das Línguas oficiais da região, tem instituições de ensino, condições financeiras e vontade política.

Macau pode desempenhar um papel no Ensino da Língua Portuguesa que não pode ser feito por Portugal, principalmente devido à distância, mas que pode ser articulado com as instituições portuguesas em uma lógica de complementaridade.

–– CPLP pode ajudar nos problemas do Ensino do Português na China ––
Um responsável da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim (Beiwai) pediu a colaboração da CPLP para ultrapassar alguns problemas criados pela procura e oferta, contínua e crescente, do ensino do português.

A intensificação das relações económicas com os Estados da CPLP levou, a partir de 2005, a uma grande expansão da oferta no Ensino do Português, que tem sido feita “de forma muito desordenada”, afirmou, em português, o vice-diretor do Departamento de Espanhol e Português da Beiwai, Ye Zhiliang.

“Atualmente, 18 instituições chinesas oferecem licenciaturas em Língua e cultura portuguesas em 13 províncias e municípios”, mas, sem coordenação a nível do país, depara-se com problemas graves, disse na mesma sessão em Lisboa sobre o “Ensino da Língua Portuguesa na China”.

A Região Administrativa Especial de Macau também exerce importância para os contactos entre a República Popular da China e os países de Língua Portuguesa no mundo.
 

O corpo docente é insuficiente, com poucos leitores enviados de países lusófonos, e está mal preparado. “O nível académico não está à altura da exigência das disciplinas”, frisou. Ye Zhiliang adiantou que os alunos são recrutados, muitas vezes, sem existirem condições para que os cursos sejam ministrados, e falta material didático adequado produzido na China.

–– Mais professores chineses e custos de formação em Português ––
Para o vice-diretor da Beiwai, a colaboração da CPLP podia ser concretizada em uma ajuda à formação de professores nativos – chineses –, através da organização de cursos de formação nos países lusófonos, ou através do envio de formadores à China para realização de seminários temáticos de curta duração.

Uma outra ajuda podia ser a seleção de professores nativos de Língua Portuguesa pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua. Ye apelou também para a criação de mais leitorados e – para ultrapassar o problema da insuficiência de materiais didáticos – para a colaboração entre professores de ensino de Português como Língua Estrangeira (PLE) com professores chineses.

Ye referiu também o custo económico, “muito pesado para as famílias dos alunos” de Língua Portuguesa. “A maioria das universidades chinesas envia os alunos de terceiro ano para fora, à custa dos próprios estudantes”, disse.

Para Portugal e Brasil, os alunos precisam de 12 mil euros por ano, além de continuarem a pagar propinas na China. Para Macau, o custo ronda os 7.500 euros por ano, por aluno, explicou, pedindo a criação de mais bolsas de estudo governamentais, ou oferecidas por empresas de países lusófonos.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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