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“Preparar o Português para a tecnologia é uma política da Língua”, diz especialista

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 1 de Novembro de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , , , , , ,

Da Agência Lusa e do Observatório da Língua Portuguesa
30 de outubro de 2013

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O investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, António Branco, considerou hoje [dia 30 de outubro] que a investigação científica e o desenvolvimento de tecnologia sobre o português “têm que ser pensados como uma política de Língua”.

António Branco falava em uma sessão sobre “Internacionalização e Indústrias Culturais” no último dia da II Conferência Internacional da Língua Portuguesa, em Lisboa.

Para António Branco, o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas para o português deve ser pensado como uma política de Língua.

“O português é usado no mundo digital, de uma forma cada vez mais disseminada e difundida”, mas o acesso dos falantes a plataformas computacionais e à Internet ainda é “uma questão prioritária em alguns países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP]”, disse.

“A Língua também tem que ser preparada, através de ferramentas que permitam a exploração de acervos online [em linha], a comunicação com outros falantes que não dominem qualquer língua comum com o português, e a interação em linguagem natural com dispositivos automáticos, agentes artificiais e serviços”, explicou.

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“Ou seja, o processamento computacional de uma língua assenta em um processamento da fala, através de um mapeamento de um sinal acústico para reprodução simbólica, e em um processamento da linguagem”, acrescentou António Branco.

A criação de ferramentas práticas é crucial para o processamento computacional de uma Língua para poder ser usada no mundo digital e para existir um processo de internacionalização.

De acordo com estatísticas do ano passado, o português ocupa o quinto lugar entre as Línguas utilizadas na Internet, seguindo-se ao inglês, ao chinês, ao espanhol e ao japonês, o que corresponde a 3,8% dos utilizadores mundiais. Os falantes de português são 3,7% da população mundial.

A Internet tem uma taxa de penetração de 34,1% nos oito países da CPLP – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. No mundo, esta taxa é de 32,7%.

“Ocupamos o lugar devido. É apenas o que nos compete fazer e não um feito extraordinário”, sublinhou António Branco.

“As boas notícias, como ser a terceira Língua mais usada nas redes sociais como o Twitter e o Facebook, são perigosamente ilusórias e apenas refletem o número de falantes [de Língua Portuguesa] e tecnologias indiferenciadas”, disse.

“As más notícias são verdadeiramente preocupantes e negativas, uma vez que não se podem importar ferramentas desenvolvidas para outras línguas para o português”, acrescentou.

António Branco afirmou que a preparação tecnológica do português tem que constituir um desafio estratégico prioritário para o período 2014-2020, acompanhado de um programa de estímulo específico interdisciplinar desta área.

–– Promoção da cultura dos países lusófonos ––

Jorge Barreto Xavier defende os portais de Ensino de Português e a criação de acervos digitais para promover as culturas da Lusofonia.

Na mesma sessão, o secretário de Estado da Cultura da República Portuguesa, Jorge Barreto Xavier, destacou, em uma intervenção sobre “Comunicação e Recursos Digitais”, a promoção da cultura dos países de Língua Portuguesa como “um vetor de cooperação estratégica da CPLP”.

“A promoção do valor económico da Língua, da arte e indústrias culturais, bem como o incentivo à criação e consolidação de acervos digitais, e o Ensino do Português através de plataformas digitais constituem fatores de união, embora no respeito das diferenças de cada Estado-membro da CPLP”, considerou.

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O objetivo da II Conferência da Língua Portuguesa é aprovar um documento formal – o Plano de Ação de Lisboa – que incluirá uma introdução de caráter político e programático, a avaliação do Plano de Ação de Brasília (aprovado na I Conferência em 2010), e as recomendações para o futuro do português, no âmbito de organizações internacionais, no plano da produção científica, da inovação, dos negócios e do empreendedorismo.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa e do Observatório da Língua Portuguesa ––

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Leia também:
Língua Portuguesa como Língua de ciência e inovação – objetivo da CPLP – 24 de setembro de 2013
Os desafios da Língua Portuguesa na Era Digital – 20 de novembro de 2012
“Língua Portuguesa pode perder-se na era digital”, alerta cientista da Universidade de Lisboa – 16 de novembro de 2012

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