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A influência do Português no mundo atual e a sua promoção pela Lusofonia nas diásporas

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 1 de Novembro de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , , , , , , ,

Da Agência Lusa e do jornal Mundo Lusíada (São Paulo, Brasil)
30 de outubro de 2013

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Organizada pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), em cooperação com quatro universidades portuguesas, a II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial decorreu de 29 a 31 de outubro na Universidade de Lisboa.

Rui Machete: “A Língua Portuguesa é hoje uma das mais influentes do mundo.”

“A Língua Portuguesa é hoje uma das mais influentes do mundo, com tendência para reforçar a sua posição na sociedade de conhecimento, enquanto idioma de ciência e de cultura. E com tendência também para o crescimento dos seus falantes, tanto os nacionais como os das suas diásporas, bem como estrangeiros”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, Rui Machete, na sessão de abertura da II Conferência sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, em Lisboa.

“A Língua Portuguesa afirma-se pelo número de falantes, pelo número de países de Língua oficial portuguesa, pela sua abrangência continental, pelo seu crescimento na Internet, pela cultura e mais recentemente, pela investigação, inovação e criatividade”, afirmou igualmente Rui Machete, acrescentando que “a Língua Portuguesa será cada vez mais alavanca para a criação de redes no espaço da CPLP, designadamente nos domínios científico e tecnológico”.

O ministro assinalou que “no mundo de hoje, recheado de desafios inimagináveis há apenas duas décadas – na sua maioria resultantes das Tecnologias de Informação –, a Língua Portuguesa surpreende-nos positivamente nos mais diversos cenários, conquistando prestígio à escala universal e crescendo a um ritmo notável. O interesse pelo idioma aumenta a um ritmo que ultrapassa o crescimento demográfico médio anual da CPLP, que é de cerca de 1%, relevando, portanto, que falantes de outros idiomas se interessam e aprendem a nossa Língua.”

Entre as regiões do mundo com um público de interesse de Língua Portuguesa fora da Europa, cita os da África Austral, os da América do Sul, a Rússia e a China. Citou ainda que a Língua Portuguesa é a sexta mais falada do mundo, a terceira Língua europeia de expressão global, e o primeiro idioma do Hemisfério Sul. E ainda, que os 250 milhões de falantes representam cerca de 3,7% da população mundial; os oito países membros da CPLP representam 4,3% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial; e são responsáveis por 2% do comércio internacional.

“Decorridos 17 anos desde a criação da CPLP, percebemos já que as linhas que logramos traçar e que as ações que concretizamos têm um impacto real junto dos cidadãos, na sua vida quotidiana, nas diásporas, nos média, nas organizações internacionais e nas universidades”, concluiu o português.

Clique aqui para descarregar o pronunciamento do Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa na II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial – Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, 29 de outubro de 2013.
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–– Ensino na diáspora lusófona ––

A II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial realizou-se nos dias 29 e 30 de outubro na Universidade de Lisboa.

Também a presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua defendeu que os países de Língua Portuguesa devem articular-se para oferecer o Ensino de Português nas diásporas, porque Portugal não tem capacidade para fazer todo o esforço sozinho.

“Felizmente há países da CPLP que estão a crescer. Se calhar não tem de ser Portugal, que não tem essa capacidade, a fazer os esforços sozinho”, disse Ana Paula Laborinho, em entrevista à Agência Lusa. A responsável do Camões, I.P. recordou que todos os países de Língua oficial portuguesa têm grandes diásporas, e devem colaborar na oferta de cursos de português fora dos seus territórios.

Laborinho, que presidiu também à comissão organizadora da Conferência, exemplificou que já atualmente, em muitos dos cursos de português no estrangeiro geridos pelo Estado português, “existem outras nacionalidades para além das que têm uma relação mais direta com Portugal”.

“Se pusermos os nossos meios todos em conjunto, se calhar conseguimos chegar a muito mais público”, acrescentou a presidente do Camões, garantindo que Portugal “continuará a fazer esforços” e o Ensino do Português na diáspora “continuará a ser uma aposta” para o Estado português.

Esta proposta já tinha sido referida na I Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa, em 2010 em Brasília. “Hoje vivemos num mundo em que circulamos muito, e acaba por ser um conforto circular num mundo em que se pode falar português”, disse a responsável, recordando que “não é por acaso que muita da diáspora”, sobretudo a mais recente, tem escolhido emigrar para países de Língua Portuguesa, como o Brasil e Angola.

Além disso, com o crescimento econômico dos países de Língua Portuguesa, o português começa também a ser uma Língua de negócios, acrescentou Ana Paula Laborinho.

Da esq. para a dir.: Ivo Castro, professor da Universidade de Lisboa; Murade Murargy, secretário-executivo da CPLP; Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal; António Cruz Serra, reitor da Universidade de Lisboa; Faizal Cassam, embaixador de Moçambique na CPLP; e Ana Paula Laborinho, presidente do Camões, I.P.
 

–– Circulação de professores de ensino superior pela Lusofonia ––
O secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy, propôs a criação de um programa para promover a mobilidade de estudantes, professores e investigadores entre os Estados-membros, salientando a “importância da circulação do conhecimento académico e científico”. “Os desafios são gigantescos. Para a concretização do objetivo estratégico de construir um espaço de ensino superior para a CPLP, são chamadas as universidades dos Estados-membros”, sustentou.

O trabalho passa por promover a cooperação na avaliação da qualidade do ensino superior e na identificação de critérios e metodologias comparáveis, procurar a harmonização e concertação do desenvolvimento curricular, e realizar programas conjuntos de formação graduada e pós-graduada e de investigação.

Na sua intervenção, Murargy apelou ainda ao aprofundamento das relações econômicas e empresariais entre os países da CPLP. “Atualmente, as dimensões geopolítica e geoeconómica conferem à Língua Portuguesa um potencial cada vez maior no plano da correlação com outras línguas dominantes, por força dos indicadores de crescimento económico de alguns Estados-membros e pela forte atuação da concertação política e diplomática da CPLP no sistema internacional”, defendeu.

Também na abertura, o presidente da comissão científica da Conferência, o professor da Universidade de Lisboa Ivo José de Castro, lembrou o uso da Língua na diáspora, nomeadamente entre as novas gerações, que devem preservar “a memória ativa da Língua e da cultura de que são descendentes”, e de estrangeiros, que procuram aprender português para “ler Camões e Pessoa, mas também para fazerem negócios”.

Quanto ao português como Língua de ciência e de inovação, foram lançadas como propostas: o reconhecimento das terminologias científicas e técnicas concertadas entre os países; a inclusão do processamento computacional da Língua Portuguesa nos planos nacionais nos próximos sete anos; e a identificação de “áreas de atividade em que a Língua Portuguesa pode constituir um instrumento para o fomento ou o desenvolvimento da economia”.

Ao fechar o encontro, o secretário-executivo da CPLP afirmou que o Plano de Ação de Lisboa “vai acolher o espírito e o resultado dos debates, permitindo responder aos desafios colocados à Língua Portuguesa”.

“Juntos, somos capazes de conquistar mais progresso e de gerar mais oportunidades para o desenvolvimento dos povos da CPLP. Vamos cumprir o potencial do valor económico da Língua Portuguesa, ao mesmo tempo que projetamos as nossas matrizes culturais”, sublinhou Murargy.

–– Acordo Ortográfico: “confiança alicerçada no trabalho” do IILP ––

Ana Paula Laborinho, do Camões: “confiança alicerçada” quanto ao Acordo Ortográfico, que entrará em vigor em 2015 em Portugal e no Brasil.

A presidente do Camões defendeu ainda que o Acordo Ortográfico, que ainda motiva algumas discórdias nos meios acadêmicos, será aplicado em Portugal e Brasil em 2015 e acabará por entrar em vigor nos restantes países lusófonos. “Não é uma confiança de fé: é uma confiança alicerçada no trabalho que tenho visto fazer pelo IILP com todos os países”, disse Ana Paula Laborinho.

O Acordo Ortográfico começou a ser negociado em 1975 e foi assinado em 1990 por todos os países de Língua oficial portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Timor-Leste assinou o Acordo em 2004.

Ratificado por todos os países signatários, exceto Angola e Moçambique, o Acordo foi aprovado em 2009 em Portugal e no Brasil, mas prevê um período de adaptação, durante o qual seriam aceites as duas grafias. Após prolongado o prazo inicialmente previsto, de três anos, esse período terminará em Portugal em maio de 2015, e no Brasil em dezembro de 2015.

No espaço público, continuam a proliferar opiniões críticas ao Acordo, sobretudo em Portugal, e são várias as petições contra a sua adoção que circulam na Internet. Questionada sobre declarações recentes da senadora brasileira Ana Amélia Lemos, na origem do prolongamento do prazo da aplicação do Acordo no Brasil e que sugere que a validade do Acordo seja repensada, Laborinho respondeu: “Há sempre um senador que não concordará, também temos muitos que não concordam […]. Mas já não é uma matéria de opinião: é uma matéria de legislação.”

Quando esteve em Portugal, em junho de 2013, a presidente brasileira, Dilma Rousseff, sublinhou tratar-se apenas de um prolongamento mediante decreto presidencial, tendo em conta que uma generalização do Acordo em um país com a dimensão do Brasil demora tempo, e reiterou que a aplicação estará concluída no país sul-americano até dezembro de 2015.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa e do jornal Mundo Lusíada (São Paulo, Brasil) ––

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