Archive for Novembro, 2013

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Duas Línguas irmãs – Juan Arias, em ‘El País’

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional,O Mundo de Língua Portuguesa on 30 de Novembro de 2013 por ronsoar Tagged: , , , ,

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Conforme anunciado pelo grupo editorial Prisa no último mês de junho, o jornal espanhol El País lançou na Internet, no dia 26 de novembro, a versão digital em Língua Portuguesa, voltada ao público brasileiro. O diário espanhol já conta com uma redação em São Paulo com 15 profissionais locais para as edições em linha.

O jornalista, filólogo e escritor Juan Arias, correspondente do diário espanhol no Rio de Janeiro, assina o artigo Duas Línguas irmãs, uma homenagem às Línguas portuguesa e espanhola, celebrando a chegada da sucursal brasileira de El País.

Juan Arias é escritor e correspondente de El País no Rio de Janeiro.

O texto do artigo apresenta as diversidades e as semelhanças das duas grandes Línguas ibéricas, quanto à fonética, à pronúncia e ao vocabulário. O jornalista relembra a sua própria experiência pessoal com a Língua Portuguesa – a mesma Língua que Miguel de Cervantes, no século XVI, chamou de “graciosa, doce e agradável”.

Juan Arias faz uma defesa do bilinguismo, do conhecimento mútuo das Línguas portuguesa e espanhola, ambas as línguas bem presentes nos dois lados do Atlântico. “Duas Línguas prenhas de história e de cultura, berços, ambas, de uma literatura invejável no mundo.” Já no título do texto, o autor realça a sua admiração por duas Línguas que são irmãs “porque elas nascem de uma mesma cepa latina”.

“Tudo isso para dizer que eu”, assim completa o autor, “me sinto feliz de ver que este jornal com vocação global e ibero-americana tenha decidido falar também português”.

A seguir, Ventos da Lusofonia reproduz o texto Duas Línguas irmãs, publicado originalmente na edição em linha em português de 28 de novembro do jornal El País.

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–– Duas Línguas irmãs ––

Juan Arias
do jornal El País
28 de novembro de 2013

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::: “Quando um espanhol pronunciar corretamente ‘pão’, ‘coração’ ou ‘paixão’, poderá dizer que fala ‘brasileiro’; antes, não.” :::

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Este jornal fala, a partir de agora, também o português. Foi o abraço das duas Línguas irmãs de um continente dividido, sobretudo, pelo idioma, segundo me dizem alguns intelectuais. Duas Línguas prenhas de história e de cultura, berços, ambas, de uma literatura invejável no mundo.

Meio continente da América Latina fala a língua de Cervantes e García Márquez, e o outro meio – como dizia anteontem [26 de novembro] em uma entrevista a este jornal a presidenta da Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Machado – fala o português de Camões e Guimarães Rosa, indicando que o Brasil, mais do que um país, é quase metade do continente.

Deveríamos todos, então, falar espanhol e português? É uma pergunta que se fizeram alguns brasileiros quando foi aprovada aqui, há alguns anos, a lei que obrigava as escolas públicas a oferecerem, aos alunos que desejassem, o ensino do espanhol.

As leis, no entanto, acabam em letra morta se não houver a vontade de cumpri-las por parte do poder e dos cidadãos. E essa vontade depende de mil imponderáveis.

O autor lança a pergunta: “Deveríamos todos, então, falar espanhol e português? Somos juntos, hispanófonos e lusófonos, uma das maiores populações do mundo. O que nos separa é muito menor do que o que nos une.”

No caso do Brasil, me lembrava [Ana Maria] Machado – e pude comprová-lo nos 15 anos em que venho informando a partir deste país –, os brasileiros entendem o espanhol muito melhor, por exemplo, do que os espanhóis entendem o português. Por uma simples razão fonética: nossas vogais [em espanhol] são todas abertas, sem nasais, as deles [brasileiros] são mais sinuosas, mais curvilíneas, mais musicais. A expressão de queixa com caráter sexual, por exemplo: “pô” (nem pronunciam inteira) não soará nunca como o espanhol joder ou carajo.

Eu me refiro ao espanhol da Espanha, porque o que se fala em geral na América Latina de alguma forma se aproxima mais da musicalidade brasileira, embora também seja mais compreensível para eles porque suas vogais são abertas.

Quando me convidam para um programa de televisão, sempre me avisam: “Se preferir falar espanhol, pode falar, nossos ouvintes entendem”, algo que não ocorre ao contrário. Às vezes, os brasileiros têm mais dificuldades para entender o português de Portugal, ou “europeu”.

Há sons dos brasileiros que um espanhol precisa de anos para pronunciar como eles, se é que conseguirão, como “pão”, “coração” ou “paixão”. Um amigo meu me disse um dia: quando você pronunciar bem essas três palavras, poderá dizer que fala “brasileiro”; antes, não.

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Na primeira vez que cheguei ao Brasil, numa das viagens do papa João Paulo II, acostumado aos sons estridentes dos alto-falantes dos nossos aeroportos espanhóis, fiquei extasiado quando em um dos aeroportos brasileiros (já não me lembro qual) uma voz feminina, como um lamento sensual, avisou: “Próximo destino: Manaus”. Um colega espanhol da comitiva papal, muito castiço, enviado especial da Rádio Nacional da Espanha, me disse: “É que a gente se derrete de satisfação”. E acrescentou: “É que nós falamos de um jeito muito bruto”.

Os brasileiros, no entanto, também gostam de escutar o espanhol. Pedem que você fale com eles, sobretudo quando se trata de poesia, de Lorca ou Neruda, por exemplo. Pode ser que, para nós, a nossa língua pareça dura ao lado desse timbre musical deles, mas eles gostam, a acham sonora, com uma musicalidade diferente, dizem. E quem estudou um pouco de espanhol se anima em seguida a entrar na dança. E ao falar nossa língua encaixam nela graciosamente a musicalidade do português brasileiro.

Estamos falando de duas Línguas irmãs porque elas nascem de uma mesma cepa latina. Não falamos do português e do alemão ou do sueco.

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Tudo isso para dizer que eu, que já amo este país como parte de mim, embora às vezes algumas coisas do seu caráter continuem me irritando, como para eles devem irritar outras tantas minhas ou mais, me sinto feliz de ver que este jornal com vocação global e ibero-americana tenha decidido falar também português e a partir daqui, do Brasil, e com uma redação majoritariamente brasileira.

São esses gestos, mais que as leis, que podem levar ambos, sem percebermos, a sermos bilíngues sem leis que nos obriguem a isso, só com a força da simpatia recíproca que se cria com diálogo, com intercâmbio de cultura, conhecendo-nos melhor, trabalhando juntos, porque, como dizia a acadêmica Ana Maria Machado, desse modo descobriremos que “somos mais parecidos e menos distantes do que supúnhamos”.

Ah, os brasileiros também gostam menos da dor e da tragédia do que nós. São mais inclinados à alegria sensual. É curioso, por exemplo, que a palavra dolor em espanhol, dolore em italiano, douleur em francês, seja em português a mais curta de todas. Reduziram-na, já que não podiam eliminá-la, a uma só sílaba: dor. E até a pronunciam baixinho. “É uma dor”, exclamam diante de algo triste ou uma desgraça, e a sílaba “dor” quase acaba se perdendo no suspiro.

Somos juntos, hispanófonos e lusófonos, uma das maiores populações do mundo. O que nos separa é muito menor do que o que nos une. E além do mais a modernidade está nos eliminando a distância física. Logo atravessaremos o Atlântico e chegaremos do Brasil a Madri ou ao México em menos tempo do que às vezes gastamos engarrafados em um carro, em São Paulo ou no Rio. Os conceitos de tempo e espaço estão mudando. Todo tempo a se aproximarem. Só nós continuaremos distantes e separados falando duas Línguas que, como dizia Ana Maria Machado, “quase se entendem”?  :::

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ARIAS, Juan. Duas Línguas irmãs.
Extraído do jornal El País Brasil – seção Opinião.
Publicado em: 28 nov. 2013.

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Leia também:
Jornal espanhol ‘El País’ terá edição digital em Português – 28 de junho de 2013…
Colômbia: achados de um falante do espanhol em um dicionário de Português – 29 de abril de 2013

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Reino Unido: Festival Utopia de Cinema Português e Lusófono em Londres

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 29 de Novembro de 2013 por ronsoar Tagged: , ,

Da Agência Lusa
26 de novembro de 2013


 

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O Festival de Cinema Português no Reino Unido decorre entre 27 de novembro e 8 de dezembro em quatro salas em zonas diferentes de Londres.

Com o tema “Filme, Memória e Paisagem”, o festival dos filmes do cinema de Portugal na capital britânica, que já está em sua quarta edição, abriu espaço também a filmes de Angola, Guiné-Bissau e Brasil, em uma edição que será de transição para um novo formato, passando a chamar-se Utopia.

“Abrimos o festival a filmes brasileiros e africanos porque chegámos à conclusão de que uma mostra de filmes unicamente de realizadores portugueses seria redutora. Portugal é um país com uma Língua e uma história que ultrapassaram as suas fronteiras”, afirmou a diretora, Erica Rodrigues, à Agência Lusa.

Segundo a diretora, a escolha do novo nome reflete esta evolução. “Partimos da ideia e do ideal de que a Língua Portuguesa seja a base para o diálogo entre países com identidades distintas. A nossa ‘utopia’ parte de uma Língua e de um passado comum para um diálogo entre culturas diversas, tendo como veículo principal o cinema.”

No sentido horário, a partir do alto à esq.: cenas dos filmes A Batalha de Tabatô (2013), A Última Vez que Vi Macau (2012), Por Aqui Tudo Bem (2011) e O Cerco (1970).
 

–– Os filmes da mostra Utopia de Londres ––
A abertura do festival está a cargo de O Grande Kilapy (2012), estreado no Festival de Cinema de Londres do ano passado e realizado pelo angolano Zézé Gamboa. Também de Angola, será projetado, no Ciné Lumière, Por Aqui Tudo Bem (2011), de Pocas Pascoal, com a história gravada em Lisboa.

O contingente brasileiro é composto por Eles Voltam (2012), de Marcelo Lordello, e Doméstica (2012), documentário de Gabriel Mascaro. A Guiné-Bissau estará representada no ICA, próximo a Trafalgar Square, por A Batalha de Tabatô, uma coprodução com Portugal assinada pelo português João Viana e que lhe valeu uma menção honrosa de Melhor Estreia no Festival de Cinema de Berlim de 2013.

De Portugal será mostrado o documentário Terra de Ninguém (2012), de Salomé Lamas, que estará no Genesis Cinema em um ciclo de perguntas e respostas. Assim como João Pedro Rodrigues e Rui Guerra da Mata, diretores de A Última Vez que Vi Macau (2012), que estarão no ICA. E o filme O Cerco, emblemático do Novo Cinema Português e realizado por António Cunha-Telles em 1970, terá uma sessão especial no Centro Cultural Barbican.

O evento encerra com quatro curtas-metragens de João Nicolau no Genesis Cinema: Rapace (2006), Canção de Amor e Saúde (2009), O Dom das Lágrimas (2012) e Gambozinos (2013).  :::

• Festival de Cinema Utopia – Londres, Reino Unido
de 27 de novembro a 8 de dezembro
<http://www.utopiafestival.org.uk/>

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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Portugal e Argélia: cooperação para ensino de ciências e Língua Portuguesa

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 28 de Novembro de 2013 por ronsoar Tagged: , , , ,

Do jornal El-Moudjahid (Argel, Argélia)
26 de novembro de 2013

O ministro Mohamed Mebarki encontrou-se com o embaixador de Portugal em Argel, António Gamito: negociação de projetos para o ensino de ciências e de Língua Portuguesa.
 

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Argélia e Portugal revelaram a vontade em comum de desenvolver a cooperação no domínio do ensino superior, em um encontro em Argel entre o ministro do Ensino Superior e da Investigação Científica da Argélia, Mohamed Mebarki, e o embaixador da República Portuguesa na Argélia, António Gamito.

Neste encontro, as duas partes “manifestaram a sua vontade de desenvolver ainda mais a cooperação científica e universitária para levá-la ao nível de excelência das relações políticas e económicas que caracterizam os dois países”, disse um comunicado do ministério argelino.

Neste quadro, os dois lados concordaram em estabelecer os instrumentos e mecanismos necessários para “desenvolver projetos científicos em domínios de interesse comum, principalmente o da nanotecnologia”.

Outros setores, tais como sismologia, engenharia civil, obras públicas, agricultura, agronegócios e energias renováveis “também chamaram a atenção das duas partes e serão alvo de parcerias que têm como eixo a mobilidade de investigadores de alto nível”.

O ensino da Língua Portuguesa nas universidades argelinas “constitui outra questão sobre a qual as duas partes estão inclinadas”.

A reunião foi uma oportunidade de ambas as partes para “avaliar o estado da cooperação bilateral quanto ao ensino superior e à investigação científica”.

Durante esta audiência, as duas partes também abordaram a próxima visita do ministro argelino do Ensino Superior e da Investigação Científica a Portugal, prevista para janeiro de 2014, diz o comunicado.  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares)

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Mohamed Mebarki s’entretient avec l’ambassadeur du Portugal : volonté commune de développer la coopération.
Extraído do jornal El-Moudjahid – Argel, Argélia.
Publicado em: 26 nov. 2013.

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‘Quinhentos Poemas Chineses’ em Português lançados em Macau

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 27 de Novembro de 2013 por ronsoar Tagged: , , , , , ,

Da Agência Lusa e do jornal Hoje Macau (Macau, China)

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O livro ‘Quinhentos Poemas Chineses’, traduzidos para o português, foi lançado em novembro em Macau.

Uma obra com 500 poemas chineses em português foi lançada no dia 11 de novembro no auditório do Consulado de Portugal em Macau, para assinalar os cinco séculos de amizade Portugal-China, havendo agora o projeto de tradução de outros tantos poemas portugueses para a língua chinesa.

Quinhentos Poemas Chineses, que conta também com ilustrações da autoria do português Rui Rasquinho inspiradas na pintura tradicional chinesa, foi lançada pela Editora Livros do Meio, de Carlos Morais José, em parceria com a Casa de Portugal em Macau.

“Dado que não houve outro tipo de comemorações, nós entendemos que era uma data que devia ser assinalada e que a melhor maneira de a assinalar era com a poesia, exatamente porque a nossa presença foi muito mais de convívio e comunicação”, disse à Agência Lusa a presidente da Casa de Portugal em Macau, Amélia António.

Ao salientar que a relação Portugal-China “teve altos e baixos, como todos os casamentos”, Amélia António constata que o “certo é que, ao fim de 500 anos, estar em Macau como nós estamos, a cultura portuguesa estar em Macau como está, a Língua Portuguesa estar ganhando terreno como está, só nos dá motivos para nos orgulharmos e celebrarmos”.

Para a presidente da Casa de Portugal em Macau, esta antologia de poemas chineses na “Língua de Camões” serve como marco dos 500 anos de amizade entre Portugal e a China e “não é só para os portugueses nem só para Macau, mas pode chegar a todas as comunidades de Língua Portuguesa”.

A Casa de Portugal pretende conseguir a colaboração do Fórum Macau para fazer chegar a obra “às universidades, centros e bibliotecas de todos os países de Língua Portuguesa”.

Da esq. para a dir.: Yao Jingming, Amélia António e Carlos Morais José no lançamento do livro de poemas no Consulado de Portugal em Macau.
 

Para já, os Quinhentos Poemas Chineses em português estão apenas à venda em Macau, mas o objetivo é também distribuí-los em Portugal e noutros locais, acrescentou Amélia António.

Após a publicação desta obra, “falta uma coisa”, na ótica da presidente da Casa de Portugal em Macau: “O reverso deste livro, que é a tradução para chinês de 500 poemas portugueses”. Este projeto, disse, “é uma ambição muito grande, um sonho enorme” que poderá nascer dentro de um ano.

Carlos Morais José, da Editora Livros do Meio, revelou que o projeto está já em andamento, com o apoio da Casa de Portugal em Macau e com a sua coordenação, juntamente com o poeta chinês Yao Feng, pseudónimo literário de Yao Jingming.

“Trata-se de uma prenda muito bonita que é aqui dada à China”, referiu Yao, que é também vice-presidente do Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa e do jornal Hoje Macau (Macau, China) ––

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Português é uma das “Línguas para o futuro” no Reino Unido

In Defesa da Língua Portuguesa,Língua Portuguesa Internacional on 26 de Novembro de 2013 por ronsoar Tagged: , , , ,

Da Agência Lusa e do British Council (Reino Unido)

O português é uma das 10 línguas estrangeiras mais importantes para o Reino Unido para os próximos 20 anos, de acordo com relatório divulgado pelo instituto British Council.
 

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A Língua Portuguesa está entre as consideradas como um dos 10 idiomas estrangeiros mais importantes para os próximos 20 anos no Reino Unido, segundo um estudo do instituto British Council.

“Pela primeira vez, a Língua Portuguesa integra esta espécie de pequena lista das línguas consideradas ‘vitais’ num horizonte temporal de 20 anos, partilhando esse estatuto com o espanhol, o árabe, o francês, o chinês mandarim, o alemão, o italiano, o russo, o turco e o japonês”, sublinhou o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, em comunicado divulgado à Agência Lusa.

No relatório Languages for the Future (Línguas para o Futuro), que analisa as prioridades linguísticas do Reino Unido, é referido que a seleção de idiomas baseia-se “em fatores económicos, geopolíticos, culturais e educacionais, incluindo as necessidades das empresas do Reino Unido no que respeita aos seus negócios com o exterior, as prioridades diplomáticas e de segurança e a relevância na Internet”, indicou a mesma nota informativa.

John Worne, do British Council: “O Reino Unido precisa de mais pessoas a falarem mais línguas.”

Os autores do estudo britânico destacaram a utilização do português como Língua de trabalho da União Europeia e em outros organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos, a União Africana, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a União de Nações Sul-Americanas.

Também levou-se em consideração o facto de a Língua Portuguesa ser o quinto idioma mais utilizado na Internet e de estar com forte presença nos dois lados do Oceano Atlântico. Foi dado destaque especial ao Brasil, que receberá o próximo Mundial de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016 – além de projetar-se para ser a sétima maior economia do mundo em 2020, o que torna a Língua prioritária para seu domínio no comércio e na diplomacia.

“Outros estudos recentes têm vindo a indicar que a projeção da Língua Portuguesa se deve principalmente ao número de falantes de Língua materna, ao número de países de Língua oficial portuguesa, à presença e crescimento na Internet, à cultura, sobretudo ao nível da tradução de originais e, desde há alguns anos, à ciência, devido a um forte crescimento da produção de artigos em revistas científicas”, acrescentou o Camões, I.P.

O relatório também destaca a presença de mais de 10 mil estudantes brasileiros em universidades do Reino Unido, graças às bolsas de estudo do programa Ciência sem Fronteiras, do Ministério da Educação do Brasil.

Constituindo a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), os oito países de Língua oficial portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – ocupam uma superfície de cerca de 10,8 milhões de quilómetros quadrados e, no seu conjunto, têm aproximadamente 250 milhões de habitantes.

–– “Os britânicos precisam de falar outras línguas” ––
“Os adultos britânicos têm fama de ficarem travados diante de idiomas estrangeiros; e mesmo com 200 línguas sendo faladas só em Londres e em Manchester, o facto é que o Reino Unido precisa de mais pessoas a falarem mais línguas”, declarou John Worne, diretor de estratégia global do British Council, em artigo no jornal digital The Huffington Post (aqui, em inglês).

De acordo com o estudo, 13% das grandes empresas britânicas consideram a Língua Portuguesa como “útil para os seus negócios”. O relatório aponta que estão em crescimento as matrículas de português no Ensino Secundário britânico – uma alta de 80% nos últimos cinco anos –, embora isso mais se deva à presença de uma população lusodescendente no país do que à demanda própria da população britânica em geral. O Ensino de Português na rede escolar concentra-se na Inglaterra, e há muito poucas escolas para a “Língua de Camões” na Escócia.

O dado negativo do relatório é que menos de 0,5% da população britânica adulta declarou saber falar bem a Língua Portuguesa em níveis de conversação. Mas outro dado animador é que o Ministério do Exterior do Reino Unido pretende aumentar em 20% o número de diplomatas fluentes em Língua Portuguesa.  :::

Clique aqui para descarregar o relatório Languages for the Future (Línguas para o Futuro), do sítio do British Council – Reino Unido (em inglês).

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–– Extraído da Agência Lusa e do British Council (Reino Unido) ––

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Agências de notícias dos países lusófonos discutem criação de portal conjunto

In Defesa da Língua Portuguesa,Lusofonia e Diversidade on 25 de Novembro de 2013 por ronsoar Tagged: , , ,

Luciano Nascimento, da Agência Brasil (Brasília, Brasil)
24 de novembro de 2013

As agências de notícias oficiais de Língua Portuguesa estarão reunidas em Brasília para evento em que se busca a criação em conjunto de um sítio digital de notícias em Língua Portuguesa.
 

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Brasília — Na segunda-feira, dia 25, e terça-feira, 26 de novembro, representantes de agências de notícias dos oito países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vão participar da 6ª Assembleia da Aliança das Agências de Informação de Língua Portuguesa (ALP). Entre os temas que serão debatidos, está a criação de um portal conjunto e a escolha do padrão ortográfico para o site [sítio de Internet].

O encontro, sediado na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília, reúne as principais agências de notícias públicas, estatais e oficiais de notícias de Angola (AngolaPress), Brasil (EBC), Cabo Verde (Infopress), Guiné-Bissau (ANG), Moçambique (AIM), Portugal (Lusa), São Tomé e Príncipe (STP-Press) e Timor-Leste (ETNA).

No encontro, também será debatida a criação de meios para fortalecer a colaboração entre as agências. Dentre as alternativas propostas na última assembleia, em 2012, estão a criação de uma bolsa de conteúdos, um repositório que reúna as notícias produzidas por todas as agências, com o intuito de ampliar o conhecimento mútuo da realidade dos países, e a realização de parcerias internacionais que se dediquem a propagar notícias em Língua Portuguesa.

Estará igualmente em discussão o financiamento e apoio a agências menores, por meio de subsídios e de reforço de pessoal.

Durante a assembleia, a presidência da ALP, hoje ocupada por Daniel Miguel Jorge, da AngolaPress, passará a ser exercida pelo diretor-presidente da EBC, Nelson Breve.

A ALP foi criada em Lisboa, em julho de 1996, e entre os seus objetivos estão a promoção do desenvolvimento das agências de informação nacionais e a formação profissional no campo jornalístico e tecnológico.  :::

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NASCIMENTO, Luciano. Encontro de agências de notícias dos países de Língua Portuguesa discute criação de portal.
Extraído da Agência Brasil – Brasília, Brasil.
Publicado em: 24 nov. 2013.

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Associação humanitária defende unificação das línguas gestuais da Lusofonia

In Lusofonia e Diversidade,O Mundo de Língua Portuguesa on 24 de Novembro de 2013 por ronsoar Tagged: , , , , ,

Da Agência Lusa

Alfabeto da Língua Gestual Portuguesa: associação humanitária defende maior difusão da Língua Gestual Portuguesa e sua unificação com as línguas gestuais dos países lusófonos.
 

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O presidente da associação humanitária Dignitas Vitae, Hélder do Carmo, defende a unificação da Língua Gestual Portuguesa com as dos países lusófonos da África e do Timor Leste, solidificando o cariz humanitário com a componente pedagógica da transmissão de conhecimentos.

Em 15 de novembro, data que assinalou o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa, Hélder do Carmo defendeu à Agência Lusa que Portugal, “enquanto centro do mundo da Língua Portuguesa”, devia ter a “responsabilidade” de tentar unificar a linguagem de sinais nos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). “Devíamos ter essa responsabilidade, uma vez que temos uma língua gestual desenvolvida, que vai evoluindo como língua viva, mas que já está com uma sintaxe e estrutura muito bem desenvolvida”, afirmou.

As linguagens gestuais não são universais: têm a sua própria estrutura e diferem de país para país. A linguagem de sinais é uma língua como outra qualquer, com estrutura sintática, semântica e morfológica. A grande diferença é que utiliza a imagem para expressar-se. Para determinar o seu significado, os sinais possuem alguns parâmetros para a sua formação – como, por exemplo, a localização das mãos em relação ao corpo, a expressão facial e a movimentação que se faz ou não quando se produz o sinal.

A Língua Gestual Portuguesa é a única dentre os países da Lusofonia que possui estatuto de língua gestual oficial.

Para Hélder do Carmo, além de “solidificar o cariz humanitário das missões” que venham a ser realizadas nesses países, Portugal podia “juntar essa componente pedagógica de transmissão da Língua Gestual Portuguesa, que já esta construída e em uso”. O responsável pela Dignitas Vitae considera que há pessoas surdas portuguesas com capacidades pedagógicas “muito boas” que podiam ensinar, partilhar esse conhecimento e unificar uma língua de pessoas surdas nesses países.

De acordo com Hélder do Carmo, a Língua Gestual Portuguesa tem por base a sueca, país com o qual Portugal, na altura em que começou a dar importância ao assunto, fez uma parceria, tendo recebido, há mais de 100 anos, técnicos da Suécia para dar formação. “Por isso a Linguagem Gestual Portuguesa tem a sua base na sueca, embora com muitas parecenças com a linguagem espanhola, que tem a mesma base, mas já se distanciando da brasileira, a Libras”, revelou, explicando que, embora o português do Brasil e de Portugal sejam semelhantes oralmente, gestualmente é muito diferente.

Em relação aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOPs), Hélder do Carmo avança que não há sequer uma intervenção no sentido de se homologar uma língua gestual, dado que são países em desenvolvimento. “O que acontece é que as intervenções no sentido da educação de surdos ou o acompanhamento de surdos têm um cariz humanitário, não têm um cariz pedagógico nestes países, ficando um bocado alienado de acordo com a intervenção das nacionalidades das pessoas que fazem a intervenção”, explicou.

Hélder do Carmo lembrou que no caso de Timor-Leste são as congregações indonésias e voluntários cubanos e brasileiros que lidam com população surda, “e, apenas, no sentido humanitário”. “Acredito que a linguagem gestual que utilizam será oriunda dos próprios países de origem”, afirmou.

–– A língua gestual é uma “língua natural” e “própria” ––
A Língua Gestual Portuguesa foi reconhecida há 16 anos, mas a Associação de Surdos do Porto lamenta hoje que ela não passe de uma ferramenta e defende “a sua maior visibilidade em uma sociedade que ainda mantém o preconceito”.

Para os surdos, porém, a Língua Gestual Portuguesa não é encarada como uma ferramenta de apoio ao sistema educativo, mas sim como a sua “língua natural” e “própria”, que lhes permite “uma perspectiva diferente da sociedade e do mundo” e, por isso, devia “ter maior visibilidade”, disse, entre gestos, Joana Cottim, membro da direção da Associação de Surdos do Porto.

Em 1997, a Assembleia da República fixou na Constituição da República Portuguesa o reconhecimento da Língua Gestual Portuguesa como uma das Línguas oficiais de Portugal, ao lado da Língua Portuguesa e do mirandês.

Na mesma ocasião, foi oficializado o dia 15 de novembro como o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa, definindo-se a sua proteção e valorização “enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades”.

No Brasil, em 2002, o Congresso Nacional reconheceu a existência da Língua Brasileira de Sinais (Libras), mas ainda não tem estatuto de língua oficial, juntamente com a Língua Portuguesa. E dentre os PALOPs, já existem a Língua Angolana de Sinais e a Língua de Sinais Moçambicana.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––