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Bilingues desde pequenos utilizam mais áreas do cérebro, diz pesquisa

In Defesa da Língua Portuguesa, Lusofonia e Diversidade on 7 de Outubro de 2013 by ronsoar Tagged: , , ,

Uma pesquisa recentemente divulgada, coordenada por um projeto desenvolvido por quatro universidades da Espanha, revela um facto importante para quem aprendeu a falar mais de uma língua desde a infância: as pessoas que são bilingues desde crianças utilizam mais partes do cérebro e desenvolvem maior capacidade de aprendizado.

As pessoas bilingues desde pequenas são mais hábeis em adaptar-se a mudanças do que as pessoas que falam apenas uma língua e mesmo aquelas que aprendem uma segunda língua depois de adultos. O aprendizado de uma nova língua em idade avançada é mais dificultado porque os recursos de comunicação na primeira língua já ocuparam um “espaço prioritário” no cérebro, tornando-se um código padrão pessoal de comunicação linguística.

Mas mesmo as pessoas que são bilingues desde que aprenderam a falar, apesar de sua flexibilidade cognitiva, apresentam um processamento da linguagem de menor eficiência.

Os dados dessa pesquisa sobre o bilinguismo servem como parâmetro para esse fenómeno linguístico também presente nos países lusófonos, onde há pessoas que se expressam tanto em Língua Portuguesa quanto em outras línguas e dialetos locais.

A reportagem a seguir, da Agencia EFE e do diário espanhol 20 Minutos, mostra mais detalhes desse estudo espanhol sobre a relação entre a capacidade de aprendizado e o bilinguismo.

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–– Bilingues desde pequenos utilizam mais áreas do cérebro ––

Da Agencia EFE e do jornal 20 Minutos (Espanha)
20 de setembro de 2013


 

Ser bilingue tem as suas luzes e as suas sombras. Por um lado, as pessoas bilingues desde pequenas utilizam mais áreas cerebrais, aumentam a sua capacidade cognitiva e são mais capazes de se adaptar às mudanças que as monolingues. Por outro lado, elas têm um processamento de linguagem menos eficiente.

Esta é a conclusão do projeto científico Consolider Brainglot, que há seis anos estuda a base neurocientífica do bilinguismo e cujos resultados foram apresentados na VI Oficina sobre Bilinguismo e Neurociência Cognitiva [realizada na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, na Espanha].

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O estudo, que contou com um orçamento de 5 milhões de euros e no qual participaram cem investigadores de quatro universidades espanholas – a Universidade Pompeu Fabra, a Universidade de Barcelona, a Universidade Jaime I [de Castellón de la Plana, na Comunidade Valenciana] e a Universidade do País Basco – estudou os mecanismos de cognição neurológica que permitem a aquisição e o uso de línguas diferentes.

Coordenada pela professora Núria Sebastián, da Universidade Pompeu Fabra, a investigação permitiu compreender que a morfologia do cérebro vem determinada pelo número de Línguas que são aprendidas simultaneamente, explicou a investigadora.

O estudo foi conduzido em Espanha, porque o país conta um “cenário perfeito” para a realização deste projeto, uma vez que há pessoas que usam línguas muito semelhantes, como o catalão e o castelhano, ou bem diferentes, como o castelhano e o basco.

–– Escolhendo constantemente em que língua se fala ––
O estudo concluiu que as pessoas que são bilingues desde que aprenderam a falar têm um processamento de linguagem menos eficiente. De acordo com Núria Sebastián, “quando uma pessoa bilingue fala, basta ela perceber que há uma segunda língua ‘perturbando’ que ela torna mais lenta a emissão de uma determinada palavra. Ou seja, o seu cérebro deve ficar a escolher constantemente em que língua se fala. Esta capacidade neurológica é conhecida tecnicamente como flexibilidade cognitiva.”

No entanto, devido à troca constante de idiomas, os bilingues desenvolvem outras habilidades cognitivas, não linguísticas, que lhes permitem adaptar-se com vantagem às mudanças de tarefas, segundo o estudo.

Segundo a professora Núria Sebastián, da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona, coordenadora do projeto, “quando uma pessoa bilingue fala, basta ela perceber que há uma segunda língua ‘perturbando’ que ela torna mais lenta a emissão de uma determinada palavra. Ou seja, o seu cérebro deve ficar a escolher constantemente em que língua se fala.”
 

Além de estudar as vantagens cognitivas associadas ao bilinguismo, uma outra seção do estudo Brainglot esteve concentrada na aprendizagem de uma segunda língua. O facto de que custa mais para aprender uma segunda língua a uma idade mais avançada que na qual aprendemos a primeira língua é porque esta primeira língua já ocupou um espaço prioritário no cérebro.

Assim, a investigação evidenciou que existem diferenças cerebrais morfológicas entre os indivíduos que são bilingues nativos e os que aprendem uma segunda língua quando são maiores de idade.

O projeto também permitiu estabelecer como são representadas no cérebro as diferenças entre um bilingue nativo e aquele que aprende depois uma segunda língua. “Como todos nós somos igualmente bons no aprendizado de línguas nativas, apenas foram identificadas as diferenças na instrução. O facto de que existem diferenças nas segundas línguas que são aprendidas sugere que determinadas formas de aprendizagem são mais eficientes”, destaca Núria Sebastián.

Em virtude disso, o projeto abriu o caminho para identificar os padrões cerebrais que se correlacionam com as melhores estratégias de aprendizagem e a possibilidade de que no futuro cada indivíduo possa saber qual a melhor maneira de aprender uma segunda língua.  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares)

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Los Bilingües desde Pequeños Utilizan Más Partes del Cerebro.
Extraído da Agencia EFE e do jornal 20 Minutos – Espanha
Publicado em: 20 set. 2013.

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Leia também:
Bebés podem distinguir idiomas mesmo antes de aprenderem a falar, diz estudo – 17 de fevereiro de 2013

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