Articles

Rui Machete: a dimensão global da Língua Portuguesa e dos países lusófonos na ONU

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 3 de Outubro de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , ,

Baseado em reportagens de Eleutério Guevane e Mônica Villela Grayley
da Rádio ONU – Nova York
30 de setembro de 2013

.
:::  África e Índia foram igualmente referidos no discurso do representante português na 68ª Assembleia Geral. Ele ainda destacou como preocupações da diplomacia portuguesa a transição na Guiné-Bissau.  :::

Rui Machete: “A Língua Portuguesa é o fator que tece a unidade entre a diversidade dos Estados da CPLP.”

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, Rui Machete, considerou difícil justificar a ausência do Brasil e da Índia do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

No discurso feito no pódio da Assembleia Geral no último sábado (28 de novembro), ele igualmente defendeu a presença cada vez maior de membros permanentes no órgão, incluindo representantes do continente africano.

“Porém, a reforma da nossa Organização nunca estará completa sem uma reforma do Conselho de Segurança, a qual abrange os seus métodos de trabalho, mas sobretudo a sua composição. É cada vez mais difícil de explicar como é que países como o Brasil e a Índia não integram ainda como membros permanentes o Conselho de Segurança”, afirmou.

Machete também mostrou preocupação com a possível prorrogação do período de transição na Guiné-Bissau, situação que foi associada à instabilidade da região africana do Sahel. Ele ainda reafirmou o apoio português à estratégia regional elaborada com auxílio das Nações Unidas.

“A comunidade internacional não poderá também deixar de sublinhar que, para que as eleições sejam livres, justas, transparentes e credíveis, as atuais autoridades guineenses devem garantir que todos os cidadãos guineenses, sem exceção, nelas possam participar do pleno uso dos seus direitos, incluindo, naturalmente, a liberdade de expressão e de associação”, completou.

–– “A Língua tece a unidade entre os Estados da CPLP” ––
Machete mencionou a dimensão global da Língua Portuguesa e o seu papel em várias entidades internacionais, reafirmando a intenção de ter o idioma adotado como Língua oficial na ONU.

“A Língua Portuguesa é o fator que tece a unidade entre a diversidade dos Estados que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Somos uma Comunidade de oito países presente em quatro continentes e com cerca de 250 milhões de falantes. Trata-se de ser a Língua de origem europeia mais falada no mundo com um papel e estatuto crescentes na cena internacional, quer enquanto veículo de comunicação, quer enquanto Língua econômica utilizada no comércio e nos negócios, Língua de cultura e utilizada também nas redes sociais”, apontou.

Por fim, Portugal solicitou maior liderança dos países em desenvolvimento na agenda global pós-2015 e propôs uma visão de parcerias com novos atores internacionais e a liderança de países em desenvolvimento.

–– “Dificuldade” para executar o Acordo Ortográfico ––

Rui Machete cumprimenta o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon: demanda pelo português como uma das Línguas oficiais da ONU.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal declarou que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa não é “certamente a única maneira de desenvolver o português.”

A declaração foi dada à Rádio ONU em uma entrevista antes do discurso do ministro na Assembleia Geral, no sábado.

Segundo Rui Machete, tem havido “alguma dificuldade em conseguir realizar o projeto” da reforma ortográfica como prevista no Acordo elaborado em 1990. Rui Machete comparou a situação das duas ortografias da Língua Portuguesa com a do inglês, também falado em vários continentes.

“Não é certamente a única maneira de desenvolver a Língua. Recorde, por exemplo, que o inglês falado na América ou falado em Inglaterra ou falado na Nova Zelândia ou na Austrália não tem acordos ortográficos, embora os escritores vão cuidando disso. Nós temos tido alguma dificuldade em conseguir realizar o projeto que se tinha de o Acordo Ortográfico ser tão vital para o desenvolvimento da Língua. Eu acho que é bom haver algumas regras básicas mínimas, mas para isso temos que deixar a Língua fluir. E portanto, nesta matéria, teremos de após alguns anos observar e ver se não temos que fazer eventualmente algumas pequenas alterações. Mas isso, eu não sou especialista, há que estudar. Há que ter um espírito aberto. A finalidade básica é expandir a Língua Portuguesa, a literatura portuguesa, as suas manifestações culturais etc. […] É um fenómeno muito complexo, muito amplo.”

–– Entrada em vigor do Acordo para 2016 ––
O Acordo Ortográfico foi endossado como braço técnico da proposta de internacionalização da Língua Portuguesa em 2008. A decisão foi anunciada na Cimeira de Chefes de Estado e Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [realizada em julho de 2008 em Lisboa]. Um ano depois, o Brasil implementou, voluntariamente, o Acordo sendo seguido por Portugal. A entrada em vigor, nos dois países, no entanto, que deveria ocorrer em 2013, foi adiada para 2016.  :::

.
–– Extraído da Rádio ONU – Organização das Nações Unidas, Nova York ––

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: