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A insistência na “ideologia da divisão” na Língua Portuguesa

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 30 de Setembro de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , ,

Ronaldo Santos Soares
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Universidade de São Paulo

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Uma polémica no edital de seleção para diretor do Centro Cultural Brasil-Moçambique novamente mostrou a cisão interna que ainda se tem na Lusofonia em relação à Língua Portuguesa, como se ela fosse dividida em fronteiras nacionais como territórios.

Cabe antes um esclarecimento de que legalmente a Língua oficial, de Estado, tanto do Brasil como de Moçambique, é a mesma Língua Portuguesa:

“A Língua Portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.”
–– Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, art. 13. ––
“Na República de Moçambique a Língua Portuguesa é a Língua oficial.”
–– Constituição da República de Moçambique de 2004, art. 10. ––

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Trata-se de uma Língua só, internacional, que sempre possuiu caráter universal ao longo de sua história. Quando os tempos de hoje ordenam a união e a integração, persistem as vozes da divisão que remetem ao passado, a uma visão de Língua com fronteiras nacionais. Ou a uma negativa visão imperialista de um só país sobre a Língua.

O exame aqui citado afirma a existência de um modo de escrever o português em uma “vertente brasileira” que, se porventura existia com o antigo Formulário Ortográfico Brasileiro de 1943, foi abolida pelo Acordo Ortográfico de 1990, ratificado pelo Brasil e que vai no caminho da uniformidade de regras de escrita para uma só Língua – a Língua Portuguesa.

Não se trata de “português do Brasil” ou “de Moçambique”, como tenta-se impor inclusive nos meios digitais. A Língua não é de um país só: referimo-nos a uma Língua internacional, que passou a ser do mundo. Legalmente, a Língua Portuguesa é uma só e assim reconhecida pelos Estados que a adotam como oficial.

O Acordo de 1990, embora não ratificado ainda por Moçambique, tratou de diluir muitas das diferenças de escrita das palavras da Língua. E deu às suas formas de escrita um tratamento internacional; não mais só português ou brasileiro ou moçambicano, mas lusófono; não mais confinado apenas em um ou em outro canto do mundo.

Sendo assim, por que, então, insistir em uma visão de Língua dividida, e que está sendo desafiada pela atual era da comunicação em escala global e instantânea? Por que manter a anacrônica cisão nacionalista dentro da Língua? Em nome da Lusofonia e de uma visão internacional do português, não é justo que sejam aceitas todas as formas legais de escrita da mesma Língua “filha ilustre do Latim”?

Mais sobre a crítica à cisão interna da Língua e à tentativa de impor a criação de um “português brasileiro”, como se fosse uma Língua à parte, no artigo abaixo:
Internacionalizar o português brasileiro: um novo imperialismo da Língua? – 19 de agosto de 2012
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por Ronaldo Santos Soares – Defesa da Língua Portuguesa

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A seguir, Ventos da Lusofonia reproduz a reportagem do portal África 21 Digital sobre a polêmica despertada em Moçambique sobre o requisito, dado em um processo de seleção de cargos feito pela Embaixada do Brasil em Maputo, de usar uma “vertente brasileira” para a escrita da Língua Portuguesa, de estatuto oficial compartilhado pelas duas nações.

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–– Brasil exige português da “vertente brasileira”
em concurso para Centro Cultural em Maputo ––

Do portal África 21 Digital
25 de setembro de 2013

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:::  A indelicadeza vem do fato de não existir uma “vertente brasileira”, conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa que foi assinado pelo Brasil. O Centro Cultural Brasil-Moçambique existe desde 1989.  :::

Edifício do Centro Cultural Brasil-Moçambique, inaugurado em Maputo em 1989 – Moçambique ainda não ratificou oficialmente o Acordo Ortográfico de 1990.
 

Maputo — Um concurso para diretor do Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), aberto no último dia 10 de setembro, está dando o que falar. Isso por que a Embaixada do Brasil em Maputo estabeleceu o seguinte requisito no edital: “desejável conhecimento da escrita portuguesa na vertente brasileira”.

O problema é que não existe uma “vertente brasileira”, conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, o qual unificou a ortografia do português e que foi assinado pelo Brasil.

A embaixada recusou a se pronunciar, por entender que não há polêmica no concurso relativa a esse tema.

O concurso para diretor do CCBM está aberto a candidatos brasileiros e estrangeiros que tenham residência permanente em Moçambique. Também são exigidos bons conhecimentos da cultura e literatura brasileira e moçambicana; experiência anterior em produção e gestão cultural; e fluência em inglês. O edital completo pode ser conferido no site [sítio] da Embaixada do Brasil em Maputo.

Dos oito Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), apenas Moçambique e Angola não ratificaram o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Embaixada do Brasil em Maputo – a polêmica de uma “vertente brasileira” na escrita da Língua Portuguesa, em tempos de Acordo Ortográfico.
 

–– Sobre o Centro Cultural Brasil-Moçambique ––
O Centro Cultural Brasil-Moçambique José Aparecido de Oliveira foi inaugurado em 27 de novembro de 1989, pelo então ministro da Cultura do Brasil, José Aparecido de Oliveira.

Ele nasceu no espírito do Acordo Geral de Cooperação entre o Brasil e Moçambique, firmado em 1981, e hoje oferece o Ensino de Português para estrangeiros, aulas de capoeira, uma biblioteca e dois auditórios.  :::

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Brasil exige português da “vertente brasileira” em concurso para Centro Cultural em Maputo.
Extraído do portal África 21 Digital – seção Conhecimento.
Publicado em: 25 set. 2013.

2 Respostas to “A insistência na “ideologia da divisão” na Língua Portuguesa”

  1. O artigo ‘ A insistência na “ideologia da divisão” na Língua Portuguesa’ tem um erro. A constituição Brasileira, artigo 13º, diz que a língua portuguesa é a nossa língua nacional

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