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Médicos estrangeiros aprendem expressões regionais para atuar no interior do Brasil

In Defesa da Língua Portuguesa, Lusofonia e Diversidade, O Mundo de Língua Portuguesa on 4 de Setembro de 2013 by ronsoar Tagged: , , , ,

Do portal G1 e do jornal Folha de S. Paulo (Brasil)
27 de agosto de 2013

Médicos de vários países participaram na aula inaugural de Língua Portuguesa em Salvador, Bahia, para atuarem no programa Mais Médicos.
 

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No dia 8 de julho, foi lançado pelo Ministério da Saúde do Brasil o programa Mais Médicos, voltado a levar cerca de 15 mil profissionais da medicina brasileiros e de outros países à atuação exclusiva em regiões mais pobres das grandes cidades e nos municípios do interior do país.

Os médicos estrangeiros participantes do programa Mais Médicos que estão em Estados do Nordeste brasileiro, como Bahia e Pernambuco, começaram as aulas de Língua Portuguesa na semana passada.

Na aula inaugural ocorrida no dia 26 de agosto no auditório do Banco do Brasil em Salvador, o secretário da Educação Superior do Ministério da Educação do Brasil (MEC), Paulo Speller, brincou com os profissionais estrangeiros sobre a experiência com o novo idioma. “Alguém aqui fala português? Todos vão falar português como bons baianos”, disse.

Primeiro, eles têm de dominar o vocabulário básico da Língua. Deverão aprender como se apresentar e dialogar com os pacientes e com a equipe de trabalho. A seguir, aprenderão expressões regionais brasileiras sobre situações, doenças e sintomas.

Os médicos receberão apostilas do MEC como suporte para o domínio da Língua durante as aulas.

Para Washington Abreu, supervisor da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, os médicos estrangeiros devem superar as difuculdades do idioma com o curso, mas também com a convivência com a população.

“O Brasil se preocupou com a adaptação dos termos. Não há muita diferença do ponto de vista técnico para a área. A não ser alguns regionalismos, como, por exemplo, ‘dor de facão’. Aqui se fala assim e vamos explicar a eles do que se trata. Todo material usado no curso vai ser disponibilizado para eles, tanto o de português como o de saúde”, disse Abreu.

–– “Estamos aprendendo o português de todos os dias” ––
A médica cubana Vilma Zamora Rodríguez, que trabalhou no Estado do Tocantins de 2001 a 2003, elogiou o modelo de aulas com o vocabulário básico e disse que o vocabulário específico começou a ser introduzido durante uma conversa sobre o sistema de saúde cubano.

“Começamos com números, pronomes e a comunicação mesmo: ‘A senhora, como se chama?’, ‘A cidade onde mora?'”, afirmou após as duas primeiras horas de aula de Língua Portuguesa. São dois ciclos de aulas por dia, cada um com duas horas de duração.

Ela contou que quando veio ao Brasil pela primeira vez não sabia dizer nada em português. “Aprendi com vocês [da imprensa]. Escutava muito a televisão, lia muito jornal e os livros de medicina”, disse Vilma.

A cubana afirmou que aprendeu no Tocantins palavras como “caxumba”, que conhecia apenas como “papeira” – em espanhol, a doença se chama parotidites. “O Brasil tem muita diferença entre uma população e outra, entre um local e outro, mas isso não é problema.”

O uruguaio Gabriel Pírez, casado com uma brasileira, acredita que os regionalismos podem ser uma dificuldade, mas não apenas para os estrangeiros.

Citou como exemplo “espinhela caída”. “Ainda não sei o que significa. Vocês sabem? [Resposta negativa dos jornalistas.] Viu? Essa é uma dificuldade que vocês têm como brasileiros”, disse, em tom de brincadeira. A expressão refere-se a uma forte dor no tórax.

“Tem diferenças, e cada região tem suas particularidades de idioma, mas isso vai se solucionar com a prática”, afirmou o uruguaio.

Os professores também ensinam a conjugação dos verbos e as palavras que são femininas em espanhol e masculinas em português. Além das palavras de significados completamente diferentes, como “xícara”, que em espanhol é taza.

O argentino Federico Valiente, de 44 anos, que frequenta o curso preparatório em Salvador, disse que a cartilha traz exemplos de “frases regionais” e “expressões populares”. Aprendemos que, em Minas Gerais, por exemplo, uma pessoa da roça que for dizer que tem um problema respiratório, dirá: “tenho peito cheio”. É muito interessante, bem feita. Estamos aprendendo como se fala aqui”, contou.

“Estamos aprendendo o português de todos os dias, que precisa dominar para falar com o paciente. Depois, vamos ter um português refinado. A terminologia técnica é muito similar”, completou o argentino.

Para o médico angolano Manoel Pulgado, naturalizado português, de 58 anos, que também frequenta o curso em Salvador, a Língua não constitui barreira, mesmo com as diferenças de sotaque. “A Língua é comum, é um trampolim, sinto-me em casa, é como se não tivesse saído. Tem um ligeiro sotaque, mas compreendo bem”, disse.

–– Módulo de Ensino de Português ––
Organizado pelo Ministério da Educação, o módulo de Língua Portuguesa permeia todos os sete eixos do curso do Mais Médicos.

O material foi produzido por seis professores de universidades federais, especificamente para receber os profissionais do programa. Todos são especialistas em Ensino de Português para Estrangeiros.

De acordo com o MEC, o curso tem o objetivo de “contribuir para que o médico se aproxime da Língua em algumas situações cotidianas da prática médica”. Dentro do programa de aulas, ao todo, cinco filmes serão exibidos ao grupo.

Os estrangeiros também precisarão aprender a “se apresentar em português” e a identificar as letras e os seus sons.  :::

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–– Extraído do portal G1 e do jornal Folha de S. Paulo (Brasil) ––

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Leia também:
• Brasil: médicos estrangeiros deverão apender a Língua Portuguesa – 16 de julho de 2013

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