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Os 125 anos de Fernando Pessoa

In Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 17 de Junho de 2013 by ronsoar Tagged: , , ,

Da Agência Brasil (Brasília, Brasil)

Fernando Pessoa, o maior poeta moderno da Língua Portuguesa, completaria 125 anos no dia 13 de junho de 2013.

Ele é considerado o maior nome da moderna poesia da Língua Portuguesa. Fernando António Nogueira Pessoa teria completado 125 anos na última quinta-feira, dia 13 de junho. Nascido no Chiado, em Lisboa, o poeta desdobrou-se e criou heterónimos – Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares – cada um com uma personalidade, cada um com uma biografia. Isto torna de Fernando Pessoa um nome singular na poesia mundial e na literatura universal.

O primeiro poema foi escrito aos 7 anos de idade para a mãe, de origem açoriana. Quando tinha 5 anos, seu pai, funcionário público e crítico musical do Diário de Notícias, morreu de tuberculose. Já no ano seguinte, a mãe casou-se pela segunda vez, por procuração, com o cônsul do então Reino de Portugal em Durban, África do Sul, país onde Fernando Pessoa viveu até aos 17. Ali, ele recebeu formal educação britânica, estudou autores ingleses, como Shakespeare, John Milton e Lord Byron. Isso explica o facto de seus primeiros textos literários terem sido escritos em língua inglesa.

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Após retornar sozinho a Lisboa em 1905, passou a interessar-se pela literatura portuguesa. Com sólido conhecimento das duas línguas, ganhou a vida a traduzir cartas comerciais. Nas horas vagas, ia ao café A Brasileira, no Chiado, e ao café Martinho da Arcada, na Praça do Comércio, onde sentava-se para escrever poemas.

Em 1915, participou da elaboração da revista Orpheu, que lançou a literatura modernista em Portugal. E em 1924, começou a escrever poemas com seus heterónimos, lançados na revista Athena.

O baú com o espólio literário de Fernando Pessoa, em frente à sua “biblioteca inglesa”: mais de 27 mil documentos postumamente descobertos.

Os únicos livros do poeta publicados em vida são as coletâneas de poemas em inglês Antinous, 35 Sonnets e English Poems I, II e III, editados entre 1918 e 1921, além do emblemático livro Mensagem, único que ele publicou em Língua Portuguesa, em 1934.

O poeta, que iniciou a vida escrevendo ainda criança, faleceu escrevendo. Foi colhido por uma cirrose hepática, em 1935, aos 47 anos. Sua última frase no leito de morte foi escrita em inglês: “I know not what tomorrow will bring” (“Eu não sei o que o amanhã trará”).

O grande poeta moderno, talvez já prevendo a importância do seu legado para o mundo, já anunciava em seu Livro do Desassossego: “Um dia, lá para o fim do futuro, alguém escreverá sobre mim um poema, e talvez só então eu comece a reinar no meu Reino.”

Setenta e oito anos depois após sua morte, a sua vasta obra, que não foi editada em vida, continua a ser fonte inesgotável de pesquisas e de novas publicações. A revista literária Granta, de origem britânica, publicou no mês passado na sua primeira edição portuguesa, cinco sonetos inéditos. Alguns dos versos:

“Que posso eu dar ao teu destino? Nada.
Nem eu mesmo sou feito para dar.
Encontrei-te na curva de uma estrada
E esqueci-me da curva e do lugar.”

Fernando Pessoa faleceu em 1935, mas seu reconhecimento só veio entre as décadas de 1940 e 1950, quando foi aberto um baú com um vasto conteúdo literário guardado por ele durante anos. Desde então, tornou-se tarefa difícil para os estudiosos reunir fragmentos de textos soltos e montar um verdadeiro quebra-cabeças a partir de 27 mil documentos, entre poesias, contos, criticas, traduções, rascunhos e anotações outras, como desenhos e cálculos de mapas astrais e comentários do cotidiano. E como cada pesquisador organiza as escrituras à sua maneira, sempre surgem novas antologias.

“Há uma produtividade que parece escapar às leis da natureza. Apesar dos 125 anos [de nascimento], Pessoa continua a publicar e, melhor ainda, vai continuar a publicar nos próximos anos”, diz Fernando Cabral Martins, professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Um dos maiores especialistas da obra de Fernando Pessoa, estudou boa parte do espólio literário guardado na Biblioteca Nacional de Portugal.

No acervo, estão guardadas 27.543 folhas de papel escritas pelo grande poeta, compradas pelo Governo português em 1969, e mais 249 documentos também escritos pelo autor e adquiridos a partir de 1980. Todo o conjunto foi digitalizado e estará disponível ao público em 2014.

O espólio de documentos de Fernando Pessoa está guardado no acervo da Biblioteca Nacional de Portugal.

Grande parte dos papéis ainda precisa ser estudada e classificada. Especialistas apontam que há textos sobre diversos assuntos – desde astrologia até sociologia –, mas não sabem com exatidão o que é de natureza literária e o que poderá vir a ser publicado.

A expectativa, no entanto, é que não haja mais poemas desconhecidos. “Nessas coisas é melhor não sermos categóricos, mas eu não creio que haja dentro do espólio poesia inédita”, opinou Fátima Lopes, responsável na Biblioteca Nacional de Portugal pelo Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea, onde estão os papéis de Fernando Pessoa.

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Segundo Fátima, a principal dificuldade de identificação está na letra do escritor. “Há uma infinidade de documentação que tem de ser estudada ao pormenor, por investigadores que conheçam Fernando Pessoa e consigam ler a letra. Por vezes, é preciso um esforço muito grande para conseguir decifrar a letra corrida”, diz.

Fernando Cabral Martins concorda com as argumentações de Fátima Lopes: “É difícil ler os manuscritos de Pessoa”. Ressaltou que, pela rapidez com que escrevia, um ou outro documento “torna-se um problema terrível de adivinhação”.

“Ele era múltiplo na escrita e na prática cotidiana”, explica Fernando Cabral Martins ao assinalar que além do vasto repertório de assuntos, o escritor dos heterónimos “era variado e não obedecia a ideia de coerência. Ele não se sentia obrigado a dizer a mesma coisa”.

O professor Fernando Segolin, de crítica literária da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e especialista brasileiro em Fernando Pessoa, relata por que a figura enigmática do poeta desperta interesse no leitor de hoje:

“Isso se deve a essa dimensão terna e por outro lado angustiada e consciente da contradição humana. E é um homem que fala também dos nossos pequenos dramas do dia a dia. Ele sempre foi durante toda sua vida um homem extremamente comum, que andava pelas ruas de Lisboa e trabalhava como correspondente comercial. E no instante em que ele percebeu que, na verdade, através da poesia, ele poderia oferecer ao mundo uma visão multifacetada, é que faz dele um grande poeta”.  :::

• Clique aqui para a consulta ao espólio de Fernando Pessoa, no sítio do Acervo Digital da Biblioteca Nacional de Portugal.

• Clique aqui para visitar o sítio da Casa Fernando Pessoa, mantida pela Câmara Municipal de Lisboa.

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–– Extraído da Agência Brasil (Brasília, Brasil) ––

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