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Dia de Camões: uma declamação de cor de ‘Os Lusíadas’ em Lisboa

In Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 9 de Junho de 2013 by ronsoar Tagged: , , , ,

Da Agência Lusa
6 de junho de 2013

O ator António Fonseca declamará em Lisboa Os Lusíadas, o grande poema épico português, no 10 de Junho, o Dia de Camões.
  

O ator António Fonseca declama o poema épico Os Lusíadas, de Luís de Camões, na próxima segunda-feira [dia 10 de junho – Dia de Camões e de Portugal], durante todo o dia, no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, anunciou esta sala.

A apresentação integral de Os Lusíadas é um projeto de António Fonseca, que data de 2008, quando começou a decorar os dez cantos que constituem o poema de Camões.

Defende o ator que Os Lusíadas, de “uma oralidade viva, [tem] um sabor da palavra gostosa que é própria dos bardos, dos aedos [declamadores de epopeias, na Grécia Antiga], dos jograis, dos Antónios Aleixos que nos restam”.

“É um livro para ser entoado por recitadores e não analisado por gramáticos”, remata o ator, em um comunicado enviado à Lusa.

A primeira apresentação da integral de Os Lusíadas aconteceu no ano passado [em 2012], em Guimarães, no âmbito da Capital Europeia da Cultura, precisamente no dia 10 de junho, que a tradição assinala como tendo sido quando Luís Vaz de Camões faleceu, no ano de 1580 – contaria então 55 anos.

António Fonseca voltou a recitar Os Lusíadas na íntegra, em março passado, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e volta a fazê-lo, na próxima segunda-feira – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas –, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, a partir das 10 horas.

“De hora a hora, é dito um canto, com 10 minutos de intervalo, entre cada um. Entre o canto terceiro e o quarto, haverá uma hora para almoçar, e entre o canto nono e o décimo, duas horas e meia para jantar; pelas 23 e 30, um grupo de dez atores diz o décimo canto”, juntando-se a António Fonseca, explicou à Lusa fonte do Teatro Municipal. Este grupo é constituído por Almeno Gonçalves, Carlos Malvarez, João Vicente, Natália Luiza, Marta Dias, Raquel Castro, Rita Durão, Sofia Marques, Tónan Quito e Vítor Andrade.

A declamação do poema épico, que conta a viagem marítima de Vasco da Gama, em 1498, de Lisboa a Calecute, evocando vários episódios da História de Portugal e imaginando uma trama mitológica clássica, é acompanhada por um ambiente musical criado por Fernando Mota.


 

–– Uma obra que alterou a “mundivisão ocidental” ––
Em comunicado enviado à Lusa, o ator afirma que, “para nós portugueses, Os Lusíadas são a maneira maior de contarmos um tempo de diversas formas, inscrito nos nossos cromossomas”.

O ator salienta que o poema realça a forma como os portugueses dos séculos XV e XVI contribuíram para alterar a “mundivisão ocidental”.

Neste período, “as paredes se romperam e os mares, muito maiores que o Mediterrâneo, entraram de enxurrada num mundo que estava cartografado havia mais de mil anos”.

Para António Fonseca, Os Lusíadas, publicado em 1569, é também “uma súmula do saber que resistiu ao tempo e que continua a resistir: os factos são históricos, ou ‘poético-históricos’, mas as suas profundas motivações são de todos os tempos”.

Neste sentido, o ator sublinha “a precisão e agudeza – e, às vezes, crueza – com que Camões as formula, embrulhadas nos processos poéticos, que podem deixar-nos o resto da vida a meditar”.

Justificando a leitura da obra épica de Camões, o ator afirma: “A catadupa de mudanças políticas, sociais e, sobretudo, económicas a que vimos assistindo, exige-nos o reforço da nossa identidade individual e coletiva, das âncoras de cumplicidade que temos de ir buscar mais longe, fora da efemeridade do presente.”

“Verifico frequentemente, no contacto com as pessoas, que a obra de Camões tem esse condão”, frisa.

A obra é também, segundo o ator, “objeto de estudo e, nessa qualidade, de amor, ódio, admiração e de memória coletiva”.  :::

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• Teatro Municipal São Luiz
Rua António Maria Cardoso, 38 – Chiado
Lisboa – Portugal

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–– Extraído da Agência Lusa ––

Uma resposta to “Dia de Camões: uma declamação de cor de ‘Os Lusíadas’ em Lisboa”

  1. `´É de louvar o trabalho do ator António Fonseca. Convém porém que o seu trabalho perdure.
    Por isso faço a seguinte sugestão: que uma editora faça a sua publicação em áudio-livro. Creio que, tratando-se d’ OS LUSÍADAS e do notável trabalho do ator, o seu êxito editorial e comercial sem dúvida estaria assegurado. Manuel Fernandes

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