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A melhor Língua é o Português – mas sem fronteiras

In Defesa da Língua Portuguesa, Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 6 de Junho de 2013 by ronsoar Tagged: , , , , ,

:::  A Língua Portuguesa foi escolhida como a melhor para se aprender por uma publicação internacional. Mas falta ainda, de dentro da Lusofonia, devolver a ela uma visão internacional.  :::

Hoje – acima de todo nacionalismo ou de um imperialismo vindo de um país sobre toda a Língua –, faz falta uma política de ensino para uma Língua Portuguesa que não seja só brasileira ou só portuguesa, mas que seja internacional, seja lusófona.

A Língua Portuguesa vive mais um momento de grande projeção no mundo. Porém, ainda é preciso desfazer as divisões que se tentam ideologicamente criar dentro da Língua. Faz falta uma política de ensino para uma Língua Portuguesa internacional, de convergência mundial. Que não seja só brasileira ou só portuguesa, mas que – acima de todo nacionalismo – seja internacional, seja lusófona.

No português, tanto em um lado como em outro do Atlântico, a gramática é praticamente a mesma. Os modelos de ortografia, de flexões e de ordem sintática são os mesmos, só havendo a natural variação nas pronúncias. Há variações nas formas da fala do português no Brasil, o paulista, o mineiro, o carioca, o gaúcho, o nordestino; assim como nas formas do português em Portugal, o lisboeta, o portuense, o alentejano, o beirão, o açoriano; isso sem falar na África, em Macau, em Goa, em Timor-Leste.

Portanto, há uma unidade gramatical, e são muito poucas entre si as diferenças no léxico. As palavras essenciais do português falado em todo o mundo são as mesmas, e de longe há no conjunto do léxico muito mais coincidências do que diferenças. Assim como normalmente há algumas diferenças de léxico e de pronúncias entre o inglês britânico e o inglês americano, mas aí também trata-se de uma só língua.

A própria autora reconhece que, ao aprender a Língua Portuguesa no Brasil, pode-se dominar o português internacional “com uma pronúncia nova e com umas poucas palavras novas”.

O enfoque do texto recai sobre a força económica da Língua, sobretudo a de sua variante brasileira – não se pode falar em “português do Brasil” como uma Língua própria pelas razões citadas acima e que permitem uma intercompreensão perfeita entre seus falantes e seus leitores de qualquer parte do mundo. Em um mundo de comunicação em escala mundial, dar o caráter da Língua Portuguesa como se fosse de um só país é tirar dela o caráter que historicamente teve de uma Língua global.

Condenam-se hoje em dia os isolacionismos e o imperialismo vindo de um país sobre toda a Língua. Aquele sentimento de divisão que faz as empresas exigirem de profissionais um “‘português brasileiro fluente’ em seus currículos” – ou mesmo, tão simples, de um fluente “brasileiro”…

Mas essa Língua é a portuguesa. E trata-se de uma só Língua, da “filha ilustre do Latim”. O português é uma Língua do mundo, e deve ser-lhe dado um enfoque universalizante, internacional – razão de existência da Lusofonia.

*              *              *

A seguir, o texto de Helen Joyce – correspondente do suplemento Intelligent Life, da revista britânica The Economist –, publicado em março, que elogiou a Língua, mas reacendeu o tema quanto a suas variantes. Por razões de relação entre um idioma e a sua presença na economia, a autora elege, como “a melhor Língua a aprender”, a Língua Portuguesa – mas coloca fronteiras dentro da Lusofonia ao escolher, restritiva e especificamente, o português do Brasil.

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–– A melhor Língua é o Português do Brasil ––

Helen Joyce, correspondente em São Paulo
Do suplemento Intelligent Life, da revista The Economist (Reino Unido)

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:::  Se você quiser um retorno decente de seu investimento –diz Helen Joyce–, a melhor Língua a aprender é o português brasileiro.  :::

De acordo com a autora, “se você quiser um retorno decente de seu investimento, a melhor Língua a aprender é o português brasileiro. Com a Língua Portuguesa como cinto de segurança, você voará longe.”

 

Alguns lunáticos aprendem línguas por diversão. O restante de nós está buscando algum retorno de nosso investimento. O que significa escolher uma Língua com um número vasto de falantes nativos. Falada por pessoas com quem vale a pena conversar, em um lugar que vale a pena visitar. E com línguas aparentadas, próximas, de maneira que tenha uma boa fonte para começar a sua terceira língua. Uma que não seja tão distante do inglês para dela se desistir.

E há, de facto, uma única escolha racional: o português brasileiro. O Brasil é grande (são 190 milhões de habitantes: é a metade do continente). Suas expectativas econômicas são brilhantes. São Paulo é a capital dos negócios da América Latina. Nenhum outro país tem flora e fauna mais bela e mais variada. É o lar da mais extensa floresta em pé do mundo: a Amazônia. O clima é excelente, assim como as praias. O povo é amigável, e não se envergonha com mentirinhas. Vão dizer a você –”O seu português é maravilhoso!”– muitas vezes antes que isso seja verdade.

Você não precisará de um alfabeto novo nem tanto de uma gramática nova, embora possa achar a Língua viciada em declinações –(1)– e com um zelo imotivado pelo verbo no subjuntivo –(2)–. Aprenderá centenas de palavras sem esforço (“azul” para blue, “verde” para green) e será capaz de adivinhar frases inteiras (“o sistema bancário é muito forte” para the banking system is very strong). Com nova pronúncia e umas poucas palavras novas, poderá fazer viagens por Portugal e por partes de África. Se você fala espanhol, francês ou italiano, vai perceber que metade do trabalho já está feito – mas, se não, por que não tentar? Com a Língua Portuguesa como cinto de segurança, você voará longe.

E o melhor de tudo: você vai se destacar. Somente cerca de 10 milhões de brasileiros têm um inglês razoável, e de longe há mais anglófonos que falam francês ou espanhol do que o português, com algum gosto. Não escolhi esta Língua; ela foi empurrada para mim devido a uma oferta de emprego em São Paulo. Mas quando penso em meus filhos –já com dez e com cinco anos– serem um dia capazes de escrever “português brasileiro fluente” em seus currículos, sinto um pouco de grande satisfação.  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares.)

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–– Notas: ––
–(1)– A autora provavelmente faz referência às muitas flexões das conjugações verbais, chamando-as, por lapso, de declinações – não há, na Língua Portuguesa, declinações em relação aos substantivos e às palavras a eles ligadas, como há no latim e, muito residualmente, no inglês (embora tanto o latim quanto o inglês antigo fossem línguas com muitas declinações de nomes, que não foram passadas respectivamente ao português e ao inglês atual).

–(2)– O modo verbal que expressa uma ação suposta, imaginada ou possível, e ligada a um facto, tem o nome de subjuntivo no Brasil e de conjuntivo em Portugal e nas demais regiões e países da Lusofonia.

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JOYCE, Helen. Brazilian Portuguese is the best language.
Extraído do suplemento Intelligent Life, da revista The Economist (Reino Unido).
Publicado em: mar. 2013.

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