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Nuno Júdice vence Prémio Rainha Sofia e evidencia “a importância da poesia portuguesa”

In Língua Portuguesa Internacional, O Mundo de Língua Portuguesa on 21 de Maio de 2013 by ronsoar Tagged: , , , ,

Da Agência Lusa
16 de maio de 2013

O poeta português Nuno Júdice foi o vencedor no dia 16 com o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, que reconhece o conjunto de uma obra de um autor vivo, cujo valor literário constitui uma contribuição relevante ao património cultural do mundo ibero-americano.

O prémio anunciado em Madri, em sua 22ª edição e dotado com o valor de 42.100 euros, é atribuído pela Universidade de Salamanca e pelo Património Nacional – entidade vinculada ao Governo espanhol que administra os bens da Coroa Real de Espanha.

Os candidatos são indicados pela Real Academia Espanhola, pelas Academias da Língua dos países ibero-americanos e pelos departamentos de filologia hispânica, filosofia e literatura das universidades ibero-americanas. Os vencedores são escolhidos por um júri composto de cerca de vinte académicos e escritores de língua espanhola de renome internacional.

“Vai dar projeção à minha obra, mas mais importante que isso, mostra que a poesia portuguesa continua a ter um papel importante neste contexto [ibero-americano]”, disse à Agência Lusa o autor, que confessou estar “contentíssimo” como o galardão.

Nuno Júdice, que está publicado em Espanha e em vários países da América Latina, reconheceu que é “razoavelmente conhecido, mas não foi isso que terá contribuído para o prémio”, que foi “uma surpresa quando soube hoje de manhã [no dia 16 de maio]”.

O poeta está a trabalhar em um novo livro de poesia, ainda sem título, que “deverá ser editado no final deste ano ou no princípio do próximo”.

Nuno Júdice, de 64 anos, natural do Algarve, é autor de 30 livros de poesia, entre eles, A Matéria do Poema, de 2008, e Guia de Conceitos Básicos, editado em 2010.

O autor, que começou a publicar poesia em 1972 – A Noção do Poema e O Pavão Sonoro –, tem escrito também obras de ensaio, teatro e ficção.

Além do universo hispânico, Nuno Júdice tem obras traduzidas em Itália, Inglaterra e França. A obra de Nuno Júdice tem sido distinguida com vários galardões, e em 1994 foi finalista do Prémio Europeu de Literatura.  :::

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–– Extraído da Agência Lusa ––

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–– Onde as ideias se materializam ––
Nuno Júdice vence o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana

Antonio Ortega
do jornal El País (Madri, Espanha)
16 de maio de 2013

Mais de quatro décadas de escrita poética fizeram com justiça a Nuno Júdice merecedor do 22º Prémio Rainha Sofia de Poesia, sendo o segundo português a recebê-lo depois de Sophia de Mello Breyner-Andresen [em 2003], e juntamente com João Cabral de Melo Neto [em 1994], o terceiro de Língua Portuguesa.

Sua poesia, surgida na década de setenta do século XX, ao mesmo tempo que em Espanha levou à naturalização da novíssima geração, revela já uma de suas preocupações, a de fazer reflexões sobre sua própria escrita, sobre a linguagem e sobre seus referentes imaginários, a “vida textual” ao lado da vida real, tal como Rui Diniz, poeta também de sua geração, deixou claro: “A arte […] coloca hoje os problemas de sua teoria no próprio ato de sua invenção”.

Seus poemas crescem graças ao desenvolvimento dramático de uma linguagem que explora com eficácia a realidade e seus signos, a encontrar um equilíbrio necessário entre a subjetividade criativa e a objetividade e materialidade da escrita. Uma experiência de realidade e de linguagem que, baseada na imaginação, vai além das “realidades de um mundo aparente”, a fim de entender “todo o invisível que há na criação”.

Seus poemas são corpos, nos quais se materializam as ideias e os sentimentos e, parafraseando um dos textos de seu livro Linhas de Água [de 2000], o leitor os sobrevoa como uma ave que espera a oportunidade para capturar a sua presa, buscando a imagem que lhe permita apreender o poema e, como fazem os colecionadores de borboletas, estender suas asas, deixando a beleza nascer de sua simetria perfeita, como se uma flor dúplice pudesse viver eternamente.

É a serenidade de quem é capaz de relatar e criticar com lucidez o mundo, de meditar e tornar possível o sentimento, de mapear as emoções, de quem tem o poder de mostrar a geometria variável das coisas mais simples e eternas, criando para nós um guia básico para a existência cotidiana.

Nuno Júdice é, sem a menor dúvida, o poeta mais representativo da atual literatura portuguesa e uma das personalidades poéticas europeias mais indiscutíveis, a marca e guia de gerações de poetas e a voz da modernidade em Língua Portuguesa. Um prémio que recompensa, de longe, a quem pôde com a sua escrita dar nome ao que não o tem, e, assim, salvar os gestos e os sinais do mundo em que vivemos.  :::

(Tradução de Ronaldo Santos Soares.)

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ORTEGA, Antonio. Donde las ideas se materializan.
Extraído do jornal El País – seção Cultura, subseção Opinión.
Publicado em: 16 maio 2013.

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